Em defesa das águas cristalinas e da biodiversidade da Serra da Bodoquena - MS

O problema

A Serra da Bodoquena é uma região no Mato Grosso do Sul que inclui quatro municípios: Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho. Dentre estes municípios, Bonito é a capital do ecoturismo do Brasil, conhecida mundialmente por suas belezas cênicas de águas cristalinas, sendo a porta de entrada para quem visita os diversos atrativos turísticos da Serra da Bodoquena. De solo cárstico (rochas calcárias), a Serra da Bodoquena é uma região extremamente porosa e frágil, especialmente nas formações de tufas calcárias. Além disso, é composta pelos biomas mais ameaçados do país: Mata Atlântica e Cerrado.

 

Nos últimos anos, a expansão agrícola vem ameaçando essa área tão frágil com o crescente desmatamento e substituição da pastagem para dar lugar às monoculturas de soja e milho. Essa expansão é uma das causas dos frequentes turvamentos dos rios de águas cristalinas da Serra da Bodoquena. Em estudo publicado em 2022 na revista internacional Tropical Conservation Science, Rafael Morais Chiaravalloti e outros pesquisadores avaliaram as mudanças no uso do solo na bacia do Rio da Prata, um dos principais rios da região, onde são realizadas diversas atividades turísticas. Os pesquisadores mostraram que uma das causas do turvamento dos rios era justamente a expansão agrícola. Na bacia do Rio da Prata, as áreas de monocultura de soja cresceram de 4% em 2010 para 20% em 2020, sendo que quase 13% de área de mata nativa foi desmatada para este fim.

 

Relatos de moradores de Bonito mostram que nos últimos 10 anos, os rios têm turvado mais e demorado mais para limpar após o cessamento das chuvas de grande intensidade. O turvamento compromete a biodiversidade, pois impede a entrada de luz na coluna d’água, impactando negativamente os organismos que realizam a fotossíntese e comprometendo toda a cadeia de seres vivos presentes nos rios. Ademais, compromete a cadeia do turismo, pois os turistas deixam de visitar o destino, impactando a renda de grande parte da população, a qual depende direta e indiretamente das atividades turísticas desenvolvidas na região. Além do turvamento, é possível ver grande quantidade de espuma sendo formada na superfície dos rios. Quando o volume dos rios aumenta rapidamente após um grande período de seca, as margens são “lavadas” pela água do rio e sedimentos, matéria orgânica e produtos químicos são levados para dentro do rio. A presença de grande quantidade de matéria orgânica (levada principalmente devido à supressão da vegetação na mata ciliar) e produtos químicos como sabões e até mesmo fertilizantes e agroquímicos, forma essa espuma.

 

Portanto, é urgente o desenvolvimento de um plano entre governo, produtores rurais, pesquisadores e sociedade civil em geral para a preservação da Serra da Bodoquena. O Coletivo Unidos pela Serra da Bodoquena, juntamente dos cidadãos que assinam este abaixo-assinado, propõe ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul algumas ações para que isto aconteça:

1) Realização da 3ª aproximação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) para a região da Serra da Bodoquena;

2) Maior fiscalização quanto à Lei Estadual nº 1.871, de 15 de julho de 1998, que “estabelece a forma de conservação da natureza, proteção do meio ambiente e defesa das margens nas áreas contíguas aos Rios da Prata e Formoso, e dá outras providências”, onde deve ser cumprida a proteção de vegetação nativa de 150 m em cada margem dos rios (Faixa de Proteção Especial);

3) Como a Serra da Bodoquena está localizada em área de Mata Atlântica, maior fiscalização e respeito à Lei da Mata Atlântica, na qual o licenciamento para desmatamento é extremamente rigoroso;

4) Fiscalização quanto à aplicação do plano de conservação de solos de Mato Grosso do Sul;

5) Programa de redução do uso de agrotóxicos nas lavouras, pois, devido ao relevo cárstico, existe alto potencial dos químicos atingirem os lençóis freáticos, comprometendo a saúde dos moradores, dos turistas e da biodiversidade;

6) Criação do Comitê da Bacia do Rio Formoso para deliberação de ações para conservação de um dos principais rios do maior destino de ecoturismo do Brasil.

 

Recentemente, Bonito foi certificado como o primeiro destino de ecoturismo do mundo em carbono neutro. A certificação foi realizada pela Green Initiatives, uma das 30 empresas certificadoras reconhecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). As análises da emissão de carbono foram realizadas de forma a diagnosticar toda a emissão de gás carbônico do município e pontualmente da atividade turística. Entretanto, estudos têm mostrado que as maiores emissões de gás carbônico na atmosfera no Brasil são feitas por meio do desmatamento, das queimadas, da expansão urbana e da mineração. Para que Bonito realmente esteja em dia com este certificado, é preciso frear o crescente desmatamento, sendo que as ações acima propostas vêm ao encontro da certificação e também do título de melhor destino de ecoturismo do Brasil.

