

Abaixo-assinado contra o "ensino remoto" na UEL
O problema
Com o início do isolamento social, em março, os estudantes de graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) tiveram as aulas suspensas. Desse modo, a PROGRAD iniciou um mapeamento para averiguar a situação socioeconômica e financeira dos estudantes no período de pandemia, assim como suas condições para um "ensino remoto". O mapeamento foi concluído no dia 9 de abril. Conforme apontou o relatório, o "ensino remoto" era inviável e foi encaminhado um pedido de prorrogação da suspensão do calendário. Apenas 65% dos discentes de graduação e 69% dos docentes responderam ao formulário que visava fazer este levantamento. Ademais, apenas 57% dos estudantes de graduação em Ciências Sociais responderam. Não atingir 100% dos estudantes significa, entre muitas coisas, a falta de acesso das pessoas ao questionário, tendo em vista que este foi feito online.
Conforme deliberado pelos estudantes de Ciências Sociais, o Centro Acadêmico também realizou um mapeamento, visando a compreensão da situação socioeconômica, psicológica e dos posicionamentos sobre o ensino à distância. Os questionários online são bastante problemáticos por serem excludentes, já que muitas pessoas não conseguem acessá-lo, mas compreendemos que era a única forma de fazer um levantamento inicial. Este formulário também foi realizado em abril. Obtivemos 122 respostas e, considerando que são 390 estudantes de graduação em Ciências Sociais, isto corresponde a cerca de 31% de alcance. Destacamos alguns dados importantes que foram recolhidos por nós, considerando os estudantes que responderam: 98,4% afirmaram que tinham acesso à internet onde estavam; 11,5% possuíam uma conexão de internet ótima, 75,4% possuíam uma conexão de internet regular e 11,5% possuíam uma conexão de internet péssima; 88,5% tinham acesso a um computador; 28,7% possuíam um espaço adequado para realizações de trabalhos acadêmicos e de aulas à distância; 71,3% conheciam alguém que não tinha acesso a um computador onde estava; 55,7% conheciam alguém que não tinha acesso à internet onde estava; 77% afirmam não ter experiência com ensino à distância; 32,8% estavam na posição de cuidador de algum familiar neste período; 25,4% possuíam assistência psicológica e 19,7% tiveram sua assistência interrompida pelo isolamento social; 17,2% estavam trabalhando, até então.
Destes dados apresentados, pode-se inferir que muitos estudantes não tiveram acesso ao formulário, já que não possuem internet. Ademais, a situação das pessoas antes do isolamento social e durante foi significativamente alterada, já que alguns estudantes afirmaram terem perdido o emprego, estarem em uma situação de vulnerabilidade financeira e psicológica, passaram a ter uma restrição de turno para a realização de atividades, ficaram sem conexão de internet e/ou sem acesso a um computador, entre outras coisas. 95,9% dos estudantes que responderam consideram que o ensino à distância não é uma modalidade democrática para os discentes da UEL e 4,1% não souberam opinar sobre isso. Dessa forma, fica claro o posicionamento contrário dos estudantes em relação ao ensino à distância, ensino remoto, atividades remotas ou qualquer outro eufemismo que escolherem para a exclusão de estudantes ao acesso à Universidade, sucateamento do ensino, desconsideração da real situação dos estudantes neste período de pandemia, adesão à uma modalidade antidemocrática, a qual nada se assemelha ao propósito do EAD ofertado por faculdades e universidades, entre outras coisas.
Os estudantes se posicionaram contrários ao ensino à distância desde quando este passou a ser uma possibilidade. Entretanto, nossos posicionamentos foram, muitas vezes desconsiderados na Câmara de Graduação, no Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE), no Conselho Administrativo e em outros espaços. A proposta de ensino à distância não considera, também, a situação dos estudantes indígenas da UEL, os quais escreveram uma carta ao CEPE, por meio da Articulação dos Estudantes Indígenas (ARTEIN-UEL), na qual se posicionaram contrários ao ensino à distância e destacaram a falta de acesso à internet dos estudantes aldeados, a falta de equipamentos como celulares e laptops, problemas financeiros e particularidades geográficas das aldeias (esta carta pode ser encontrada na íntegra, na página da ARTEIN-UEL e também na página do Diretório Central dos Estudantes).
Além disso, repudiamos a carta advinda do governo do estado do Paraná (Superintendência geral de ciência, tecnologia e ensino superior) que ameaçou cortar as licenças dos servidores públicos durante a pandemia caso o ensino remoto não seja implantado até uma data limite. Item que ameaça a própria segurança dos funcionários e de seus dependentes, tendo em vista as diversas dificuldades que o próprio momento de pandemia traz, sejam eles financeiros ou/e psicológicos. Além de ser antiético colocar pessoas em risco como motivo para implantação de um sistema antidemocrático .
É importante frisar que o Departamento e o Colegiado de Ciências Sociais são contrários à esta modalidade de ensino. Então, viemos por meio deste abaixo-assinado demonstrar nosso posicionamento contrário ao “ensino remoto”, por meio do Centro Acadêmico de Ciências Sociais, em vista da precarização do ensino, da falta de acesso dos estudantes, entre outros motivos expostos. Propomos, então, a suspensão do ano letivo de 2020.

