APOIO À APROVAÇÃO DO ERE NA UFRGS

APOIO À APROVAÇÃO DO ERE NA UFRGS

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Convidamos a todos a manifestarem seu apoio à nota emitida pela Escola de Engenharia em favor do Ensino Remoto Emergencial endossando este abaixo assinado.

--- Nota da EE à Comunidade Universitária ---

A Escola de Engenharia vem, por meio desta, ratificar sua posição, aprovada em reunião do Conselho da Escola, de apoio ao Ensino Remoto Emergencial (ERE), como solução excepcional para a continuidade das atividades acadêmicas, diante do atual momento de Pandemia da Covid-19.

Se em meados de março, quando houve a suspensão das atividades presenciais na UFRGS, a percepção geral era de que a paralisação duraria apenas um ou dois meses, e que seria possível retomar as atividades presenciais após esse tempo, hoje está mais que claro que não será possível retomar atividades presenciais neste ano de 2020, a menos que uma vacina efetivamente eficiente venha ser desenvolvida e disponibilizada de forma ampla a toda a população em curtíssimo espaço de tempo, possibilidade que parece bastante improvável.

Na impossibilidade de retomar as atividades presenciais e desenvolver atividades de ensino aos moldes do que estava sendo feito antes da pandemia, e tendo como premissas básicas a proteção e preservação da saúde de nossa comunidade acadêmica, consideramos que o ERE se constitui na alternativa viável e disponível para minimizar os prejuízos da suspensão de aulas durante o período da pandemia.

Cabe destacar que diante da excepcionalidade da situação, e constatando o prejuízo que a suspensão sine die das atividades de ensino acarretaria sobre os estudantes de todos os níveis do País, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a substituição das atividades presenciais por atividades não-presenciais até que a situação seja normalizada.

A possibilidade de longa duração da suspensão das atividades presenciais, por conta da pandemia da COVID-19, pode acarretar diversos efeitos negativos aos alunos, dentre eles: atrasos no seu processo formativo, com grandes implicações para calouros e formandos, retrocessos do processo de aprendizagem pelo longo período sem atividades educacionais regulares; desmotivação; estresse e outros problemas psicológicos; abandono e aumento da evasão; efeitos muito mais negativos do que quaisquer outros que possam vir a ocorrer com o retorno as atividades de forma remota. Desta forma, estratégias de ensino remoto a partir do uso de recursos das Tecnologias de Informação e Comunicação são importantes para a redução desses efeitos negativos do distanciamento temporário e retomada das atividades acadêmicas.

O Ensino Remoto Emergencial se apresenta como uma alternativa emergencial para enfrentar e mitigar os efeitos da realidade atual. Ele não se constitui em um paradigma de metodologia de ensino, e se espera que ele tenha a menor duração possível nesta Universidade e nesta Escola de Engenharia.

A Escola de Engenharia tem trabalhado muito com inovação no ensino e acredita que o modelo alicerçado em atividades presenciais, complementado por atividades remotas e em EAD, expandindo a sala de aula é o melhor caminho para a melhor experiência de ensino e para a formação de recursos humanos de qualidade em seus cursos de graduação e pós-graduação.

Frente à pandemia, todavia, o ERE se configura como a opção que temos para minimizar os prejuízos imediatos para a enorme maioria dos alunos de nossa comunidade acadêmica, o que vai nos permitir concentrar forças para atender e recuperar os eventuais impactos sobre os eventuais impossibilitados de acompanhar o ERE.

Entende-se que a disponibilidade dos recursos tecnológicos é diferente entre os distintos perfis socioeconômicos dos alunos. Contudo, dentro da proposta do ERE, existem medidas para minimizar ao máximo o prejuízo àqueles que não tiverem condições de acompanhar a metodologia de ensino proposta, como a possibilidade de exclusão das disciplinas sem prejuízo até o final do semestre, o congelamento do ordenamento dos alunos até a retomada das atividades presenciais de forma normal, a exclusão da reprovação por falta de frequência (FF) e a não contabilização dos semestres letivos em ERE no prazo máximo de conclusão do curso.

Tais medidas, construídas cuidadosamente em conjunto com as COMGRADs pela Administração Central fazem com que efetivamente os alunos que não consigam por qualquer condição acompanhar exitosamente as atividades em ERE não tenham prejuízos maiores do que aqueles que adviriam da manutenção da suspensão de todas as atividades de ensino até a normalização da situação.

Dentro da proposta do ERE da EE e também naquela em análise do CEPE, está claro o compromisso de buscar atingir a todos, sem deixar, dentro das possibilidades existentes, nenhum aluno excluído, e de tratar com extremo cuidado os casos vulneráveis, trabalhando para que os mesmos recuperem a sincronia tão logo quanto possível.

