Manifesto das vítimas da política genocida de Claudio Castro: Chega de sangue!

Manifesto das vítimas da política genocida de Claudio Castro: Chega de sangue!

O problema

Nós, de organizações de familiares e vítimas da violência de Estado, movimentos sociais, de organizações políticas e todos aqueles que não aceitam a política de morte das operações policiais que nada trazem de segurança ao nosso povo, de mães, pais, irmãos e filhos que tiveram suas vidas dilaceradas pela letalidade policial, erguemos nossa voz unificadamente para gritar: Pelo fim da violência policial que matam todos os dias o nosso povo!

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou no último dia 23 a proposta, batizada de "gratificação faroeste" que permite que agentes recebam uma bonificação no seu salário entre 10% e 150% caso apreendam armas de grande calibre ou “neutralizem” criminosos em operações. Por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o MPF destacou que não há evidências de que a chamada “gratificação faroeste” leve benefícios à segurança pública, e sim o efeito contrário: a medida tende a estimular o  uso excessivo da força e o aumento da letalidade policial, resultando em mais violência e insegurança. Ou seja o estado que entre 2007 até 2024 realizou mais de 22 mil operações policiais, que tiveram nessas operações 83% dos mortos sendo pessoas negras, agora financiará mais fortemente a INSEGURANÇA e o GENOCÍDIO do nosso povo.

A tal “gratificação faroeste” aprovada na ALERJ não é apenas uma notícia nos jornais para nós. É a oficialização do prêmio em dinheiro pela morte de nossos filhos. É o Estado transformando as nossas vidas em apenas estatística e autorizando o extermínio com um carimbo de "confronto". Para nós, essa política é uma sentença de morte que já conhecemos muito bem.

Sabemos o que é um "confronto" na língua do Estado. É a versão oficial para o dia em que nosso filho não voltou para casa. É a justificativa para o tiro pelas costas, a execução na porta de casa, o corpo caído no beco. É o laudo que chega antes do socorro. É a cena do crime violada. É o nosso luto sendo criminalizado enquanto nós, as mães, somos tratadas como "mulheres de bandidos". Nós, que carregamos nas costas a dor de enterrar nossos jovens, sabemos que essa gratificação é a monetização do nosso sofrimento.

E agora querem trazer de volta 144 policiais que já foram expulsos da corporação pelos seus crimes? Essa barbárie não pode ser a realidade do nosso estado. A expulsão era a única migalha de justiça que nos restava, a confirmação de que aquele agente não era digno de portar uma arma e um distintivo. Reintegrá-los é cuspir na memória de cada inocente que foi morto por esse Estado. É dizer, para todas as famílias, que a vida do nosso filho vale menos do que a farda de quem o matou. É a certeza da impunidade junto a um aumento de salário sendo decretada como lei.

Nossos mortos não são números. São inocentes com sonhos. E a conta dessa guerra não é paga pelo governador Cláudio Castro ou pelo Presidente da câmara Rodrigo Bacellar em seus gabinetes blindados. É paga por nós, com nossas lágrimas, nossa saudade e nossa luta diária por justiça. É paga pela população do Rio, que vive refém do terror, seja do crime, seja da polícia. A bala "perdida" tem endereço, nome e cor. A bala "achada" foi enviada com bônus.

Enquanto o Brasil tenta construir uma política de redução a violência, o Rio de Janeiro declara guerra ao seu próprio povo. O aumento de 34,4% nas mortes por policiais não é uma estatística. É o nosso Herus de 22 anos morto enquanto dançava em uma festa junina, a nossa Ketleen Romeu de 24 anos morta enquanto caminhava com sua avó, Thiago Menezes de 14 anos morto enquanto passeava de moto com um amigo, Agatha Felix de 8 anos morta dentro de uma Kombi voltando da escola, João Pedro de 14 anos morto dentro de casa e tantos outros são corpos que se acumulam nas periferias, são histórias interrompidas, são futuros roubados.

NÓS EXIGIMOS:

●   A revogação IMEDIATA da "gratificação faroeste” e demais dispositivos que promovam a categoria policial com base no assassinato do povo negro e de periferia. Não aceitaremos qualquer centavo de sangue sendo pagos para premiar criminosos fardados.

●   O arquivamento do projeto de reintegração dos policiais expulsos. Impunidade não é política pública.

●   O fim da política de genocídio nas favelas e periferias. A “guerra às drogas” e as operações policiais já demonstraram que não trazem segurança à população e apenas trazem terror às nossas comunidades e morte aos nossos. Queremos polícia comunitária, inteligência policial sob supervisão popular e investimento em vida, não em morte.

●      Justiça para todos os nossos filhos assassinados. Chega de versões únicas. Queremos investigação independente, transparência e responsabilização.

Não vamos nos calar. Cada nova morte nos dá mais força para lutar. Nossa dor não é um luto privado; é um grito político. Nossos filhos não foram "baixas" em uma guerra. Eles foram vidas tiradas por um Estado em crise que insiste em matar para tentar governar.

