Não acabem com o NOSSO Festival de Inverno da Cidade de Amparo/SP! NÃO CENSUREM NENHUMA FORMA DE ARTE!


Não acabem com o NOSSO Festival de Inverno da Cidade de Amparo/SP! NÃO CENSUREM NENHUMA FORMA DE ARTE!
O problema
*Texto produzido cooperativamente entre músicos e/ou cidadãos amparenses.
Nós, abaixo assinado, moradores de Amparo e/ou apreciadores do já tradicional Festival de Inverno da Cidade de Amparo, vimos a público mostrar nosso descontentamento com fatos ocorridos nos dias 1º e 2 de agosto de 2014.
Primeiro cabe-nos contextualizar a importância de citado evento para a difusão de cultura, incentivo à produção artística, ao mergulho no desconhecido e, principalmente, no que se refere à quebra do monopólio do entretenimento industrializado, formatado e a serviço não da cultura, mas sim de uma máquina de produzir lucros.
O evento em praça pública, não só o Festival de Inverno, é algo inestimável para a vida social de uma comunidade. Os exemplos são fartos, em nossa região turística, de como a boa convivência e, principalmente, a tolerância, são benéficos para toda uma cidade. Rapidamente podemos citar dois exemplos: o carnaval na pacata Monte Alegre do Sul, que sequer chega a possuir 8 mil habitantes, mas durante quatro dias seguidos, recebe uma média de 20 mil pessoas por noite (com banda até as 3h da manhã); e Serra Negra, que realiza tanto as festividades de Carnaval, como o também o já tradicional Festival de Inverno de Serra Negra, em praça pública, ambas no centro da cidade.
Entendemos, é claro, as motivações das reclamações que geraram abaixo assinado solicitando providências contra a realização e apresentação de bandas em uma praça pública, mas reclamamos também o nosso direito de uso do espaço público que, aliás, encontra-se muito mal utilizado em nossa cidade. Ociosidade é o termo exato para a situação de nossas praças e espaços públicos abertos. Solicitamos que alternativas sejam estudadas, e propostas debatidas, para que tão importante evento não seja destruído pela falta de tolerância. Entendemos que a alteração de tais eventos para outro local significará a morte lenta deles, dado que apenas o “coração da cidade” pode proporcionar essa vivência rica cultural e socialmente. E nada melhor para isso que uma praça pública, grande, espaçosa e encravada no meio do centro comercial e histórico, como é a Praça Pádua Salles.
Solicitamos aos moradores da região que analisem a situação privilegiada em que vivem, e que tomem ciência de que precisamos aceitar também o lado “ruim” de morar em frente uma praça tão bela como esta. Não é possível que, ao decidir morar em local tão privilegiado, não considerem que terão não só flores, mas também espinhos. Afinal, seria perfeito morar na Av. Paulista em São Paulo, sem escutar buzinas e som de veículos. Mas a realidade não é essa. Querer silenciar a Paulista seria egoísmo demais não!? Será que silenciar uma praça pública, também não é demais? Pois foi exatamente isso o que ocorreu naquela sexta-feira e sábado. Uma praça silenciada pela intolerância descabida, pela falta uma boa conversa e um pouco de compreensão de cada lado.
Insistimos, esse festival anual (que realiza-se por apenas metade dos dias de um único mês) alcançou a difícil tarefa de virar uma marca, e marca de reconhecimento nacional. É hoje, sem dúvida um patrimônio do município e, mais ainda, da região toda. É dever de todos, continuamente, trabalhar e opinar para que ele melhore, inclusive para as famílias que residem ao entorno do principal lugar dos eventos, é claro. O caminho de diminuí-lo à insignificância, ou pior, eliminá-lo de vez, seria simplesmente vergonhoso para todos nós e uma perda inestimável.
Acreditamos também que a cidade já excedeu em seu direito, se é que ele existe, de jogar fora seu patrimônio cultural, seja na forma dos casarões que ruíram ou que foram desfigurados, do teatro João Caetano (demolido), do Salão de Artes que não existe mais, assim como não existe mais Pinacoteca Municipal e, mais que isso, o nosso nacionalmente reconhecido Museu, que se encontra hoje de portas fechadas.
Difícil imaginar que um dia deixaremos de ser terceiro mundo, sem que passemos a ter um mínimo de senso para identificar, cuidar e divulgar o patrimônio artístico e cultural, simplesmente descartando artistas e locais públicos como se fossem qualquer coisa menos importante que nossos desejos de umbigo.
