CONTRÁRIOS À CONSTRUÇÃO DA PONTE ENTRE JARDIM ANCHIETA E PARQUE SÃO JORGE.


CONTRÁRIOS À CONSTRUÇÃO DA PONTE ENTRE JARDIM ANCHIETA E PARQUE SÃO JORGE.
O problema
MANIFESTAÇÃO DA COMUNIDADE - CONTRÁRIA À CONSTRUÇÃO DE UMA PONTE PARA VEÍCULOS ENTRE JARDIM ANCHIETA (AV. ÂNGELO CREMA) E PARQUE SÃO JORGE (AV. SAN MARINO)
Estão previstas pela PMF as obras abaixo listadas, para serem realizadas com recursos do PAC, cujo objetivo seria melhorar a drenagem nos bairros Santa Mônica, Córrego Grande e Itacorubi (especificamente, nas áreas que compreendem os loteamentos Parque São Jorge e Jardim Anchieta e em parte do Santa Mônica).
● Projeto e execução do Canal da Avenida Buriti (contemplando a recuperação da parte já existente) - Etapas 1 e 2;
● Drenagem na Av. José Boabaid e Ângelo Crema - Jardim Anchieta (já executada com recursos próprios da PMF);
● Recuperação do Canal entre os Rios Itacorubi e Sertão (Bairros Santa Mônica e Córrego Grande);
● Ponte da Avenida Ângelo Crema - ligação entre os loteamentos Parque São Jorge e Jardim Anchieta;
● Parque Linear do Córrego Grande - trecho entre R. João Pio Duarte Silva, Córrego Grande e Av. Buriti/Canal da Avenida Buriti.
Destaca-se que o requisito para o uso do recurso é que o escopo (que contempla todas as obras listadas acima) seja entregue integralmente, salvo algum impedimento técnico. A drenagem da Av. José Boabaid e Ângelo Crema - Jardim Anchieta foi executada apenas parcialmente, em alguns trechos e em apenas uma pista das avenidas, com recursos próprios da PMF, e o recurso correspondente a ela (cerca de 1,6 milhões de reais) será diluído nas demais obras (atualização de custos).
Nesse sentido, com relação às obras citadas acima, nós, abaixo-assinados, moradores dos bairros Córrego Grande, Itacorubi e Santa Mônica, do município de Florianópolis, destacando-se os residentes dos Loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia, Flor da Ilha e do Parque São Jorge, declaramos que:
1. Somos FAVORÁVEIS à execução de obras para melhoria da drenagem urbana no
Parque São Jorge, nos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha e no Santa Mônica,
devidamente embasadas em um estudo hidrológico atualizado e completo da Bacia do Itacorubi;
2. Somos FAVORÁVEIS à execução das obras que complementam a implantação do Parque Linear do Córrego Grande - em todo o trecho 3 - entre as vias João Pio Duarte da Silva e Madre Benvenuta (com a restauração da mata ciliar, execução de ciclovias/passeios e 3 passarelas para pedestres e ciclistas).
3. Somos CONTRÁRIOS à construção de uma ponte para veículos sobre o rio Córrego Grande, ligando a Av. Ângelo Crema à Av. San Marino.
JUSTIFICATIVA E CONSIDERAÇÕES
Com relação ao item 1- Somos favoráveis à melhoria da drenagem urbana:
As áreas inundáveis nos loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha e do Parque São Jorge correspondem às cotas de até 2m e também se estendem à parte das áreas correspondentes ao intervalo de 2 a 5m, conforme pode ser visto nas imagens abaixo, reproduzidas do site geoportal da PMF (mapas interativos):
Fonte: https://geoportal.pmf.sc.gov.br/map - IMAGEM DE ÁREAS INUNDÁVEIS
Estas áreas têm sido atingidas com inundações cada vez mais intensas e frequentes. Os rios Córrego Grande e Itacorubi estão bastante assoreados, com redução considerável da calha, o que potencializa o efeito das chuvas em relação às inundações nessas localidades.
Fonte: https://geoportal.pmf.sc.gov.br/map - IMAGEM DE HIPSOMETRIA (amarelo escuro de 5 a 10 m; amarelo claro de 2 a 5m; cinza de 0 a 2m.
