FORA DA JUSTIÇA SOCIAL NÃO HÁ SALVAÇÃO


FORA DA JUSTIÇA SOCIAL NÃO HÁ SALVAÇÃO
O problema
MANIFESTO DOS ESPÍRITAS PROGRESSISTAS PELA ABERTURA DO PROCESSO DE CASSAÇÃO DA CHAPA BOLSONARO-MOURÃO
“Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?
– Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.”
(O Livro dos Espíritos, questão 932)
Espíritas, atravessamos um período conturbado, não apenas como consequência da pandemia ocasionada pela covid-19, mas, também, pela necropolítica de Bolsonaro e seus asseclas.
Em O Livro dos Espíritos, Lei de Sociedade, questão 768, os espíritos afirmam que a união social é essencial para assegurar o bem-estar e o progresso da sociedade. Já em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Os Trabalhadores da Última Hora, Constantino afirma que “o obreiro da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a sua boa vontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má vontade”. Por fim, Humberto Mariotti, em sua obra Parapsicologia e Materialismo Histórico, diz que “a Filosofia Espírita só estará definitivamente arraigada no mundo no dia em que se dedicar à consideração filosófica, social e religiosa da chamada lutas de classes”.
O espiritismo não é doutrina apartada dos problemas sociais. É, em verdade, mais uma ferramenta que nos auxilia a construir os meios que permitirão alcançar, enfim, uma sociedade justa e fraterna. Assim, torna-se urgente a união dos espíritas que se opõem aos discursos e às propostas fascistas que invadem a sociedade e o próprio movimento espírita, pois essa atmosfera de ódio, preconceitos e morte está em completo desacordo com a proposta espírita de transformação do mundo.
Para frear tal situação, é necessário somar forças para reconhecer a necessidade de superar a dependência, assim como a miséria e as contradições históricas, com políticas orientadas aos interesses da maioria do povo, e não das classes dominantes. E essa somatória não deve estar circunscrita aos militantes partidários. É indispensável que todo e toda militante, nos diversos espaços sociais, estejam lutando por um mundo melhor, não apenas para uma pequena fração de falsos predestinados, mas para todos. Além disso, torna-se urgente conter essa onda neofascista que arruína o país, em que as classes dominantes, em tempos de incertezas e de possíveis revoltas populares, utilizam-se de quaisquer meios para resguardar a apropriação privada da riqueza produzida socialmente e todos os seus privilégios daí decorrentes.
Por essa razão, os espíritas progressistas, movimento amplo, plural, suprapartidário, entendendo a gravidade do momento em que o Brasil está atravessando, reúnem-se em torno de três objetivos principais:
1. Maior proteção da população contra o contágio pelo novo coronavírus, principalmente das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social;
2. Amparo econômico e social da população afetada pelas medidas de isolamento;
3. O afastamento imediato de Jair Bolsonaro e de toda sua equipe da presidência da República.
E para atingirmos tal intento, nós, espíritas progressistas, manifestamos publicamente:
• Solidariedade e preces às famílias dos milhares de mortos por covid-19 no Brasil;
• Reconhecimento a cientistas, instituições nacionais de saúde e universidades públicas pelo esforço empregado para atingir maior compreensão da covid-19 e sua propagação. Sendo o espiritismo uma tradição que se apoia na ciência e dialoga com ela, não nos podemos alinhar ao negacionismo científico que tomou conta das instâncias do poder federal;
• Agradecimento a profissionais da saúde, com destaque a profissionais do SUS que, empenhados e sem as condições mínimas de segurança, entregam-se, de corpo e alma, para atender à população;
• Gratidão a profissionais de serviços essenciais que deixam suas famílias para garantir o funcionamento da cidade, mesmo não recebendo, muitas das vezes, o devido respeito e reconhecimento;
• Necessidade de destacar que Jair Bolsonaro, que sempre demonstrou afeição a torturadores e inclinações autoritárias e ditatoriais já durante a campanha e em toda sua atuação como deputado, vem aprimorando sua agenda antirrepublicana, com diversas menções a perigosas alterações constitucionais que afrontam direitos e garantias fundamentais; sua intenção antidemocrática, recorrendo fartamente ao uso de ideias e práticas violentas e autoritárias; e sua marca anticivilizatória, incapaz de reconhecer importantes avanços obtidos ao longo dos séculos pela cultura e pela ciência, podendo trazer graves prejuízos ao presente e ao futuro da sociedade brasileira. Tudo isso é próprio de “Espíritos inferiores que não se incomodam com os fatos absurdos que inventam, com as mentiras que proferem e com as grosserias de que dão mostras, falando com a mesma segurança do que sabem e do que ignoram, a tudo respondendo sem qualquer compromisso com a verdade” - Revista Espírita, janeiro e setembro de 1859.
