Apoie o Coro Municipal de Caxias do Sul!


Apoie o Coro Municipal de Caxias do Sul!
O problema
Abaixo está redigida a manifestação da Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul, entregue ao Conselho Municipal de Política Cultural, à Câmara de Vereadores e à Secretaria Municipal da Cultura no dia 19 de novembro de 2025.
Ao fim do documento se coletaram 230 assinaturas em cinco dias para a entrega do documento na reunião.
A pauta foi retomada no dia 3 de dezembro e a vice-presidência da Associação deu à secretária um prazo de sete dias para a resposta às reivindicações, período esse que expirou e não se recebeu resposta alguma.
Tendo em vista a urgência da situação e o descaso da administração com todas as pessoas afetadas, faça-se público:
“Caxias do Sul, 07 de novembro de 2025
Ao/À:
Conselho Municipal de Política Cultural de Caxias do Sul
Câmara de Vereadores de Caxias do Sul
Sociedade Caxiense
Prezados presidentes e a quem possa interessar,
Às vésperas do aniversário de 50 anos do Coro Municipal de Caxias do Sul (CMCS), foi informado aos integrantes do grupo um abrupto corte orçamentário que afeta diretamente a programação artística da companhia, assim como também impacta diretamente os seus 38 integrantes, familiares e a comunidade caxiense em geral.
Em primeira instância, existia uma suposição de melhora nas condições de trabalho de 2024 para 2025, no entanto, a partir do decreto 23.895/2025, publicado no dia 13 de outubro de 2025, anunciaram-se restrições orçamentárias que viriam a atingir todo o corpo cultural da Secretaria Municipal da Cultura, através das medidas de contenção de despesas na administração pública no restante do ano de 2025.
Esse corte afetou 50% das atividades já planejadas do Coro, impactando na programação de Natal, assim como na celebração do Jubileu de 50 anos, na qual apresentar-se-iam obras de compositores locais e estrangeiros através de duas missas (composição musical, não liturgia), sendo elas: a Missa Breve, composta pelo maestro Gil de Roca Sales, falecido em 2024; e a Missa da Coroação (KV. 317), composta por Wolfgang A. Mozart.
Para termo de comparação, no ano de 2024 o CMCS realizou dez concertos de Natal, sendo eles dois concertos em conjunto com a Orquestra Municipal de Sopros, seis concertos solos, um concerto didático na EMEF Américo Ribeiro Mendes e um concerto contratado pelo Bazar Juntim. No entanto, a partir desse problema financeiro, em 2025 todas as ações de Natal que poderiam ser realizadas foram canceladas.
Vale ressaltar diversos fatores que são atingidos pelo corte:
1 - Por primeiro, impactam-se as ações formativas e cidadãs que são promovidas pelo Coro Municipal, sendo elas o Coro Sênior Municipal e o Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal.
O Coro Sênior foi planejado em maio e instituído em julho de 2024, e atende exclusivamente à população com mais de sessenta anos, promovendo um ambiente de lazer e desenvolvimento social tanto individual quanto coletivo de seus quarenta integrantes, sem pré-requisitos para ingresso. Desde sua criação, o Coro Sênior não recebeu nenhum tipo de aporte ou apoio específicos para o desenvolvimento de suas atividades.
Pensando no melhor desenvolvimento do trabalho do grupo, assim como na melhor forma de atender à população que o integra, componentes do Coro Municipal com formação em Música aceitaram o convite para compor a equipe do Coro Sênior e auxiliar nos ensaios e apresentações por um valor muito abaixo do valor de mercado. Dessa forma, a remuneração de sua equipe – composta por uma preparadora vocal e uma maestra assistente – é feita por meio do orçamento do próprio Coro Municipal.
O Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal foi planejado no fim de 2024 e instituído em abril de 2025, planejado inteiramente pela Unidade de Música e CMCS e, posteriormente, concretizado a partir do movimento conjunto entre a professora Dâmaris Agnes, maestra do Coro Cênico Encanta, e da vereadora Marisol Santos. O grupo atende a três escolas municipais diferentes, totalizando em sua abrangência quarenta crianças. Assim como o Coro Sênior, o Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal também não recebeu aporte dedicado à viabilização de suas atividades, fazendo com que sua maestra também receba através do orçamento do Coro Municipal.
