Clube da Imprensa: patrimônio dos jornalistas e de Brasília

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O problema

Preservar o Clube da Imprensa como patrimônio histórico, cultural e afetivo dos jornalistas e de Brasília.

O Clube da Imprensa de Brasília não é apenas um terreno ou uma sede abandonada. É parte da história do jornalismo e da vida política e cultural da capital. Durante décadas, foi ponto de encontro de jornalistas, artistas, escritores, intelectuais e personagens que ajudaram a moldar a alma de Brasília.

Ali, o jornalismo se encontrou com a música, a literatura, o teatro, o samba e o debate político. Mais do que um espaço físico, o Clube tornou-se um lugar de memória, convivência e pertencimento de gerações de jornalistas e suas famílias.

E de resistência à ditadura militar.

Por isso, causa indignação a decisão de aprovar a venda do terreno do Clube por 30 votos a 4. Uma votação dessa natureza não pode ser tratada apenas como uma questão administrativa ou patrimonial. É preciso perguntar quantos dos que participaram daquela assembleia conheceram e viveram efetivamente a história do Clube e têm a dimensão de seu significado para o jornalismo, para a política e para a cultura de Brasília.

Não se trata de desqualificar os votos. Trata-se de questionar se uma decisão irreversível sobre um patrimônio histórico pode ser tomada sem um debate muito mais amplo com a categoria e com a sociedade.

O Clube não pode ser tratado como um sofá velho, que se vende porque ficou ultrapassado ou deixou de ser conveniente. Terreno tem preço. História tem valor. E o valor histórico e cultural do Clube não cabe na avaliação de um imóvel.

Se existem dificuldades financeiras ou problemas de gestão, que sejam apresentados com transparência. Que se discutam alternativas, revitalização e novos modelos de utilização. O que não pode é a venda aparecer como caminho inevitável.

E fica um alerta: quem defende a preservação do Clube não está disposto a assistir passivamente ao desaparecimento desse patrimônio. Se houver qualquer irregularidade no processo, desrespeito às normas estatutárias ou ausência das garantias necessárias, os defensores do Clube deverão recorrer às medidas administrativas e judiciais cabíveis para impedir a concretização da venda até que todos os questionamentos sejam esclarecidos.

Trinta votos podem aprovar uma proposta em uma assembleia. Não podem apagar décadas de história.

O Clube da Imprensa é patrimônio dos jornalistas — e parte da memória cultural de Brasília. E isso não tem preço! 

Brasília, 19 de setembro de 2026

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