Criação de Políticas Públicas de Cuidados e Proteção às Protetoras de Animais

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O problema

Todos os dias, milhares de pessoas dedicam seu tempo, seu dinheiro, sua casa e sua própria saúde para resgatar, alimentar, tratar e proteger animais em situação de abandono e maus-tratos. Na maioria dos casos, quem está na linha de frente são mulheres.

São protetoras que acumulam dezenas de animais sob sua responsabilidade, organizam resgates, arrecadam dinheiro para consultas e cirurgias, cuidam de animais doentes, enfrentam situações de violência e abandono e, muitas vezes, fazem tudo isso sem apoio financeiro, psicológico ou logístico do poder público. Essa realidade produz uma enorme sobrecarga física, financeira e emocional.

Podemos mencionar, inclusive, um fenômeno conhecido como fadiga por compaixão, que se refere ao esgotamento causado pela constante exposição ao sofrimento, à violência, à morte e outras situações traumáticas. Estudos já apontam que a maior parte das mulheres que trabalham ou atuam voluntariamente na proteção animal possuem esse quadro.

Mas existe uma questão ainda mais urgente: essas protetoras estão envelhecendo. Muitas dedicaram décadas de suas vidas à proteção animal e chegam à velhice sem uma rede de apoio, com dificuldades financeiras, problemas de saúde e dezenas de animais que continuam dependendo delas.

Diante dessa realidade, surge uma pergunta que o poder público precisa responder: Quem cuida de quem cuida e passou a vida cuidando?

A Lei nº 15.069/2024, que instituiu a Política Nacional de Cuidados, reconhece que todas as pessoas têm direito ao cuidado – inclusive o direito de cuidar e ao autocuidado – e inclui entre seu público prioritário as pessoas que realizam o trabalho de cuidado não remunerado.

A própria legislação reconhece que esse trabalho é realizado principalmente por mulheres e estabelece como objetivo reduzir sua sobrecarga, por isso queremos levar esse princípio também para a realidade da proteção animal.

Sabemos que a solução definitiva é a execução das políticas públicas de manejo ético de cães e gatos, mas enquanto isso não acontece, defendemos a criação de uma Política Pública de Cuidado e Proteção às Protetoras de Animais, garantindo que quem dedica sua vida ao cuidado dos animais também possa contar com o cuidado do Estado.

Essa política deve considerar apoio financeiro, psicológico, veterinário e logístico, além de mecanismos de proteção e assistência para protetoras e protetores idosos, doentes ou que, por qualquer circunstância, deixem de ter condições de continuar exercendo essa atividade.

Proteger os animais também significa proteger as pessoas que estão todos os dias na luta por eles, pois quem cuida também precisa ser cuidada.

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Adriana AraújoCriador do abaixo-assinado

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