Vidas importam: por aulas exclusivamente remotas em todas as escolas do DF

O problema

O quadro da pandemia de COVID 19 no Brasil vem se agravando a cada dia. Inúmeros são os alertas de colapso e apelos da comunidade científica para intensificarmos os cuidados. Os apelos partem, sobretudo, da Fundação Oswaldo Cruz e de cientistas de calibre internacional, como o médico epidemiologista, Dr. Nicolelis, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos e ex-coordenador do consórcio de governadores do NE, cujo objetivo era elaborar medidas de acompanhamento e combate à pandemia[1].

Recentemente, o renomado cientista brasileiro informou que entramos num dos períodos de maior gravidade da doença, com prognóstico de colapso dos sistemas de saúde em todos os estados brasileiros.

Nesse cenário de esgotamento do atendimento médico e de surgimento de novas e mais graves cepas do vírus e considerando que

  • A taxa de transmissão no DF atualmente é de 1,22[2], de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal, ainda muito superior a 1,0, a despeito das medidas de restrição aplicadas há duas semanas. É uma das principais ferramentas para as tomadas de decisões, e mostra-se ascendente, com valores comparados aos encontrados no ápice da pandemia em 2020. Significa que a epidemia avança no DF;
  • A curva média de transmissão está subindo novamente, não apenas no DF e entorno, mas no Brasil como um todo, em uma realidade de variantes do vírus cujo impacto na pandemia e proteção da vacina ainda a ser melhor avaliada;
  • O número de cepas circulando no DF – quatro cepas nacionais[3], inclusive a P1, originária do Brasil, mais transmissível[4] capaz de reinfectar até 61% dos infectados[5] e mais letal entre os jovens[6] e;
  • Há eminente colapso do sistema de saúde, com aumento da taxa de ocupação de leitos adultos de UTI para a covid-19 na rede pública em 96,77% [SES-DF/ 14/03/2021], tendo atingido valores próximos ou igual a 100% na última semana, com filha de espera de mais de 200 pessoas[7];
  • Com posicionamento do GDF de contratação de hospitais de campanha;
  • A maior média de mortes por COVID-19 na atualidade, em todo o período de pandemia.
  • O Brasil é hoje o país com maior número de novos casos e de mortes diárias por COVID[8]
  • Denúncia de falta de EPIS para proteção dos profissionais de saúde, no Ministério Público do Trabalho;
  • O fato de a volta às aulas presenciais envolver vários profissionais que usam o sistema de transporte coletivo (utilizado também por alguns alunos), o que aumenta o risco de transmissão e é um perpetuador da doença. Não é só uma questão de protocolo de segurança interno para proteção dos alunos, de confiança nas medidas, mas saber que envolve vários grupos de pessoas, em condições diferentes de vida, de acesso a serviços. Por exemplo, um item que consta em Recomendação do Ministério Público do Trabalho é que os empregadores garantam formas alternativas de transporte para seus trabalhadores, para diminuir o risco de infecção, o que quase não ocorre na prática;
  • A realidade diferenciada de alguns grupos inclusive é objeto de análise de entidades na área de saúde do trabalhador, com hipóteses de que o risco de morte de COVID-19 enfrentado por trabalhadores essenciais de baixa renda e suas redes sociais tem relação com a exposição ocupacional, habitação lotada e acesso inadequado a testes ou tratamentos[9];
  • A restrição mais intensa, como lockdown, é apoiada por várias entidades da saúde como Sociedade de Infectologia do DF e outras[10], mesmo considerando que não pode ser adotada como medida extraordinária de controle da doença, e não pode ser adotada como ação isolada. Tal medida foi muito eficiente em países como o Reino Unido e Portugal e mostrou resultados importantes na cidade de Araraquara, SP[11];
  • O Sindicato dos Profissionais da Educação aponta desafios constantes para os profissionais em educação, tanto para os professores quanto aos colaboradores. Tanto que as aulas continuam remotas e sem previsão de retorno presencial na rede pública[12].

Nós, pais de alunos da educação básica do DF, requeremos o retorno à modalidade remota de ensino. Embora saibamos que os proprietários e gestores das instituições sofram pressões de várias espécies, inclusive por parte de pais que desejam manter seus filhos fisicamente na escola, entendemos que não se trata da vontade pessoal dos indivíduos ou da força de um decreto do governador em exercício, mas de uma realidade que se impõe sob pena de esta instituição estar colaborando com o aumento de casos e mortes no DF e, consequentemente, no país. É importante destacar que, com o aumento de pessoas infectadas e circulação do vírus, há aumento da probabilidade de surgimento de novas cepas (o que já vem acontecendo), com maior linhagens de mutações do vírus Sars-CoV-2, levando a preocupações com relação à dinâmica do processo infeccioso (sua capacidade de causar doença e de gerar casos graves) e reposta às vacinas disponíveis.