Além disso, sentimos a necessidade de explicar que entendemos ter se tratado de preconceito e censura, já que um único gênero musical virou bode expiatório pra "resolver" a contenda, sem que, de fato, se resolvesse qualquer coisa. Pior, tomando-se uma decisão com base em medições aleatórias, que salvo apresentação de provas mais concretas, não consegue relacionar as apresentações de “rock” com os excessos de ruído medidos. Não nos ficou claro em quais dias e horários, exatamente, se deram tais medições.
Desta forma resolvemos produzir um abaixo assinado contra essa decisão, pedindo para que seja revista, considerando-a improcedente, pois em se mantendo procedente, a Prefeitura Municipal fica impossibilitada de fazer qualquer evento musical na Praça Pádua Salles.
Infelizmente, por alguma falta de consciência, a Secretaria de Cultura assinou a TAC, admitindo assim, e aceitando sem qualquer argumentação contrária, as reivindicações dos moradores.
Porém o que mais nos entristece, é o fato de apenas o gênero “rock” ter sido censurado. Entendemos, sim, que não se tratou de censura prévia de uma determinada mensagem, como acontecia nos tempos sombrios de ditadura militar. O motivo foi o descumprimento da TAC no dia anterior, não tendo sido cancelado todo o evento para não causar maiores prejuízos. Porém, em nosso modo de entender, a Justiça ignorou sua "cegueira", rendendo-se a rótulos exibidos a ela, censurando de forma arbitrária uma apresentação cultural, que é livre das amarras do "mercado padrão".
Replicamos aqui, o comentário de uma artista amparense:
“Noticia Lamentável!
A trupe mambembe Coisa Nostra, vinda do Recife, após participarem de um programa de TV do Canal Brasil no Rio de Janeiro, chegam em Amparo para se apresentarem no Palco Cultura, no Festival de Inverno. Após quatro horas de montagem de palco, expectativas e trabalho, são informados pela produção do evento que a apresentação foi cancelada. O motivo? Censura ao rock. A trupe mescla várias linguagens rítmicas e incorpora a cena no palco, criando um verdadeiro espaço cênico em explosões de som, luz, gestos, dança, imagens, diversão. Já viajaram por todo o Brasil e América do Sul e passaram por aqui para compartilhar esta arte tão potente!
Conterrâneos e afins me respondam, por favor: O que é o rock? O que é o frevo? Sabemos lá o que é isso? A arte transpassa as linguagens e transpessoaliza a existência. Isso falta na cidade que eu amo e que gostaria tanto de ver mudar.
Perdemos a chance do encontro, de pensar o contemporâneo, de viver a experiência com o outro, o diferente. Amparo precisava deixar de ser o próprio umbigo”.
Gostaríamos muito entender essa lógica, mas buscar explicação para isso é tentar não ver o ato de censura, simples e pura, dirigido a uma determinada forma de arte. Pior, pensamos se tratar de uma censura descabida, que só considera rótulos, que não pensa na diversidade da existência humana e talvez sequer tenha conhecimento da universalidade artística daquilo que não cabe em formatados pré-conceitos.
O "Coisa Nostra" só se inscreveu no Festival de Inverno de Amparo 2014 na categoria "rock", por que o edital da licitação exigia uma classificação, mas não considerava nada mais próximo do que eles produzem, que talvez se encaixaria melhor na categoria "world music". Um pequeno, porém ótimo, exemplo de como a burocracia brasileira é atrasada, gerando resultados lamentáveis como esse.
Tememos que ações deste tipo transformem Amparo cada vez mais em uma cidade quadrada, padronizada, asfaltada, careta. Mais moralista, chata e entediante. Cada vez menos democrática, artística e cultural. Menos aberta ao desconhecido.
Segue nota do grupo impedido de se apresentar na cidade de Amparo:
“COISA NOSTRA CENSURADA
No último dia 1 de agosto, sexta-feira, nós que fazemos a Coisa Nostra, uma trupe mambembe de artistas, sofremos um dos mais graves atentados a nossa arte e a nossa liberdade. Após mais de 4 horas de montagem dos nossos equipamentos e cenários para a apresentação de nosso espetáculo na cidade de Amparo, no interior de São Paulo, fomos surpreendidos com a proibição da nossa apresentação no lendário palco da Rádio Cultura, na Praça Pádua Salles, dentro da programação XIV Festival de Inverno de Amparo.