Nesse contexto, observamos e pontuamos os seguintes fatos:
a) Tanto as áreas dos loteamentos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha, como as áreas do loteamento Parque São Jorge e Santa Mônica são alagadiças e frequentemente ficam inundadas sob fortes chuvas;
b) O sistema de drenagem é precário e obsoleto (insuficiente), além da evidente falta de manutenção (muitas bocas de lobo estão entupidas, canais e caixas de passagem apresentam problemas e não possuem declividade adequada);
c) O novo trecho executado de tubulação de drenagem (em parte da Av. José Boabaid, entre a Rua João Pio Duarte Silva e a Av. Ângelo Crema, Praça Padre José Anchieta e prosseguindo pela Av. Ângelo Crema até o rio Córrego Grande), foi implantado parcialmente e como medida emergencial para conter a enxurrada de lama devido às fortes chuvas e desmatamento decorrente da construção do condomínio Brisas da Ilha, causando diversos transtornos no bairro Córrego Grande, incluindo os loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha. Ressaltamos ainda que o novo trecho executado foi eficiente apenas para conter a lama proveniente do Brisas da Ilha, mas não impediu que continuassem a ocorrer problemas frequentes de drenagem e inundações sob fortes chuvas nos loteamentos dos Jardins Anchieta, Flor da Ilha e Germânia, inclusive nas avenidas onde passa a nova tubulação (José Boabaid e Ângelo Crema), ver fotos abaixo:
Fotos da Avenida Ângelo Crema na enchente de 16 de janeiro de 2025
Entendemos que obras pontuais e não integradas com um planejamento de macrodrenagem embasado em um estudo hidrológico e hidráulico relacionado à topografia e sua tipologia de cobertura/ caracterização do solo além do estudo de alternativas do sistema de drenagem, não irão atenuar nem prevenir as inundações nos loteamentos citados. Esse estudo deve ser realizado com modelagem hidrodinâmica que contemple, por sua vez, o regime das chuvas por período de tempo para que abranja as chuvas de alta intensidade, com a escolha adequada do tempo de retorno, além de considerar o efeito das marés que influenciam nas seções exutórias do rio Itacorubi junto à Baía Norte, traçando estratégias possíveis, para a Bacia do Itacorubi.
Com relação ao item 2 - Somos favoráveis à implantação do Parque Linear do Córrego Grande - trecho 3: O Parque Linear do Córrego Grande foi criado em 2014, há 11 anos, e compreende áreas de preservação permanente (APP) e áreas verdes de lazer (AVL) ao longo do rio Córrego Grande (denominando-se rio Itacorubi a partir do entroncamento com o Canal da Avenida Buriti), estendendo-se desde a cachoeira do Poção/Sertão do Córrego Grande até o Manguezal do Itacorubi. Da delimitação original foram executados apenas os trechos 1 e 2 (Sertão e Fazendinha do Córrego Grande), faltando executar o trecho 3 (desde a rua João Pio Duarte Silva até a Avenida Madre Benvenuta). Destacamos que a restauração da mata ciliar nas margens do rio no trecho 3 do Parque Linear irá contribuir muito para a prevenção de inundações, sendo as margens do rio uma área inundável usada para eventos extremos de alto tempo de retorno, durante o período chuvoso: este é um conceito básico dos parques lineares. Normalmente estabelecido com cotas inferiores ao das cotas de áreas residenciais e comerciais, provê um amplo volume de armazenamento e abatimento das cheias urbanas e durante períodos secos transforma-se em alternativa de lazer (vide Parque Barigui de Curitiba e outros exemplos da cidade de São Paulo). Além disso, o Parque Linear tem um grande potencial integrador entre os loteamentos dos quais somos moradores por meio da execução de ciclovias/passeios ao longo do rio, além de 3 passarelas para pedestres e ciclistas: uma entre o Jardim Germânia e Jardim Itália, uma ligando o Jardim Anchieta com o Parque São Jorge e outra entre o Parque São Jorge e o Santa Mônica, conforme projeto elaborado pela PMF. As ciclovias, passeios e passarelas irão contribuir muito para a mobilidade das áreas entre bairros. Nesse sentido, incentiva o deslocamento de pedestres/ciclistas conectando os bairros, a UFSC e UDESC, contribuindo assim para reduzir o tráfego de veículos e a poluição. As passarelas podem ser feitas com estrutura metálica, “leve”, altas em relação ao rio, reduzindo o risco de se tornarem “gargalos” para o fluxo das águas intensificado pelas chuvas intensas. No pacote de obras previstas pela PMF, está prevista apenas a parte que vai da rua João Pio Duarte Silva até o Canal da Avenida Buriti, faltando o trecho até a Avenida Madre Benvenuta. Essa é uma demanda forte da comunidade, tendo sido aprovada tanto na Leitura Comunitária do Plano Diretor de 2014, como pelo Comitê Gestor do Parque Linear do Córrego Grande.