O corte atinge diretamente a ambos os grupos, pois impossibilita a manutenção mínima esperada da estrutura e qualidade ofertadas pelos programas. Os dois projetos foram aceitos e incentivados pela SMC, porém em nenhum momento se garantiu a viabilidade financeira destes, sendo delegada a organização orçamentária à Unidade de Música.
2 - Por segundo, certamente não se leva em consideração a movimentação de público que acompanha o CMCS com assiduidade. Mesmo desde antes da pandemia em 2020, o Coro havia observado uma queda nas plateias em seus concertos, porém esse cenário teve grande reviravolta a partir de 2023, quando os trabalhos do Coro são retomados após um grande hiato sem um regente à frente.
Desde a contratação do atual maestro, o CMCS passou por uma grande mudança de identidade, alterando o seu perfil tanto musical quanto estético, atraindo assim uma nova gama de acompanhantes do trabalho que o grupo oferece, independentemente do repertório. Por exemplo, focando somente no ano de 2025, até o mês de outubro, foram realizadas ações diversas que movimentaram mais de duas mil pessoas, tanto em Caxias do Sul quanto fora, com concertos solos e participações em encontros de coros com convites dedicados especialmente ao Coro Municipal, demonstrando o reconhecimento do nível do trabalho que já transversa as fronteiras do município.
Além disso, o CMCS também realizou dois encontros de coros próprios: o Nostri Cantanti, focado especialmente nas celebrações dos 150 anos da imigração italiana, e o XXVI Canta Caxias, com público de 2.300 pessoas. Ambos os encontros tiveram participação de grupos da cidade e de fora, promovendo bastante movimentação cultural e financeira para os estabelecimentos nos redores da Casa da Cultura, também demonstrando o potencial que o grupo tem como uma atração e promotor turístico.
Também se ressalta que, nas audições para novos integrantes realizadas em 2025, foram registradas 95 inscrições para o processo seletivo, um número recorde que nunca havia acontecido, novamente demonstrando na prática a abrangência e crescimento do CMCS.
Um corte abrupto e desse nível põe em xeque todo o avanço que o Coro Municipal alcançou no decorrer desses anos, além de empobrecer a cena cultural da cidade, que outrora foi reconhecida como a capital nacional da cultura.
3 - Por terceiro, não se consideram os efeitos negativos na população quando se cortam grupos desse tipo. É de praxe a desconsideração pela cultura em momentos de instabilidade financeira e/ou administrativa, visto que o primeiro corte e o primeiro ataque são normalmente direcionados às atividades artísticas.
No entanto, são inúmeros os estudos que comprovam cientificamente que o canto coral tem impacto quantitativo na qualidade de vida, saúde corporal e saúde mental de seus participantes e comunidade. Para citar alguns, doravante referenciados corretamente na bibliografia: Os efeitos de cantar em grupo..., publicado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), Os benefícios do coral para a saúde – mente e corpo, publicado pela Sabra (Sociedade Artística Brasileira) e O canto aplicado à saúde…, publicado pela UBAM (União Brasileira das Associações de Musicoterapia).
Ao se tentar controlar os gastos atacando primeiramente os grupos artísticos, a administração atinge diretamente a saúde e bem-estar de seus integrantes. Sem levar em consideração os benefícios que uma atividade como o canto coral garante, os valores “economizados” são gastos posteriormente em remediações, ao invés de evitar os problemas.
Na população idosa, como a abrangida pelo Coro Sênior, os efeitos do canto coral são bastante estudados e demonstrados, assim como em públicos mais vulneráveis tanto social quanto economicamente, como os abrangidos pelo Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal. Os efeitos do descaso com esses integrantes terão efeitos quantitativos a médio e longo prazos.
4 - Por quarto, o corte demonstra as prioridades da administração, além das inconsistências das informações divulgadas ao grupo e à sociedade. No mesmo ano em que são criados 15 cargos em comissão destinados a secretárias e secretários adjuntos; no mesmo ano em que o município apresenta um superavit orçamentário de R$ 204 milhões, apresentado aos vereadores mesmo que sem a possibilidade de uso imediato; no mesmo ano em que se anunciam atrações de fora da cidade para “abrilhantar” as programações de Natal do município, tolhem-se os orçamentos já empenhados aos grupos culturais mantidos pela SMC.
