Não ao retorno às aulas genocida! Em primeiro lugar, a vida!

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Alerta! O governador da Bahia e o Prefeito de Salvador, em pleno estado ainda muito crítico de pandemia de coronavírus no Brasil, decretam férias coletivas para os trabalhadores da Educação, entre os meses de novembro e dezembro, com vias à retomada das aulas presenciais, em seguida. Seguem as notícias mais recentes sobre a pandemia:

"Na semana passada, foi relatado o maior número de casos de Covid-19 em todo o mundo. No Hemisfério Norte, muitos países estão vendo um aumento preocupante de casos e hospitalizações. Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de 2,9 milhões de casos foram confirmados na semana passada e quase 37 mil pessoas perderam a vida.  Desde o início da pandemia, já foram infetadas quase 43 milhões, com cerca de 1,15 milhão de mortes." (ONU, 26 de outubro de 2020)

"País registrou 499 mortos e 28.852 casos, nesta quarta (28); total de infecções é de 5,4 milhões" (Folha de São Paulo/UOL, 28 de outubro de 2020)

Ainda estamos numa pandemia. As pessoas continuam adoecendo, morrendo, perdendo seus entes queridos de COVID-19. Não há e não haverá tão cedo um retorno à normalidade, nem sequer a garantia de uma vacina, sendo que já há confirmação de casos de pessoas com patologias decorrentes da COVID-19 e até com reinfecção pela doença. Já foi comprovada uma patologia com sintomas mais graves que a própria COVID que atinge especificamente crianças e adolescentes que já tiveram a doença - a Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica (SMIP), e algumas morreram em decorrência dela. O Mundo enfrenta neste exato momento uma nova onda de COVID-19, o que motivou o retorno de todos os procedimentos de proteção e isolamento e a suspensão de aulas e de outras atividades presenciais em vários países, como Espanha, França e Portugal. No Brasil, só no dia 28 de outubro (quarta), foram 499 mortos e 28.852 novos casos, chegando-se à marca de 158.480 mortes, num total de 5,4 milhões de infectados no país. Os hospitais continuam em situação crítica para a oferta de leitos para pacientes com COVID e com outras doenças também sérias. E um dos motivos deste cenário não ser pior é justamente a manutenção de milhões de crianças, jovens, adultos e profissionais de Educação longe do ambiente escolar, local altamente propenso à proliferação de doenças, por razões que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso consegue entender. Se muitos adultos já se mostram com dificuldades ou indisciplinados para seguir procedimentos e já é difícil ter controle sobre os nossos filhos em casa e fazê-los seguirem normas de cuidado e proteção, quanto mais em se tratando de dezenas de crianças e adolescentes, interagindo diariamente entre si e com adultos, compartilhando objetos e espaços físicos. Pesquisas apontam que as escolas estão no topo da lista quanto aos ambientes mais favoráveis à contaminação. E mesmo que haja uma redução no número de alunos e/ou revezamento de dias de aula por grupo, essa ação se torna pouco relevante diante de diversos fatores que ainda favorecem e muito a contaminação e proliferação de doenças, como o comportamento imaturo e de difícil autocontrole dos estudantes e a frequente saída às ruas para ir e voltar da escola, rompendo-se o isolamento social e expondo-se alunos e pais ao contato com mais pessoas fora do seu círculo familiar. Levando-se, também, em conta que a grande maioria das escolas se encontra em bairros e regiões periféricos, amplia-se ainda mais o potencial de contaminação e expansão da doença, conforme atesta matéria do site jornalístico NEXO, baseada em pesquisas e nas falas de especialistas: 

 "Em grande parte dos domicílios desses locais, o abastecimento de água é intermitente. Faltam condições para adquirir o produto que garante a desinfecção das mãos e ficar em casa, em habitações de poucos cômodos que abrigam várias pessoas, pode não ajudar. Poucos moradores, além disso, podem aderir ao isolamento. Pessoas de menor renda e trabalhadores informais são os mais afetados pelos efeitos econômicos da pandemia. " (Por que as periferias são mais vulneráveis ao coronavírus, NEXO, em 18 de março de 2020)

E, justamente, dentro da perspectiva da Educação Pública atender comunidades de baixa renda e pouco acesso a bens e serviços, 

Ademais, mesmo em contextos contrários a essa precária realidade da população mais desassistida, onde existe acesso ao adequado saneamento básico e mais acesso à informação e condições materiais e de renda bem melhores, ainda assim não há garantias de se evitar que crianças e adultos sejam contaminados, como foi o caso da menina Alice, de apenas 3 anos, afetada por uma versão branda da COVID,mas que acabou sendo mais uma vítima da Síndrome Multisistêmica Inflamatória Pediátrica. Veja o que relata a sua mãe, uma médica disciplinada que mantinha o uso constante de máscaras e álcool gel :

"Eu só entrava em casa depois de tirar o sapato, não tocava em nada. Minha roupa ia para a máquina de lavar e eu, para o banho. (Veja, 02 de agosto de 2020)

Por tudo isso, mostra-se de extrema irresponsabilidade expor alunos e profissionais de Educação situação tão temerosa, levando-os ao risco de morte, em desrespeito ao maior valor para um ser humano, até mais do que a escolarização: a vida. Dias e anos escolares se repõem, mas uma vida perdida nunca se recupera.