Pelos que se foram, por nós que ficamos, e pelas próximas vítimas que não podem ser a próxima.

ASSINAM ESTE MANIFESTO:

UP, PSOL, PCDOB,PCB, PSTU, PCBR, MRT, SUBVERTA, MES, CUT-RIO, SEPE-RJ, ANDES, CONAM, CTB-RJ, FENET, UNEGRO-RJ, UBM-RJ, UJR, UJS, JUNTOS, UJC, PARATODOS, RUA, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, MOVIMENTO CORRENTEZA, TRAVESSIA, REBELE-SE, SINDSEPE, SINTUFRJ, MOVIMENTO DAS MÃES E FAMILIARES VITIMAS DE VIOLÊNCIA LETAL DO ESTADO E DESAPARECIDOS FORÇADOS, FRENTE NEGRA REVOLUCIONÁRIA, COLETIVO MARÉ NEGRA, MARCHA DA PERIFERIA RJ, MNE, MOVIMENTO PAREM DE NOS MATAR, COLETIVO MÃES DA MARÉ, MULHERES EM MOVIMENTO, MÃES DA BAIXADA, QUILOMBO RAÇA E CLASSE, MOVIMENTO MOLEQUE, MOVIMENTO OLGA BENÁRIO, FEDERAÇÃO DAS MULHERES FLUMINENSES RJ, CASA ALMERINDA GAMA, MLC, MLB, DEP. EST. MARINA DO MST, DEP. EST. FLAVIO SERAFINI, VEREADOR PROFESSOR TULIO, VEREADOR MAIRA DO MST, DEP. FED. TALIRIA PETRONE, DEP. FED. CHICO ALENCAR, DEP. FED. GLAUBER BRAGA, DEP EST. DANI BALBI DEP. EST. PROFESSOR JOSEMAR, DEP. EST. DANI MONTEIRO, ERÓ SILVA, SAM LIMA, AERJ, AMES-RIO, UEDC, UMEAB, UCE, UMES, UNES, DCE UFRJ, DCE UNIRIO, DCE ESPM, DCE UNIGRANRIO, DCE CESGRANRIO, DCE CEFET, DCE VEIGA DE ALMEIDA, DCE UNISUAM, DCE FEMASS, DCE UNIABEU, DCE IFRJ, COLETIVO CASULO, WEB RÁDIO CENSURA LIVRE, CENTRO SOCIALISTA PENHA RJ, CENTRO MAURO RUY MARINI, FORUM DE GRÊMIOS, REDE DE EDUCAÇÃO POPULAR BAIXADA FLUMINENSE

 

 

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O problema

Nós, de organizações de familiares e vítimas da violência de Estado, movimentos sociais, de organizações políticas e todos aqueles que não aceitam a política de morte das operações policiais que nada trazem de segurança ao nosso povo, de mães, pais, irmãos e filhos que tiveram suas vidas dilaceradas pela letalidade policial, erguemos nossa voz unificadamente para gritar: Pelo fim da violência policial que matam todos os dias o nosso povo!

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou no último dia 23 a proposta, batizada de "gratificação faroeste" que permite que agentes recebam uma bonificação no seu salário entre 10% e 150% caso apreendam armas de grande calibre ou “neutralizem” criminosos em operações. Por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o MPF destacou que não há evidências de que a chamada “gratificação faroeste” leve benefícios à segurança pública, e sim o efeito contrário: a medida tende a estimular o  uso excessivo da força e o aumento da letalidade policial, resultando em mais violência e insegurança. Ou seja o estado que entre 2007 até 2024 realizou mais de 22 mil operações policiais, que tiveram nessas operações 83% dos mortos sendo pessoas negras, agora financiará mais fortemente a INSEGURANÇA e o GENOCÍDIO do nosso povo.

A tal “gratificação faroeste” aprovada na ALERJ não é apenas uma notícia nos jornais para nós. É a oficialização do prêmio em dinheiro pela morte de nossos filhos. É o Estado transformando as nossas vidas em apenas estatística e autorizando o extermínio com um carimbo de "confronto". Para nós, essa política é uma sentença de morte que já conhecemos muito bem.

Sabemos o que é um "confronto" na língua do Estado. É a versão oficial para o dia em que nosso filho não voltou para casa. É a justificativa para o tiro pelas costas, a execução na porta de casa, o corpo caído no beco. É o laudo que chega antes do socorro. É a cena do crime violada. É o nosso luto sendo criminalizado enquanto nós, as mães, somos tratadas como "mulheres de bandidos". Nós, que carregamos nas costas a dor de enterrar nossos jovens, sabemos que essa gratificação é a monetização do nosso sofrimento.

E agora querem trazer de volta 144 policiais que já foram expulsos da corporação pelos seus crimes? Essa barbárie não pode ser a realidade do nosso estado. A expulsão era a única migalha de justiça que nos restava, a confirmação de que aquele agente não era digno de portar uma arma e um distintivo. Reintegrá-los é cuspir na memória de cada inocente que foi morto por esse Estado. É dizer, para todas as famílias, que a vida do nosso filho vale menos do que a farda de quem o matou. É a certeza da impunidade junto a um aumento de salário sendo decretada como lei.

