Contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas


Contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas
O problema
- Explorar combustíveis fósseis durante uma emergência climática é como acelerar em direção ao abismo. A promessa de dinheiro não pode nos transformar em negacionistas climáticos.
Nós, cidadãos e cidadãs da Amazônia e defensores da natureza de todo o mundo, nos posicionamos em defesa dos alertas da Ciência e contra a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, um território de incomensurável valor ecológico, cultural e simbólico.
Rejeitamos a tentativa de parlamentares e grandes empresários, movidos pela ganância capitalista do dinheiro a qualquer custo, de impor à nossa terra mais um ciclo de exploração predatória disfarçado sob o velho discurso enganoso de “desenvolvimento” mesmo sob os nítidos sinais de crise ecológica global.
Combustível fóssil em contexto de emergência climática é insanidade
É inaceitável que, em pleno colapso climático global, se proponha abrir uma nova fronteira de exploração de combustíveis fósseis em um dos biomas mais sensíveis e importantes do planeta. A Amazônia, especialmente sua porção mais oriental, já sofre os impactos severos da emergência climática: secas extremas, salinização de águas doces, perda de biodiversidade, escassez hídrica e insegurança alimentar.
Quem mais sofre com essas consequências são justamente as populações mais pobres e vulneráveis, que dependem diretamente dos rios, florestas e ciclos naturais para sobreviver. Quem padece (e padecerá cada vez mais) com falta de água e insegurança alimentar são, sobretudo, os indígenas, ribeirinhos e quilombolas, não os parlamentares e a burguesia amapaense.
Discurso de “desenvolvimento” é velho e busca iludir amapaenses mais uma vez
A história recente do Amapá está marcada por promessas vazias: exploração de manganês em Serra do Navio, expansão do agronegócio, construção de hidrelétricas. Sempre com o discurso do progresso, sempre com a promessa de melhoria de vida para a população. O que restou foram buracos, contaminação, desmatamento, rios mortos, apagões e um povo ainda entre os mais pobres do país.
As riquezas extraídas nunca ficaram aqui – foram privatizadas, exportadas, concentradas. E ao povo tucuju sobrou a conta, o impacto, o abandono. O petróleo, no contexto capitalista, mais uma vez repetirá essa fórmula colonialista perversa.
Não há petróleo “verde ou sustentável”, isto é mentira institucionalizada
Insistir nessa agenda destrutiva é comprometer o futuro das próximas gerações e a credibilidade do Brasil como liderança climática mundial. É ignorar os compromissos de descarbonização assumidos publicamente, é desprezar as alternativas sustentáveis que já existem e funcionam: sociobioeconomia, turismo de base comunitária, agricultura familiar, bioeconomia da floresta e etc.
Queremos uma Amazônia para o Bem Viver, soberana, sustentável e viva
O povo amapaense não é contra melhorar a vida da população, muito pelo contrário: somos contra o velho modelo de exploração que sempre nos prometeu muito e nunca nos entregou nada além de destruição. Nos recusamos a ver Oiapoque, Bailique, Ferreira Gomes, Macapá e os diversos municípios de nosso bioma mergulharem em mais uma espiral de degradação ambiental, favelização e injustiça social.
O que queremos é um Amapá e uma Amazônia soberana, sustentável e viva. Queremos uma sociedade para o Bem Viver, que respeite nosso território, nossa biodiversidade e nossas culturas. Que fortaleça nossas comunidades, em vez de sacrificá-las por interesses corporativos e políticos alheios à nossa realidade.
Por isso, reivindicamos:
- O cancelamento imediato de qualquer tentativa de exploração de petróleo na foz do Amazonas;
- Respeito à Ciência, que alerta sobre os graves riscos associados à emergência climática global, fim da pressão política negacionista e respeito aos pareceres técnicos do Ibama e demais órgão ambientais;
- Investimentos real e massivo em políticas de Bem Viver sustentável, com base na valorização da floresta em pé e preservação de nossos biomas;
- Participação ativa das comunidades locais na construção de um novo modelo econômico para o Amapá.
O Amapá não precisa de petróleo. Precisa de justiça climática, transição justa, soberania popular e respeito à vida. Em defesa da Amazônia, da nossa gente e do futuro do planeta, dizemos: não ao petróleo na foz do Amazonas!
Assine este abaixo-assinado e faça parte desta luta!
-
Professores da Universidade Federal do Amapá que assinam este manifesto:
01. Adalberto Carvalho Ribeiro
02. Agripino Alves Luz Junior
03. Albert Alan de Sousa Cordeiro
04. Alexandre Adalberto Pereira
05. Andrew Aurélio Pinto de Almeida Costa
06. André Rodrigues Guimarães
07. Arthane Menezes Figueiredo
08. Carina Santos de Almeida
09. Elissandra Barros da Silva
10. Evilania Bento da Cunha
11. Fernanda Cristina da Encarnação dos Santos
12. Herberth Jonathan Maia de Almeida
13. Ilma de Andrade Barleta
14. Iris Pereira de Moraes (Ewejimi)
15. Júlia Monnerat Barbosa
16. Kássio Leal Vilhena
17. Kátia Ligia Vieira Lira
18. Leiliane Rodrigues Soares
19. Leyla Menezes de Santana
20. Luiz Carlos de Santana
21. Lucinéia Alves dos Santos
22. Maelen Cristina Azevedo dos Santos
23. Marlo dos Reis
24. Maria do Carmo Lobato da Silva
25. Maura Leal
26. Meire Adriana da Silva
27. Paulo Marcelo Cambraia da Costa
28. Roni Mayer Lomba
29. Sidney da Silva Lobato
30. Tadeu Lopes Machado
31. Yurgel Pantoja Caldas