O show aconteceria às 19h. Por meio de um MANDADO DE AÇÃO LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA expedida pelo Juíz de Direito da 1a Vara do Foro de Amparo, Dr. Fernando Leonardi Campanella, ficou proibido todos os shows do gênero "ROCK" no Festival. Segundo o Juíz, é sabedor que as apresentações deste gênero "são os que mais perturbam a tranquilidade". Vale salientar que as demais atrações do evento se apresentaram, sem problemas, em três palcos localizados na mesma praça. Parte delas em um palco com uma estrutura de som muito maior do que aquele que abrigaria nossa apresentação.
Pra quem ainda não assistiu, o espetáculo Coisa Nostra envolve várias linguagens, a música é apenas um horizonte de sua paleta de cores. Propomos um trabalho com teatro, artes visuais, audiovisual e performances em geral. Nosso trabalho com a música vai além de um gênero específico, pode-se encontrar tantas manifestações musicais representadas neste trabalho, que fica difícil até de listá-las. Atualmente, Coisa Nostra se configura como um grupo de artistas ou um grupo de artes integradas, não há como desassociar uma linguagem da outra, está tudo conectado. O grupo propõe uma experiência estética sonora, visual e corporal.
Por questões burocráticas, o Festival enquadrou o show/espetáculo Coisa Nostra em “rock”. E independente do enquadramento que leve qualquer grupo musical, nada justifica suspender dessa maneira uma apresentação alegando o motivo de um ritmo ou estilo. Se o problema se refere à altura excessiva, esse incômodo pode ser causado por qualquer expressão sonora.
Além deste desconforto, ficam inquietações. O que é o rock? A poluição sonora ocasiona-se a partir de um gênero? O que se propõe com a realização de um festival em uma cidade? O que é a diversidade cultural? E por fim, quem foram os técnicos responsáveis por classificar que nosso espetáculo perturbaria mais a tranquilidade alheia?”.
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“Agradecemos o apoio de todos nesse momento delicado. É importante termos voz para que todos saibam o absurdo que aconteceu. Aproveitamos pra ressaltar que foram proibidos todos os shows de Rock, a partir do dia 1 de agosto, que se aplicaram a nós e banda Calango Brabo. Os shows de outros ritmos, estilos e gêneros, inclusive em palcos maiores, aconteceram normalmente.
Também deixamos claro que temos o maior respeito e admiração pela cidade de Amparo e que a atitude de poucos não deve manchar o brilho da cidade. Temos recebido muitas mensagens de apoio dos moradores, que não se sentem representados pela liminar.
Por fim, também deixamos claro que fazemos shows constantemente pelo estado de SP e uma coisa como essa nunca havia acontecido. Muito pelo contrário, percebemos que a música pernambucana é muito respeitada no sudeste e o que houve nessa ocasião em Amparo foi um caso a parte, que não se referia a música nordestina e sim ao Rock.
Estamos esclarecendo para sermos justos no que estamos debatendo. Mas nada diminui a nossa insatisfação. Continuamos repudiando a atitude de censura ao rock.” – Well Carlos, integrante do Coisa Nostra.
Repercussão do caso na mídia nacional:
http://blogs.diariodepernambuco.com.br/play/2014/08/decisao-judicial-impede-banda-pernambucana-de-tocar-rock-em-sao-paulo/
http://www.novorocknacional.com/2014/08/juiz-impede-bandas-de-rock-de-tocar-em.html
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2014/08/04/justica-de-sao-paulo-impede-show-de-banda-pernambucana-138695.php
“Fomos proibidos de estabelecer contato com nosso público. Havíamos feito uma grande mobilização para explicar e conseguir inserir as pessoas no nosso universo. Mas por uma liminar, que em sua redação possui claros traços de preconceito e ignorância, fomos impedidos legalmente de trabalhar e fazer aquilo que é a razão de nossa existência”, afirmou Mariana Ratts.
Segundo a representante da banda pernambucana, o grupo sequer classifica sua produção artística no gênero musical “rock”. “Como poderemos enquadrar nossa música em um estilo? Qual é a regra que nos coloca ou nos tira de uma determinada manifestação musical?”
Muito mais do que reclamar desta atitude, nós queremos discuti-la. É necessário muito debate com as pessoas que pensam dessa forma. É importante ressaltar que o juíz está representando um tipo de pensamento, uma forma de enxergar o convívio em sociedade, bem como o acesso a bens culturais”, disse."
http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/72296/juiz+cancela+shows+de+rock+em+festival+pois+genero+causa+mais+perturbacao.shtml?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Informativo_UI_06_08_14
https://www.facebook.com/coisanostra/photos/a.614037885355315.1073741827.614032568689180/685331824892587/?type=1
https://www.facebook.com/coisanostra/photos/a.614037885355315.1073741827.614032568689180/685834584842311/?type=1

O problema
*Texto produzido cooperativamente entre músicos e/ou cidadãos amparenses.