Somente no mês de outubro, as remunerações dos secretários adjuntos totalizaram R$173.308,09, o suficiente para garantir as atividades do Coro Municipal até o fim do ano, com todas as suas programações e celebrações. Por óbvio que não compete à Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul avaliar a necessidade ou competência do secretariado da administração, porém em um momento em que os cofres públicos estão, alegadamente, deficitários, convém, sim, que questionemos as prioridades da administração quanto às suas finanças.
Também é próprio de se ressaltar que, desde 1997, os pagamentos dos jetons não tiveram aumento fora da inflação. Dessa forma, mesmo com o auxílio financeiro que o Coro oferta aos seus integrantes, o valor total que o grupo “custa” à prefeitura é muito baixo, especialmente se comparado a outras ações de menor prazo e abrangência. O jetom foi criado como um diferencial que somente a cidade de Caxias do Sul oferece aos seus coralistas no estado inteiro, porém hoje é utilizado como argumento contra seus participantes – tendo em vista a exclusividade dos pagamentos, quaisquer reivindicações de aumento são recebidas com a pobre argumentação de que não é necessária a reclamação, uma vez que os coristas já recebem um valor para estarem ali, como visto nas assembleias da Associação com a secretaria nos anos de 2013, 2014 e 2017.
Porém, outro fator que deve ser considerado é que, mesmo o Coro Municipal tendo sua remuneração, o seu elenco deixa de desempenhar quaisquer outras atividades em outros contextos, que inclusive teriam remuneração superior, focando sempre no objetivo final da manutenção da marca “Coro Municipal de Caxias do Sul” e de sua excelência artística.
O argumento da administração sobre o pagamento dos cantores é muito frágil e superficial, pois quando se consideram outros grupos profissionais pagos do país, como por exemplo o Coral Paulistano, que remunera a seus integrantes com um salário mensal bruto de R$11.710,87 ou o Coro da OSESP, R$10.891,00, nota-se que os valores pagos aos cantores de Caxias do Sul não são comparáveis aos de mercado. Se a administração da SMC se empoleira com a ideia de ter o único coral pago do estado a ponto de usar esse fato como argumento contra o próprio grupo, talvez também devesse levar em consideração que o valor irrisório ofertado não é tamanho argumento como se espera.
Em termos dos transportes para apresentações fora da cidade, o elenco do CMCS foi informado ainda no ano de 2024 que se enviara as licitações para ônibus visando o ano de 2025 inteiro, porém conforme as apresentações eram confirmadas, foi somente cedido um transporte dentro da dotação financeira. O restante dos transportes foi feito com veículos particulares do próprio elenco, como para o encontro realizado no município de Imigrante, ou através de fretamento particular de ônibus, como para os encontros nos municípios de Dois Irmãos e Porto Alegre.
5 - Por quinto, enfim, também se ressalta a ausência de informações concretas e determinísticas quanto ao que se poderia esperar para o ano de 2025 e, agora, de 2026. Já nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, não se teve notícias de quando os trabalhos do grupo seriam retomados, pós o período eleitoral.
Uma das suposições a fim de justificar a demora do início das atividades foi a de tentativa de substituição do maestro atual, sem motivo e sem sucesso, que não apenas atrasaria a agenda anual do grupo, como também alteraria novamente o trabalho de base já realizado nos anos anteriores, sem ter em mente o desenvolvimento artístico já realizado pelo CMCS e sua direção.
Após o mês de julho, informou-se aos cantores que houve uma diminuição nas atividades previstas, mesmo o CMCS permanecendo dentro do planejamento anual entregue à secretaria. A notícia foi recebida com surpresa, visto que em todos os períodos de atividade do Coro em 2025, utilizaram-se valores abaixo do que se havia previsto. No entanto, novamente contando com a agilidade e prestatividade da gerência da Unidade de Música, realizaram-se ajustes aos orçamentos e atividades previstas de modo a acomodar o CMCS ao valor restante empenhado.
Em outubro, frente a informação de que se realizariam cortes bruscos ao restante das atividades do ano, e especialmente tendo em vista a matéria publicada no Instagram pelo portal Sabe Caxias, que anunciava o risco de fechamento do Coro às vésperas do seu Jubileu de 50 anos, a Secretaria da Cultura publicou uma nota em seu próprio Instagram contestando a matéria.
Essa nota, depois republicada também pelo perfil oficial do CMCS, anunciava que as informações do portal Sabe Caxias eram inverídicas e de que as atividades do Coro seguiriam sem alterações, causando surpresa dentre o elenco do grupo, visto que a informação sobre os cortes havia procedido da própria secretaria, e confirmada no dia 30 de outubro.
