MANIFESTAÇÃO E ABAIXO-ASSINADO SOBRE OS ESTÁGIOS ESPECÍFICOS DO CURSO DE PSICOLOGIA

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O problema

À Coordenação do Curso de Psicologia, à Direção da Faculdade Anhanguera de Sorocaba e à Ouvidoria Institucional

Nós, estudantes do Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Sorocaba, por meio desta manifestação e abaixo-assinado, vimos respeitosamente apresentar nossa preocupação diante das recentes alterações na organização dos Estágios Específicos e solicitar que a Instituição avalie alternativas que preservem a qualidade da formação acadêmica, a continuidade da trajetória teórico-prática dos estudantes, a efetividade da supervisão e a qualidade dos atendimentos realizados nos campos de estágio.

Reconhecemos que ajustes na organização acadêmica podem ser necessários por razões institucionais, pedagógicas e administrativas. Entretanto, considerando que os Estágios Específicos constituem uma etapa fundamental da formação em Psicologia, entendemos que mudanças nessa fase devem considerar seus impactos sobre os estudantes, supervisores e, especialmente, os usuários dos serviços.

1. DA CONTINUIDADE DA TRAJETÓRIA ACADÊMICA
Ao longo da graduação, os estudantes têm contato com diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e técnicas, desenvolvendo progressivamente conhecimentos e interesses que contribuem para sua formação e para a construção de seu projeto profissional.

Os Estágios Específicos representam o momento de aprofundamento e aplicação prática desses conhecimentos. Por isso, a redução das possibilidades de escolha de abordagem gera preocupação, especialmente entre os estudantes que já haviam desenvolvido sua trajetória acadêmica a partir de determinada linha teórica e esperavam aprofundá-la na prática supervisionada.

Essa questão não se limita a uma preferência pessoal. Trata-se da possibilidade de manter coerência e continuidade entre a formação teórica construída durante a graduação e sua aplicação prática, favorecendo uma formação mais integrada.

A situação é particularmente relevante para os estudantes do 10º semestre, que já se encontram na etapa final da graduação e construíram grande parte de sua trajetória acadêmica e prática. Uma mudança significativa nesse momento pode gerar uma ruptura justamente quando deveriam estar consolidando suas competências profissionais.

2. DOS IMPACTOS DA ATUAL ORGANIZAÇÃO DOS ESTÁGIOS
Entre os principais pontos que geram preocupação, destacamos:

a) Redução das opções de abordagem teórica

Estudantes que construíram sua trajetória acadêmica a partir de determinada abordagem passaram a enfrentar limitações para dar continuidade a esse percurso no momento de aprofundamento da prática profissional.

Conforme nos foi apresentado, essa alteração não ocorreu por falta de professores, mas por uma decisão institucional relacionada à organização das supervisões.

b) Necessidade de adaptação a uma abordagem diferente

A mudança pode exigir que estudantes invistam tempo adicional para compreender e aplicar referenciais teóricos e metodológicos diferentes daqueles que vinham estudando e desenvolvendo.

Essa adaptação envolve não apenas novos conteúdos teóricos, mas também diferentes formas de compreender os fenômenos psicológicos, avaliar situações, planejar intervenções e conduzir os atendimentos, gerando demandas adicionais de estudo e supervisão.

c) Ampliação do número de estudantes por grupo de supervisão

Até o semestre 2026/01, os grupos de supervisão contavam com aproximadamente 10 estudantes. Na organização atualmente apresentada, esse número passou para aproximadamente 20 estudantes por supervisor.

Consideramos que essa ampliação deve ser analisada também sob a perspectiva pedagógica, pois pode reduzir o tempo disponível para discussão individualizada dos casos, esclarecimento de dúvidas, reflexão sobre questões éticas, planejamento de intervenções e acompanhamento da evolução dos atendimentos.

3. DA ADEQUAÇÃO DA SUPERVISÃO
Ressaltamos expressamente que esta manifestação não questiona a competência, dedicação ou qualidade dos professores atualmente designados.

Nossa preocupação está relacionada à compatibilidade entre a formação e atuação do supervisor, a abordagem escolhida pelo estudante e as necessidades específicas do estágio.

Um profissional pode apresentar elevada competência técnica e acadêmica e, ao mesmo tempo, possuir formação e atuação predominantemente vinculadas a determinada abordagem. Por isso, entendemos que a distribuição dos estudantes deve considerar, sempre que possível, não apenas a disponibilidade docente, mas também a compatibilidade entre a formação e experiência do supervisor e a proposta teórico-metodológica do estágio.

Da mesma forma, a quantidade de estudantes por grupo deve permitir uma supervisão efetiva e espaço adequado para discussão e acompanhamento individualizado.

4. DA CONTINUIDADE DOS ATENDIMENTOS
Também é necessário considerar os possíveis impactos sobre os usuários atendidos nos campos de estágio.

