Assine a nota de solidariedade à Paulina Chiziane e sua equipe! Arte não é crime!

O problema

Nota de solidariedade à Paulina Chiziane e sua equipe! Fundamentalistas não passarão! Arte não é crime!

*Esta nota é uma iniciativa dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP-Brasil).

É com horror que recebemos a notícia de que Paulina Chiziane e membros da sua equipe, Vieira Mário Mauelele, Eduardo Salmo Poeta e Job, foram agredidos a mando de um pastor da Igreja Divina Esperança, em Maputo, capital de Moçambique, na última quarta-feira (28 de julho).

Na ocasião, Paulina e sua equipe estavam gravando imagens na rua para um videoclipe, intitulado "Pobreza", nas imediações da igreja, quando foram abordados por seguranças, que afirmaram que não era permitido fazer imagens naquele local e que Paulina e os demais seriam levados a uma esquadra (delegacia). Porém, antes mesmo de chegarem à esquadra, membros da equipe foram violentamente agredidos. Um deles sofreu uma tentativa de estrangulamento, outro foi pisoteado, ficando ambos gravemente feridos. Já Paulina teve seu celular roubado. Ao verem uma timbila (instrumento secular da cultura bantu), os agentes do pastor acusaram “bruxaria”. A polícia, que deveria proteger os cidadãos, testemunhou as agressões sem nada fazer para impedí-las.

Infelizmente, sabemos que este não é um fato isolado. A perseguição de parte das igrejas neopentecostais a Paulina Chiziane já ocorre há algum tempo. O motivo é claro: a defesa de Paulina das culturas bantu, sua ancestralidade e a força de sua escrita.

Paulina Chiziane, até o momento, é a única mulher negra e africana a ser agraciada com o Prêmio Camões – maior prêmio de literatura da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Vieira Mário, Eduardo e Job são jovens negros, poetas e realizadores culturais. Desde 2008, a UNESCO considera a timbila um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O caso, agora entregue à Justiça, precisa ser apurado e que os responsáveis pelas agressões respondam à Lei! Não podemos aceitar que abusos como esses continuem!

Toda nossa solidariedade à Paulina Chiziane e sua equipe! O ataque que sofreram é um atentado não apenas contra os indivíduos, mas contra a liberdade de expressão e a arte em si. Fundamentalistas não passarão! E em tempos em que a intolerância e o extremismo ganham força, é imperativo que nos unamos em defesa da cultura e da liberdade artística. A arte não é crime! Ela é uma manifestação essencial do espírito humano, um meio de questionar, refletir e transformar a realidade e por isso tão necessária. Que os agressores respondam por seus atos e se faça justiça! Não podemos permitir que a violência e a censura tentem silenciar vozes tão importantes. 

 

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Carla SantosCriador do abaixo-assinado

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Nota de solidariedade à Paulina Chiziane e sua equipe! Fundamentalistas não passarão! Arte não é crime!

*Esta nota é uma iniciativa dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP-Brasil).

É com horror que recebemos a notícia de que Paulina Chiziane e membros da sua equipe, Vieira Mário Mauelele, Eduardo Salmo Poeta e Job, foram agredidos a mando de um pastor da Igreja Divina Esperança, em Maputo, capital de Moçambique, na última quarta-feira (28 de julho).

Na ocasião, Paulina e sua equipe estavam gravando imagens na rua para um videoclipe, intitulado "Pobreza", nas imediações da igreja, quando foram abordados por seguranças, que afirmaram que não era permitido fazer imagens naquele local e que Paulina e os demais seriam levados a uma esquadra (delegacia). Porém, antes mesmo de chegarem à esquadra, membros da equipe foram violentamente agredidos. Um deles sofreu uma tentativa de estrangulamento, outro foi pisoteado, ficando ambos gravemente feridos. Já Paulina teve seu celular roubado. Ao verem uma timbila (instrumento secular da cultura bantu), os agentes do pastor acusaram “bruxaria”. A polícia, que deveria proteger os cidadãos, testemunhou as agressões sem nada fazer para impedí-las.

Infelizmente, sabemos que este não é um fato isolado. A perseguição de parte das igrejas neopentecostais a Paulina Chiziane já ocorre há algum tempo. O motivo é claro: a defesa de Paulina das culturas bantu, sua ancestralidade e a força de sua escrita.

Paulina Chiziane, até o momento, é a única mulher negra e africana a ser agraciada com o Prêmio Camões – maior prêmio de literatura da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Vieira Mário, Eduardo e Job são jovens negros, poetas e realizadores culturais. Desde 2008, a UNESCO considera a timbila um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O caso, agora entregue à Justiça, precisa ser apurado e que os responsáveis pelas agressões respondam à Lei! Não podemos aceitar que abusos como esses continuem!

Toda nossa solidariedade à Paulina Chiziane e sua equipe! O ataque que sofreram é um atentado não apenas contra os indivíduos, mas contra a liberdade de expressão e a arte em si. Fundamentalistas não passarão! E em tempos em que a intolerância e o extremismo ganham força, é imperativo que nos unamos em defesa da cultura e da liberdade artística. A arte não é crime! Ela é uma manifestação essencial do espírito humano, um meio de questionar, refletir e transformar a realidade e por isso tão necessária. Que os agressores respondam por seus atos e se faça justiça! Não podemos permitir que a violência e a censura tentem silenciar vozes tão importantes. 

 

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Abaixo-assinado criado em 2 de agosto de 2024