Por um ensino remoto acessível para todos

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Sindicato Servidores Paulinia criou este abaixo-assinado para pressionar Prefeito Municipal de Paulínia Ednilson Cazellato e

Nós, professores e professoras da rede Municipal de Paulínia, preocupados com uma educação pública de qualidade e com as novas demandas educacionais típicas do atual contexto pandêmico, vimos por meio deste documento expor alguns questionamentos e propostas para a efetivação dos trabalhos para o ensino remoto, conforme estabelecido pela Secretaria Municipal de Educação de Paulínia.

Este documento foi elaborado por uma comissão composta por professores e professoras dos diversos segmentos e modalidades de ensino, a partir de uma reunião online presidida pelo Sindicato do Servidores de Paulínia, ocorrida em 22 de março de 2021, em decorrência de um comunicado[1] emitido em 18 de março de 2021 pela Secretaria Municipal de Educação e encaminhado para todas as unidades escolares, em que afirma entre outros pontos, os seguintes:

1 – Efetivou a contratação, implantação e capacitação dos professores para o uso do Google For Education;

2 – Que os dias letivos devem ser cumpridos e comprovados, através das atividades disponíveis na Plataforma oficial;

3 – Que é direito do aluno receber atividades/aulas de modo remoto, para mitigar a ausência de aulas presencias;

4 – Solicita que os docentes da rede façam uso da referida plataforma, por ser o recurso tecnológico oficial adotado, informando a possibilidade de continuar a entrega de material impresso;

5 – Informa que a quantidade de atividades deve ser compatível com a carga horária de cada professor e que ocorreram atrasos da adequação da rede à plataforma;

6 – Que o Google Meet deve ser usado mesmo que as aulas não sejam gravadas;

7 – Pede encarecidamente o empenho dos professores para utilização sistemática da plataforma e

8 – Que o uso da plataforma é uma orientação do departamento jurídico e que ensejará medidas administrativas o não cumprimento.

A leitura completa do documento foi extremamente impactante para os professores e professoras da rede, inclusive porque tratou de forma bastante coercitiva questões que não foram objeto de discussão com o corpo docente e nem por se constituírem como normativas oficiais para o ensino remoto. Além disso, em muitas unidades escolares, a plataforma Google For Education ainda não está em pleno funcionamento devido à problemas técnicos e operacionais.

Importante ressaltar que nós, professores e professoras da rede, (desde a suspensão das aulas presenciais em março de 2020, quando iniciou-se a grave crise sanitária do Covid19), começamos a nos organizar e a dispor de nossos próprios recursos (materiais e tecnológicos) para dar continuidade as atividades pedagógicas com os(as) estudantes de forma remota.

Durante esse período, a Secretaria Municipal de Educação por meio do CEFORM ofereceu alguns cursos de Letramento Digital para professores e professoras da rede. No entanto, ainda se fazia necessário uma formação que abrangesse os profissionais da educação de forma mais sistemática.

Somente no mês de novembro de 2020 a Administração Municipal anunciou a contratação e o uso da plataforma Google For Education para o trabalho remoto, como também iniciou uma formação, composta de alguns encontros virtuais e de um curso virtual ministrado pela empresa Nuvem Mestra.[2]

Além da contratação da Plataforma educacional, houve a aquisição de chips da operadora TIM destinados a professores e professoras e estudantes que solicitassem via preenchimento de um formulário (caso dos estudantes). Cabe informar que a entrega dos chips para os(as) estudantes ainda continua em andamento (para aqueles que conseguiram solicitar dentro do prazo).

No início de março, algumas escolas de Ensino Fundamental II começaram a implementação do Google Sala de Aula da Plataforma oficial. Todavia, ainda na presente data, não houve a completa implantação e uso do Google Sala de Aula como meio de interação entre professores e professoras e estudantes para a maioria das escolas da rede. Ressaltamos que todo esse atraso se deve não pela falta de empenho da gestão das escolas ou de professores e professoras, mas devido a problemas técnicos e operacionais na implantação da plataforma, resultando em uma significativa morosidade no cadastro dos estudantes, na entrega das credenciais de acesso, como na capacitação de estudantes e suas famílias para que saibam como fazer a ativação do e-mail institucional e o uso do Google Sala de Aula.