Nós, abaixo assinado, moradores de Amparo e/ou apreciadores do já tradicional Festival de Inverno da Cidade de Amparo, vimos a público mostrar nosso descontentamento com fatos ocorridos nos dias 1º e 2 de agosto de 2014.
Primeiro cabe-nos contextualizar a importância de citado evento para a difusão de cultura, incentivo à produção artística, ao mergulho no desconhecido e, principalmente, no que se refere à quebra do monopólio do entretenimento industrializado, formatado e a serviço não da cultura, mas sim de uma máquina de produzir lucros.
O evento em praça pública, não só o Festival de Inverno, é algo inestimável para a vida social de uma comunidade. Os exemplos são fartos, em nossa região turística, de como a boa convivência e, principalmente, a tolerância, são benéficos para toda uma cidade. Rapidamente podemos citar dois exemplos: o carnaval na pacata Monte Alegre do Sul, que sequer chega a possuir 8 mil habitantes, mas durante quatro dias seguidos, recebe uma média de 20 mil pessoas por noite (com banda até as 3h da manhã); e Serra Negra, que realiza tanto as festividades de Carnaval, como o também o já tradicional Festival de Inverno de Serra Negra, em praça pública, ambas no centro da cidade.
Entendemos, é claro, as motivações das reclamações que geraram abaixo assinado solicitando providências contra a realização e apresentação de bandas em uma praça pública, mas reclamamos também o nosso direito de uso do espaço público que, aliás, encontra-se muito mal utilizado em nossa cidade. Ociosidade é o termo exato para a situação de nossas praças e espaços públicos abertos. Solicitamos que alternativas sejam estudadas, e propostas debatidas, para que tão importante evento não seja destruído pela falta de tolerância. Entendemos que a alteração de tais eventos para outro local significará a morte lenta deles, dado que apenas o “coração da cidade” pode proporcionar essa vivência rica cultural e socialmente. E nada melhor para isso que uma praça pública, grande, espaçosa e encravada no meio do centro comercial e histórico, como é a Praça Pádua Salles.
Solicitamos aos moradores da região que analisem a situação privilegiada em que vivem, e que tomem ciência de que precisamos aceitar também o lado “ruim” de morar em frente uma praça tão bela como esta. Não é possível que, ao decidir morar em local tão privilegiado, não considerem que terão não só flores, mas também espinhos. Afinal, seria perfeito morar na Av. Paulista em São Paulo, sem escutar buzinas e som de veículos. Mas a realidade não é essa. Querer silenciar a Paulista seria egoísmo demais não!? Será que silenciar uma praça pública, também não é demais? Pois foi exatamente isso o que ocorreu naquela sexta-feira e sábado. Uma praça silenciada pela intolerância descabida, pela falta uma boa conversa e um pouco de compreensão de cada lado.
Insistimos, esse festival anual (que realiza-se por apenas metade dos dias de um único mês) alcançou a difícil tarefa de virar uma marca, e marca de reconhecimento nacional. É hoje, sem dúvida um patrimônio do município e, mais ainda, da região toda. É dever de todos, continuamente, trabalhar e opinar para que ele melhore, inclusive para as famílias que residem ao entorno do principal lugar dos eventos, é claro. O caminho de diminuí-lo à insignificância, ou pior, eliminá-lo de vez, seria simplesmente vergonhoso para todos nós e uma perda inestimável.
Acreditamos também que a cidade já excedeu em seu direito, se é que ele existe, de jogar fora seu patrimônio cultural, seja na forma dos casarões que ruíram ou que foram desfigurados, do teatro João Caetano (demolido), do Salão de Artes que não existe mais, assim como não existe mais Pinacoteca Municipal e, mais que isso, o nosso nacionalmente reconhecido Museu, que se encontra hoje de portas fechadas.
Difícil imaginar que um dia deixaremos de ser terceiro mundo, sem que passemos a ter um mínimo de senso para identificar, cuidar e divulgar o patrimônio artístico e cultural, simplesmente descartando artistas e locais públicos como se fossem qualquer coisa menos importante que nossos desejos de umbigo.
