Pela preservação da Vila Operária do DAE e da Reserva Florestal do Morro Grande

O problema

Nós, abaixo-assinados — cidadãos, pesquisadores, educadores, estudantes e membros da comunidade —, vimos, por meio desta petição pública, manifestar nosso repúdio à destruição parcial da Vila Operária do DAE, localizada no bairro do Morro Grande, em Cotia (SP), e solicitar a reabertura do processo de tombamento da área, com a inclusão do perímetro da Vila no reconhecimento patrimonial da Reserva Florestal do Morro Grande ou, alternativamente, a abertura de um processo específico de tombamento da Vila Operária do DAE como patrimônio histórico e industrial do Estado de São Paulo.

A Vila Operária do DAE é um exemplo raro e valioso do patrimônio industrial paulista do início do século XX. Constituída por um conjunto arquitetônico e urbanístico com 52 residências, Igreja Nossa Senhora das Graças, Grêmio de Trabalhadores (Sede), clube social, escola, posto de enfermagem, campo de futebol e praça central, a vila foi construída entre as décadas de 1910 e 1930 para abrigar os operários, engenheiros e administradores responsáveis pela construção e manutenção da Estação de Tratamento do Alto Cotia — incluindo a Barragem da Cachoeira da Graça (1914–1917) e a Represa Pedro Beicht (1927–1933), fundamentais para o abastecimento de água da capital paulista.

Além de seu valor arquitetônico, a vila é depositária da memória do trabalho, da moradia operária e da vida comunitária, constituindo um bem cultural de relevância local e regional. Ainda assim, a área sofre com a especulação imobiliária e o abandono pelos órgãos responsáveis por  sua  preservação, no caso a atual Sabesp.

O resultado dessa negligência institucional foi evidenciado nesta semana, quando dez casas da Vila foram demolidas, sob a justificativa da SABESP e da empresa Equatoriana — atualmente responsável pelo local — de que os imóveis estavam comprometidos e sem viabilidade de restauração. O que não se admite é que esse estado de deterioração tenha sido causado pelas mesmas instituições que tinham o dever legal e moral de zelar por sua conservação — incluindo a Prefeitura de Cotia.

Desde 2018, a comunidade do Morro Grande tem se mobilizado intensamente pela preservação desse patrimônio. Reuniões com o poder público, eventos culturais e educativos, inventários participativos, projetos escolares, produção audiovisual e ações de visibilidade foram realizados com o objetivo de assegurar a salvaguarda da Vila e sua inclusão no processo de tombamento. Em reconhecimento a essa trajetória de luta, o local recebeu em 2024 o título de Ponto de Memória Coletivo Ecomuseu Morro Grande, conferido pelo Governo Federal.

A demolição de parte da Vila não é apenas a destruição de casas — é a mutilação da memória e da identidade de Cotia. Perder a Vila Operária do DAE significa apagar um capítulo fundamental da História do abastecimento e do saneamento, mas também da história do trabalho e da habitação operária, tanto de São Paulo quanto, especialmente, de Cotia.

Diante do exposto, solicitamos com urgência:

* A reabertura do processo de tombamento da Reserva Florestal do Morro Grande com inclusão da Vila Operária do DAE no perímetro protegido;
* Ou, alternativamente, a abertura de um novo processo de tombamento específico da Vila, reconhecendo seu valor como patrimônio industrial, social e cultural;
* A interrupção imediata de quaisquer novas ações de demolição na área até que se conclua o processo de avaliação patrimonial;
* O compromisso da Prefeitura de Cotia, da SABESP e dos órgãos de preservação do patrimônio, em respeitar e preservar a memória da Vila e seus moradores, promovendo políticas públicas de conservação ativa e participativa.

Assinar esta petição é um ato de cidadania, de respeito à memória e de compromisso com as futuras gerações.

 

 

 

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O problema

Nós, abaixo-assinados — cidadãos, pesquisadores, educadores, estudantes e membros da comunidade —, vimos, por meio desta petição pública, manifestar nosso repúdio à destruição parcial da Vila Operária do DAE, localizada no bairro do Morro Grande, em Cotia (SP), e solicitar a reabertura do processo de tombamento da área, com a inclusão do perímetro da Vila no reconhecimento patrimonial da Reserva Florestal do Morro Grande ou, alternativamente, a abertura de um processo específico de tombamento da Vila Operária do DAE como patrimônio histórico e industrial do Estado de São Paulo.

A Vila Operária do DAE é um exemplo raro e valioso do patrimônio industrial paulista do início do século XX. Constituída por um conjunto arquitetônico e urbanístico com 52 residências, Igreja Nossa Senhora das Graças, Grêmio de Trabalhadores (Sede), clube social, escola, posto de enfermagem, campo de futebol e praça central, a vila foi construída entre as décadas de 1910 e 1930 para abrigar os operários, engenheiros e administradores responsáveis pela construção e manutenção da Estação de Tratamento do Alto Cotia — incluindo a Barragem da Cachoeira da Graça (1914–1917) e a Represa Pedro Beicht (1927–1933), fundamentais para o abastecimento de água da capital paulista.

Além de seu valor arquitetônico, a vila é depositária da memória do trabalho, da moradia operária e da vida comunitária, constituindo um bem cultural de relevância local e regional. Ainda assim, a área sofre com a especulação imobiliária e o abandono pelos órgãos responsáveis por  sua  preservação, no caso a atual Sabesp.

O resultado dessa negligência institucional foi evidenciado nesta semana, quando dez casas da Vila foram demolidas, sob a justificativa da SABESP e da empresa Equatoriana — atualmente responsável pelo local — de que os imóveis estavam comprometidos e sem viabilidade de restauração. O que não se admite é que esse estado de deterioração tenha sido causado pelas mesmas instituições que tinham o dever legal e moral de zelar por sua conservação — incluindo a Prefeitura de Cotia.

Desde 2018, a comunidade do Morro Grande tem se mobilizado intensamente pela preservação desse patrimônio. Reuniões com o poder público, eventos culturais e educativos, inventários participativos, projetos escolares, produção audiovisual e ações de visibilidade foram realizados com o objetivo de assegurar a salvaguarda da Vila e sua inclusão no processo de tombamento. Em reconhecimento a essa trajetória de luta, o local recebeu em 2024 o título de Ponto de Memória Coletivo Ecomuseu Morro Grande, conferido pelo Governo Federal.

A demolição de parte da Vila não é apenas a destruição de casas — é a mutilação da memória e da identidade de Cotia. Perder a Vila Operária do DAE significa apagar um capítulo fundamental da História do abastecimento e do saneamento, mas também da história do trabalho e da habitação operária, tanto de São Paulo quanto, especialmente, de Cotia.

Diante do exposto, solicitamos com urgência:

* A reabertura do processo de tombamento da Reserva Florestal do Morro Grande com inclusão da Vila Operária do DAE no perímetro protegido;
* Ou, alternativamente, a abertura de um novo processo de tombamento específico da Vila, reconhecendo seu valor como patrimônio industrial, social e cultural;
* A interrupção imediata de quaisquer novas ações de demolição na área até que se conclua o processo de avaliação patrimonial;
* O compromisso da Prefeitura de Cotia, da SABESP e dos órgãos de preservação do patrimônio, em respeitar e preservar a memória da Vila e seus moradores, promovendo políticas públicas de conservação ativa e participativa.

Assinar esta petição é um ato de cidadania, de respeito à memória e de compromisso com as futuras gerações.

 

 

 

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Abaixo-assinado criado em 15 de maio de 2025