1.507
O problema
- Explorar combustíveis fósseis durante uma emergência climática é como acelerar em direção ao abismo. A promessa de dinheiro não pode nos transformar em negacionistas climáticos.
Nós, cidadãos e cidadãs da Amazônia e defensores da natureza de todo o mundo, nos posicionamos em defesa dos alertas da Ciência e contra a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, um território de incomensurável valor ecológico, cultural e simbólico.
Rejeitamos a tentativa de parlamentares e grandes empresários, movidos pela ganância capitalista do dinheiro a qualquer custo, de impor à nossa terra mais um ciclo de exploração predatória disfarçado sob o velho discurso enganoso de “desenvolvimento” mesmo sob os nítidos sinais de crise ecológica global.
Combustível fóssil em contexto de emergência climática é insanidade
É inaceitável que, em pleno colapso climático global, se proponha abrir uma nova fronteira de exploração de combustíveis fósseis em um dos biomas mais sensíveis e importantes do planeta. A Amazônia, especialmente sua porção mais oriental, já sofre os impactos severos da emergência climática: secas extremas, salinização de águas doces, perda de biodiversidade, escassez hídrica e insegurança alimentar.
Quem mais sofre com essas consequências são justamente as populações mais pobres e vulneráveis, que dependem diretamente dos rios, florestas e ciclos naturais para sobreviver. Quem padece (e padecerá cada vez mais) com falta de água e insegurança alimentar são, sobretudo, os indígenas, ribeirinhos e quilombolas, não os parlamentares e a burguesia amapaense.
Discurso de “desenvolvimento” é velho e busca iludir amapaenses mais uma vez
A história recente do Amapá está marcada por promessas vazias: exploração de manganês em Serra do Navio, expansão do agronegócio, construção de hidrelétricas. Sempre com o discurso do progresso, sempre com a promessa de melhoria de vida para a população. O que restou foram buracos, contaminação, desmatamento, rios mortos, apagões e um povo ainda entre os mais pobres do país.
As riquezas extraídas nunca ficaram aqui – foram privatizadas, exportadas, concentradas. E ao povo tucuju sobrou a conta, o impacto, o abandono. O petróleo, no contexto capitalista, mais uma vez repetirá essa fórmula colonialista perversa.
Não há petróleo “verde ou sustentável”, isto é mentira institucionalizada
Insistir nessa agenda destrutiva é comprometer o futuro das próximas gerações e a credibilidade do Brasil como liderança climática mundial. É ignorar os compromissos de descarbonização assumidos publicamente, é desprezar as alternativas sustentáveis que já existem e funcionam: sociobioeconomia, turismo de base comunitária, agricultura familiar, bioeconomia da floresta e etc.
Queremos uma Amazônia para o Bem Viver, soberana, sustentável e viva
O povo amapaense não é contra melhorar a vida da população, muito pelo contrário: somos contra o velho modelo de exploração que sempre nos prometeu muito e nunca nos entregou nada além de destruição. Nos recusamos a ver Oiapoque, Bailique, Ferreira Gomes, Macapá e os diversos municípios de nosso bioma mergulharem em mais uma espiral de degradação ambiental, favelização e injustiça social.
O que queremos é um Amapá e uma Amazônia soberana, sustentável e viva. Queremos uma sociedade para o Bem Viver, que respeite nosso território, nossa biodiversidade e nossas culturas. Que fortaleça nossas comunidades, em vez de sacrificá-las por interesses corporativos e políticos alheios à nossa realidade.
Por isso, reivindicamos:
- O cancelamento imediato de qualquer tentativa de exploração de petróleo na foz do Amazonas;
- Respeito à Ciência, que alerta sobre os graves riscos associados à emergência climática global, fim da pressão política negacionista e respeito aos pareceres técnicos do Ibama e demais órgão ambientais;
- Investimentos real e massivo em políticas de Bem Viver sustentável, com base na valorização da floresta em pé e preservação de nossos biomas;
- Participação ativa das comunidades locais na construção de um novo modelo econômico para o Amapá.
O Amapá não precisa de petróleo. Precisa de justiça climática, transição justa, soberania popular e respeito à vida. Em defesa da Amazônia, da nossa gente e do futuro do planeta, dizemos: não ao petróleo na foz do Amazonas!
Assine este abaixo-assinado e faça parte desta luta!
-
Professores da Universidade Federal do Amapá que assinam este manifesto:
01. Adalberto Carvalho Ribeiro
02. Agripino Alves Luz Junior
03. Albert Alan de Sousa Cordeiro
04. Alexandre Adalberto Pereira
05. Andrew Aurélio Pinto de Almeida Costa
06. André Rodrigues Guimarães
07. Arthane Menezes Figueiredo
08. Carina Santos de Almeida
09. Elissandra Barros da Silva
10. Evilania Bento da Cunha
11. Fernanda Cristina da Encarnação dos Santos
12. Herberth Jonathan Maia de Almeida
13. Ilma de Andrade Barleta
14. Iris Pereira de Moraes (Ewejimi)
15. Júlia Monnerat Barbosa
16. Kássio Leal Vilhena
17. Kátia Ligia Vieira Lira
18. Leiliane Rodrigues Soares
19. Leyla Menezes de Santana
20. Luiz Carlos de Santana
21. Lucinéia Alves dos Santos
22. Maelen Cristina Azevedo dos Santos
23. Marlo dos Reis
24. Maria do Carmo Lobato da Silva
25. Maura Leal
26. Meire Adriana da Silva
27. Paulo Marcelo Cambraia da Costa
28. Roni Mayer Lomba
29. Sidney da Silva Lobato
30. Tadeu Lopes Machado
31. Yurgel Pantoja Caldas

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Abaixo-assinado criado em 4 de junho de 2025