Dito isso, contamos com a compreensão da direção do governador nessa caminhada pela preservação da saúde e da vida de nossa comunidade.

Assinado Pais e Alunos do instituições se ensino privado do DF que assinam em Anexo



[1] https://www.theguardian.com/world/2021/mar/03/brazil-covid-global-threat-new-more-lethal variants-miguel-nicolelis
[2] http://saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2020/03/Boletim-COVID_DF_377.pdf
[3] https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2021/03/10/lacen-identifica-quatro-cepas-nacionais-no-distrito-federal/
[4] https://agencia.fapesp.br/estudo-sugere-que-variante-brasileira-emergiu-em-novembro-e-mais-transmissivel-e-pode-causar-reinfeccao/35290/
[5] https://www.dw.com/pt-br/variante-brasileira-pode-reinfectar-at%C3%A9-61-dos-recuperados-diz-estudo/a-56757051
[6] https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/nova-covid-19-e-mais-letal-entre-os-jovens-no-amazonas/
[7] https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/03/4911964-df-tem-9969--dos-leitos-de-uti-adulto-ocupados-nesta-segunda--15.html
[8] https://www.worldometers.info/coronavirus/
[9] Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) e Segurança do Trabalhador durante a Pandemia COVID-19. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2770890
[10] Frente Única da Enfermagem coren-df.gov.br/site/lockdown-e-necessario-para-evitar-tragedia- humana-incalculavel-no-df; http://www.fm.unb.br/images/noticias/Carta_aberta_da_Faculdade_de_Medicina_da_UnB_final_01_0 3_2021.pdf

https://www.abrasco.org.br/site/noticias/posicionamentos-oficiais-abrasco/salvar-vidas urgentemente/56387/
[11] https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2021/03/09/araraquara-tem-queda-de-casos-de-covid-entre-testados-apos-15-dias-de-confinamento-colhendo-os-frutos-diz-secretaria-de-saude.ghtml
[12] Nota do SINPRO-DF.

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Paloma de AlmeidaCriador do abaixo-assinado
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O problema

O quadro da pandemia de COVID 19 no Brasil vem se agravando a cada dia. Inúmeros são os alertas de colapso e apelos da comunidade científica para intensificarmos os cuidados. Os apelos partem, sobretudo, da Fundação Oswaldo Cruz e de cientistas de calibre internacional, como o médico epidemiologista, Dr. Nicolelis, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos e ex-coordenador do consórcio de governadores do NE, cujo objetivo era elaborar medidas de acompanhamento e combate à pandemia[1].

Recentemente, o renomado cientista brasileiro informou que entramos num dos períodos de maior gravidade da doença, com prognóstico de colapso dos sistemas de saúde em todos os estados brasileiros.

Nesse cenário de esgotamento do atendimento médico e de surgimento de novas e mais graves cepas do vírus e considerando que

