Parem os maus-tratos contra ursos polares em expedições científicas em Svalbard

Parem os maus-tratos contra ursos polares em expedições científicas em Svalbard

The Issue

ENGLISH

Por favor, assine esta petição e compartilhe com o mundo. Somos a voz desses ursos.

TEXTO E FOTO: JOSHUA HOLKO, FUNDADOR DA WILD NATURE PHOTO TRAVEL:


Ao Governador de Svalbard (e às agências de notícias mundiais e à Association of Arctic Expedition Cruise Operators - AECO),

Muitos fotógrafos de vida selvagem e turistas que visitam Svalbard já estão cientes das regulamentações cada vez mais absurdas impostas aos visitantes da região, especialmente referentes à proteção dos ursos polares. Uma das normas mais controversas é a exigência do distanciamento mínimo de 500 metros de um urso polar—independentemente da circunstância. Isso inclui a observação feita da segurança de uma embarcação de expedição e mesmo quando o urso se aproxima voluntariamente. Fotógrafos, entusiastas da vida selvagem e amantes da natureza estão sendo afastados cada vez mais, forçados a recuar justamente quando a natureza se torna íntima e mágica. Essas novas regras não foram criadas para proteger os ursos polares, e sim para impedir sua observação em Svalbard.


A nova lei (Decreto Legislativo 65 2023–2024), aprovada em meados de 2024, estabelece:

É proibido perturbar, atrair ou perseguir desnecessariamente ursos polares. Ninguém pode se aproximar ou permanecer a menos de 300 metros de um urso polar. De 1 de março a 30 de junho, ninguém pode se aproximar ou permanecer a menos de 500 metros de um urso polar. Quem avistar um urso polar a uma distância menor que o limite legal deve se afastar para manter a distância exigida.

No entanto, em 20 de abril de 2025, testemunhei (com mais de uma dúzia de pessoas dispostas a testemunhar) algo que coloca em xeque a justificativa dessas restrições. Documentei uma cena absolutamente vergonhosa envolvendo supostos “pesquisadores/cientistas” que, sob o pretexto da ciência, assediaram e estressaram um urso polar selvagem com seu helicóptero. Não foi um mal-entendido nem uma intervenção necessária. Foi uma perseguição prolongada e em alta velocidade que deixou o majestoso animal em pânico, exausto, estressado e visivelmente aterrorizado. O evento ocorreu em 77º 43.230 N e 015º21.466’ E, e foi presenciado por todos a bordo do navio de expedição M.S. Freya.

Estávamos observando esse urso a partir de uma distância respeitosa—mais de 3 quilômetros de distância—enquanto ele descansava pacificamente no gelo e vagava calmamente pela paisagem congelada. Estava calmo, tranquilo e se comportando de forma completamente natural. Observamos o urso por mais de quatro horas, mantendo distância e respeitando o ambiente e o animal. Então veio o helicóptero.

Voando em baixa altitude e alta velocidade, o helicóptero assustou o urso quase que imediatamente. Ele se levantou repentinamente e começou a correr em velocidade máxima, claramente aterrorizado com o barulho e a presença da aeronave. O que se seguiu não foi uma operação rápida de sedação e liberação. Em vez disso, o helicóptero perseguiu o urso implacavelmente por mais de trinta minutos, voando a poucos metros de distância do animal em fuga, agora altamente estressado. Isso não foi pesquisa—foi uma caçada. E foi de partir o coração assistir.

Após o urso estar claramente exausto e sem energia para continuar correndo, ele foi sedado. Imagine isso: aterrorizar um animal até o ponto da exaustão total e estresse antes de sedá-lo. Tudo isso em nome da “ciência”.

Vamos ser absolutamente claros aqui: foi um caso de maus-tratos, puro e simples.
Não há justificativas, esse tipo de tratamento a um animal selvagem não é apenas antiético, é totalmente incompatível com as regras rígidas impostas a todos os demais em Svalbard. Se um grupo de fotógrafos ou turistas tivesse se comportado dessa maneira—aproximando-se tanto de um urso, fazendo-o fugir com medo, perturbando seu comportamento natural—seríamos repudiados. Multados. Talvez até banidos. Mas quando é um helicóptero com o símbolo de uma instituição de pesquisa, esse comportamento de repente se torna justificável?

