"Pelo Direito dos Pets ao Lazer: Um Espaço Seguro e Justo no Gramadão da UFJF"

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O problema

O episódio que desencadeou a situação atual ocorreu quando houve uma briga de cães na UFJF. O incidente foi provocado por "Sadan", um cachorro abandonado que vive no campus. Apesar de ser extremamente dócil com humanos, Sadan apresenta comportamento agressivo com outros animais. Naquele dia, ele se envolveu em uma briga com outro cão que estava acompanhado de seu tutor. Nosso amigo Leo tentou intervir para separar os animais e acabou sendo mordido. Apesar da mordida não ter causado danos graves, ele precisou buscar atendimento no HPS para os cuidados necessários. No dia seguinte, já recuperado, Leo voltou ao campus para passear com sua cachorrinha, ciente de que havia se exposto ao tentar apartar os cães. Ele mesmo não culpou os animais pelo ocorrido.

No entanto, o incidente gerou repercussão desproporcional. Algumas pessoas que sequer possuem animais começaram a fazer reclamações sobre agressões no local. A situação ganhou ainda mais força quando um jornalista publicou uma matéria sensacionalista, retratando os cães da UFJF como perigosos e ameaçadores à comunidade. A partir daí, a questão tomou grandes proporções, criando um clima de hostilidade em relação aos pets que frequentam o campus.

Cerca de um a dois meses após o ocorrido, a Coordenação da UFJF decidiu aplicar e fiscalizar com rigor a legislação municipal de Juiz de Fora, que proíbe a circulação de cães sem guia, enforcador ou focinheira em espaços públicos. A aplicação da norma, no entanto, ignorou a realidade do gramadão, um espaço que, há mais de 10 anos, é amplamente utilizado por tutores e cães para lazer e recreação. Este local se tornou um ponto de encontro entre pets, tutores e famílias, que o utilizam de forma compartilhada para atividades como danças, piqueniques e ensaios fotográficos.

Embora seja compreensível que cães sem coleira em vias públicas possam gerar desconforto, o gramadão sempre foi um espaço seguro e destinado às brincadeiras dos animais, onde todos convivem pacificamente. A proibição repentina de uso desse espaço penaliza injustamente uma comunidade que apenas busca oferecer lazer e cuidados adequados aos seus pets.

Cães, assim como crianças, precisam de lazer e atividades para gastar energia. Por que, então, nossos pets foram privados de um espaço que sempre frequentaram? Não estamos pedindo para transitar livremente sem coleira em qualquer lugar, mas sim para que a UFJF considere cercar uma parte do gramadão exclusivamente para os cães. Essa medida simples permitiria a convivência harmoniosa entre quem gosta e quem não gosta de animais, sem prejudicar nenhuma das partes. No entanto, a comunidade que cuida dos animais, infelizmente, tem sido ignorada e colocada como infratora.

A situação é desoladora para quem, há anos, utiliza esse espaço como um refúgio após uma rotina exaustiva de trabalho. Muitos tutores se dedicam a levar seus pets ao gramado para brincar e socializar, atividade essencial para o bem-estar físico e mental dos cães. De repente, somos proibidos de usar esse espaço vital. O que fariam se as crianças fossem proibidas de andar de bicicleta ou brincar no gramado? Por que apenas nós, tutores de pets, estamos sendo penalizados?

Além disso, surge uma grande dúvida: o que fazer com todos os cachorros abandonados que aparecem na UFJF? Nós, tutores, também somos voluntários, sempre nos organizamos para cuidar desses animais. Garantimos a eles remédios, cuidado, atenção e alimentação. Se formos impedidos do nosso lazer no campus, como esses cães abandonados ficarão? Continuarão sem cuidado, sem tratamento, sem qualquer atenção, e estarão andando sem coleiras por aí. Se existe uma proibição, tem que valer para todos. A UFJF não toma a frente no enfrentamento do abandono de cães em seu espaço, mas nós estamos lá, dia após dia, além de levar nossos companheiros para brincar, estamos ajudando esses animais que não possuem um lar cheio de carinho e amor. Nossos pets brincam com os cães abandonados, vivemos todos em harmonia. Essa proibição nos afeta muito.

A causa animal precisa de visibilidade e respeito. Somos uma minoria que promove o bem, organiza ações beneficentes e cuida dos animais de forma responsável. Não somos infratores e não podemos ser tratados como tal. Pedimos apenas empatia, amor e compreensão para que possamos continuar oferecendo o melhor para nossos companheiros de quatro patas. Os passeios com nossos pets são uma válvula de escape para a vida corrida que levamos, e não podemos perder esse direito.

Contamos com o apoio de todos para que essa luta seja reconhecida. Vamos juntos encher nossos corações de amor e buscar uma solução justa para essa questão.

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Marina BomtempoCriador do abaixo-assinado

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