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Categoria Histórias em Quadrinhos no Prêmio Jabuti

CARTA ABERTA DE QUADRINISTAS BRASILEIROS PROPONDO A INCLUSÃO DA CATEGORIA ‘QUADRINHOS’ NO PRÊMIO JABUTI 2017


“Criado em 1958, o Jabuti é o mais tradicional prêmio do livro no Brasil.”

A frase acima é encontrada no website do próprio Prêmio Jabuti. Como profissionais atuantes no mercado editorial, reconhecemos e subscrevemos: o Jabuti é, indubitavelmente, o mais tradicional prêmio do livro no Brasil.

Em seus 59 anos de história, vimos o Prêmio Jabuti criar categorias para contemplar segmentos diversos do mundo editorial. Na configuração atual, o Prêmio inclui categorias como “Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia”, “Didático e Paradidático”, “Direito”, “Gastronomia” e “Reportagem e Documentário” – focadas e devidamente regulamentadas para inscrição e premiação de livros exclusivos destes segmentos. As categorias, a nosso ver, respeitam a expansão constante do mercado editorial brasileiro.

Neste sentido, o propósito desta carta é realizar uma solicitação: A criação da categoria Quadrinhos no Prêmio Jabuti em 2017.

Embora tenham nascido nos jornais e tenham permanecido grande parte de sua história nas bancas de jornais e revistas, os quadrinhos são publicados no formato livro, no Brasil, desde o início do século 20. De coletâneas de tiras de jornal até reproduções de álbuns estrangeiros, os quadrinhos estiveram presentes nas livrarias brasileiras, mesmo que em grau reduzido, ao longo do século passado.

Neste século 21, não se pode mais falar “em grau reduzido”. Basta entrar em qualquer livraria física de médio a grande porte, ou nas livrarias digitais, e identificar que todas possuem seções dedicadas aos quadrinhos.

Dos dez maiores grupos editoriais no Brasil(1), nove publicaram quadrinhos na década corrente – e quatro possuem selos exclusivamente dedicados ao segmento(2). Há editoras de pequeno a grande porte exclusivamente dedicadas a quadrinhos(3). Quadrinhos aparecem com regularidade em Listas de Mais Vendidos (categoria Geral) como a do website PublishNews, assim como em resenhas em jornais e revistas nos seus cadernos de literatura. Livrarias já empreendem categorização interna e necessária ao segmento, classificando os quadrinhos em “autobiográficos”, “super-heróis”, “humor”, “infantis”, “adaptações literárias” e outras rotulações.

Como o Prêmio Jabuti enfoca a produção editorial nacional, cabe lembrar que – a exemplo do restante do mercado editorial brasileiro – boa parte das publicações de quadrinhos no Brasil é de material estrangeiro. Contudo, a proporção de material nacional, produzido por quadrinistas brasileiros, é pujante e crescente. A melhor comprovação que temos desta pujança está nas premiações que começam a aparecer para livros em quadrinhos brasileiros no exterior(4).

Independente de todos estes fatores, os livros em quadrinhos já satisfazem a regra do Prêmio Jabuti do que define um livro, conforme o regulamento geral da premiação: “considera-se livro obra intelectual impressa e publicada, com ISBN e ficha catalográfica, impressos no livro.”

O Prêmio Jabuti inclusive já elencou e premiou quadrinhos em categorias como “Didático e Paradidático”, “Adaptação” e “Ilustração”. Em 2015, o Prêmio homenageou o mais famoso quadrinista nacional, Maurício de Sousa.

No entanto, quadrinhos são uma forma de expressão artística com linguagem e histórico próprios. Com base nisto e em todos os argumentos de relevância artística e mercadológica apresentados acima é que reiteramos nossa solicitação:

Pela criação da categoria Quadrinhos no Prêmio Jabuti em 2017.


Atenciosamente, os abaixo assinados:

 

Laerte Coutinho

Eloar Guazzelli

Sidney Gusman

Marcello Quintanilha

Rafael Coutinho

Fábio Moon

Gabriel Bá

Janaina de Luna

Rogério de Campos

Bianca Pinheiro

Érico Assis

Ramon Vitral

Marcelo D´Salete

Paulo Ramos

Afonso Andrade

Cassius Medauar

Rogério Coelho

Rodrigo Rosa

Roger Krux

Eduardo Damasceno

Germana Viana

Laudo Ferreira Jr.

Lobo Wolf

Daniel Lopes

Marcelo Costa

Mika Takahashi

Diego Sanchez Más Saint Martin

Pedro Cobiaco

Claudio Roberto Martini

Paula Puiupo

Daniel Esteves

Felipe Folgosi

Guilherme Kroll

João Pinheiro

José Aguiar

Miguel Contijo

Lucio Luiz

Rodrigo Solsona

Zé Rodolfo

Alcimar Frazão

Tiago Martins

DW Ribatski

Felipe Castilho

Tainan Rocha

Mariana Waechter

Tiago Souza Lacerda

Mário César Oliveira

Claudio Alves

Bárbara Malagoli

Will Sideralman

Lielson Zeni

Juscelino Neco

Wagner Willian

 

Notas:

  1.  Foram consideradas (em ordem alfabética): Grupo Autêntica, Grupo Companhia das Letras, Ediouro, Globo, Intrínseca, LeYa, Grupo Record, Rocco, Saraiva, Sextante.
  2. Nemo (Autêntica), Quadrinhos na Cia. (Companhia das Letras), Pixel (Ediouro), Globo Graphics (Globo). Cabe mencionar também a inclusão de quadrinhos em selos como Galera Record (Record) e Fábrica 231 (Rocco).
  3. Avec, JBC, Mino, NewPop, Panini, Balão Editorial, Veneta, Zarabatana, Marsupial, entre outras.
  4. Dois Irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá, foi contemplado em categorias dos Harvey e Eisner Award (EUA) em 2016. No mesmo ano, Tungstênio, de Marcello Quintanilha, foi contemplado em categoria do Prix d’Angoulême (França).

 

 

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  • Câmara Brasileira do Livro


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