O atendimento psicológico envolve a construção gradual de vínculo, confiança e continuidade. Dessa forma, alterações na organização dos estágios devem considerar as particularidades dos casos e a continuidade dos atendimentos, especialmente quando já existe vínculo estabelecido entre estagiário e usuário.

A qualidade da formação do estudante e a qualidade do serviço prestado estão diretamente relacionadas. Uma estrutura de estágio adequada contribui para que os atendimentos sejam realizados com maior segurança, responsabilidade e continuidade.

5. DO FUNDAMENTO PEDAGÓGICO E NORMATIVO
A Lei nº 11.788/2008 (Lei do Estágio) estabelece que o estágio é ato educativo escolar supervisionado, integra o projeto pedagógico do curso e o itinerário formativo do estudante, tendo como finalidade o desenvolvimento de competências próprias da atividade profissional. A legislação também prevê o acompanhamento efetivo do estágio pela instituição de ensino.

No âmbito da formação em Psicologia, a Resolução CNE/CES nº 1, de 11 de outubro de 2023, institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Psicologia e orienta a organização da formação profissional e das atividades práticas.

Dessa forma, entendemos que a organização dos Estágios Específicos deve ser analisada não apenas sob aspectos administrativos, mas também considerando sua finalidade pedagógica, a qualidade da supervisão, o desenvolvimento das competências profissionais e a articulação entre teoria e prática.

6. DOS PEDIDOS E PROPOSTAS DE SOLUÇÃO
Diante das questões apresentadas, solicitamos que a Instituição adote medidas concretas ainda neste semestre, buscando minimizar os impactos das alterações realizadas e preservar a qualidade da formação.

Solicitamos:

  • A ampliação das opções de abordagens teóricas disponibilizadas nos Estágios Específicos, contemplando as abordagens Psicanalítica, Humanista, Comportamental e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), possibilitando que os estudantes tenham a oportunidade de escolher e dar continuidade à abordagem com a qual construíram sua trajetória acadêmica;
  • A manutenção da abordagem escolhida pelos estudantes que já haviam construído trajetória acadêmica e iniciado sua preparação prática nessa perspectiva, especialmente aqueles do 10º semestre;
  • A reorganização dos grupos de supervisão, buscando uma quantidade de estudantes que permita acompanhamento efetivo, discussão adequada dos casos e orientação individualizada;
  • A distribuição dos estudantes entre os supervisores considerando, além da disponibilidade docente, a formação, experiência e atuação profissional do supervisor, de modo a favorecer a compatibilidade com a abordagem e as necessidades formativas dos estudantes;
  • A adoção de alternativas específicas para os estudantes do 10º semestre, considerando a etapa avançada da graduação e a necessidade de evitar rupturas significativas em uma trajetória acadêmica já construída;
  • A consideração da continuidade dos atendimentos e dos vínculos estabelecidos com os usuários na reorganização dos estágios;
  • Caso não seja possível implementar integralmente as medidas acima, que sejam apresentadas aos estudantes alternativas pedagógicas viáveis ainda neste semestre, acompanhadas de esclarecimentos sobre os critérios utilizados para a atual organização dos estágios.
  • Solicitamos, ainda, a realização de uma reunião com representantes dos estudantes, a Coordenação do curso e os responsáveis pela organização dos Estágios Específicos, para esclarecimento dos pontos apresentados e construção conjunta de alternativas.

7. DA FINALIDADE DA MANIFESTAÇÃO
Reiteramos que este abaixo-assinado possui caráter institucional, coletivo e propositivo.

Não temos como objetivo questionar individualmente professores ou supervisores, tampouco reivindicar privilégios. Nossa reivindicação é pela qualidade da formação, pela continuidade da trajetória acadêmica, pela adequação da supervisão e pelo diálogo na construção das soluções.

Entendemos que mudanças administrativas podem ser necessárias, mas acreditamos que devem ser acompanhadas de planejamento e análise de seus impactos, especialmente quando atingem estudantes que se encontram na etapa final da graduação.

Nosso objetivo é concluir nossa formação prática em Psicologia com qualidade, responsabilidade, coerência pedagógica e condições adequadas de supervisão, desenvolvendo as competências necessárias para uma futura atuação profissional ética e comprometida com a sociedade.

Esperamos, portanto, que esta manifestação seja recebida como uma oportunidade de diálogo e que a Instituição, juntamente com os estudantes, possa construir soluções concretas para este semestre, conciliando as necessidades administrativas com a qualidade da formação acadêmica e dos atendimentos realizados nos campos de estágio.

Atenciosamente,

Estudantes do Curso de Psicologia
Faculdade Anhanguera – Unidade Sorocaba

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FERNANDA KAFKACriador do abaixo-assinado

Atualizações do abaixo-assinado