RETORNO ÀS AULAS EM SP

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São Paulo, 25 de agosto de 2020.

 

CARTA ABERTA À SOCIEDADE, GOVERNANTES, EDUCADORES, E PAIS

 

Esta carta tem por objetivo um alerta: a saúde de nossas crianças.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990, estabelece o direito à educação como um princípio básico. No contexto de uma pandemia sem precedentes, temos no corona vírus um elemento que nos mostra todas as deficiências de um sistema que necessita urgentemente de reformas profundas.  Educação certamente está dentro desse rol.

A saúde é "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade" segundo a Organização Mundial da Saúde. E nossas crianças estão adoecendo. Mental e emocionalmente.

Dados concretos do estudo municipal de São Paulo sobre retorno às escolas mostram que as classes mais afetadas são C, D e E, e que a maioria foi portadora assintomática do vírus. No entanto, sabe-se que IgG positiva (que significaria imunidade) não tem efeito duradouro. Em verdade, o efeito é de alguns meses. Então, o estudo atual mostra uma foto instantânea que já poderia estar amarelada. Muitos dos testados negativos podem já ter contraído o vírus e não ter mais IgG detectada. Ou seja, podemos ter muitos resultados falso negativos em termos de contágio para o vírus neste momento.

A escola pública que preza pela qualidade, e universalidade da educação, em live recente do Comitê Emergencial de Crise da Educação, e solicita medidas emergenciais para proteção ao retorno dos professores, demais servidores e alunos às atividades que envolvem ensino presencial. Ao mesmo tempo, a contradição ocorre pelo receio do retorno por risco de transmissão do corona vírus aos professores grupo de risco, ao ¼ das crianças estudadas que depende do cuidado de pessoas em casa que tem mais de 60 anos, e das crianças aos mesmos idosos em casa.

Ocorre que muitos locais de ensino já tomaram as medidas de proteção ao retorno presencial. As mesmas medidas poderiam ser compartilhadas com a rede pública numa ação sem precedentes na história do nosso País. É hora de nos reinventarmos, e sair de uma realidade de conjecturas. Ainda que todos tomem medidas de proteção, e o retorno seja bem organizado, não há como garantir plenamente que não haverá contaminação na escola. E muito menos em qualquer outro lugar. Isso desde que foi decretada a transmissão comunitária do corona vírus.

A questão TEMPO é fundamental. O tempo está passando, talvez seja o caso de pensarmos medidas em parceria com o sistema privado para que tenhamos novos modelos de educação. Não se trata aqui de lucros, de coisa pública ou privada. Trata-se do futuro dos nossos filhos, sendo desenvolvido agora. Como será o Brasil no futuro?

Os índices de mortalidade estão caindo, a ocupação dos hospitais reduzindo, e qual será a próxima justificativa do sistema público para não retornar às aulas presenciais? Alguém precisa cuidar para que as nossas crianças continuem se desenvolvendo. Há parcerias para internet na casa dos alunos mais carentes? As aulas não poderiam ser transmitidas pela televisão? Canal aberto! Certamente muitas parcerias com o setor privado nos fariam avançar na educação, quem sabe um dia no PISA!

Nós pais dessas crianças precisamos trabalhar, e muitos de nós não temos com quem deixar os filhos. Com a melhora dos números da pandemia nas cidades, o trabalho volta a ser presencial. Todas as engrenagens caminham juntas. O sistema que não se adequar faz parar todo o processo que nos move no dia-a-dia. O medo nunca nos deixará andar. A coragem munida de todos os cuidados nos faz avançar. É assim na rotina de muitos profissionais essenciais desde o início da pandemia. Sem recuo. E muito menos sem férias. O momento pede isso, e esse é um sacrifício que deverá valer a pena. Adaptando e avançando, reinventando.  Não tem escape.

Segundo a UNICEF, 78% dos países no mundo tem data para retorno às aulas, claro, de acordo com estágios de segurança locais, e em conjunto com a reabertura em outros setores: transporte, produção, comércio. No Brasil não estamos acompanhando a tendência mundial. Especialmente em São Paulo, a maior cidade da América do Sul!

A decisão final de retorno às aulas cabe a nós pais dos alunos, mas para tanto precisamos ter opções à mão.

Uma solução pode ser a manutenção por tempo indeterminado das aulas não presenciais (sistemas público e privado), especialmente para professores e alunos considerados como grupos de risco ou dependentes dos idosos para cuidados em casa. Os demais que optarem ao ensino presencial devem retornar gradativamente através de protocolos bem estabelecidos, e rigorosamente seguidos. Lembro que o convívio social (não aglomeração) é muito importante para todo ser humano, especialmente crianças, e que isso é parte fundamental do desenvolvimento emocional delas. 

Esse manifesto é apenas uma expressão sobre a falta que o ensino faz; sobre a falta nossos filhos sentem de seus pares na escola; no quanto incertezas (volta, não volta) e isolamento também podem trazer graves consequências psíquicas para as crianças.

Aguardando soluções imediatas e concretas, temos esperança nas mudanças que nosso tempo pede.

Atenciosamente,