Quero deixar claro: não sou contra a ciência sobre ursos polares. Sou contra a natureza invasiva e altamente estressante com que essa “ciência” está sendo conduzida atualmente pelo Instituto Polar Norueguês. Eles, e vocês (que autorizaram as atividades deste helicóptero), são responsáveis.

Não podemos permanecer inertes e permitir que esse tipo de hipocrisia continue impune. As regras em Svalbard devem ser aplicadas de forma consistente, independentemente de quem as infringe—seja um cientista de jaleco ou um fotógrafo com câmera. Se não é aceitável que um navio de expedição permaneça parado enquanto um urso curioso se aproxima, como pode ser aceitável persegui-lo com um helicóptero até que colapse de medo, estresse e exaustão?

Este não é um caso isolado. Relatos de outras pessoas que passaram tempo no Ártico contam histórias semelhantes de “pesquisa” sendo usada como escudo para interferência desnecessária e perturbadora na vida selvagem. Já passou da hora de começarmos a questionar quem está realmente perturbando a ordem natural em Svalbard.

Incluí aqui uma fotografia—um recorte com zoom feito com lente de 600mm—que captura o momento em que este urso, completamente esgotado e assustado, tentou escapar do predador mecânico que o sobrevoava. Não é fácil de ver, mas é vital que essa imagem seja vista. Já a compartilhei amplamente, inclusive com o presidente da AECO. Continuarei enviando a todas as instituições responsáveis pela regulamentação e supervisão da vida selvagem no Ártico.

Isso precisa parar.

O urso polar não é apenas um símbolo do Ártico—é uma espécie no topo da cadeia alimentar que já sofre enorme pressão devido ao rápido aquecimento global. O mínimo que podemos fazer é tratá-lo com o respeito e dignidade que merece. E isso significa cobrar de todos—cientistas, turistas, guias e, sim, fotógrafos—o mesmo padrão de comportamento ético.

O mundo está observando. Vamos garantir que Svalbard faça melhor. 


Adendo: Por meio de um amigo em comum, Morten Jørgensen (autor de Polar Bears on the Edge: Heading for Extinction), Nikita Ovsyanikov (Doutor em Ciências Biológicas, especialista em ursos polares), entrou em contato com a seguinte declaração:

“Esta é uma mensagem muito poderosa sobre a violência cometida contra o urso por cientistas de ursos polares em Svalbard. E essa evidência deve ser amplamente publicada em todos os meios possíveis, de todas as formas possíveis. A ciência está conduzindo seus negócios cínicos, colocando os ursos polares em risco para “responder à pergunta de como o aquecimento global está afetando os ursos polares”. Esses cientistas estão levando os ursos polares à extinção. O que eles estão fazendo é um crime ecológico, nada mais!

Considerando os aspectos legais desse evento, e dessa metodologia invasiva em geral, deve-se aplicar a seguinte qualificação:

Devido ao seu impacto de fato sobre os animais, essa aplicação de metodologia invasiva deve ser interpretada como uma violação da lei. Existem leis destinadas a proteger os animais da crueldade, e isso é um tratamento cruel e intencional de um animal. Existem leis que protegem espécies ameaçadas, e esse tratamento intencional tem um forte impacto negativo sobre um animal ameaçado e protegido.

Esse assédio a animais e violação dos princípios humanitários e de conservação deve ser interrompido. A proteção dos animais contra a crueldade e a proteção de espécies ameaçadas contra impactos negativos que reduzem sua capacidade de sobrevivência (as evidências são numerosas, mas continuamente negadas pelos cientistas mais interessados em manter seus negócios) deve se tornar real e efetiva.”

Nikita Ovsyanikov
Doutor em Ciências Biológicas
Especialista em ursos polares

Etólogo e conservacionista

Dr. Nikita Ovsyanikov é amplamente reconhecido como o cientista de ursos polares mais experiente do mundo, com décadas de experiência de campo com esses animais.

