

Regularizar a publicidade de apostas esportivas
O problema
Durante a transmissão ao vivo da Copa do Mundo de 2026 pelo canal CazeTV no YouTube — assistida por milhões de brasileiros, incluindo crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade financeira —, narradores e comentaristas têm comentado sistematicamente as odds de apostas esportivas em tempo real, orientado os espectadores sobre quando uma odd "está boa" e incentivado a criação de contas em plataformas de apostas durante a própria transmissão do jogo.
Não se trata de um banner ou de um intervalo comercial claramente identificado. Trata-se de conteúdo de jogo sendo entregue ao espectador junto com a análise esportiva, sem separação clara, por vozes de alta credibilidade e autoridade para o público que as acompanha.
A publicidade tradicional tem forma, tem hora e tem identificação. O espectador sabe que está diante de um anúncio e pode escolher ignorá-lo.
O que ocorre nessas transmissões é diferente: a indução à aposta está embutida no conteúdo editorial. O mesmo narrador que descreve o gol comenta, na sequência, que a odd do próximo lance "está valendo". Não há separação. Não há aviso. Para o espectador médio — e sobretudo para o mais jovem ou para quem já tem comportamento compulsivo —, a mensagem não chega como publicidade. Chega como conselho de quem entende do assunto.
Isso é, em essência, o que a literatura de saúde pública chama de marketing embutido: a mais eficaz — e mais perigosa — forma de promoção de comportamentos de risco.
O que pedimos
1. Que a Senacon investigue se as práticas de indução ao vivo por parte de narradores e comentaristas de transmissões esportivas configuram publicidade irregular ou abusiva nos termos do Código de Defesa do Consumidor, especialmente em relação ao público vulnerável.
2. Que o Ministério da Fazenda e a Secretaria de Prêmios e Apostas estabeleçam, de forma clara e urgente, normas que proíbam ou regulamentem rigorosamente a promoção de odds e plataformas de aposta integrada ao conteúdo editorial de transmissões ao vivo, assim como já existe em países como Reino Unido, Espanha e Bélgica.
3. Que qualquer publicidade de apostas em transmissões ao vivo seja obrigatoriamente identificada, com aviso sonoro e visual, e separada temporalmente do conteúdo esportivo — da mesma forma que a legislação exige para o tabaco e para o álcool.
4. Que transmissões acessadas por público amplo e não verificado — como canais abertos no YouTube — sejam tratadas como veículos de acesso irrestrito a menores de idade, com as restrições correspondentes para esse tipo de conteúdo.

15.203
O problema
Durante a transmissão ao vivo da Copa do Mundo de 2026 pelo canal CazeTV no YouTube — assistida por milhões de brasileiros, incluindo crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade financeira —, narradores e comentaristas têm comentado sistematicamente as odds de apostas esportivas em tempo real, orientado os espectadores sobre quando uma odd "está boa" e incentivado a criação de contas em plataformas de apostas durante a própria transmissão do jogo.
Não se trata de um banner ou de um intervalo comercial claramente identificado. Trata-se de conteúdo de jogo sendo entregue ao espectador junto com a análise esportiva, sem separação clara, por vozes de alta credibilidade e autoridade para o público que as acompanha.
A publicidade tradicional tem forma, tem hora e tem identificação. O espectador sabe que está diante de um anúncio e pode escolher ignorá-lo.
O que ocorre nessas transmissões é diferente: a indução à aposta está embutida no conteúdo editorial. O mesmo narrador que descreve o gol comenta, na sequência, que a odd do próximo lance "está valendo". Não há separação. Não há aviso. Para o espectador médio — e sobretudo para o mais jovem ou para quem já tem comportamento compulsivo —, a mensagem não chega como publicidade. Chega como conselho de quem entende do assunto.
Isso é, em essência, o que a literatura de saúde pública chama de marketing embutido: a mais eficaz — e mais perigosa — forma de promoção de comportamentos de risco.
O que pedimos
1. Que a Senacon investigue se as práticas de indução ao vivo por parte de narradores e comentaristas de transmissões esportivas configuram publicidade irregular ou abusiva nos termos do Código de Defesa do Consumidor, especialmente em relação ao público vulnerável.
2. Que o Ministério da Fazenda e a Secretaria de Prêmios e Apostas estabeleçam, de forma clara e urgente, normas que proíbam ou regulamentem rigorosamente a promoção de odds e plataformas de aposta integrada ao conteúdo editorial de transmissões ao vivo, assim como já existe em países como Reino Unido, Espanha e Bélgica.
3. Que qualquer publicidade de apostas em transmissões ao vivo seja obrigatoriamente identificada, com aviso sonoro e visual, e separada temporalmente do conteúdo esportivo — da mesma forma que a legislação exige para o tabaco e para o álcool.
4. Que transmissões acessadas por público amplo e não verificado — como canais abertos no YouTube — sejam tratadas como veículos de acesso irrestrito a menores de idade, com as restrições correspondentes para esse tipo de conteúdo.

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Abaixo-assinado criado em 22 de junho de 2026