Carta Manifesto contra a Reformulação Pedagógica no curso de Psicologia do UniCEUB

O problema

CARTA MANIFESTO DO CORPO DISCENTE DO CURSO DE PSICOLOGIA (Assine seu nome completo e no espaço destinado ao sobrenome digite seu RA)

O Centro Acadêmico de Psicologia do UniCEUB, entidade que zela pela formação do curso de Psicologia, vem manifestar publicamente sua preocupação e discordância com a improcedente e perigosa reformulação pedagógica que está sendo imposta na graduação de Psicologia neste semestre.


Acompanhamos, nos últimos três anos, inúmeras tentativas institucionais de impor a modalidade EaD em nossa graduação, imposição esta que foi sempre muito criticada pelo corpo discente e docente por sua desconexão com propósito de nossa atuação como futuros Psicólogos e pela falta de diálogo para com as competências que estruturam nossa matriz curricular. Essa semana, fomos surpreendidos com a notícia de que há uma reformulação pedagógica em curso que prevê que 20% da carga horária semestral seja realizada por meio de mediação tecnológica. Como consequência, aproximadamente 641 horas do curso (que atualmente prevê 4.005 horas para formação) que deverão ser cumpridas sob esse regime.


Tal medida, além de reduzir a carga horária em sala de aula, prevê a utilização de uma plataforma terceirizada, na qual os professores terão de escolher entre questões pré-estabelecidas, dispostas em um banco de dados, as que melhor se encaixam ao conteúdo da disciplina. Consequentemente, eles serão obrigados a reestruturar o conteúdo de suas disciplinas, inevitavelmente tendo que recorrer a cortes de conteúdo em ordem de compensar as 15h perdidas de aulas presenciais, substituídas pela resolução de exercícios rasos, dos quais eles não têm sequer participação na elaboração. 


Como se sabe amplamente através de estudos do processo de ensino-aprendizagem, o conteudismo é uma vertente já superada na prática pedagógica. Desde as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2004 (Resolução n. 8, de 07 de maio de 2004), os cursos de Psicologia se orientam em função do desenvolvimento de competências e habilidades, em oposição à lógica do Currículo Mínimo. Nesse sentido, a interatividade entre pares, professores e demais membro da comunidade acadêmica no âmbito universitário se torna fundamental para que se estabeleçam as trocas de experiências e conteúdos que não podem ser abordados de forma simplista, como está sendo proposto através da utilização de uma plataforma terceirizada que prevê um banco de questões pré-prontas a serem resolvidas pelos alunos. 


O Centro Acadêmico, representando o atual corpo discente da Psicologia que conta com cerca de 1.800 alunos, tem sistematicamente se manifestado contrário a todos os avanços do modelo EaD por acreditar que a formação do Psicólogo tem muito a perder com a mediação de soluções tecnológicas desconectadas dos elementos pedagógicos, profissionais e comportamentais necessários para que haja uma formação responsável de novos profissionais do campo da Saúde. Pela falta de diálogo com o corpo discente, trata-se evidentemente de uma decisão que reflete a prioridade dos interesses econômicos da instituição em detrimento da manutenção da qualidade de ensino ofertada, fato esse que nos causa grande preocupação e revolta.

 

Tal decisão foi tomada sem qualquer consulta ao corpo discente que contemplasse a avaliação das reais demandas da formação, reforçando o caráter arbitrário e pouco transparente das medidas tomadas pela instituição no que tange à estruturação do curso de Psicologia. Isso vai de encontro, inclusive, com os valores de ética, excelência, responsabilidade e competência expressos no website da própria instituição. Além disso, a missão institucional de “criar oportunidades para o desenvolvimento de cidadãos capazes de transformar a sociedade” e a visão de "ser referência nacional como instituição de ensino superior que utiliza estratégias inovadoras para a formação de profissionais de excelência, conscientes do seu papel na sociedade” se contradiz ao pregar um ensino de excelência visando o compromisso social de seus discentes, mas não tendo compromisso ético com os mesmos. Ainda que a inovação seja pautada em plataformas tecnológicas, haveria de ter uma consulta à comunidade estudantil e docente, afinal, há melhores formas de se propor desenvolvimento acadêmico e excelência pedagógica.


