Educação não é número: exigimos respeito e qualidade no DF

189

Vamos chegar a 200 assinaturas!
Os abaixo-assinados com mais de 1.000 apoiadores têm cinco vezes mais chances de ganhar!

O problema

Somos estudantes da rede pública do Distrito Federal e criamos a Voz Ativa porque estamos cansados de ver decisões sobre a nossa educação serem tomadas sem ouvir quem está dentro das escolas. Somos nós que acordamos cedo, enfrentamos salas cheias, dependemos de professores, usamos a estrutura das escolas e sentimos diretamente quando faltam recursos, profissionais e políticas públicas. Por isso, temos o direito de questionar quem administra a educação e cobrar respostas.

E não estamos falando de problemas abstratos. Estamos falando de decisões concretas tomadas pelo Governo do Distrito Federal.

O QUE ACONTECEU?

Em 25 de junho de 2025, o Governo do Distrito Federal e a categoria do magistério chegaram a um acordo depois da greve dos professores. Entre os compromissos estava a publicação de um novo edital para concurso público do magistério no primeiro semestre de 2026. Em julho de 2026, o Sinpro-DF levou ao TJDFT uma denúncia de descumprimento desse compromisso. O sindicato também apontou que o TCDF havia determinado que o GDF apresentasse um cronograma para preencher vagas efetivas que estavam sendo ocupadas por contratos temporários.

Isso tem responsáveis políticos e administrativos. À frente do Governo do Distrito Federal está Celina Leão (PP). Na Secretaria de Educação, durante boa parte desse período, estava Hélvia Paranaguá. Portanto, quando discutimos decisões do GDF e da SEEDF, não estamos falando de uma entidade abstrata: estamos falando de uma estrutura de governo com pessoas responsáveis por tomar decisões e executá-las.

Em 2026, a situação dos professores continuou sendo motivo de disputa. O próprio Sinpro registrou que milhares de aprovados no concurso de 2022 ainda aguardavam convocação e continuou cobrando um novo concurso. Ao mesmo tempo, 718 novos professores foram encaminhados para posse em julho, dentro do processo de cumprimento do acordo da greve.

O DINHEIRO DAS ESCOLAS

Em 30 de julho de 2026, foi publicada a Portaria nº 346, que tratou da segunda parcela do PDAF — o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira, recurso destinado diretamente às escolas.

Segundo levantamento publicado pelo Brasil de Fato, a previsão de recursos caiu de aproximadamente R$ 67 milhões para R$ 41,5 milhões, uma diferença de R$ 25,5 milhões. O valor de referência por estudante passou de R$ 84 para R$ 65. O PDAF é utilizado pelas unidades para despesas como materiais, serviços e pequenos reparos.

Ou seja: enquanto o governo cobra resultados das escolas, as próprias escolas precisam lidar com uma disputa sobre os recursos necessários para funcionar.

E aqui é importante dar nome aos responsáveis: a decisão partiu da Secretaria de Educação do DF, dentro do governo comandado por Celina Leão. A secretária de Educação naquele momento era Hélvia Paranaguá.

E ENTÃO VEIO O IDEB

Em agosto de 2026, foram divulgados os resultados do IDEB 2025.

O indicador combina o desempenho dos estudantes no Saeb com dados de aprovação, e os resultados mostraram que o DF ficou abaixo das metas estabelecidas em diferentes etapas. No ensino médio, por exemplo, o índice caiu de 4,2 para 4,1, enquanto a média nacional subiu de 4,3 para 4,5. O DF foi a única unidade da Federação a registrar queda nessa etapa entre 2023 e 2025.

A resposta política de Celina Leão foi trocar o comando da Secretaria de Educação.

Em 8 de agosto de 2026, Celina anunciou a saída de Iêdes Braga e a entrada de Thiago Peixoto como secretário de Educação. A mudança aconteceu poucos dias depois da divulgação dos resultados do IDEB.

Iêdes Braga, portanto, estava à frente da pasta quando os resultados de 2025 foram divulgados. Thiago Peixoto passou a comandar a Secretaria depois deles. E Celina Leão foi quem decidiu pela troca.

Mas existe uma questão maior: por que a discussão sobre a educação precisa começar e terminar no IDEB?

EDUCAÇÃO NÃO É SÓ IDEB

Nós não negamos que o IDEB seja um indicador. O problema é tratá-lo como se ele sozinho fosse capaz de explicar a realidade de uma escola.

Uma escola não é apenas uma nota de português e matemática.

Educação também significa professor suficiente em sala de aula. Significa salário e carreira. Significa formação. Significa biblioteca, laboratório, internet, material, manutenção e estrutura. Significa educação inclusiva. Significa arte, cultura, educação ambiental e participação estudantil.