Posto isso, indicamos que:
• É fundamental seguirmos as orientações das instituições de saúde e científicas;
• Não se tomem como verdade vídeos, textos e áudios compartilhados nas diversas redes sociais digitais, sem a devida apuração em fontes diversas;
• Os agrupamentos espíritas permaneçam fechados, sem reuniões públicas ou privativas;
• Toda tarefa de cunho assistencial, ou de promoção social, seja realizada com as devidas precauções, evitando aglomerações de qualquer tipo e que todas as pessoas envolvidas estejam de luvas e máscara;
• O poder público - em seus três poderes - promova assistência econômica e social justa, a partir dos mais pobres;
• É importante defender os direitos humanos presentes na Constituição Brasileira e na Declaração Universal dos Direitos Humanos e reivindicar junto ao Estado Brasileiro a sua garantia e proteção, compreendendo-os como uma rede de proteção social para prover dignidade a todos. O direito de ir e vir de alguns não pode colocar em risco o direito à vida e à saúde de todos. O governo deverá garantir, com eficiência e eficácia, a renda àqueles que não podem exercer a atividade profissional durante e em decorrência da pandemia;
• Os grupos espíritas progressistas se organizem para enfrentar possível recrudescimento político do governo Bolsonaro, com vigilância e perseguição de suas atividades.
Por fim, nós, espíritas conscientes do nosso compromisso social, reconhecendo a laicidade do Estado e celebrando a vida, dom maior dado por Deus, não podemos mais admitir um governo que carrega a marca da morte, colocando em risco a vida do povo e que traz consigo o peso de sérios questionamentos sobre a sua eleição - a exemplo das seis ações de impugnação em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apontam a ocorrência de disparos em massa de mensagens falsas pró-Bolsonaro durante a campanha de 2018, além da prática de caixa 2, abuso de poder econômico e uso indevido da comunicação social. Lembramos que ações sobre outras candidaturas em 2018 que questionavam sua lisura já foram julgadas.
Dessa forma, reivindicamos a imediata cassação da chapa Jair Bolsonaro e Antônio Mourão, com a consequente convocação de nova eleição presidencial, e pedimos para que todos os espíritas, coletivos e todos os que almejam um país mais equilibrado, fraterno e justo, juntem-se a nós.
Brasil, 25 de maio de 2020
O problema
MANIFESTO DOS ESPÍRITAS PROGRESSISTAS PELA ABERTURA DO PROCESSO DE CASSAÇÃO DA CHAPA BOLSONARO-MOURÃO
“Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?
– Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.”
(O Livro dos Espíritos, questão 932)
Espíritas, atravessamos um período conturbado, não apenas como consequência da pandemia ocasionada pela covid-19, mas, também, pela necropolítica de Bolsonaro e seus asseclas.
Em O Livro dos Espíritos, Lei de Sociedade, questão 768, os espíritos afirmam que a união social é essencial para assegurar o bem-estar e o progresso da sociedade. Já em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Os Trabalhadores da Última Hora, Constantino afirma que “o obreiro da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a sua boa vontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má vontade”. Por fim, Humberto Mariotti, em sua obra Parapsicologia e Materialismo Histórico, diz que “a Filosofia Espírita só estará definitivamente arraigada no mundo no dia em que se dedicar à consideração filosófica, social e religiosa da chamada lutas de classes”.
O espiritismo não é doutrina apartada dos problemas sociais. É, em verdade, mais uma ferramenta que nos auxilia a construir os meios que permitirão alcançar, enfim, uma sociedade justa e fraterna. Assim, torna-se urgente a união dos espíritas que se opõem aos discursos e às propostas fascistas que invadem a sociedade e o próprio movimento espírita, pois essa atmosfera de ódio, preconceitos e morte está em completo desacordo com a proposta espírita de transformação do mundo.
Para frear tal situação, é necessário somar forças para reconhecer a necessidade de superar a dependência, assim como a miséria e as contradições históricas, com políticas orientadas aos interesses da maioria do povo, e não das classes dominantes. E essa somatória não deve estar circunscrita aos militantes partidários. É indispensável que todo e toda militante, nos diversos espaços sociais, estejam lutando por um mundo melhor, não apenas para uma pequena fração de falsos predestinados, mas para todos. Além disso, torna-se urgente conter essa onda neofascista que arruína o país, em que as classes dominantes, em tempos de incertezas e de possíveis revoltas populares, utilizam-se de quaisquer meios para resguardar a apropriação privada da riqueza produzida socialmente e todos os seus privilégios daí decorrentes.