Além disso, sentimos a necessidade de explicar que entendemos ter se tratado de preconceito e censura, já que um único gênero musical virou bode expiatório pra "resolver" a contenda, sem que, de fato, se resolvesse qualquer coisa. Pior, tomando-se uma decisão com base em medições aleatórias, que salvo apresentação de provas mais concretas, não consegue relacionar as apresentações de “rock” com os excessos de ruído medidos. Não nos ficou claro em quais dias e horários, exatamente, se deram tais medições.
Desta forma resolvemos produzir um abaixo assinado contra essa decisão, pedindo para que seja revista, considerando-a improcedente, pois em se mantendo procedente, a Prefeitura Municipal fica impossibilitada de fazer qualquer evento musical na Praça Pádua Salles.
Infelizmente, por alguma falta de consciência, a Secretaria de Cultura assinou a TAC, admitindo assim, e aceitando sem qualquer argumentação contrária, as reivindicações dos moradores.
Porém o que mais nos entristece, é o fato de apenas o gênero “rock” ter sido censurado. Entendemos, sim, que não se tratou de censura prévia de uma determinada mensagem, como acontecia nos tempos sombrios de ditadura militar. O motivo foi o descumprimento da TAC no dia anterior, não tendo sido cancelado todo o evento para não causar maiores prejuízos. Porém, em nosso modo de entender, a Justiça ignorou sua "cegueira", rendendo-se a rótulos exibidos a ela, censurando de forma arbitrária uma apresentação cultural, que é livre das amarras do "mercado padrão".
Replicamos aqui, o comentário de uma artista amparense:
“Noticia Lamentável!
A trupe mambembe Coisa Nostra, vinda do Recife, após participarem de um programa de TV do Canal Brasil no Rio de Janeiro, chegam em Amparo para se apresentarem no Palco Cultura, no Festival de Inverno. Após quatro horas de montagem de palco, expectativas e trabalho, são informados pela produção do evento que a apresentação foi cancelada. O motivo? Censura ao rock. A trupe mescla várias linguagens rítmicas e incorpora a cena no palco, criando um verdadeiro espaço cênico em explosões de som, luz, gestos, dança, imagens, diversão. Já viajaram por todo o Brasil e América do Sul e passaram por aqui para compartilhar esta arte tão potente!
Conterrâneos e afins me respondam, por favor: O que é o rock? O que é o frevo? Sabemos lá o que é isso? A arte transpassa as linguagens e transpessoaliza a existência. Isso falta na cidade que eu amo e que gostaria tanto de ver mudar.
Perdemos a chance do encontro, de pensar o contemporâneo, de viver a experiência com o outro, o diferente. Amparo precisava deixar de ser o próprio umbigo”.
Gostaríamos muito entender essa lógica, mas buscar explicação para isso é tentar não ver o ato de censura, simples e pura, dirigido a uma determinada forma de arte. Pior, pensamos se tratar de uma censura descabida, que só considera rótulos, que não pensa na diversidade da existência humana e talvez sequer tenha conhecimento da universalidade artística daquilo que não cabe em formatados pré-conceitos.
O "Coisa Nostra" só se inscreveu no Festival de Inverno de Amparo 2014 na categoria "rock", por que o edital da licitação exigia uma classificação, mas não considerava nada mais próximo do que eles produzem, que talvez se encaixaria melhor na categoria "world music". Um pequeno, porém ótimo, exemplo de como a burocracia brasileira é atrasada, gerando resultados lamentáveis como esse.
Tememos que ações deste tipo transformem Amparo cada vez mais em uma cidade quadrada, padronizada, asfaltada, careta. Mais moralista, chata e entediante. Cada vez menos democrática, artística e cultural. Menos aberta ao desconhecido.
Segue nota do grupo impedido de se apresentar na cidade de Amparo:
“COISA NOSTRA CENSURADA
No último dia 1 de agosto, sexta-feira, nós que fazemos a Coisa Nostra, uma trupe mambembe de artistas, sofremos um dos mais graves atentados a nossa arte e a nossa liberdade. Após mais de 4 horas de montagem dos nossos equipamentos e cenários para a apresentação de nosso espetáculo na cidade de Amparo, no interior de São Paulo, fomos surpreendidos com a proibição da nossa apresentação no lendário palco da Rádio Cultura, na Praça Pádua Salles, dentro da programação XIV Festival de Inverno de Amparo.
