Petition update

O referendo sueco

Prof. Dr. Axel Schönberger
Germany

Oct 18, 2017 — O referendo sueco do ano de 2017
e o derrube do separatismo sueco pelo Império alemão:
uma ucronia

Imginemos, por exemplo, que as potências do eixo haviam ganho a Segunda Guerra Mundial e Hitler morrera em idade avançada no dia 20 de Novembro de 1975. Em seu testamento dispusera que um príncipe da casa dinástica dos Hohenzollern, educado segundo as suas instruções, deveria ocupar o trono como imperador do Império alemão. Pelo facto de se haver realizado uma Revolução pacífica das flores de cerejeira no Japão, no dia 25 de Abril de 1974, em cujo desenrolar os japoneses enfiavam flores de cerejeira nos canhões dos carros de assalto, o partido nacional-socialista compreende que tem de, pelo menos, concordar com uma transição parcial para a democracia, se não quiser perder totalmente o poder. Numa fase de transição, elabora uma nova Constituição do Império alemão que entra em vigor, a qual prevê que o Império alemão se tornará de novo uma monarquia constitucional. A partir de agora, a monarquia só pode ser abolida com uma maioria de dois terços tanto do Parlamento imperial como da Assembleia imperial. Nesse caso, o Parlamento e a Assembleia devem ser dissolvidos para se votar de novo. A votação é para ser repetida. E só então, caso a segunda votação, tanto no Parlamento como na Assembleia, obtenha de novo uma maioria de dois terços a favor da abolição da monarquia, é que a monarquia poderá ser abolida. Como complemento a esta efectiva garantia de eternidade, a Constituição prevê que, enquanto o imperador ocupar o seu cargo, permanecerá como comandante-em-chefe das forças armadas imperiais. Estas podem em determinados casos actuar às suas ordens – como em caso de tendências separatistas – contra partes da população do Império.

Regiões subjugadas pertencentes ao Império, como por exemplo a Suécia, os Países Baixos, a Bélgica e a Polónia, recebem uma autonomia limitada. Todos os cidadãos que aí vivam têm de aprender e saber alemão. Mas também recebem o direito de utilizar a sua língua-materna que só poderá ser falada na sua região autónoma, mas não em todo o Império, ao lado do alemão, língua imperial. Nas «regiões autónomas» Suécia, Países Baixos, Bélgica e Polónia estabelecer-se-ão alemães imperiais em número tão elevado de modo a que perfaçam em cada região mais de 30 % da população total. Uma saída do Império alemão por parte destas regiões autónomas torna-se praticamente impossível, visto que, além do mais, uma maioria de dois terços da população total do Império seria necessária. Ora a maioria da população do Império é de língua alemã e beneficia, aliás, de um sistema fiscal opaco, segundo o qual as «regiões autónomas» têm de pagar muito mais impostos ao governo imperial em Berlim do que o dinheiro que de lá recebem. Resulta daqui que aos habitantes das «regiões autónomas» nenhum direito lhes é concedido para se separarem do Império alemão.

Após longas negociações, a Suécia consegue finalmente que o Parlamento imperial lhe conceda um segundo Estatuto de Autonomia, aprovado pela Assembleia imperial e ratificado pelo imperador. Em seguida, o partido sucessor do partido nazi – NSDAP –, que a partir de agora se chama «Partido Popular», apresenta recurso ao Supremo Tribunal Imperial, a que pertencem membros partidários desse partido. Embora sem quórum válido (segundo os próprios Estatutos do Supremo Tribunal Imperial) – três dos doze juízes haviam morrido e um quarto juiz ultrapassara a idade legal de trabalhar –, o Supremo Tribunal Imperial declarou inconstitucional, nalgumas partes, o segundo Estatuto de Autonomia para a região autónoma da Suécia.

