MANIFESTO EM APOIO AOS EDUCADORES E A COMUNIDADE ESCOLAR DA EMEF ENZO ANTÔNIO SILVESTRIN

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MANIFESTO DOS EDUCADORES EM APOIO AOS EDUCADORES E DA COMUNIDADE ESCOLAR DA EMEF ENZO ANTÔNIO SILVESTRIN (DRE PIRITUBA)

Nós, educadores da Rede Municipal de São Paulo, nos manifestamos em apoio ao Projeto Político Pedagógico da EMEF Enzo Antônio Silvestrin (DRE Pirituba). Defendemos uma educação lastreada nos princípios da autonomia dos alunos e da escola como um espaço no qual o diálogo, o pensamento crítico e a liberdade prevaleçam ao invés do obscurantismo, o autoritarismo e o medo. Entendemos que a importância do PPP como construção coletiva consiste no fato de que ele seja fruto do diálogo, sempre inacabado e em aprimoramento. E não podemos nos omitir ao fato de que as condições para o diálogo vêm sendo erodidas no cenário social e político em que ora vivemos. Temos a obrigação de não voltarmos as costas às recorrentes afrontas, intimidações e perseguições que afligem nossos colegas professores, funcionários e gestores da educação.

A diretora da EMEF Enzo Antônio Silvestrin foi procurada pelo pai de uma estudante, que se autodenominou “de extrema direita”, colocando-se radicalmente contra um Projeto Político Pedagógico que tem como norteadores a emancipação dos sujeitos, a liberdade, os direitos humanos e o entendimento da diversidade como inerentes à condição humana, o que ele classificou como projeto “de esquerda”.

Diante da disposição ao debate por parte da direção para construção coletiva do currículo, a conversa foi concluída com acordo para uma discussão mais ampla com a comunidade. Mas, imediatamente após, o pai passou a promover ataques por intermédio das redes sociais, buscando arregimentar pessoas contra o projeto da escola, propondo a criminalização da atuação pedagógica em vigor, incitando postura inquisitiva em relação à escola e à sua gestão.

Com o propósito manifesto de “colher materiais para aniquilar a direção da escola”, entrou na Unidade Escolar e se pôs a filmar uma aula de educação física, deturpando as palavras da direção sobre o uso que a comunidade poderia fazer do espaço público escolar. A diretora, ao expressar medo com a situação, ouviu do pai que, de fato, sua integridade física não estaria garantida.

É importante lembrar que a defesa e promoção dos direitos humanos está inserida em diferentes legislações educacionais vigentes, assim como nas propostas curriculares da Rede Municipal. Dessa forma, reafirmamos nosso compromisso com a escola pública, laica, gratuita e de qualidade social, e repudiamos veementemente posturas agressivas, autoritárias e ameaçadoras como a relatada acima.

A escola pública deve ser uma construção permanente e coletiva – para isso se faz necessário a inegociável disposição ao diálogo.