Ressaltamos a necessidade do desassoreamento dos rios Córrego Grande e Itacorubi e restauração da mata ciliar de suas margens, reduzindo o processo de assoreamento futuro, assim como as obras de reconstrução do Canal Elias. Tais ações contribuem para mitigar as inundações nos loteamentos adjacentes aos rios.
Fotos do Rio Itacorubi no decorrer da enchente do dia 16 de janeiro 2025
Com relação ao item 3 - Somos CONTRÁRIOS à construção da Ponte para veículos:
No Plano Diretor de 1997, estava prevista a ligação entre a Av. Ângelo Crema e a Av. San Marino por meio de uma ponte para veículos, com a previsão de uma via que se estenderia até a Av. Beira Mar Norte, passando pelo Parque Ecológico do Córrego Grande. Essa opção foi descartada pela própria Prefeitura devido ao impedimento ambiental de se cruzar o parque com uma avenida para veículos e também por causa das desapropriações de muitas residências. A comunidade manifestou-se diversas vezes contra a construção da ponte, inclusive por meio de abaixo-assinado e em leituras comunitárias do Plano Diretor Participativo.
A PMF informou que a referida ponte para veículos foi incluída no edital do novo PAC como uma das obras que visam melhorar a drenagem, com o intuito de se criar uma “rota de fuga” das áreas alagáveis da Madre Benvenuta e seu entorno - o que não procede. A Av. Ângelo Crema e seu entorno também sofrem, frequentemente, com inundações e estão em nível similar no entorno da Madre Benvenuta, o que pode ser verificado no portal de geoprocessamento do site da PMF (ver imagem de Hipsometria mostrada acima, no item 1). Esta ligação tão pouco irá desafogar o tráfego de veículos entre bairros como Lagoa da Conceição, Centro e do Sul da Ilha, pois os fluxos de veículos retornam às vias coletoras/principais (Rua João Pio Duarte Silva, Av. Madre Benvenuta e Rodovia Admar Gonzaga). A ponte em questão só seria benéfica para os deslocamentos entre os loteamentos Jardim Anchieta e Parque São Jorge, mas isto poderia ser feito por meio de uma passarela, conforme descrito no item 2, incentivando o uso pedonal e ciclista, contribuindo inclusive para a saúde dos moradores e para o meio ambiente.
Somando-se a esses fatores, destaca-se o fato de que as ruas internas do Jardim Anchieta são tortuosas, típicas de loteamentos residenciais, avessas a escoamento de trânsito intenso de veículos, e de que o calçamento das ruas internas dos loteamentos é feito por lajotas, escolha mais acertada para a permeabilidade da água da chuva, mas são instáveis devido à natureza do terreno. Assim, as ruas deterioram-se facilmente com trânsito pesado, além dos constantes buracos causados por problemas na rede pluvial.
Em relação à drenagem, a construção da ponte também não faz sentido em função da potencialidade de ela se tornar mais um “gargalo” ao fluxo das águas da localidade, que compreende esses quatro loteamentos, como ocorre com a ponte sobre o rio Itacorubi (Av. Madre Benvenuta) e sobre o canal da Avenida Buriti (Av. Itamarati). Seguem imagens da enchente de 2025, no Loteamento Parque São Jorge, na qual a ponte da Avenida Itamarati funcionou como um “gargalo” ao fluxo das águas, com o agravo da barragem nela formada por todo tipo de material, desde galhos até automóveis, como se pode constatar nas imagens a seguir.
Fotos da ponte da Avenida Itamarati na enchente de 16 de janeiro de 2025.