Por essa razão, os espíritas progressistas, movimento amplo, plural, suprapartidário, entendendo a gravidade do momento em que o Brasil está atravessando, reúnem-se em torno de três objetivos principais:
1. Maior proteção da população contra o contágio pelo novo coronavírus, principalmente das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social;
2. Amparo econômico e social da população afetada pelas medidas de isolamento;
3. O afastamento imediato de Jair Bolsonaro e de toda sua equipe da presidência da República.
E para atingirmos tal intento, nós, espíritas progressistas, manifestamos publicamente:
• Solidariedade e preces às famílias dos milhares de mortos por covid-19 no Brasil;
• Reconhecimento a cientistas, instituições nacionais de saúde e universidades públicas pelo esforço empregado para atingir maior compreensão da covid-19 e sua propagação. Sendo o espiritismo uma tradição que se apoia na ciência e dialoga com ela, não nos podemos alinhar ao negacionismo científico que tomou conta das instâncias do poder federal;
• Agradecimento a profissionais da saúde, com destaque a profissionais do SUS que, empenhados e sem as condições mínimas de segurança, entregam-se, de corpo e alma, para atender à população;
• Gratidão a profissionais de serviços essenciais que deixam suas famílias para garantir o funcionamento da cidade, mesmo não recebendo, muitas das vezes, o devido respeito e reconhecimento;
• Necessidade de destacar que Jair Bolsonaro, que sempre demonstrou afeição a torturadores e inclinações autoritárias e ditatoriais já durante a campanha e em toda sua atuação como deputado, vem aprimorando sua agenda antirrepublicana, com diversas menções a perigosas alterações constitucionais que afrontam direitos e garantias fundamentais; sua intenção antidemocrática, recorrendo fartamente ao uso de ideias e práticas violentas e autoritárias; e sua marca anticivilizatória, incapaz de reconhecer importantes avanços obtidos ao longo dos séculos pela cultura e pela ciência, podendo trazer graves prejuízos ao presente e ao futuro da sociedade brasileira. Tudo isso é próprio de “Espíritos inferiores que não se incomodam com os fatos absurdos que inventam, com as mentiras que proferem e com as grosserias de que dão mostras, falando com a mesma segurança do que sabem e do que ignoram, a tudo respondendo sem qualquer compromisso com a verdade” - Revista Espírita, janeiro e setembro de 1859.
Posto isso, indicamos que:
• É fundamental seguirmos as orientações das instituições de saúde e científicas;
• Não se tomem como verdade vídeos, textos e áudios compartilhados nas diversas redes sociais digitais, sem a devida apuração em fontes diversas;
• Os agrupamentos espíritas permaneçam fechados, sem reuniões públicas ou privativas;
• Toda tarefa de cunho assistencial, ou de promoção social, seja realizada com as devidas precauções, evitando aglomerações de qualquer tipo e que todas as pessoas envolvidas estejam de luvas e máscara;
• O poder público - em seus três poderes - promova assistência econômica e social justa, a partir dos mais pobres;
• É importante defender os direitos humanos presentes na Constituição Brasileira e na Declaração Universal dos Direitos Humanos e reivindicar junto ao Estado Brasileiro a sua garantia e proteção, compreendendo-os como uma rede de proteção social para prover dignidade a todos. O direito de ir e vir de alguns não pode colocar em risco o direito à vida e à saúde de todos. O governo deverá garantir, com eficiência e eficácia, a renda àqueles que não podem exercer a atividade profissional durante e em decorrência da pandemia;
• Os grupos espíritas progressistas se organizem para enfrentar possível recrudescimento político do governo Bolsonaro, com vigilância e perseguição de suas atividades.
Por fim, nós, espíritas conscientes do nosso compromisso social, reconhecendo a laicidade do Estado e celebrando a vida, dom maior dado por Deus, não podemos mais admitir um governo que carrega a marca da morte, colocando em risco a vida do povo e que traz consigo o peso de sérios questionamentos sobre a sua eleição - a exemplo das seis ações de impugnação em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apontam a ocorrência de disparos em massa de mensagens falsas pró-Bolsonaro durante a campanha de 2018, além da prática de caixa 2, abuso de poder econômico e uso indevido da comunicação social. Lembramos que ações sobre outras candidaturas em 2018 que questionavam sua lisura já foram julgadas.
Dessa forma, reivindicamos a imediata cassação da chapa Jair Bolsonaro e Antônio Mourão, com a consequente convocação de nova eleição presidencial, e pedimos para que todos os espíritas, coletivos e todos os que almejam um país mais equilibrado, fraterno e justo, juntem-se a nós.
Brasil, 25 de maio de 2020
Abaixo-assinado encerrado
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Abaixo-assinado criado em 26 de maio de 2020