 

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TEXTO E FOTO: JOSHUA HOLKO, FUNDADOR DA WILD NATURE PHOTO TRAVEL:


Ao Governador de Svalbard (e às agências de notícias mundiais e à Association of Arctic Expedition Cruise Operators - AECO),

Muitos fotógrafos de vida selvagem e turistas que visitam Svalbard já estão cientes das regulamentações cada vez mais absurdas impostas aos visitantes da região, especialmente referentes à proteção dos ursos polares. Uma das normas mais controversas é a exigência do distanciamento mínimo de 500 metros de um urso polar—independentemente da circunstância. Isso inclui a observação feita da segurança de uma embarcação de expedição e mesmo quando o urso se aproxima voluntariamente. Fotógrafos, entusiastas da vida selvagem e amantes da natureza estão sendo afastados cada vez mais, forçados a recuar justamente quando a natureza se torna íntima e mágica. Essas novas regras não foram criadas para proteger os ursos polares, e sim para impedir sua observação em Svalbard.


A nova lei (Decreto Legislativo 65 2023–2024), aprovada em meados de 2024, estabelece:

É proibido perturbar, atrair ou perseguir desnecessariamente ursos polares. Ninguém pode se aproximar ou permanecer a menos de 300 metros de um urso polar. De 1 de março a 30 de junho, ninguém pode se aproximar ou permanecer a menos de 500 metros de um urso polar. Quem avistar um urso polar a uma distância menor que o limite legal deve se afastar para manter a distância exigida.

No entanto, em 20 de abril de 2025, testemunhei (com mais de uma dúzia de pessoas dispostas a testemunhar) algo que coloca em xeque a justificativa dessas restrições. Documentei uma cena absolutamente vergonhosa envolvendo supostos “pesquisadores/cientistas” que, sob o pretexto da ciência, assediaram e estressaram um urso polar selvagem com seu helicóptero. Não foi um mal-entendido nem uma intervenção necessária. Foi uma perseguição prolongada e em alta velocidade que deixou o majestoso animal em pânico, exausto, estressado e visivelmente aterrorizado. O evento ocorreu em 77º 43.230 N e 015º21.466’ E, e foi presenciado por todos a bordo do navio de expedição M.S. Freya.

Estávamos observando esse urso a partir de uma distância respeitosa—mais de 3 quilômetros de distância—enquanto ele descansava pacificamente no gelo e vagava calmamente pela paisagem congelada. Estava calmo, tranquilo e se comportando de forma completamente natural. Observamos o urso por mais de quatro horas, mantendo distância e respeitando o ambiente e o animal. Então veio o helicóptero.

Voando em baixa altitude e alta velocidade, o helicóptero assustou o urso quase que imediatamente. Ele se levantou repentinamente e começou a correr em velocidade máxima, claramente aterrorizado com o barulho e a presença da aeronave. O que se seguiu não foi uma operação rápida de sedação e liberação. Em vez disso, o helicóptero perseguiu o urso implacavelmente por mais de trinta minutos, voando a poucos metros de distância do animal em fuga, agora altamente estressado. Isso não foi pesquisa—foi uma caçada. E foi de partir o coração assistir.

Após o urso estar claramente exausto e sem energia para continuar correndo, ele foi sedado. Imagine isso: aterrorizar um animal até o ponto da exaustão total e estresse antes de sedá-lo. Tudo isso em nome da “ciência”.

Vamos ser absolutamente claros aqui: foi um caso de maus-tratos, puro e simples.
Não há justificativas, esse tipo de tratamento a um animal selvagem não é apenas antiético, é totalmente incompatível com as regras rígidas impostas a todos os demais em Svalbard. Se um grupo de fotógrafos ou turistas tivesse se comportado dessa maneira—aproximando-se tanto de um urso, fazendo-o fugir com medo, perturbando seu comportamento natural—seríamos repudiados. Multados. Talvez até banidos. Mas quando é um helicóptero com o símbolo de uma instituição de pesquisa, esse comportamento de repente se torna justificável?