Fotos do Canal da Avenida Buriti no decorrer da enchente do dia 16 de janeiro 2025
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O problema
MANIFESTAÇÃO DA COMUNIDADE - CONTRÁRIA À CONSTRUÇÃO DE UMA PONTE PARA VEÍCULOS ENTRE JARDIM ANCHIETA (AV. ÂNGELO CREMA) E PARQUE SÃO JORGE (AV. SAN MARINO)
Estão previstas pela PMF as obras abaixo listadas, para serem realizadas com recursos do PAC, cujo objetivo seria melhorar a drenagem nos bairros Santa Mônica, Córrego Grande e Itacorubi (especificamente, nas áreas que compreendem os loteamentos Parque São Jorge e Jardim Anchieta e em parte do Santa Mônica).
● Projeto e execução do Canal da Avenida Buriti (contemplando a recuperação da parte já existente) - Etapas 1 e 2;
● Drenagem na Av. José Boabaid e Ângelo Crema - Jardim Anchieta (já executada com recursos próprios da PMF);
● Recuperação do Canal entre os Rios Itacorubi e Sertão (Bairros Santa Mônica e Córrego Grande);
● Ponte da Avenida Ângelo Crema - ligação entre os loteamentos Parque São Jorge e Jardim Anchieta;
● Parque Linear do Córrego Grande - trecho entre R. João Pio Duarte Silva, Córrego Grande e Av. Buriti/Canal da Avenida Buriti.
Destaca-se que o requisito para o uso do recurso é que o escopo (que contempla todas as obras listadas acima) seja entregue integralmente, salvo algum impedimento técnico. A drenagem da Av. José Boabaid e Ângelo Crema - Jardim Anchieta foi executada apenas parcialmente, em alguns trechos e em apenas uma pista das avenidas, com recursos próprios da PMF, e o recurso correspondente a ela (cerca de 1,6 milhões de reais) será diluído nas demais obras (atualização de custos).
Nesse sentido, com relação às obras citadas acima, nós, abaixo-assinados, moradores dos bairros Córrego Grande, Itacorubi e Santa Mônica, do município de Florianópolis, destacando-se os residentes dos Loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia, Flor da Ilha e do Parque São Jorge, declaramos que:
1. Somos FAVORÁVEIS à execução de obras para melhoria da drenagem urbana no
Parque São Jorge, nos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha e no Santa Mônica,
devidamente embasadas em um estudo hidrológico atualizado e completo da Bacia do Itacorubi;
2. Somos FAVORÁVEIS à execução das obras que complementam a implantação do Parque Linear do Córrego Grande - em todo o trecho 3 - entre as vias João Pio Duarte da Silva e Madre Benvenuta (com a restauração da mata ciliar, execução de ciclovias/passeios e 3 passarelas para pedestres e ciclistas).
3. Somos CONTRÁRIOS à construção de uma ponte para veículos sobre o rio Córrego Grande, ligando a Av. Ângelo Crema à Av. San Marino.
JUSTIFICATIVA E CONSIDERAÇÕES
Com relação ao item 1- Somos favoráveis à melhoria da drenagem urbana:
As áreas inundáveis nos loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha e do Parque São Jorge correspondem às cotas de até 2m e também se estendem à parte das áreas correspondentes ao intervalo de 2 a 5m, conforme pode ser visto nas imagens abaixo, reproduzidas do site geoportal da PMF (mapas interativos):
Fonte: https://geoportal.pmf.sc.gov.br/map - IMAGEM DE ÁREAS INUNDÁVEIS
Estas áreas têm sido atingidas com inundações cada vez mais intensas e frequentes. Os rios Córrego Grande e Itacorubi estão bastante assoreados, com redução considerável da calha, o que potencializa o efeito das chuvas em relação às inundações nessas localidades.
Fonte: https://geoportal.pmf.sc.gov.br/map - IMAGEM DE HIPSOMETRIA (amarelo escuro de 5 a 10 m; amarelo claro de 2 a 5m; cinza de 0 a 2m.