O que nos parece claro é que para ninguém seria útil que a UFRGS adotasse uma postura passiva, postergando e agravando os efeitos da crise, e deixando de tomar medidas que podem trazer um alívio das consequências nefastas da suspensão de atividades de ensino para a ampla maioria.

Cabe destacar que pesquisa realizada pela PROGRAD junto a 14964 alunos de graduação de diversos cursos da UFRGS, mostra que perto de 98% dos alunos possuem acesso à internet e a equipamentos (computador e/ou celular) para acompanhamento das atividades remotas. Esses resultados são semelhantes aos obtidos em pesquisa realizada pelo CEUE da Escola de Engenharia junto a 1809 alunos de cursos de engenharia, onde mais de 90% possuem equipamentos (computador e/ou celular) para acompanhamento de atividades remotas e manifestaram que seria possível fazer aulas a distância. Estão, ainda, de acordo com o constatado em diversas disciplinas que já tiveram 100% de adesão dos alunos e estão desenvolvendo trabalho em ERE com grande sucesso.

A Administração Central, através da PRAE, está lançando políticas de apoio para prover equipamentos e internet a uma parcela significativa de estudantes com condições mais vulneráveis para incrementar ainda mais as condições de acesso.

Diante de tais informações, reiteramos nosso entendimento que o caminho capaz de minimizar os prejuízos provocados pela pandemia passa pela retomada das atividades de ensino de forma remota, em consonância com o desejo da maioria dos alunos, e pela concentração de esforços em auxiliar aqueles que não possuem condições para o acompanhamento das aulas remotas, suprindo, na medida do possível, suas demandas de equipamento, acesso à internet e ambiente adequado para o ensino, dentro das possibilidades, espaço físico e recursos orçamentários disponíveis na Escola e na Universidade.

Destacamos que, compreendendo o desafio de uma nova realidade, a Escola de Engenharia vem trabalhando em diversas ações de suporte à adoção do ERE nos cursos de engenharias, a partir da Portaria 012/2020 e as orientações para docentes e COMGRADs sobre o regime ERE. A comissão especial do CONSUNI vem organizando diversas capacitações de docentes sobre o uso de ferramentas tecnológicas e Ambientes Virtuais de Aprendizagem para o ensino em regime ERE, com a parceria de diversos docentes, alunos de graduação e pós-graduação. Temos feito o máximo como comunidade para reduzir os impactos, e temos conseguido sucesso, consideradas as condições prevalentes.

A comunidade acadêmica da Escola de Engenharia foi consultada sobre o regime ERE, manifestando apoio expressivo ao mesmo. A maioria dos estudantes (cerca de 70%) já manifestava desejo de retomada de atividades antes mesmos de os Planos de Ensino Adaptados estarem à disposição dos mesmos. Atualmente, a EE está atuando com o ERE em várias disciplinas com adesão total dos alunos, demonstrando o interesse por essa modalidade.

A retomada do ERE não significa de forma alguma a remissão dos esforços de enfrentamento da pandemia. A Escola e a Universidade têm trabalhado intensamente para minimizar os efeitos da pandemia sobre a população, desenvolvendo em conjunto com outras unidades e empresas parceiras vários projetos de alto impacto no enfrentamento à Covid-19. Esses envolvem produção de EPIs, desenvolvimento de tecnologias de desinfecção, projetos de respiradores de alta complexidade e de baixo custo, monitoramento do ar, desinfecção de médicos paramentados, robôs de desinfecção de ambientes, desinfecção com drones de ambientes abertos e apoio a pequenos negócios.

A retomada das atividades em ERE não tira a determinação, ou afasta os recursos humanos ou materiais dessas iniciativas. O ERE conecta mais pessoas e potencializa que mais talentos da EE e da UFRGS se somem aos projetos em andamento, que vão continuar.

Cabe ressaltar que a UFRGS não está sozinha em sua decisão. Sistemas tipo ERE têm sido adotados, com sucesso, por diversas universidades de excelência no Brasil, na Europa, Estados Unidos e também na América Latina. 

Acreditamos que cabe à UFRGS, como uma instituição líder e reconhecida em nível nacional e internacional pela sua excelência, ser proativa e tomar decisões de forma ágil e propositiva para atender às diversas demandas da sociedade e da comunidade acadêmica. Se omitir e não reagir rápido frente à situação presente não condiz com nossa visão sobre o papel e capacidade da UFRGS como universidade pública de liderança e para com a sociedade.

Dessa forma, a Escola de Engenharia manifesta seu apoio ao ERE e sua preocupação com a obstaculização do processo de decisão em relação para sua plena implantação na UFRGS, que consideramos um desserviço à nossa comunidade.