Floresta Fóssil de Altos: queremos uma Unidade de Conservação e um Parque Paleontológico

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O problema

A Floresta Petrificada de Altos constitui um patrimônio de inestimável valor ambiental, histórico, cultural e paisagístico não apenas para o Piauí como para o mundo. O sítio abriga mais de 70 troncos de coníferas fósseis da Era Paleozoica, mais antigas que os dinossauros, alguns troncos chegando a quase 2m de diâmetro. Eles revelam um panorama pouco conhecido numa época remota em que o Nordeste brasileiro era coberto por coníferas contribuindo significativamente para a compreensão das transformações ambientais ao longo do tempo geológico.

Além de seu caráter singular enquanto sítio paleontológico — sendo uma das maiores florestas petrificadas do país —, a área abriga fauna nativa, uma mata de cocais e nascentes de água, configurando-se como um ecossistema de grande importância regional.

Apesar de sua relevância, esse patrimônio encontra-se sob grave ameaça. Embora localizado em área de preservação vinculada a Reserva Legal do assentamento Brejo São Benedito em Altos, PI, o sítio sofre impactos decorrentes de práticas irregulares de agricultura e da criação de animais domésticos. São recorrentes o desmatamento, as queimadas e a instalação de caieiras para a produção clandestina de carvão vegetal. A criação de porcos, em particular, afeta negativamente os buritis existentes no local, uma vez que esses animais consomem seus brotos, impedindo a regeneração das palmeiras e condenando o buritizal ao envelhecimento e ao desaparecimento. A perda dos buritis compromete diretamente as nascentes que dependem da sombra destas palmeiras, além de intensificar processos erosivos que, por sua vez, agravam a degradação dos troncos petrificados, ocasionando a perda irreversível de um patrimônio científico e histórico de valor incalculável.

A esses impactos soma-se a abertura de uma estrada municipal no interior da Floresta Petrificada, obra interrompida por intervenção do Ministério Público (processo nº 20230076290/2023 – PR-PI-00030646/2023), mas que resultou na destruição de diversos troncos fossilizados. Ademais, há registros recentes de planos para a instalação de uma linha de transmissão de energia elétrica que atravessaria a área, ampliando ainda mais os riscos ao sítio paleontológico.

Ressalte-se que a área pertence atualmente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e que já foi solicitada sua transferência para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o objetivo de integrá-la à vizinha Floresta Nacional de Palmares. No entanto, até o momento, não houve avanços concretos (processo 02124.0016/11/2024-80).

Diante desse cenário, constata-se a ausência de proteção efetiva ao sítio paleontológico, que permanece vulnerável, degradado e amplamente desconhecido pela população. Torna-se, portanto, imprescindível a criação de uma Unidade de Conservação, aliada à implantação de um Parque Paleontológico na Floresta Petrificada de Altos. Tais iniciativas trariam benefícios significativos à comunidade local, ao promover o turismo científico e educativo e ao gerar novas oportunidades de renda, como serviços de guias, transporte, produção de artesanato e souvenires, oferta de alimentação, entre outros.

A implementação de um Parque Paleontológico representaria uma estratégia de desenvolvimento sustentável, capaz de conciliar a preservação do patrimônio natural e científico com o fortalecimento da economia local, além de contribuir para a valorização da cultura, da educação ambiental e da conscientização da sociedade acerca da importância da conservação do patrimônio geológico e paleontológico.

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Juan CisnerosCriador do abaixo-assinadoProfessor de Paleontologia na UFPI em Teresina

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A Floresta Petrificada de Altos constitui um patrimônio de inestimável valor ambiental, histórico, cultural e paisagístico não apenas para o Piauí como para o mundo. O sítio abriga mais de 70 troncos de coníferas fósseis da Era Paleozoica, mais antigas que os dinossauros, alguns troncos chegando a quase 2m de diâmetro. Eles revelam um panorama pouco conhecido numa época remota em que o Nordeste brasileiro era coberto por coníferas contribuindo significativamente para a compreensão das transformações ambientais ao longo do tempo geológico.

Além de seu caráter singular enquanto sítio paleontológico — sendo uma das maiores florestas petrificadas do país —, a área abriga fauna nativa, uma mata de cocais e nascentes de água, configurando-se como um ecossistema de grande importância regional.

Apesar de sua relevância, esse patrimônio encontra-se sob grave ameaça. Embora localizado em área de preservação vinculada a Reserva Legal do assentamento Brejo São Benedito em Altos, PI, o sítio sofre impactos decorrentes de práticas irregulares de agricultura e da criação de animais domésticos. São recorrentes o desmatamento, as queimadas e a instalação de caieiras para a produção clandestina de carvão vegetal. A criação de porcos, em particular, afeta negativamente os buritis existentes no local, uma vez que esses animais consomem seus brotos, impedindo a regeneração das palmeiras e condenando o buritizal ao envelhecimento e ao desaparecimento. A perda dos buritis compromete diretamente as nascentes que dependem da sombra destas palmeiras, além de intensificar processos erosivos que, por sua vez, agravam a degradação dos troncos petrificados, ocasionando a perda irreversível de um patrimônio científico e histórico de valor incalculável.

A esses impactos soma-se a abertura de uma estrada municipal no interior da Floresta Petrificada, obra interrompida por intervenção do Ministério Público (processo nº 20230076290/2023 – PR-PI-00030646/2023), mas que resultou na destruição de diversos troncos fossilizados. Ademais, há registros recentes de planos para a instalação de uma linha de transmissão de energia elétrica que atravessaria a área, ampliando ainda mais os riscos ao sítio paleontológico.

Ressalte-se que a área pertence atualmente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e que já foi solicitada sua transferência para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o objetivo de integrá-la à vizinha Floresta Nacional de Palmares. No entanto, até o momento, não houve avanços concretos (processo 02124.0016/11/2024-80).

Diante desse cenário, constata-se a ausência de proteção efetiva ao sítio paleontológico, que permanece vulnerável, degradado e amplamente desconhecido pela população. Torna-se, portanto, imprescindível a criação de uma Unidade de Conservação, aliada à implantação de um Parque Paleontológico na Floresta Petrificada de Altos. Tais iniciativas trariam benefícios significativos à comunidade local, ao promover o turismo científico e educativo e ao gerar novas oportunidades de renda, como serviços de guias, transporte, produção de artesanato e souvenires, oferta de alimentação, entre outros.

A implementação de um Parque Paleontológico representaria uma estratégia de desenvolvimento sustentável, capaz de conciliar a preservação do patrimônio natural e científico com o fortalecimento da economia local, além de contribuir para a valorização da cultura, da educação ambiental e da conscientização da sociedade acerca da importância da conservação do patrimônio geológico e paleontológico.

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Os tomadores de decisão

Assembleia Legislativa do Estado do Piauí
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GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ
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Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí
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Ministério Público Federal
Ministério Público Federal
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Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA
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