Alzira Bombonato M​.​R. da SilvaSão Paulo, Brazil
Jul 18, 2019

#cuidademim

"Atualmente, estima-se que 35,6 milhões de pessoas sofrem de Alzheimer no mundo, no Brasil 1 milhão e 200 mil pessoas.
De acordo com as Nações Unidas, em razão do envelhecimento da população global, esses números aumentarão significativamente, em 2030, serão 65,7 milhões e em 2050, 115.4 milhões de portadores, sendo dois terços deles em países em desenvolvimento.
É a sexta causa de morte e a única doença entre as 10 principais causas de morte que não pode ser prevenida, curada ou mesmo desacelerada.
Esses dados são assustadores, mas as coisas ficam bem piores quando olhamos com mais cuidado para essa situação.
Olhando para o quintal da casa temos no Brasil um sistema de saúde falido, sem estrutura para fornecer remédios, médicos de família (todo idoso acamado tem direito a receber visita de médico em casa); internação em hospitais públicos são ineficazes e inadequados para atender essa população (e qualquer outra); o sistema judiciário lento e seletivo não consegue dar apoio e proteção ao idoso abandonado; o alto custo de produtos de higiene e terapias para os idosos impossibilita um tratamento adequado e digno...
Olhando para dentro de casa temos uma família a beira de um ataque de nervos, cuidando de um idoso assustado e desconhecido de todos; um cuidador que não consegue equilibrar a vida pessoal e profissional enquanto cuida do idoso; filhos e familiares egoístas, mesquinhos e covardes que abandonam o idoso para que toda a responsabilidade fique nas costas de apenas uma pessoa; sem possibilidade de trabalhar e cuidar o dinheiro acaba e as dívidas começam a aumentar; a família não tem dinheiro para contratar um cuidador, as clinicas de qualidade são caras e a família que antes tinha apenas um doente, agora tem dois – o cuidador e o paciente.
Detalhe, o paciente vai morrer (oh! Não se espante, o cuidador também vai morrer e o cachorrinho da casa também, todos iremos morrer, ok.) E depois que o paciente morre, o cuidador vai tentar arrumar a bagunça que ficou a sua vida, só que agora ele não tem mais a mesma força, esperança, saúde... que tinha antes do inicio do Alzheimer.
Pois é o Sistema de Saúde no Brasil não está preparado para cuidar de 1.200.000 pacientes, 1.200.000 cuidadores desequilibrados e depressivos e 1.2000.000 famílias endividadas e desestruturadas.
O cenário é assustador, mas se olharmos por outro ângulo, podemos ver que existem 1.200.000 fios de uma rede que cresce a cada dia. Podemos nos organizar, trocar experiências, compartilhar soluções que deram bom resultado no tratamento do paciente e do cuidador.
Só quem viveu esse inferno sabe o que é acordar no meio da noite com gritos de socorro e depois tentar dormir, sem ter ninguém para conversar sobre isso. O cuidador está nu e sozinho.
Eu descobri que os amigos antigos e novos poderiam me ajudar a carregar esse fardo, então fui buscar ajuda.
E eles me ajudaram... aprendi a lavar as pernas da minha mãe com chá de folha de amora, usar suco de maracujá para acalmá-la, fazia Reiki e minhas primas rezavam terço com ela; eu não medicava sem acompanhamento médico, fazia emplasto de ervas para diminuir a dor nas pernas inchadas; eu não tomava calmante por conta própria, mas fazia meditação para não enlouquecer; usava amaciante de alecrim para a roupa ficar cheirosa; minha amiga benzia o papai para que ele se acalmasse...
Tudo que aprendi posso ensinar, e ajudar alguém a passar por esse inferno sem muitos arranhões.
Logo seremos 60 milhões de pacientes e 60 milhões de cuidadores, acho que dá para fazer um barulhinho bom.
Todos junto somos fortes."
Míriam Morata autora de Alzheimer diário do esquecimento e Alzheimer recolhendo os pedaços

Reúna um grupo em sua cidade e dia 21 de setembro vamos fazer Mutirão e pedir para o Brasil #cuidademim

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