Em seguida, desenvolve-se na região autónoma Suécia um movimento independentista cada vez mais vasto, contra a declarada resistência do chanceler do Império, que pertence ao Partido Popular e preside em Berlim a um governo minoritário, assim como contra a declarada resistência do imperador alemão (cujo pai costumava em entrevistas afirmar orgulhosamente que tudo o que tinha e era o devia ao chefe Adolf Hitler, a quem está eternamente agradecido). Apesar de tudo isto, o governo regional sueco organiza, no entanto, um referendo sobre a questão de se saber se a Suécia deve ou não tornar-se um país independente. O referendo é impedido pela entrada em acção maciça dos SS paramilitares (dos quais deve haver no Império alemão entre 80.000 e 98.000 membros – desconhece-se o número exacto – ), estorvam 800 suecos que desejam apenas votar em paz, ficando em parte gravemente feridos. Embora o Partido Popular alemão tenha conseguido obter apenas 7.941.236 votos nas últimas eleições de 26 de Junho de 2016 para o Parlamento alemão (– perante isso, a região autónoma Suécia contava com 7.522.596 habitantes –), tiveram o atrevimento de lançar em cara aos suecos que o seu referendo não fora representativo, que fora ilegal e anticonstitucional. Por um lado, toda a população do Império devia ter-se pronunciado e votado uma tal questão; por outro lado, teriam apenas cerca de 42 % dos cidadãos imperiais residentes na Suécia participado na votação. Agora que cerca de 90 % dos votantes suecos houvessem sido a favor da proclamação da República da Suécia, isso é considerado absolutamente irrelevante. No dia 8 de Outubro de 2017, realizou-se em Estocolmo uma manifestação com a participação de algumas centenas de milhar de pessoas que protestaram contra a separação da Suécia do Império alemão. Que nessa circunstância se trate maioritariamente de alemães imperiais que viajaram em autocarros e comboios para a Suécia de todas as partes do Império alemão, só para esta manifestação, e que na maior parte dos casos nem sabiam a língua da região sueca, tudo isto curiosamente não chama à atenção da imprensa internacional, que defende imediatamente a opinião de que nesta manifestação era a outra Suécia que se manifestava e que se declarou contra todo e qualquer separatismo.

Já antes do referendo, o governo imperial mandara carros de assalto para a região autónoma da Suécia. Planeava prender o governo regional sueco após o referendo, a fim de interceptar uma declaração de independência e condenar os membros do governo a pesadas penas de prisão.

O governo imperial já tinha combinado com outros governos europeus, em negociações secretas, que estes ficariam de fora da questão sueca, dando a entender que jamais, em caso algum, reconheceriam um governo sueco próprio.

Os separatistas suecos são a favor de eleições livres, democracia, direitos humanos, abolição da monarquia e uma superação crítica do passado no tempo do fascismo, enquanto para a maioria dos membros do Partido Popular, Adolf Hitler continua a ser o maior estadista da história alemã. A assinatura da Declaração de Independência por parte da Suécia perante o Império alemão deve servir, a partir de agora, como pretexto para, segundo o artigo 155 da Constituição imperial, executar um golpe de cima para baixo, e chamar a si todo o poder na região autónoma da Suécia, eliminar para sempre a autonomia da Suécia, defender a monarquia, ocupar militarmente a Suécia, matar à nascença com violência qualquer veleidade de levantamento rebelde e tomar medidas para, a longo prazo, reduzir a importância da língua sueca, substituindo-a pela língua de Goethe.

O Império alemão continua a festejar todos os anos o 12 de Outubro como o «dia da raça germânica». A partir de agora será introduzido, como mais um feriado, também o dia 13 de Março, data da anexação da Áustria, a fim de comemorar e festejar a ultrapassagen histórica da miríade de Estados minúsculos e, em especial, lembrar aos suecos, aos belgas, aos polacos para todo o sempre que a existência de muitos estados minúsculos jamais será tolerada pelo grande Império Alemão.

(Observação final: Eventuais semelhanças e paralelismos com a Revolução catalã do ano de 2017 em cujo início os Estados da Europa se preparam para abandonar um povo à sua sorte são casuais. Este povo – segundo o artigo 1º, parágrafo 1º do Pacto Social das Nações Unidas e segundo o Direito Internacional – goza do direito de estabelecer um estado próprio, perseguindo tal objectivo de forma pacífica, enquanto o Estado central aposta na intimidação e na violência, assim como se coloca a favor do reino de Espanha, como se fosse pura obra do acaso.

As elites do poder nos estados europeus aprenderam evidentemente com o passado e empenham-se a partir de agora de forma veemente para evitar o pior em Espanha, ou seja, que a nação catalã não venha a ser de novo oprimida pela violência.)

Axel Schönberger (Alemanha)


Keep fighting for people power!

Politicians and rich CEOs shouldn't make all the decisions. Today we ask you to help keep Change.org free and independent. Our job as a public benefit company is to help petitions like this one fight back and get heard. If everyone who saw this chipped in monthly we'd secure Change.org's future today. Help us hold the powerful to account. Can you spare a minute to become a member today?

I'll power Change with $5 monthlyPayment method

Discussion

Please enter a comment.

We were unable to post your comment. Please try again.