Pela volta às aulas em Santo André-SP

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Há seis meses mais 776 milhões de alunos foram retirados das salas de aulas, pois acreditava-se que este seria o principal fator de contaminação. 

Porém os estudos atuais comprovam que mandar as crianças à escola, acampamento ou creche tem o mesmo risco de trabalhar em escritório e visitar idosos em casa, sendo ainda mais seguro do que ir a salão de beleza ou barbearia, comer em restaurante, ir a academia, parques de diversões, cinemas ou bares, atividades à disposição de todos os adultos.

O confinamento infanto-juvenil, embora afaste do risco de contágio na escola, apresenta enormes deficiências para o desenvolvimento de habilidades sociais, risco nutricional, dificuldade de identificar e solucionar de déficits de aprendizagem, abusos físicos, psicológicos e sexuais, abuso de substâncias, depressão e ideação suicida são riscos reais, e os motivos para a Academia Americana de Pediatria recomendar a reabertura das escolas.

As dificuldades dos pais de ensinar e das escolas de incluir crianças com necessidades especiais faz com que a relação parental fique desgastada em algumas famílias, elevando stress e ansiedade tanto dos pais quanto dos filhos. Em pesquisa realizada em agosto 74% das crianças e jovens foram identificados como tristes, ansiosos ou irritados, patamares que sobem a cada nova pesquisa. 

As escolas fechadas também se traduzem em desigualdade de oportunidades profissionais. Embora algumas famílias se utilizem de cuidadores (que muitas vezes cuidam de crianças de diversas famílias), creches clandestinas ou deixem as crianças (não tão pequenas) em casa, muitas precisaram sair do mercado de trabalho formal para cuidar dos filhos. Apenas 46% das mulheres trabalha ou procura emprego atualmente, patamar semelhante ao de 1990;

Soma-se a isso as estatísticas alarmantes do Brasil, onde 17% das crianças entre 9 e 17 anos não ter acesso à internet, 26% dos alunos da rede pública não recebe atividades pedagógicas não presenciais, e 31% dos pais temem que seus filhos desistam dos estudos, se não acompanharem as aulas em casa. A evasão escolar já é idealizada por 30% dos jovens. Destes, cerca de um quarto tem entre 15 e 17 anos (idade escolar obrigatória). 

Embora a abertura dependa da adesão aos protocolos de segurança, os países que já retomaram as aulas presenciais demonstram que as crianças contribuem pouco para a cadeia de transmissão, que o percentual de crianças que contraíram covid-19 é de apenas 2% (embora sejam 24% da população mundial, e que, quando infectadas, tem menor probabilidade de hospitalização ou óbito - apresentam 2,2 vezes menos óbitos do que quando adoecem por gripe (influenza),.

Atualmente 81% das famílias não querem o regresso às aulas em São Paulo neste ano, o que permitiria o retorno em segurança para as demais famílias, que querem ou dependem da escola.

Neste momento, para muitas famílias, a promoção de saúde mental dependeria da abertura das escolas, já que esta possui inúmeros papéis, inclusive de socialização com seus pares, que têm as mais diversas realidades, possibilitando o exercício da empatia e promoção de inclusão, assim como promove acesso a adultos confiáveis (sobretudo para as crianças que sofrem abusos físicos, psicológicos ou sexuais), estabelece de normas sociais, promove independência e valoriza a cultura.

Ainda que nenhum conteúdo novo seja transmitido, o acolhimento e a convivência teriam resultados benéficos para um grupo importante da comunidade escolar (quase um quinto das famílias), que deve ter acesso ao direito de ir a escola.