Barão e região juntos contra a mineração!

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Os moradores das comunidades de Barão do Guaicuí; Chapadinha, Caxambu, e proprietários locais estão indignados. A região rural, localizada nas cercanias de Gouveia e Diamantina, teve o sossego interrompido por explosões e destruições que vêm ameaçando a paisagem bucólica do cerrado.

A atuação agressiva de empresas mineradoras que exploram quartzitos na região têm gerado danos ambientais irreversíveis em uma Área de Proteção Ambiental – APA. Dentre os crimes realizados, pode-se citar: danos em mata ciliar de nascentes e rios; passagem de grandes máquinas sobre o leito de rios e nascentes; desmatamento de flora do cerrado; passagem de máquina em área de pântano e terreno arenoso.

Na área de interesse do empreendimento existe uma verdadeira floresta de cerrado com árvores centenárias, campos e vegetação rupestre e de altitude e é também onde se localizam cabeceiras das águas cristalinas que irrigam uma miríade de rios e cachoeiras do entorno, o que vem fortalecendo a vocação do lugar voltada para o turismo que envolve a fruição da natureza, lazer, esportes (ciclismo, caminhadas, cavalgadas, rapel, etc.) e descanso (de nativos, moradores, sitiantes e ecoturistas), além das questões ambientais e da qualidade de vida dos moradores que se vêem ameaçados.

As consequências da destruição na região já são observadas: erosões; voçorocas, lixiviação e exposição do solo; o que ocasionará futuramente no assoreamento de rios e desaparecimento de córregos locais; extinção de espécies de rara beleza.

A rapidez com que a ganância mineral se impõe, despreza por absoluto a potencial ocorrência de atributos naturais, cavernas, grutas, lapas e abrigos, muitos dos quais estão sob alvo da destruição. Pela literatura regional, sabe-se que a estes locais estão associados sítios arqueológicos de grafismos rupestres, sepultamentos, oficinas líticas, quilombos, sítios extrativistas (coletores), entre outras estruturas, artefatos e registros da pré-história e história da região.

Aqui, mais uma vez, merece destaque o desprezo absoluto do empreendimento que invade a área de servidão do Complexo Arqueológico que conjuga estruturas e vestígios do patrimônio ferroviário do início do século XX, tombado pelo município de Gouveia e valorizado a nível nacional e internacional pelo projeto de transformação de antigos ramais ferroviários em Ecovias para ciclistas e andarilhos denominado aqui Trilha Verde da Maria Fumaça.

Diante deste contexto e considerando também questões relevantes de seu presente etnográfico que reflete um modo de existir e o padrão ecológico desta relação, os moradores e amantes de Barão do Guaicuí e região afirmam seus direitos coletivos e difusos e manifestam seu repúdio e indignação frente a mais esta agressão ao meio ambiente, à paisagem e à cultura e exigem das autoridades apuração rápida e eficaz dos graves crimes já iniciados contra o patrimônio natural, histórico e sociocultural na região.

Mineração em Barão e região não! FORA NEW STONES!