Também se solicitou ao maestro que apresentasse a previsão orçamentária do ano de 2026, de forma a possibilitar que os integrantes do Coro Municipal possam fazer seus planejamentos financeiros futuros, com a esperança de que não haja outros “imprevistos orçamentários” da administração, porém nos foi informado que, mesmo já tendo aprovadas a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, ainda não há informações quanto ao orçamento oficial da secretaria dedicado ao CMCS até a data da redação deste documento.
Tendo como base as informações citadas acima e as incertezas por elas causadas, assim como contando com o apoio do Conselho Municipal de Política Cultural de Caxias do Sul, a Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul reivindica:
I. Uma declaração oficial, pública e com referências aos decretos que resultaram nas decisões da Secretaria Municipal da Cultura, que informe os motivos e os valores do corte orçamentário sofrido em outubro de 2025;
II. Já supondo a impossibilidade de reversão do caso no ano atual, reivindica a garantia e segurança quanto ao orçamento sustentável para os 12 meses de 2026, além da celebração dos 50 anos do Coro Municipal de Caxias do Sul;
III. A manutenção do Coro Sênior Municipal e sua equipe, além da vinculação oficial do grupo à Unidade de Música da Secretaria da Cultura;
IV. Um aporte específico ao Coro Sênior Municipal, de forma a incentivar a continuidade dos trabalhos do grupo sem impacto direto no orçamento do Coro Municipal;
V. A manutenção do Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal e sua equipe;
VI. Um aporte específico ao Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal, de forma a incentivar a continuidade dos trabalhos do grupo sem impacto direto no orçamento do Coro Municipal;
VII. O reconhecimento da importância do Coro Municipal de Caxias do Sul como companhia artística, formador de plateia, patrimônio cultural imaterial do município e formador de profissionais da música;
VIII. A transparência de todas as informações que possam afetar o desempenho do CMCS, seja artística ou financeiramente, com antecedência e dinamismo;
IX. O devido respeito a todos os integrantes dos grupos citados acima, visto que cada indivíduo que integra esses elencos é uma pessoa digna e representante da cidade, e não apenas um número em uma tabela de valores;
X. Que não mais se considerem as atividades culturais da cidade apenas como outro modo de obtenção de lucro, mais sim como incrementos sociais inexoráveis e insubstituíveis que elevam o indivíduo, a população, o nome do município e da região.
BIBLIOGRAFIA:
GODOI, Maria Clara Perrut de. Os efeitos de cantar em grupo e um panorama geral das pesquisas brasileiras sobre os efeitos neurológicos e motivacionais do Canto Coral. 2022. 34 f. TCC (Graduação) - Curso de Música, Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/1d185224-cdf1-482b-ab0e-0cc845f9061e/content Acesso em: 05 nov. 2025.
PONTES, Márcio Miranda. Os benefícios do coral para a saúde – mente e corpo. Betim, 30 ago. 2017. Disponível em: https://www.sabra.org.br/site/os-beneficios-do-coral-para-a-saude-mente-e-corpo/ Acesso em: 05 nov. 2025.
VELOSO, Carolina; BRANDALISE, André. O CANTO APLICADO À SAÚDE: uma revisão sistemática da literatura entre os anos de 2011 e 2016. Revista Brasileira de Musicoterapia, v. 20, n. 24, p. 45-71, 2018. Disponível em: https://musicoterapia.revistademusicoterapia.mus.br/index.php/rbmt/issue/view/29/25 Acesso em: 05 nov. 2025.”.
O corte financeiro às Companhias Municipais (Coro, Orquestra e Cia. de Dança) afeta diretamente aos seus integrantes e familiares, porém o prejuízo à cidade de Caxias do Sul e toda a região são sentidos por todos, direta ou indiretamente.
Após a redação do abaixo-assinado, o Coro Municipal recebeu a previsão do orçamento de 2026, que terá um corte de mais de 60% do valor 2025. Com essa estimativa, o CMCS conseguirá se sustentar até o mês de abril com todas as suas atividades, ou até no máximo julho se cortar ensaios, apresentações e eventos do grupo.
Assine e ajude a pressionar o poder público por respostas e soluções! Não podemos nos calar frente ao descaso com a cultura da cidade mais uma vez!