1.990

O problema

A Serra da Bodoquena é uma região no Mato Grosso do Sul que inclui quatro municípios: Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho. Dentre estes municípios, Bonito é a capital do ecoturismo do Brasil, conhecida mundialmente por suas belezas cênicas de águas cristalinas, sendo a porta de entrada para quem visita os diversos atrativos turísticos da Serra da Bodoquena. De solo cárstico (rochas calcárias), a Serra da Bodoquena é uma região extremamente porosa e frágil, especialmente nas formações de tufas calcárias. Além disso, é composta pelos biomas mais ameaçados do país: Mata Atlântica e Cerrado.

 

Nos últimos anos, a expansão agrícola vem ameaçando essa área tão frágil com o crescente desmatamento e substituição da pastagem para dar lugar às monoculturas de soja e milho. Essa expansão é uma das causas dos frequentes turvamentos dos rios de águas cristalinas da Serra da Bodoquena. Em estudo publicado em 2022 na revista internacional Tropical Conservation Science, Rafael Morais Chiaravalloti e outros pesquisadores avaliaram as mudanças no uso do solo na bacia do Rio da Prata, um dos principais rios da região, onde são realizadas diversas atividades turísticas. Os pesquisadores mostraram que uma das causas do turvamento dos rios era justamente a expansão agrícola. Na bacia do Rio da Prata, as áreas de monocultura de soja cresceram de 4% em 2010 para 20% em 2020, sendo que quase 13% de área de mata nativa foi desmatada para este fim.

 

Relatos de moradores de Bonito mostram que nos últimos 10 anos, os rios têm turvado mais e demorado mais para limpar após o cessamento das chuvas de grande intensidade. O turvamento compromete a biodiversidade, pois impede a entrada de luz na coluna d’água, impactando negativamente os organismos que realizam a fotossíntese e comprometendo toda a cadeia de seres vivos presentes nos rios. Ademais, compromete a cadeia do turismo, pois os turistas deixam de visitar o destino, impactando a renda de grande parte da população, a qual depende direta e indiretamente das atividades turísticas desenvolvidas na região. Além do turvamento, é possível ver grande quantidade de espuma sendo formada na superfície dos rios. Quando o volume dos rios aumenta rapidamente após um grande período de seca, as margens são “lavadas” pela água do rio e sedimentos, matéria orgânica e produtos químicos são levados para dentro do rio. A presença de grande quantidade de matéria orgânica (levada principalmente devido à supressão da vegetação na mata ciliar) e produtos químicos como sabões e até mesmo fertilizantes e agroquímicos, forma essa espuma.

 

Portanto, é urgente o desenvolvimento de um plano entre governo, produtores rurais, pesquisadores e sociedade civil em geral para a preservação da Serra da Bodoquena. O Coletivo Unidos pela Serra da Bodoquena, juntamente dos cidadãos que assinam este abaixo-assinado, propõe ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul algumas ações para que isto aconteça:

1) Realização da 3ª aproximação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) para a região da Serra da Bodoquena;

2) Maior fiscalização quanto à Lei Estadual nº 1.871, de 15 de julho de 1998, que “estabelece a forma de conservação da natureza, proteção do meio ambiente e defesa das margens nas áreas contíguas aos Rios da Prata e Formoso, e dá outras providências”, onde deve ser cumprida a proteção de vegetação nativa de 150 m em cada margem dos rios (Faixa de Proteção Especial);

3) Como a Serra da Bodoquena está localizada em área de Mata Atlântica, maior fiscalização e respeito à Lei da Mata Atlântica, na qual o licenciamento para desmatamento é extremamente rigoroso;

4) Fiscalização quanto à aplicação do plano de conservação de solos de Mato Grosso do Sul;

5) Programa de redução do uso de agrotóxicos nas lavouras, pois, devido ao relevo cárstico, existe alto potencial dos químicos atingirem os lençóis freáticos, comprometendo a saúde dos moradores, dos turistas e da biodiversidade;

6) Criação do Comitê da Bacia do Rio Formoso para deliberação de ações para conservação de um dos principais rios do maior destino de ecoturismo do Brasil.

 

Recentemente, Bonito foi certificado como o primeiro destino de ecoturismo do mundo em carbono neutro. A certificação foi realizada pela Green Initiatives, uma das 30 empresas certificadoras reconhecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). As análises da emissão de carbono foram realizadas de forma a diagnosticar toda a emissão de gás carbônico do município e pontualmente da atividade turística. Entretanto, estudos têm mostrado que as maiores emissões de gás carbônico na atmosfera no Brasil são feitas por meio do desmatamento, das queimadas, da expansão urbana e da mineração. Para que Bonito realmente esteja em dia com este certificado, é preciso frear o crescente desmatamento, sendo que as ações acima propostas vêm ao encontro da certificação e também do título de melhor destino de ecoturismo do Brasil.

Os tomadores de decisão

Prefeitura de Bodoquena
Prefeitura de Bodoquena
Prefeitura de Jardim
Prefeitura de Jardim
Prefeitura de Bonito
Prefeitura de Bonito
Governo do Estado de Mato Grosso do Sul
Governo do Estado de Mato Grosso do Sul
Governo Estadual

Atualizações do abaixo-assinado

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Abaixo-assinado criado em 14 de fevereiro de 2023