"Carta aberta à presidência do IPHAN".

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O problema

Carta aberta à presidência do IPHAN
Quantos anos tem a cidade de Goiás? Sua fundação data de 1727. Sua história se confunde com a própria história do estado. A história do estado de Goiás nasce a partir da história construída aqui às margens do Rio Vermelho.
Como estava a cidade de Goiás quando ocorreram os primeiros e isolados tombamentos feitos pela União? Como estava a cidade, seu casario, igrejas e prédios públicos quando o tombamento foi ampliado para alcançar em conjunto grande parte do centro histórico? Como a cidade se encontrava quando, após a conferência do título de Patrimônio da Humanidade, o polígono tombado e respectiva área de entorno foi ampliado pela retificação de 2004?
A resposta todos conhecem, inclusive o IPHAN e seus gestores, estes por dever de ofício, todo o centro histórico sempre foi bem conservado; a cidade de Goias sempre manteve preservadas suas fortes peculiaridades e características, tudo que, enfim, a distingue como um valioso bem histórico e cultural. Ou seja, quando a União, pelo que hoje se chama IPHAN, voltou seus olhos para esta cidade ela não era menos do que é atualmente.
A cidade de Goiás é e está da forma como os vilaboenses sempre quiseram que ela fosse e ficasse.
Assim, tem o IPHAN real legitimidade para demolir prédios públicos sem ouvir os vilaboenses? Pode o IPHAN interferir e alterar a paisagem local de acordo com seus próprios e inexplicados critérios sem indagar o que pensam e o que querem os habitantes do lugar? Será que é mesmo do IPHAN a decisão sobre o que é ou não bom para a cidade, sobre o que deve ou não ser mantido? A que fim se destina esta cidade de Goiás? Deve ela servir de morada àqueles que a escolheram, que nela têm residência ou deve apenas servir como fachada, palco e cenário histórico, conforme o que desta forma for definido pelo IPHAN? O que pode o IPHAN? Tudo? Há limites para sua atuação? É legítimo o órgão criar um falso histórico?
Qual base legal e fática sustentam a destruição do Teatro São Joaquim? Pensa o IPHAN que na cidade de Goiás a história chegou ao seu final na mesma ocasião e período em que foi encerrada a fase colonial? O que veio depois não é histórico, não representa uma época, não tem valor? Seria esta a razão determinante da destruição do Teatro São Joaquim? Será que o Teatro foi destruído apenas porque os técnicos do IPHAN o julgavam feio, porque não conseguiam ver nele a passagem e o curso da história? Não é um absurdo uma construção sem defeitos ser destruída para em seu lugar ser erigida outra destinada à mesma finalidade?
Pensando nestes termos: a Igreja do Rosário é destituída de valor histórico? Não guardando a referida igreja estilo colonial, também deverá ser eliminada? E a Catedral de Santana, está igualmente condenada? O que dizer sobre o monumento que sustenta, sustentava, a Cruz do Anhanguera, sabendo que a construção original foi levantada no século passado?
Está publicado edital para “requalificação” do prédio sede da prefeitura local. O Teatro São Joaquim, informa a placa instalada em frente ao local onde ele existiu até ser destruído, também seria objeto de “requalificação”. Sabendo disso, indaga-se: a sede da prefeitura também será destruída?
Com base em todo o exposto, questiona-se: as regras do tombamento valem somente para os particulares, não valem para o IPHAN? A comunidade vilaboense pede resposta às suas indagações e que lhe seja aberto canal de diálogo permanente com o IPHAN, por meio de seus dirigentes. *

Os tomadores de decisão

Presidência do IPHAN
Presidência do IPHAN

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