Ponte no Lugar Certo

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Esta é uma petição contra a ponte Norte-Sul a ser construída em Blumenau, na curva do rio Itajaí-Açu, local sensível do ponto de vista histórico, geológico, hidrológico e urbanístico. A falta de audiências públicas e de estudos que validem essa ponte tecnicamente chamam atenção, bem como a falta de qualidade em sua arquitetura. Queremos que a cidade cresça de forma coerente e consciente, para que a cidade de amanhã seja melhor e mais bela que a de hoje.

Em 2002 iniciaram‐se os estudos para a definição do traçado para uma nova ponte no centro de Blumenau. Através de Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau (IPPUB) e considerando‐se malha viária, impactos ambientais, urbanísticos e históricos, definiu‐se a localização na rua Rodolfo Freygang, após análise de diversas opções pelo Conselho de Planejamento do IPPUB. Em 2003 foi incluído o traçado no plano diretor da cidade através da VP‐92. 

Em 2011 o assunto volta à tona e é levado novamente à debate no órgão municipal responsável - COPLAN (Conselho de Planejamento Urbano) – e confirmada a sua localização, é incluído no Programa de Mobilidade do BID. É lançado então um concurso nacional para a escolha do melhor projeto para a ponte, onde o Escritório de Arquitetura Estúdio América tem seu projeto selecionado entre 37 equipes de engenharia e arquitetura de todo o Brasil.

"O processo seletivo escolheu os melhores desenhos, segundo um júri técnico com profissionais convidados a apresentar contribuições ao projeto vencedor. Em seguida, os três melhores desenhos foram submetidos à avaliação de um JÚRI POPULAR FORMADO POR 19 ENTIDADES REPRESENTATIVAS DA SOCIEDADE (listadas abaixo), que definiram o primeiro colocado. O objetivo foi garantir que o resultado estivesse de acordo com os anseios da comunidade e proporcionasse identificação e compromisso com as obras.

1.‐ Associação Blumenauense Pró‐Ciclovias 
2.‐ Associação Catarinense de Preservação da Natureza 
3.‐ Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Medio Vale do Itajai 
4.‐ Associação de Micro e Pequenas Empresas de Blumenau 5.‐ Associação de Imprensa 
6.‐ Comissão dos Direitos dos Deficientes e Patologias do Vale do Itajai 
7.‐Fundação Municipal do Meio Ambiente 
8.‐Fundação Cultural de Blumenau 
9.‐ Secretaria Municipal de Turismo 
10.‐Secretaria Municipal de Obras 
11.‐ Serviço Autônomo Municipal de Transito e Transportes de Blumenau 
12.‐ União Blumenauense das Associações de Moradores 13.‐ Câmara dos Dirigentes Lojistas de Blumenau (CDL) 
14.‐ Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) 15.‐ Associação Empresarial de Blumenau (ACIB) 
16.‐ Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) 17.‐ Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional ‐ Blumenau (SDR) 
18.‐ Sindicato da Industria da Construção Civil de Blumenau (SINDUSCON) 
19.‐ Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)

Em 2012, em pleno calor das eleições, o então candidato a prefeito Napoleão Bernardes promete que, se eleito, mudaria a posição da nova ponte, ignorando assim, o projeto existente e todos os estudos e investimentos até então realizados. 

Percebe‐se hoje, com mais clareza, que a busca por um diferencial na citada eleição o fez prometer algo pouco pensado previamente. Especialistas confirmam que o estrago urbanístico e paisagístico serão enormes e certos ao contrário dos benefícios de mobilidade, fortemente questionados e duvidosos.

Conheça um pouco do projeto imposto para a sociedade: 

Com o novo projeto, quem estiver na rua República Argentina em sentido ao bairro Garcia, só poderá cruzar a nova ponte se estiver de ônibus. Pensem conosco, a Ponta Aguda, um bairro com apenas dez mil moradores, quantos efetivamente utilizam ônibus? Agora imaginem quantos dos que utilizam ônibus desejam ir para o Garcia? Alguma dúvida de esse investimento milionário não proporcionará melhoras na mobilidade urbana de Blumenau?

No sentido oposto, para quem deseja vir do Garcia para a Ponta Aguda, será liberada a passagem de veículos leves. Para seu acesso, no entanto, será necessária a instalação de um semáforo na rua Itajaí, bem como outros dois semáforos para cruzar o novo binário da Ponta Aguda, interferindo negativamente em três vias importantíssimas da região. Sendo assim, a nova ponte, que custará R$ 40.000.000,00 (40 milhões), além de mostrar-se pouco eficaz, impactará direta e negativamente em outro investimento de R$ 20.000.000,00 (20 milhões) que será executado no bairro Ponta Aguda. 

Técnicos e especialistas questionam também o efeito dos pilares no fluxo da água do Rio Itajaí. A ponte da rua Rodolfo Freygang era suspensa, requisito do concurso de projeto, pois estudos indicavam que a existência de pilares numa nova ponte traria impactos como o aumento do nível de enchentes e a mudança na velocidade do fluxo do rio. A ponte proposta pela prefeitura cruza de maneira oblíqua uma curva acentuada do rio, local que a própria literatura sobre pontes e hidráulica considera complexo e recomenda evitar. Pelas imagens disponibilizadas pela prefeitura até o momento, nota-se uma quantidade elevada de pilares bastante robustos na curva do rio Itajaí-Açu. Conforme Jaime de Azevedo Gusmão Filho, em seu livro de 2008, Fundações de Pontes: Hidráulica e Geotécnica, "Os pilares são elementos essenciais em uma ponte. Como eles estão no caminho das águas, provocam turbilhão nos filetes da corrente. O movimento resultante deixa de ser laminar, muda de direção e como resultado provoca erosão do solo. A forma e posição dos pilares têm, pois, muita importância no projeto hidráulico." Não foi apresentado nenhum estudo hidrogeológico para avaliação do impacto destes pilares no curso das águas da ponte proposta, fato estranho em uma cidade que tem, a cada 2 anos, uma enchente de grandes proporções. Considerando a proximidade do Hospital Santo Antonio, nosso principal hospital regional, é certo que o que menos desejamos é vê-lo interditado no futuro. 

Não é apenas o estudo hidrogeológico que está faltando no material desta ponte. Faltam também o Estudo de Impacto de Vizinhança atualizado e o Estudo de Impacto Ambiental, pois os que estão sendo utilizados referem-se a um projeto antigo, que sofreu substanciais modificações. Pelo fato da alteração da dinâmica das águas atingir outros municípios ao longo do curso do rio Itajaí-Açu, a Fatma deveria ser acionada e responsável por conceder licença ambiental.

Devemos lembrar também que a Ordem de Serviço do Binário da Rua Chile foi assinada pelo prefeito Napoleão Bernardes no dia 17 de agosto de 2017, contratada por R$ 18.092.780,25. Seu sistema viário não está conectado com a Ponte da Rua Itajaí x Rua Paraguai cuja construção estamos tentando evitar. A ponte que não foi executada, da Rua Rodolfo Freygang e Rua Chile, faz parte desse binário e permitiria a saída do centro da cidade, a partir da Rua Sete de Setembro, na altura do Colégio Sagrada Família, até o Trevo do Sesi em pista dupla e sem semáforo. Por este motivo a Ponte que o prefeito quer executar não foi aprovada pelos técnicos isentos do BID e não foi incluída no seu financiamento!

Fortaleça o movimento e compartilhe essa petição com a sua rede.

Vamos juntos mostrar a cidade que queremos.

Por uma Blumenau pensada e planejada por profissionais e cidadãos.



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