  • A taxa de transmissão no DF atualmente é de 1,22[2], de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal, ainda muito superior a 1,0, a despeito das medidas de restrição aplicadas há duas semanas. É uma das principais ferramentas para as tomadas de decisões, e mostra-se ascendente, com valores comparados aos encontrados no ápice da pandemia em 2020. Significa que a epidemia avança no DF;
  • A curva média de transmissão está subindo novamente, não apenas no DF e entorno, mas no Brasil como um todo, em uma realidade de variantes do vírus cujo impacto na pandemia e proteção da vacina ainda a ser melhor avaliada;
  • O número de cepas circulando no DF – quatro cepas nacionais[3], inclusive a P1, originária do Brasil, mais transmissível[4] capaz de reinfectar até 61% dos infectados[5] e mais letal entre os jovens[6] e;
  • Há eminente colapso do sistema de saúde, com aumento da taxa de ocupação de leitos adultos de UTI para a covid-19 na rede pública em 96,77% [SES-DF/ 14/03/2021], tendo atingido valores próximos ou igual a 100% na última semana, com filha de espera de mais de 200 pessoas[7];
  • Com posicionamento do GDF de contratação de hospitais de campanha;
  • A maior média de mortes por COVID-19 na atualidade, em todo o período de pandemia.
  • O Brasil é hoje o país com maior número de novos casos e de mortes diárias por COVID[8]
  • Denúncia de falta de EPIS para proteção dos profissionais de saúde, no Ministério Público do Trabalho;
  • O fato de a volta às aulas presenciais envolver vários profissionais que usam o sistema de transporte coletivo (utilizado também por alguns alunos), o que aumenta o risco de transmissão e é um perpetuador da doença. Não é só uma questão de protocolo de segurança interno para proteção dos alunos, de confiança nas medidas, mas saber que envolve vários grupos de pessoas, em condições diferentes de vida, de acesso a serviços. Por exemplo, um item que consta em Recomendação do Ministério Público do Trabalho é que os empregadores garantam formas alternativas de transporte para seus trabalhadores, para diminuir o risco de infecção, o que quase não ocorre na prática;
  • A realidade diferenciada de alguns grupos inclusive é objeto de análise de entidades na área de saúde do trabalhador, com hipóteses de que o risco de morte de COVID-19 enfrentado por trabalhadores essenciais de baixa renda e suas redes sociais tem relação com a exposição ocupacional, habitação lotada e acesso inadequado a testes ou tratamentos[9];
  • A restrição mais intensa, como lockdown, é apoiada por várias entidades da saúde como Sociedade de Infectologia do DF e outras[10], mesmo considerando que não pode ser adotada como medida extraordinária de controle da doença, e não pode ser adotada como ação isolada. Tal medida foi muito eficiente em países como o Reino Unido e Portugal e mostrou resultados importantes na cidade de Araraquara, SP[11];
  • O Sindicato dos Profissionais da Educação aponta desafios constantes para os profissionais em educação, tanto para os professores quanto aos colaboradores. Tanto que as aulas continuam remotas e sem previsão de retorno presencial na rede pública[12].

Nós, pais de alunos da educação básica do DF, requeremos o retorno à modalidade remota de ensino. Embora saibamos que os proprietários e gestores das instituições sofram pressões de várias espécies, inclusive por parte de pais que desejam manter seus filhos fisicamente na escola, entendemos que não se trata da vontade pessoal dos indivíduos ou da força de um decreto do governador em exercício, mas de uma realidade que se impõe sob pena de esta instituição estar colaborando com o aumento de casos e mortes no DF e, consequentemente, no país. É importante destacar que, com o aumento de pessoas infectadas e circulação do vírus, há aumento da probabilidade de surgimento de novas cepas (o que já vem acontecendo), com maior linhagens de mutações do vírus Sars-CoV-2, levando a preocupações com relação à dinâmica do processo infeccioso (sua capacidade de causar doença e de gerar casos graves) e reposta às vacinas disponíveis.

Dito isso, contamos com a compreensão da direção do governador nessa caminhada pela preservação da saúde e da vida de nossa comunidade.

Assinado Pais e Alunos do instituições se ensino privado do DF que assinam em Anexo



[1] https://www.theguardian.com/world/2021/mar/03/brazil-covid-global-threat-new-more-lethal variants-miguel-nicolelis
[2] http://saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2020/03/Boletim-COVID_DF_377.pdf
[3] https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2021/03/10/lacen-identifica-quatro-cepas-nacionais-no-distrito-federal/
[4] https://agencia.fapesp.br/estudo-sugere-que-variante-brasileira-emergiu-em-novembro-e-mais-transmissivel-e-pode-causar-reinfeccao/35290/
[5] https://www.dw.com/pt-br/variante-brasileira-pode-reinfectar-at%C3%A9-61-dos-recuperados-diz-estudo/a-56757051
[6] https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/nova-covid-19-e-mais-letal-entre-os-jovens-no-amazonas/
[7] https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/03/4911964-df-tem-9969--dos-leitos-de-uti-adulto-ocupados-nesta-segunda--15.html
[8] https://www.worldometers.info/coronavirus/
[9] Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) e Segurança do Trabalhador durante a Pandemia COVID-19. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2770890
[10] Frente Única da Enfermagem coren-df.gov.br/site/lockdown-e-necessario-para-evitar-tragedia- humana-incalculavel-no-df; http://www.fm.unb.br/images/noticias/Carta_aberta_da_Faculdade_de_Medicina_da_UnB_final_01_0 3_2021.pdf

https://www.abrasco.org.br/site/noticias/posicionamentos-oficiais-abrasco/salvar-vidas urgentemente/56387/
[11] https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2021/03/09/araraquara-tem-queda-de-casos-de-covid-entre-testados-apos-15-dias-de-confinamento-colhendo-os-frutos-diz-secretaria-de-saude.ghtml
[12] Nota do SINPRO-DF.

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Paloma de AlmeidaCriador do abaixo-assinado

Os tomadores de decisão

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Abaixo-assinado criado em 15 de março de 2021