Deixem os Camelôs de Copacabana Trabalhar: Reforma Sim, Exclusão Não

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The Issue

O calçadão de Copacabana sempre foi mais do que areia e mar. A vida dele vem das pessoas que trabalham ali, os camelôs que vendem caipirinha, mate, milho, artesanato e arte, e que dão à orla a energia que encanta cariocas e turistas do mundo inteiro.

Nós apoiamos a organização do calçadão. Apoiamos o licenciamento adequado e apoiamos o combate às redes de crime organizado que extorquiam os ambulantes por seus pontos. Combater isso é justo.

Mas o programa Tolerância Zero foi além: deixou centenas de trabalhadores honestos sem poder ganhar o sustento. A prefeitura diz que basta tirar uma licença — mas muitos esperam por essa autorização desde 2009. O caminho para trabalhar de forma legal ficou fechado por mais de uma década, e agora a falta da licença é usada como justificativa para retirá-los.

Eles não são criminosos. São trabalhadores. Em entrevista, um camelô que trabalha há anos no calçadão de Copacabana nos disse:

"Nosso trabalho é irregular, mas não é ilícito, não é crime. É um trabalho digno, honesto. Não somos bandidos, não somos ladrões. O povo só quer trabalhar. Pra mim, isso não é só um ato de sobrevivência, é uma forma de viver. Eu gosto de trabalhar à noite com o público, conversar com as pessoas, fazer novas amizades através da caipirinha. A caipirinha é cultura, faz parte do Rio. E quando se tira o trabalho de alguém, tira-se o pão da mesa."
Isso também é uma questão de cultura. Como ele mesmo diz, a caipirinha é cultura, o mate é cultura, o milho faz parte do Rio. Os turistas já andam pela orla perguntando para onde tudo foi. Apagar isso da praia é apagar parte da identidade que faz as pessoas se apaixonarem pela cidade.

E não estamos sozinhos nessa preocupação: o Ministério Público Federal (MPF) pediu formalmente a suspensão do programa, questionando a forma como ele afeta esses trabalhadores.

Por isso, pedimos à Prefeitura do Rio de Janeiro:

Reabrir e ampliar as licenças de ambulantes paradas há mais de uma década.
Criar áreas de venda regularizadas e designadas em pelo menos um lado do calçadão.
Dar aos camelôs já cadastrados um caminho real e com prazo para a autorização, e suspender a retirada desses trabalhadores enquanto esse caminho está sendo criado e organizado.
Manter a fiscalização focada no crime organizado e na extorsão, e não nas famílias trabalhadoras que foram as vítimas disso.
Abrir diálogo direto com os representantes dos camelôs.
Dá pra organizar uma cidade sem apagar a cultura que faz as pessoas se apaixonarem por ela. Assine e peça ao Rio que reforme o calçadão do jeito certo — com os trabalhadores, e não contra eles.

#DeixemOsCamelôsTrabalhar #TrabalhadoresNãoCriminosos #CaipirinhaÉCultura  #OCamelôNãoÉLadrão

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