E, em setembro de 2026, outra decisão do governo colocou isso em discussão.

A REORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Em 21 de setembro de 2026, o Governo do Distrito Federal publicou o Decreto nº 49.394, reorganizando a estrutura administrativa da Secretaria de Educação.

Foram extintos, entre outros, o Núcleo de Educação Ambiental, o Núcleo de Língua Estrangeira, o Núcleo de Memórias da Educação e Arte-Educação e o Núcleo de Apoio e Articulação dos Atendimentos da Educação Inclusiva e Especial, além da Unidade de Educação Inclusiva e em Tempo Integral.

Isso não significa que todos os serviços dessas áreas tenham simplesmente acabado. A Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral permaneceu e uma nova Coordenação de Educação Inclusiva e em Tempo Integral foi criada. O problema é justamente saber como essas funções serão executadas, quais equipes permanecerão e se os estudantes continuarão recebendo o mesmo atendimento.

Famílias, ativistas e o Sinpro questionaram a reorganização e pediram explicações sobre a continuidade dos serviços. O Brasil de Fato informou que a Secretaria de Educação foi procurada para responder sobre a redistribuição das atribuições e a continuidade do atendimento, mas não havia respondido até o fechamento da reportagem.

E A AUTONOMIA DAS ESCOLAS?

Em setembro, o Sinpro também passou a denunciar mudanças no calendário, distribuição de materiais pedagógicos, definição de atividades e acompanhamento das escolas que, segundo o sindicato, estariam relacionadas à tentativa de melhorar os resultados do IDEB.

Essa é uma acusação do sindicato, não uma conclusão independente. Mas ela levanta uma pergunta que precisa ser respondida pelo governo: a prioridade é melhorar de verdade as condições de aprendizagem ou simplesmente fazer o índice subir?

Porque uma escola não pode ser pressionada a produzir uma estatística bonita enquanto os problemas que existem dentro dela continuam.

QUEM É RESPONSÁVEL?

Nós não estamos dizendo que uma única pessoa criou todos os problemas da educação do DF.

Mas também não vamos aceitar que ninguém seja responsável por eles.

Celina Leão é a governadora e, portanto, a principal autoridade política do Poder Executivo responsável pelas decisões do governo.

Hélvia Paranaguá comandou a Secretaria de Educação durante grande parte de 2026 e esteve à frente da pasta durante disputas envolvendo professores, orçamento e organização da rede.

Iêdes Braga comandava a Secretaria quando foram divulgados os resultados do IDEB 2025 e deixou o cargo após Celina anunciar a mudança.

Thiago Peixoto assumiu a Secretaria em agosto de 2026 e passou a ser o responsável pela condução da pasta a partir daí.

E existe ainda uma responsabilidade política mais ampla: Ibaneis Rocha e Celina Leão governam o Distrito Federal desde 2019, portanto parte dos problemas atuais da rede precisa ser analisada dentro de uma política educacional construída ao longo de anos, e não apenas como consequência de uma decisão tomada ontem.

POR ISSO, NÓS NOS ORGANIZAMOS

A Voz Ativa não quer que estudantes sejam tratados como números, professores como mão de obra descartável ou escolas como unidades que precisam apenas bater metas.

Queremos saber quanto dinheiro chega às escolas. Queremos saber onde estão os professores. Queremos saber por que compromissos são feitos e depois precisam ser cobrados judicialmente. Queremos saber como serão garantidos os atendimentos da educação inclusiva. Queremos saber por que políticas de arte, cultura e educação ambiental precisam ser reorganizadas dessa maneira. E queremos participar das decisões que afetam diretamente nossa vida escolar.

Nossa reivindicação é simples:

queremos uma educação pública de verdade.

Uma educação com recursos suficientes, professores valorizados e efetivos, concursos públicos, inclusão, infraestrutura, arte, cultura, educação ambiental, gestão democrática e participação dos estudantes.

Não queremos que o governo use o IDEB para dizer que a educação melhorou enquanto ignora tudo aquilo que o índice não consegue mostrar.

Nossa educação não é uma propaganda.
Nossa escola não é uma estatística.
E estudante não é espectador.

Somos parte da escola.

E, se as decisões são sobre o nosso futuro, nós também temos o direito de decidir, questionar e cobrar.

Essa é a nossa Voz Ativa.

avatar of the starter
Beatriz FariasCriador do abaixo-assinado

Os tomadores de decisão

Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)
Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF)
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF)
Thiago Peixoto
Thiago Peixoto
Secretário de Estado de Educação do DF
Celina Leão
Celina Leão
Governadora do Distrito Federal

Mensagens de apoiadores

Atualizações do abaixo-assinado