O problema
Com o início do isolamento social, em março, os estudantes de graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) tiveram as aulas suspensas. Desse modo, a PROGRAD iniciou um mapeamento para averiguar a situação socioeconômica e financeira dos estudantes no período de pandemia, assim como suas condições para um "ensino remoto". O mapeamento foi concluído no dia 9 de abril. Conforme apontou o relatório, o "ensino remoto" era inviável e foi encaminhado um pedido de prorrogação da suspensão do calendário. Apenas 65% dos discentes de graduação e 69% dos docentes responderam ao formulário que visava fazer este levantamento. Ademais, apenas 57% dos estudantes de graduação em Ciências Sociais responderam. Não atingir 100% dos estudantes significa, entre muitas coisas, a falta de acesso das pessoas ao questionário, tendo em vista que este foi feito online.
Conforme deliberado pelos estudantes de Ciências Sociais, o Centro Acadêmico também realizou um mapeamento, visando a compreensão da situação socioeconômica, psicológica e dos posicionamentos sobre o ensino à distância. Os questionários online são bastante problemáticos por serem excludentes, já que muitas pessoas não conseguem acessá-lo, mas compreendemos que era a única forma de fazer um levantamento inicial. Este formulário também foi realizado em abril. Obtivemos 122 respostas e, considerando que são 390 estudantes de graduação em Ciências Sociais, isto corresponde a cerca de 31% de alcance. Destacamos alguns dados importantes que foram recolhidos por nós, considerando os estudantes que responderam: 98,4% afirmaram que tinham acesso à internet onde estavam; 11,5% possuíam uma conexão de internet ótima, 75,4% possuíam uma conexão de internet regular e 11,5% possuíam uma conexão de internet péssima; 88,5% tinham acesso a um computador; 28,7% possuíam um espaço adequado para realizações de trabalhos acadêmicos e de aulas à distância; 71,3% conheciam alguém que não tinha acesso a um computador onde estava; 55,7% conheciam alguém que não tinha acesso à internet onde estava; 77% afirmam não ter experiência com ensino à distância; 32,8% estavam na posição de cuidador de algum familiar neste período; 25,4% possuíam assistência psicológica e 19,7% tiveram sua assistência interrompida pelo isolamento social; 17,2% estavam trabalhando, até então.
Destes dados apresentados, pode-se inferir que muitos estudantes não tiveram acesso ao formulário, já que não possuem internet. Ademais, a situação das pessoas antes do isolamento social e durante foi significativamente alterada, já que alguns estudantes afirmaram terem perdido o emprego, estarem em uma situação de vulnerabilidade financeira e psicológica, passaram a ter uma restrição de turno para a realização de atividades, ficaram sem conexão de internet e/ou sem acesso a um computador, entre outras coisas. 95,9% dos estudantes que responderam consideram que o ensino à distância não é uma modalidade democrática para os discentes da UEL e 4,1% não souberam opinar sobre isso. Dessa forma, fica claro o posicionamento contrário dos estudantes em relação ao ensino à distância, ensino remoto, atividades remotas ou qualquer outro eufemismo que escolherem para a exclusão de estudantes ao acesso à Universidade, sucateamento do ensino, desconsideração da real situação dos estudantes neste período de pandemia, adesão à uma modalidade antidemocrática, a qual nada se assemelha ao propósito do EAD ofertado por faculdades e universidades, entre outras coisas.
Os estudantes se posicionaram contrários ao ensino à distância desde quando este passou a ser uma possibilidade. Entretanto, nossos posicionamentos foram, muitas vezes desconsiderados na Câmara de Graduação, no Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE), no Conselho Administrativo e em outros espaços. A proposta de ensino à distância não considera, também, a situação dos estudantes indígenas da UEL, os quais escreveram uma carta ao CEPE, por meio da Articulação dos Estudantes Indígenas (ARTEIN-UEL), na qual se posicionaram contrários ao ensino à distância e destacaram a falta de acesso à internet dos estudantes aldeados, a falta de equipamentos como celulares e laptops, problemas financeiros e particularidades geográficas das aldeias (esta carta pode ser encontrada na íntegra, na página da ARTEIN-UEL e também na página do Diretório Central dos Estudantes).
Além disso, repudiamos a carta advinda do governo do estado do Paraná (Superintendência geral de ciência, tecnologia e ensino superior) que ameaçou cortar as licenças dos servidores públicos durante a pandemia caso o ensino remoto não seja implantado até uma data limite. Item que ameaça a própria segurança dos funcionários e de seus dependentes, tendo em vista as diversas dificuldades que o próprio momento de pandemia traz, sejam eles financeiros ou/e psicológicos. Além de ser antiético colocar pessoas em risco como motivo para implantação de um sistema antidemocrático .
É importante frisar que o Departamento e o Colegiado de Ciências Sociais são contrários à esta modalidade de ensino. Então, viemos por meio deste abaixo-assinado demonstrar nosso posicionamento contrário ao “ensino remoto”, por meio do Centro Acadêmico de Ciências Sociais, em vista da precarização do ensino, da falta de acesso dos estudantes, entre outros motivos expostos. Propomos, então, a suspensão do ano letivo de 2020.

Os tomadores de decisão
Atualizações do abaixo-assinado
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Abaixo-assinado criado em 16 de junho de 2020