O Centro Acadêmico ressalta, ainda, a importância de que a autonomia e protagonismo do corpo docente seja garantida e respeitada nesse momento. Os professores são entidades a quem devemos profundo respeito e admiração pela condução do processo de ensino, e cujas necessidades e direitos básicos foram profundamente afetados pela implementação dessa medida. É de grande ofensa que não tenha havido espaço de diálogo para que eles também pudessem apresentar suas opiniões técnicas sobre a plataforma e seu conteúdo, bem como a sua implementação e as consequências disso para o processo pedagógico, tendo em vista o nível de qualificação e prestígio desses profissionais, cuja equipe é composta 95% de mestres e doutores.


Caso essa decisão não seja revogada para o próximo semestre, a previsão é de uma grande evasão de discentes do curso. Não haverá estratégia comercial que sustente as lacunas que aparecerão no processo formativo e nas posteriores avaliações do curso pelo MEC e demais órgãos avaliativos da qualidade de ensino ofertada. O curso de Psicologia, que hoje é um dos mais tradicionais e premiados do Brasil, sofrerá perdas substanciais de qualidade de ensino. É consenso entre os discentes que essa medida não pode vigorar. Exigimos uma reavaliação imediata da decisão que foi tomada e demandamos que seja aberto um espaço de diálogo para que o corpo discente possa se manifestar quanto aos reais prejuízos que serão frutos da implementação dessa medida.


Por fim, caso a instituição não ofereça uma resposta a essa demanda, entraremos em contato com órgãos regulamentadores da Psicologia (CRP e CFP) solicitando diferentes pareceres sobre a plataforma virtual e o conteúdo que está sendo oferecido para avançarmos em âmbito judicial contra o que está acontecendo no curso. Aguardamos um posicionamento urgente, tendo em vista que essa medida foi implementada para o semestre que já está vigente apesar do desconhecimento de todos. 

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CAPSI UniCEUBCriador do abaixo-assinadoSomos estudantes do UniCEUB e gerimos o Centro Acadêmico de Psicologia (2020/2021).
Este abaixo-assinado conseguiu 1.558 apoiadores!

O problema

CARTA MANIFESTO DO CORPO DISCENTE DO CURSO DE PSICOLOGIA (Assine seu nome completo e no espaço destinado ao sobrenome digite seu RA)

O Centro Acadêmico de Psicologia do UniCEUB, entidade que zela pela formação do curso de Psicologia, vem manifestar publicamente sua preocupação e discordância com a improcedente e perigosa reformulação pedagógica que está sendo imposta na graduação de Psicologia neste semestre.


Acompanhamos, nos últimos três anos, inúmeras tentativas institucionais de impor a modalidade EaD em nossa graduação, imposição esta que foi sempre muito criticada pelo corpo discente e docente por sua desconexão com propósito de nossa atuação como futuros Psicólogos e pela falta de diálogo para com as competências que estruturam nossa matriz curricular. Essa semana, fomos surpreendidos com a notícia de que há uma reformulação pedagógica em curso que prevê que 20% da carga horária semestral seja realizada por meio de mediação tecnológica. Como consequência, aproximadamente 641 horas do curso (que atualmente prevê 4.005 horas para formação) que deverão ser cumpridas sob esse regime.


Tal medida, além de reduzir a carga horária em sala de aula, prevê a utilização de uma plataforma terceirizada, na qual os professores terão de escolher entre questões pré-estabelecidas, dispostas em um banco de dados, as que melhor se encaixam ao conteúdo da disciplina. Consequentemente, eles serão obrigados a reestruturar o conteúdo de suas disciplinas, inevitavelmente tendo que recorrer a cortes de conteúdo em ordem de compensar as 15h perdidas de aulas presenciais, substituídas pela resolução de exercícios rasos, dos quais eles não têm sequer participação na elaboração. 


Como se sabe amplamente através de estudos do processo de ensino-aprendizagem, o conteudismo é uma vertente já superada na prática pedagógica. Desde as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2004 (Resolução n. 8, de 07 de maio de 2004), os cursos de Psicologia se orientam em função do desenvolvimento de competências e habilidades, em oposição à lógica do Currículo Mínimo. Nesse sentido, a interatividade entre pares, professores e demais membro da comunidade acadêmica no âmbito universitário se torna fundamental para que se estabeleçam as trocas de experiências e conteúdos que não podem ser abordados de forma simplista, como está sendo proposto através da utilização de uma plataforma terceirizada que prevê um banco de questões pré-prontas a serem resolvidas pelos alunos. 