Quero deixar claro: não sou contra a ciência sobre ursos polares. Sou contra a natureza invasiva e altamente estressante com que essa “ciência” está sendo conduzida atualmente pelo Instituto Polar Norueguês. Eles, e vocês (que autorizaram as atividades deste helicóptero), são responsáveis.

Não podemos permanecer inertes e permitir que esse tipo de hipocrisia continue impune. As regras em Svalbard devem ser aplicadas de forma consistente, independentemente de quem as infringe—seja um cientista de jaleco ou um fotógrafo com câmera. Se não é aceitável que um navio de expedição permaneça parado enquanto um urso curioso se aproxima, como pode ser aceitável persegui-lo com um helicóptero até que colapse de medo, estresse e exaustão?

Este não é um caso isolado. Relatos de outras pessoas que passaram tempo no Ártico contam histórias semelhantes de “pesquisa” sendo usada como escudo para interferência desnecessária e perturbadora na vida selvagem. Já passou da hora de começarmos a questionar quem está realmente perturbando a ordem natural em Svalbard.

Incluí aqui uma fotografia—um recorte com zoom feito com lente de 600mm—que captura o momento em que este urso, completamente esgotado e assustado, tentou escapar do predador mecânico que o sobrevoava. Não é fácil de ver, mas é vital que essa imagem seja vista. Já a compartilhei amplamente, inclusive com o presidente da AECO. Continuarei enviando a todas as instituições responsáveis pela regulamentação e supervisão da vida selvagem no Ártico.

Isso precisa parar.

O urso polar não é apenas um símbolo do Ártico—é uma espécie no topo da cadeia alimentar que já sofre enorme pressão devido ao rápido aquecimento global. O mínimo que podemos fazer é tratá-lo com o respeito e dignidade que merece. E isso significa cobrar de todos—cientistas, turistas, guias e, sim, fotógrafos—o mesmo padrão de comportamento ético.

O mundo está observando. Vamos garantir que Svalbard faça melhor. 


Adendo: Por meio de um amigo em comum, Morten Jørgensen (autor de Polar Bears on the Edge: Heading for Extinction), Nikita Ovsyanikov (Doutor em Ciências Biológicas, especialista em ursos polares), entrou em contato com a seguinte declaração:

“Esta é uma mensagem muito poderosa sobre a violência cometida contra o urso por cientistas de ursos polares em Svalbard. E essa evidência deve ser amplamente publicada em todos os meios possíveis, de todas as formas possíveis. A ciência está conduzindo seus negócios cínicos, colocando os ursos polares em risco para “responder à pergunta de como o aquecimento global está afetando os ursos polares”. Esses cientistas estão levando os ursos polares à extinção. O que eles estão fazendo é um crime ecológico, nada mais!

Considerando os aspectos legais desse evento, e dessa metodologia invasiva em geral, deve-se aplicar a seguinte qualificação:

Devido ao seu impacto de fato sobre os animais, essa aplicação de metodologia invasiva deve ser interpretada como uma violação da lei. Existem leis destinadas a proteger os animais da crueldade, e isso é um tratamento cruel e intencional de um animal. Existem leis que protegem espécies ameaçadas, e esse tratamento intencional tem um forte impacto negativo sobre um animal ameaçado e protegido.

Esse assédio a animais e violação dos princípios humanitários e de conservação deve ser interrompido. A proteção dos animais contra a crueldade e a proteção de espécies ameaçadas contra impactos negativos que reduzem sua capacidade de sobrevivência (as evidências são numerosas, mas continuamente negadas pelos cientistas mais interessados em manter seus negócios) deve se tornar real e efetiva.”

Nikita Ovsyanikov
Doutor em Ciências Biológicas
Especialista em ursos polares

Etólogo e conservacionista

Dr. Nikita Ovsyanikov é amplamente reconhecido como o cientista de ursos polares mais experiente do mundo, com décadas de experiência de campo com esses animais.

 

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