Diante dos relatos apresentados, muito nos preocupa o documento expedido pela Secretaria Municipal de Educação nos responsabilizando unicamente pelo não uso da plataforma oficial. Salientamos ainda que é imprescindível a utilização de tal ferramenta para garantirmos o processo de ensino e aprendizagem num ambiente digital seguro. Para tanto, consideramos de extrema importância que a Secretaria Municipal de Educação tome ciência de nossos questionamentos e sugestões elencados a seguir, tomando as medidas cabíveis para a efetivação do trabalho remoto na rede:

1. Realizar de forma emergencial uma consulta com estudantes para identificar a falta de equipamentos adequados para a efetiva participação dos estudantes nas aulas e atividades online.

É sabido que:

a)      muitas famílias possuem apenas um único aparelho de celular para todos os membros da casa;

b)      em muitos lugares o chip Tim não tem cobertura;

c)      vários estudantes não solicitaram o chip e estão com dificuldades de acesso à internet.

Nesse sentido, faz-se necessário mapear esses casos, para que os estudantes recebam equipamentos e acesso à internet da Administração Municipal e tenham o seu direito à educação garantido.

As dificuldades com equipamentos e de acesso à internet também se aplicam aos professores e professoras. Cabe ressaltar que os docentes necessitam de equipamentos com capacidade adequada de processamento e transmissão de dados para produzir material para atender a demanda intensiva das aulas remotas, da produção de conteúdo e da solicitação de uso do Google Meet (se for obrigatório). Faz-se necessário o subsídio à aquisição da internet banda larga e equipamentos compatíveis com a necessidade de uso para professores e professoras.

Um estudo sobre a capacidade de pacote de dados do chip TIM também se aplica como garantia de acesso às aulas remotas. Além disso, é necessário que os problemas técnicos e operacionais do Google Sala de Aula sejam resolvidos em caráter de urgência para que o processo de cadastro dos(das) estudantes na plataforma seja finalizado.

2. Diante da recomendação do início de aulas online é imprescindível que a Secretaria Municipal de Educação elabore diretrizes, em conjunto com a categoria, através de uma comissão formada por representantes de professores e professoras e gestores dos diversos segmentos e modalidades, eleitos pelos seus pares, com participação também do sindicato e Conselho Municipal de Educação. Essas diretrizes devem garantir aos estudantes e professores e professoras: a) um ambiente digital seguro, sobretudo, com o uso do Google Meet; b) orientações de caráter pedagógico (adaptação curricular, avaliação dos(das) rendimentos dos estudantes, dentre outras questões); c) ofertar novos cursos e oficinas de formação digital para os servidores, dentro da jornada de trabalho, que atendam suas necessidade e dificuldades.

3. Neste contexto é primordial, para executarmos um trabalho condizente com a nossa realidade atual, que a SMEDU respeite a autonomia de trabalho de cada unidade, no intuito de preservar as peculiaridades de cada escola, para que possam organizar as aulas online via Google Meet e demais atividades remotas de acordo com a realidade específica de cada comunidade escolar.

4. Reconhecemos que esta situação requer esforços de todos e que são grandes os desafios, porém, nós, professores e professoras da rede, de forma séria e muito consistente, como aliás sempre ocorreu diante das demandas da educação, nos posicionamos em prol de uma educação para todos. No que se refere ao trecho do documento da SMEDU, transcrito abaixo:

“(...) a orientação do departamento jurídico vai no sentido de que seu uso não é facultativo e a não utilização desse instrumento de forma injustificada pode ensejar apuração pela Administração, como determinam os órgãos de controle.”

Fazemos a seguinte pergunta: em caso de situações e problemas que impeçam a atividade de professores e professoras, em especial nas aulas online, qual postura deve ser adotada?

Desta maneira, nós abaixo assinados, pelos motivos ante expostos, solicitamos que a Secretaria Municipal de Educação de Paulínia responda nossos questionamentos e atenda nossas reivindicações, garantindo os princípios de uma gestão democrática, para que possamos, dar continuidade, de forma organizada e estruturada, ao trabalho remoto descrito no documento supramencionado.

Assinam este documento,

 



[1] Comunicado expedido pela Secretaria Municipal de Educação do dia 18 de março de 2021. (Anexo I).
[2] Os professores e professoras se queixaram do pouco tempo para a realização do curso, da linguagem adotada, como da quantidade de informações apresentadas nos encontros virtuais, o que prejudicou, segundo muitos professores(as), este processo de formação para o uso dos recursos digitais.

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