O Centro Acadêmico, representando o atual corpo discente da Psicologia que conta com cerca de 1.800 alunos, tem sistematicamente se manifestado contrário a todos os avanços do modelo EaD por acreditar que a formação do Psicólogo tem muito a perder com a mediação de soluções tecnológicas desconectadas dos elementos pedagógicos, profissionais e comportamentais necessários para que haja uma formação responsável de novos profissionais do campo da Saúde. Pela falta de diálogo com o corpo discente, trata-se evidentemente de uma decisão que reflete a prioridade dos interesses econômicos da instituição em detrimento da manutenção da qualidade de ensino ofertada, fato esse que nos causa grande preocupação e revolta.

 

Tal decisão foi tomada sem qualquer consulta ao corpo discente que contemplasse a avaliação das reais demandas da formação, reforçando o caráter arbitrário e pouco transparente das medidas tomadas pela instituição no que tange à estruturação do curso de Psicologia. Isso vai de encontro, inclusive, com os valores de ética, excelência, responsabilidade e competência expressos no website da própria instituição. Além disso, a missão institucional de “criar oportunidades para o desenvolvimento de cidadãos capazes de transformar a sociedade” e a visão de "ser referência nacional como instituição de ensino superior que utiliza estratégias inovadoras para a formação de profissionais de excelência, conscientes do seu papel na sociedade” se contradiz ao pregar um ensino de excelência visando o compromisso social de seus discentes, mas não tendo compromisso ético com os mesmos. Ainda que a inovação seja pautada em plataformas tecnológicas, haveria de ter uma consulta à comunidade estudantil e docente, afinal, há melhores formas de se propor desenvolvimento acadêmico e excelência pedagógica.


O Centro Acadêmico ressalta, ainda, a importância de que a autonomia e protagonismo do corpo docente seja garantida e respeitada nesse momento. Os professores são entidades a quem devemos profundo respeito e admiração pela condução do processo de ensino, e cujas necessidades e direitos básicos foram profundamente afetados pela implementação dessa medida. É de grande ofensa que não tenha havido espaço de diálogo para que eles também pudessem apresentar suas opiniões técnicas sobre a plataforma e seu conteúdo, bem como a sua implementação e as consequências disso para o processo pedagógico, tendo em vista o nível de qualificação e prestígio desses profissionais, cuja equipe é composta 95% de mestres e doutores.


Caso essa decisão não seja revogada para o próximo semestre, a previsão é de uma grande evasão de discentes do curso. Não haverá estratégia comercial que sustente as lacunas que aparecerão no processo formativo e nas posteriores avaliações do curso pelo MEC e demais órgãos avaliativos da qualidade de ensino ofertada. O curso de Psicologia, que hoje é um dos mais tradicionais e premiados do Brasil, sofrerá perdas substanciais de qualidade de ensino. É consenso entre os discentes que essa medida não pode vigorar. Exigimos uma reavaliação imediata da decisão que foi tomada e demandamos que seja aberto um espaço de diálogo para que o corpo discente possa se manifestar quanto aos reais prejuízos que serão frutos da implementação dessa medida.


Por fim, caso a instituição não ofereça uma resposta a essa demanda, entraremos em contato com órgãos regulamentadores da Psicologia (CRP e CFP) solicitando diferentes pareceres sobre a plataforma virtual e o conteúdo que está sendo oferecido para avançarmos em âmbito judicial contra o que está acontecendo no curso. Aguardamos um posicionamento urgente, tendo em vista que essa medida foi implementada para o semestre que já está vigente apesar do desconhecimento de todos. 

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CAPSI UniCEUBCriador do abaixo-assinadoSomos estudantes do UniCEUB e gerimos o Centro Acadêmico de Psicologia (2020/2021).

Os tomadores de decisão

Reitoria do UniCEUB
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Abaixo-assinado criado em 5 de março de 2021