O show aconteceria às 19h. Por meio de um MANDADO DE AÇÃO LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA expedida pelo Juíz de Direito da 1a Vara do Foro de Amparo, Dr. Fernando Leonardi Campanella, ficou proibido todos os shows do gênero "ROCK" no Festival. Segundo o Juíz, é sabedor que as apresentações deste gênero "são os que mais perturbam a tranquilidade". Vale salientar que as demais atrações do evento se apresentaram, sem problemas, em três palcos localizados na mesma praça. Parte delas em um palco com uma estrutura de som muito maior do que aquele que abrigaria nossa apresentação.
Pra quem ainda não assistiu, o espetáculo Coisa Nostra envolve várias linguagens, a música é apenas um horizonte de sua paleta de cores. Propomos um trabalho com teatro, artes visuais, audiovisual e performances em geral. Nosso trabalho com a música vai além de um gênero específico, pode-se encontrar tantas manifestações musicais representadas neste trabalho, que fica difícil até de listá-las. Atualmente, Coisa Nostra se configura como um grupo de artistas ou um grupo de artes integradas, não há como desassociar uma linguagem da outra, está tudo conectado. O grupo propõe uma experiência estética sonora, visual e corporal.
Por questões burocráticas, o Festival enquadrou o show/espetáculo Coisa Nostra em “rock”. E independente do enquadramento que leve qualquer grupo musical, nada justifica suspender dessa maneira uma apresentação alegando o motivo de um ritmo ou estilo. Se o problema se refere à altura excessiva, esse incômodo pode ser causado por qualquer expressão sonora.
Além deste desconforto, ficam inquietações. O que é o rock? A poluição sonora ocasiona-se a partir de um gênero? O que se propõe com a realização de um festival em uma cidade? O que é a diversidade cultural? E por fim, quem foram os técnicos responsáveis por classificar que nosso espetáculo perturbaria mais a tranquilidade alheia?”.
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“Agradecemos o apoio de todos nesse momento delicado. É importante termos voz para que todos saibam o absurdo que aconteceu. Aproveitamos pra ressaltar que foram proibidos todos os shows de Rock, a partir do dia 1 de agosto, que se aplicaram a nós e banda Calango Brabo. Os shows de outros ritmos, estilos e gêneros, inclusive em palcos maiores, aconteceram normalmente.
Também deixamos claro que temos o maior respeito e admiração pela cidade de Amparo e que a atitude de poucos não deve manchar o brilho da cidade. Temos recebido muitas mensagens de apoio dos moradores, que não se sentem representados pela liminar.
Por fim, também deixamos claro que fazemos shows constantemente pelo estado de SP e uma coisa como essa nunca havia acontecido. Muito pelo contrário, percebemos que a música pernambucana é muito respeitada no sudeste e o que houve nessa ocasião em Amparo foi um caso a parte, que não se referia a música nordestina e sim ao Rock.
Estamos esclarecendo para sermos justos no que estamos debatendo. Mas nada diminui a nossa insatisfação. Continuamos repudiando a atitude de censura ao rock.” – Well Carlos, integrante do Coisa Nostra.
Repercussão do caso na mídia nacional:
http://blogs.diariodepernambuco.com.br/play/2014/08/decisao-judicial-impede-banda-pernambucana-de-tocar-rock-em-sao-paulo/
http://www.novorocknacional.com/2014/08/juiz-impede-bandas-de-rock-de-tocar-em.html
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2014/08/04/justica-de-sao-paulo-impede-show-de-banda-pernambucana-138695.php
“Fomos proibidos de estabelecer contato com nosso público. Havíamos feito uma grande mobilização para explicar e conseguir inserir as pessoas no nosso universo. Mas por uma liminar, que em sua redação possui claros traços de preconceito e ignorância, fomos impedidos legalmente de trabalhar e fazer aquilo que é a razão de nossa existência”, afirmou Mariana Ratts.
Segundo a representante da banda pernambucana, o grupo sequer classifica sua produção artística no gênero musical “rock”. “Como poderemos enquadrar nossa música em um estilo? Qual é a regra que nos coloca ou nos tira de uma determinada manifestação musical?”
Muito mais do que reclamar desta atitude, nós queremos discuti-la. É necessário muito debate com as pessoas que pensam dessa forma. É importante ressaltar que o juíz está representando um tipo de pensamento, uma forma de enxergar o convívio em sociedade, bem como o acesso a bens culturais”, disse."
http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/72296/juiz+cancela+shows+de+rock+em+festival+pois+genero+causa+mais+perturbacao.shtml?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Informativo_UI_06_08_14
https://www.facebook.com/coisanostra/photos/a.614037885355315.1073741827.614032568689180/685331824892587/?type=1
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Abaixo-assinado criado em 7 de agosto de 2014