Em Defesa das Políticas Públicas para o Meio Ambiente e dos Direitos Humanos #FORASALLES

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O problema

MANIFESTO EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE E OS DIREITOS HUMANOS

Nós, cidadãs e cidadãos, instituições, coletivos e demais membros da sociedade civil aqui representadas, viemos manifestar o nosso profundo repúdio à negligência e inatividade das autoridades competentes do governo federal brasileiro diante dos acontecimentos que têm colocado em risco a integridade das nossas florestas e nossos povos, em especial os incêndios em curso na Amazônia e no Pantanal.

Desde o início de 2019, as ações do Ministério do Meio Ambiente, comandado por Ricardo Salles, têm sido direcionadas a desestruturar e desfinanciar os órgãos e instituições que trabalham para proteger e preservar o patrimônio natural brasileiro. Os amplos cortes de verba nos órgãos de fiscalização ambiental como o IBAMA e o ICMBio [1], a efetivação de pessoas sem qualificação técnica necessária para cargos estratégicos nos órgãos ambientais (a exemplo da efetivação de Policiais Militares de São Paulo para a presidência e outros cargos no ICMBio [2]), a negligência diante das ações ilegais de garimpeiros e grileiros na Amazônia [3], o descaso com as violentas invasões de terras indígenas, a suspensão de operações de fiscalização ambiental [4] e o esvaziamento desastroso do Conselho Nacional do Meio Ambiente[18], são alguns exemplos que caracterizam a atuação do ministro até o momento.

Agora em 2020, durante plena estação de seca, observamos perplexos a inatividade do governo federal em combater o desmatamento e os fortes incêndios que assolam o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado, biomas que contribuem para a manutenção do equilíbrio climático, que abrigam milhares de espécies de animais e plantas e são lar de inúmeras comunidades tradicionais indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Isso sem mencionar as consequências graves das cinzas e fumaças emitidas que, piorando a qualidade do ar, afetam a saúde pública e causam problemas respiratórios.

Somente o bioma Pantanal, maior área úmida continental do planeta, abriga mais de 4.700 plantas e animais vertebrados [5], incluindo 36 ameaçados de extinção. Já a Amazônia, representa aproximadamente 10% da biomassa do planeta [6] e abriga cerca de 30% de todas as espécies catalogadas atualmente [7]. Preservar estes (e demais) biomas é vital para o equilíbrio hidrológico e atmosférico do planeta, assim como para a preservação da biodiversidade de flora e fauna e consequentemente a manutenção da vida na terra.

De acordo com os dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do IBAMA, somente em 2020 o Pantanal já teve mais de 2,3 milhões de hectares atingidos por queimadas, território equivalente a quase 10 vezes as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro juntas [8] , o que representa cerca de 10% de toda a extensão do bioma no Brasil [9]. A gravidade do cenário atual é imensurável, com 2020 tendo a maior quantidade de focos de incêndio registrados pelo INPE, desde 1999. Para se ter ideia, o número de focos de incêndio registrados no Pantanal entre janeiro e agosto deste ano equivale a toda área queimada no bioma nos seis anos anteriores, de 2014 a 2019 [10].

Em relação à Amazônia, tivemos no período de um ano (de agosto de 2019 a julho de 2020) um aumento de 34,5% no desmatamento em relação aos doze meses anteriores [11,12] , com a derrubada de 9.205 km2 de floresta, sendo 11% desta área em unidades de conservação ambiental e reservas indígenas. Esse é o maior índice dos últimos cinco anos, de acordo com dados divulgados no dia 7 de agosto deste ano pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) [13].

A negligência do Ministério de Meio Ambiente é de tamanha proporção que, apesar de toda destruição causada pelos incêndios e o desmatamento, um estudo do Observatório do Clima, publicado no dia 11 de setembro, constatou que o MMA havia aplicado até o dia 31 de agosto deste ano, apenas 0,4% do orçamento autorizado para iniciativas relativas às mudanças climáticas, proteção ambiental da biodiversidade e melhoria da qualidade ambiental urbana [14]. Agravando a situação, o governo enviou recentemente ao Congresso uma proposta de orçamento reduzindo em R$184,4 milhões o orçamento do MMA para  2021 [15].