Nossos mortos não são números. São inocentes com sonhos. E a conta dessa guerra não é paga pelo governador Cláudio Castro ou pelo Presidente da câmara Rodrigo Bacellar em seus gabinetes blindados. É paga por nós, com nossas lágrimas, nossa saudade e nossa luta diária por justiça. É paga pela população do Rio, que vive refém do terror, seja do crime, seja da polícia. A bala "perdida" tem endereço, nome e cor. A bala "achada" foi enviada com bônus.

Enquanto o Brasil tenta construir uma política de redução a violência, o Rio de Janeiro declara guerra ao seu próprio povo. O aumento de 34,4% nas mortes por policiais não é uma estatística. É o nosso Herus de 22 anos morto enquanto dançava em uma festa junina, a nossa Ketleen Romeu de 24 anos morta enquanto caminhava com sua avó, Thiago Menezes de 14 anos morto enquanto passeava de moto com um amigo, Agatha Felix de 8 anos morta dentro de uma Kombi voltando da escola, João Pedro de 14 anos morto dentro de casa e tantos outros são corpos que se acumulam nas periferias, são histórias interrompidas, são futuros roubados.

NÓS EXIGIMOS:

●   A revogação IMEDIATA da "gratificação faroeste” e demais dispositivos que promovam a categoria policial com base no assassinato do povo negro e de periferia. Não aceitaremos qualquer centavo de sangue sendo pagos para premiar criminosos fardados.

●   O arquivamento do projeto de reintegração dos policiais expulsos. Impunidade não é política pública.

●   O fim da política de genocídio nas favelas e periferias. A “guerra às drogas” e as operações policiais já demonstraram que não trazem segurança à população e apenas trazem terror às nossas comunidades e morte aos nossos. Queremos polícia comunitária, inteligência policial sob supervisão popular e investimento em vida, não em morte.

●      Justiça para todos os nossos filhos assassinados. Chega de versões únicas. Queremos investigação independente, transparência e responsabilização.

Não vamos nos calar. Cada nova morte nos dá mais força para lutar. Nossa dor não é um luto privado; é um grito político. Nossos filhos não foram "baixas" em uma guerra. Eles foram vidas tiradas por um Estado em crise que insiste em matar para tentar governar.

Pelos que se foram, por nós que ficamos, e pelas próximas vítimas que não podem ser a próxima.

ASSINAM ESTE MANIFESTO:

UP, PSOL, PCDOB,PCB, PSTU, PCBR, MRT, SUBVERTA, MES, CUT-RIO, SEPE-RJ, ANDES, CONAM, CTB-RJ, FENET, UNEGRO-RJ, UBM-RJ, UJR, UJS, JUNTOS, UJC, PARATODOS, RUA, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, MOVIMENTO CORRENTEZA, TRAVESSIA, REBELE-SE, SINDSEPE, SINTUFRJ, MOVIMENTO DAS MÃES E FAMILIARES VITIMAS DE VIOLÊNCIA LETAL DO ESTADO E DESAPARECIDOS FORÇADOS, FRENTE NEGRA REVOLUCIONÁRIA, COLETIVO MARÉ NEGRA, MARCHA DA PERIFERIA RJ, MNE, MOVIMENTO PAREM DE NOS MATAR, COLETIVO MÃES DA MARÉ, MULHERES EM MOVIMENTO, MÃES DA BAIXADA, QUILOMBO RAÇA E CLASSE, MOVIMENTO MOLEQUE, MOVIMENTO OLGA BENÁRIO, FEDERAÇÃO DAS MULHERES FLUMINENSES RJ, CASA ALMERINDA GAMA, MLC, MLB, DEP. EST. MARINA DO MST, DEP. EST. FLAVIO SERAFINI, VEREADOR PROFESSOR TULIO, VEREADOR MAIRA DO MST, DEP. FED. TALIRIA PETRONE, DEP. FED. CHICO ALENCAR, DEP. FED. GLAUBER BRAGA, DEP EST. DANI BALBI DEP. EST. PROFESSOR JOSEMAR, DEP. EST. DANI MONTEIRO, ERÓ SILVA, SAM LIMA, AERJ, AMES-RIO, UEDC, UMEAB, UCE, UMES, UNES, DCE UFRJ, DCE UNIRIO, DCE ESPM, DCE UNIGRANRIO, DCE CESGRANRIO, DCE CEFET, DCE VEIGA DE ALMEIDA, DCE UNISUAM, DCE FEMASS, DCE UNIABEU, DCE IFRJ, COLETIVO CASULO, WEB RÁDIO CENSURA LIVRE, CENTRO SOCIALISTA PENHA RJ, CENTRO MAURO RUY MARINI, FORUM DE GRÊMIOS, REDE DE EDUCAÇÃO POPULAR BAIXADA FLUMINENSE

 

 

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Abaixo-assinado criado em 10 de outubro de 2025