Nesse contexto, observamos e pontuamos os seguintes fatos:
a) Tanto as áreas dos loteamentos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha, como as áreas do loteamento Parque São Jorge e Santa Mônica são alagadiças e frequentemente ficam inundadas sob fortes chuvas;
b) O sistema de drenagem é precário e obsoleto (insuficiente), além da evidente falta de manutenção (muitas bocas de lobo estão entupidas, canais e caixas de passagem apresentam problemas e não possuem declividade adequada);
c) O novo trecho executado de tubulação de drenagem (em parte da Av. José Boabaid, entre a Rua João Pio Duarte Silva e a Av. Ângelo Crema, Praça Padre José Anchieta e prosseguindo pela Av. Ângelo Crema até o rio Córrego Grande), foi implantado parcialmente e como medida emergencial para conter a enxurrada de lama devido às fortes chuvas e desmatamento decorrente da construção do condomínio Brisas da Ilha, causando diversos transtornos no bairro Córrego Grande, incluindo os loteamentos dos Jardins Anchieta, Germânia e Flor da Ilha. Ressaltamos ainda que o novo trecho executado foi eficiente apenas para conter a lama proveniente do Brisas da Ilha, mas não impediu que continuassem a ocorrer problemas frequentes de drenagem e inundações sob fortes chuvas nos loteamentos dos Jardins Anchieta, Flor da Ilha e Germânia, inclusive nas avenidas onde passa a nova tubulação (José Boabaid e Ângelo Crema), ver fotos abaixo:
Fotos da Avenida Ângelo Crema na enchente de 16 de janeiro de 2025
Entendemos que obras pontuais e não integradas com um planejamento de macrodrenagem embasado em um estudo hidrológico e hidráulico relacionado à topografia e sua tipologia de cobertura/ caracterização do solo além do estudo de alternativas do sistema de drenagem, não irão atenuar nem prevenir as inundações nos loteamentos citados. Esse estudo deve ser realizado com modelagem hidrodinâmica que contemple, por sua vez, o regime das chuvas por período de tempo para que abranja as chuvas de alta intensidade, com a escolha adequada do tempo de retorno, além de considerar o efeito das marés que influenciam nas seções exutórias do rio Itacorubi junto à Baía Norte, traçando estratégias possíveis, para a Bacia do Itacorubi.
Com relação ao item 2 - Somos favoráveis à implantação do Parque Linear do Córrego Grande - trecho 3: O Parque Linear do Córrego Grande foi criado em 2014, há 11 anos, e compreende áreas de preservação permanente (APP) e áreas verdes de lazer (AVL) ao longo do rio Córrego Grande (denominando-se rio Itacorubi a partir do entroncamento com o Canal da Avenida Buriti), estendendo-se desde a cachoeira do Poção/Sertão do Córrego Grande até o Manguezal do Itacorubi. Da delimitação original foram executados apenas os trechos 1 e 2 (Sertão e Fazendinha do Córrego Grande), faltando executar o trecho 3 (desde a rua João Pio Duarte Silva até a Avenida Madre Benvenuta). Destacamos que a restauração da mata ciliar nas margens do rio no trecho 3 do Parque Linear irá contribuir muito para a prevenção de inundações, sendo as margens do rio uma área inundável usada para eventos extremos de alto tempo de retorno, durante o período chuvoso: este é um conceito básico dos parques lineares. Normalmente estabelecido com cotas inferiores ao das cotas de áreas residenciais e comerciais, provê um amplo volume de armazenamento e abatimento das cheias urbanas e durante períodos secos transforma-se em alternativa de lazer (vide Parque Barigui de Curitiba e outros exemplos da cidade de São Paulo). Além disso, o Parque Linear tem um grande potencial integrador entre os loteamentos dos quais somos moradores por meio da execução de ciclovias/passeios ao longo do rio, além de 3 passarelas para pedestres e ciclistas: uma entre o Jardim Germânia e Jardim Itália, uma ligando o Jardim Anchieta com o Parque São Jorge e outra entre o Parque São Jorge e o Santa Mônica, conforme projeto elaborado pela PMF. As ciclovias, passeios e passarelas irão contribuir muito para a mobilidade das áreas entre bairros. Nesse sentido, incentiva o deslocamento de pedestres/ciclistas conectando os bairros, a UFSC e UDESC, contribuindo assim para reduzir o tráfego de veículos e a poluição. As passarelas podem ser feitas com estrutura metálica, “leve”, altas em relação ao rio, reduzindo o risco de se tornarem “gargalos” para o fluxo das águas intensificado pelas chuvas intensas. No pacote de obras previstas pela PMF, está prevista apenas a parte que vai da rua João Pio Duarte Silva até o Canal da Avenida Buriti, faltando o trecho até a Avenida Madre Benvenuta. Essa é uma demanda forte da comunidade, tendo sido aprovada tanto na Leitura Comunitária do Plano Diretor de 2014, como pelo Comitê Gestor do Parque Linear do Córrego Grande.