Desta forma, visando: i) o cumprimento do artigo 225 da Constituição Federal, que garante a todos “o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado” e impõe ao poder público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações; ii) a manutenção da saúde pública da população brasileira e demais países da América do Sul [16] ; iii) a preservação da biodiversidade e do patrimônio natural do continente sul-americano; iv) os direitos dos povos tradicionais indígenas, quilombolas e ribeirinhos e, v) a preservação da economia local, exigimos:

● A saída imediata de Ricardo Salles, atual Ministro do Meio Ambiente, medida já solicitada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo [17].
● A elaboração e execução imediata de um plano eficiente para combater os incêndios e o desmatamento curso no Pantanal, com a contratação de brigadistas, maquinaria e compra de insumos.
● A execução imediata do Plano de Proteção e Combate ao Desmatamento na Amazônia - PPCDAM.
● A execução imediata, de forma estratégica e planejada, do orçamento autorizado para iniciativas relativas à mudança climática, proteção ambiental da biodiversidade e melhoria da qualidade ambiental urbana, de modo a viabilizar as ações de combate aos incêndios, fiscalização contra o desmatamento e preservação do meio ambiente
● A reocupação dos cargos estratégicos dos órgãos de fiscalização ambiental por indivíduos devidamente qualificados e comprometidos com a preservação do meio ambiente.
● A aprovação do orçamento para 2021, do Ministério do Meio Ambiente, de no mínimo o valor de 2020 corrigido pela inflação.
● A proibição imediata da exploração de minério, madeira e quaisquer recursos naturais em áreas de preservação e em terras sob ocupação e controle de comunidades tradicionais indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
● A investigação e punição a todos os envolvidos pelas invasões e incêndios em terras públicas do Pantanal e Amazônia.
● A recomposição democrática do Conselho Nacional do Meio Ambiente nos moldes originais e a anulação da Resolução 500/2020 aprovada no dia 28/09/2020.

FONTES
1.https://www.oeco.org.br/noticias/governo-corta-r-187-milhoes-do-mma-saiba-como-o-corte-foi-dividido/

2.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/04/19/interna_politica,750478/salles-decide-militarizar-ministerio-do-meio-ambiente.shtml

3. https://noticias.uol.com.br/colunas/rubens-valente/2020/04/14/ibama-conoravirus-crise.htm

4.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/12/04/interna_politica,811516/salles-suspende-fiscalizacao-em-reserva-apos-reuniao-com-infratores.shtml

5. https://www.mma.gov.br/destaques/item/383-fauna-e-flora.html

6. https://www.dw.com/pt-br/por-que-a-amaz%C3%B4nia-%C3%A9-vital-para-o-mundo/a-40315702

7. https://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia.html

8. https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2020/09/09/area-queimada-no-pantanal-ja-passa-de-2-milhoesde-hectares-tamanho-referente-a-10-vezes-as-cidades-de-sp-e-rj-juntas.ghtml

9. https://www.dw.com/pt-br/fogo-j%C3%A1-consumiu-mais-de-10-do-pantanal-em-2020/a-54630524

10. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/09/08/volume-de-queimadas-no-pantanal-em-2020-equivale-a-destruicao-dos-ultimos-6-anos.htm

11. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2020/08/18/desmatamento-e-impunidade-aticam-incendiosna-amazonia.htm

12. https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimasnoticias/deutschewelle/2020/08/23/queimadas-deixam-marcas-profundas-na-amazonia.htm

13. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/08/07/alerta-de-desmatamento-na-amazonia-sobe-e-e-o-maior-em-5-anos-diz-inpe.htm

14. https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/09/4874803-ministerio-do-meio-ambiente-gastou-apenas-rs-105-mil-em-politicas-ambientais.htm

15. https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/08/31/governo-bolsonaro-corta-r-1844-mi-do-meio-ambiente-para-2021.htm?cmpid

16. https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-17/bolivia-declara-emergencia-nacional-por-causa-de-incendios-na-amazonia.html

17. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/07/06/mpf-pede-afastamento-de-salles-pordesestruturacao-dolosa-do-meio-ambiente.htm

18. https://www.oeco.org.br/reportagens/governo-cumpre-plano-e-esvazia-conama/


APOIO:

- Associação do Engenheiros Ambientais e Sanitaristas do DF (AEAS-DF)

- Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA (ASCEMA NACIONAL)

- Juntos! do Distrito Federal - (Juntos! - DF)

- Movimento Brasília em Transição

- Coletivo Jovens pelo Clima - DF

- Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental da UnB (CAENA-UnB)

- Centro Acadêmico de Engenharia Florestal da UnB (CAEF-UnB)

- Centro Acadêmico de Ciências Ambientais da UnB (CAAMB-UnB)

- Centro Acadêmico de Geologia Jorge Gushiken da UnB (CAGEO-UnB)

Os tomadores de decisão

Jair Bolsonaro
Presidente da república
Ricardo Salles
Ricardo Salles
Ministro do Meio Ambiente
Ministro Luiz Fux
Ministro Luiz Fux
Presidente STF
Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Presidente da Câmara do DEputados
Davi Alcolumbre
Davi Alcolumbre
Presidente do Senado Federal

Atualizações do abaixo-assinado