Ressaltamos a necessidade do desassoreamento dos rios Córrego Grande e Itacorubi e restauração da mata ciliar de suas margens, reduzindo o processo de assoreamento futuro, assim como as obras de reconstrução do Canal Elias. Tais ações contribuem para mitigar as inundações nos loteamentos adjacentes aos rios.
Fotos do Rio Itacorubi no decorrer da enchente do dia 16 de janeiro 2025
Com relação ao item 3 - Somos CONTRÁRIOS à construção da Ponte para veículos:
No Plano Diretor de 1997, estava prevista a ligação entre a Av. Ângelo Crema e a Av. San Marino por meio de uma ponte para veículos, com a previsão de uma via que se estenderia até a Av. Beira Mar Norte, passando pelo Parque Ecológico do Córrego Grande. Essa opção foi descartada pela própria Prefeitura devido ao impedimento ambiental de se cruzar o parque com uma avenida para veículos e também por causa das desapropriações de muitas residências. A comunidade manifestou-se diversas vezes contra a construção da ponte, inclusive por meio de abaixo-assinado e em leituras comunitárias do Plano Diretor Participativo.
A PMF informou que a referida ponte para veículos foi incluída no edital do novo PAC como uma das obras que visam melhorar a drenagem, com o intuito de se criar uma “rota de fuga” das áreas alagáveis da Madre Benvenuta e seu entorno - o que não procede. A Av. Ângelo Crema e seu entorno também sofrem, frequentemente, com inundações e estão em nível similar no entorno da Madre Benvenuta, o que pode ser verificado no portal de geoprocessamento do site da PMF (ver imagem de Hipsometria mostrada acima, no item 1). Esta ligação tão pouco irá desafogar o tráfego de veículos entre bairros como Lagoa da Conceição, Centro e do Sul da Ilha, pois os fluxos de veículos retornam às vias coletoras/principais (Rua João Pio Duarte Silva, Av. Madre Benvenuta e Rodovia Admar Gonzaga). A ponte em questão só seria benéfica para os deslocamentos entre os loteamentos Jardim Anchieta e Parque São Jorge, mas isto poderia ser feito por meio de uma passarela, conforme descrito no item 2, incentivando o uso pedonal e ciclista, contribuindo inclusive para a saúde dos moradores e para o meio ambiente.
Somando-se a esses fatores, destaca-se o fato de que as ruas internas do Jardim Anchieta são tortuosas, típicas de loteamentos residenciais, avessas a escoamento de trânsito intenso de veículos, e de que o calçamento das ruas internas dos loteamentos é feito por lajotas, escolha mais acertada para a permeabilidade da água da chuva, mas são instáveis devido à natureza do terreno. Assim, as ruas deterioram-se facilmente com trânsito pesado, além dos constantes buracos causados por problemas na rede pluvial.
Em relação à drenagem, a construção da ponte também não faz sentido em função da potencialidade de ela se tornar mais um “gargalo” ao fluxo das águas da localidade, que compreende esses quatro loteamentos, como ocorre com a ponte sobre o rio Itacorubi (Av. Madre Benvenuta) e sobre o canal da Avenida Buriti (Av. Itamarati). Seguem imagens da enchente de 2025, no Loteamento Parque São Jorge, na qual a ponte da Avenida Itamarati funcionou como um “gargalo” ao fluxo das águas, com o agravo da barragem nela formada por todo tipo de material, desde galhos até automóveis, como se pode constatar nas imagens a seguir.
Fotos da ponte da Avenida Itamarati na enchente de 16 de janeiro de 2025.
Fotos do Canal da Avenida Buriti no decorrer da enchente do dia 16 de janeiro 2025
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Abaixo-assinado criado em 6 de abril de 2025