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O problema
Abaixo está redigida a manifestação da Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul, entregue ao Conselho Municipal de Política Cultural, à Câmara de Vereadores e à Secretaria Municipal da Cultura no dia 19 de novembro de 2025.
Ao fim do documento se coletaram 230 assinaturas em cinco dias para a entrega do documento na reunião.
A pauta foi retomada no dia 3 de dezembro e a vice-presidência da Associação deu à secretária um prazo de sete dias para a resposta às reivindicações, período esse que expirou e não se recebeu resposta alguma.
Tendo em vista a urgência da situação e o descaso da administração com todas as pessoas afetadas, faça-se público:
“Caxias do Sul, 07 de novembro de 2025
Ao/À:
Conselho Municipal de Política Cultural de Caxias do Sul
Câmara de Vereadores de Caxias do Sul
Sociedade Caxiense
Prezados presidentes e a quem possa interessar,
Às vésperas do aniversário de 50 anos do Coro Municipal de Caxias do Sul (CMCS), foi informado aos integrantes do grupo um abrupto corte orçamentário que afeta diretamente a programação artística da companhia, assim como também impacta diretamente os seus 38 integrantes, familiares e a comunidade caxiense em geral.
Em primeira instância, existia uma suposição de melhora nas condições de trabalho de 2024 para 2025, no entanto, a partir do decreto 23.895/2025, publicado no dia 13 de outubro de 2025, anunciaram-se restrições orçamentárias que viriam a atingir todo o corpo cultural da Secretaria Municipal da Cultura, através das medidas de contenção de despesas na administração pública no restante do ano de 2025.
Esse corte afetou 50% das atividades já planejadas do Coro, impactando na programação de Natal, assim como na celebração do Jubileu de 50 anos, na qual apresentar-se-iam obras de compositores locais e estrangeiros através de duas missas (composição musical, não liturgia), sendo elas: a Missa Breve, composta pelo maestro Gil de Roca Sales, falecido em 2024; e a Missa da Coroação (KV. 317), composta por Wolfgang A. Mozart.
Para termo de comparação, no ano de 2024 o CMCS realizou dez concertos de Natal, sendo eles dois concertos em conjunto com a Orquestra Municipal de Sopros, seis concertos solos, um concerto didático na EMEF Américo Ribeiro Mendes e um concerto contratado pelo Bazar Juntim. No entanto, a partir desse problema financeiro, em 2025 todas as ações de Natal que poderiam ser realizadas foram canceladas.
Vale ressaltar diversos fatores que são atingidos pelo corte:
1 - Por primeiro, impactam-se as ações formativas e cidadãs que são promovidas pelo Coro Municipal, sendo elas o Coro Sênior Municipal e o Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal.
O Coro Sênior foi planejado em maio e instituído em julho de 2024, e atende exclusivamente à população com mais de sessenta anos, promovendo um ambiente de lazer e desenvolvimento social tanto individual quanto coletivo de seus quarenta integrantes, sem pré-requisitos para ingresso. Desde sua criação, o Coro Sênior não recebeu nenhum tipo de aporte ou apoio específicos para o desenvolvimento de suas atividades.
Pensando no melhor desenvolvimento do trabalho do grupo, assim como na melhor forma de atender à população que o integra, componentes do Coro Municipal com formação em Música aceitaram o convite para compor a equipe do Coro Sênior e auxiliar nos ensaios e apresentações por um valor muito abaixo do valor de mercado. Dessa forma, a remuneração de sua equipe – composta por uma preparadora vocal e uma maestra assistente – é feita por meio do orçamento do próprio Coro Municipal.
O Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal foi planejado no fim de 2024 e instituído em abril de 2025, planejado inteiramente pela Unidade de Música e CMCS e, posteriormente, concretizado a partir do movimento conjunto entre a professora Dâmaris Agnes, maestra do Coro Cênico Encanta, e da vereadora Marisol Santos. O grupo atende a três escolas municipais diferentes, totalizando em sua abrangência quarenta crianças. Assim como o Coro Sênior, o Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal também não recebeu aporte dedicado à viabilização de suas atividades, fazendo com que sua maestra também receba através do orçamento do Coro Municipal.
O corte atinge diretamente a ambos os grupos, pois impossibilita a manutenção mínima esperada da estrutura e qualidade ofertadas pelos programas. Os dois projetos foram aceitos e incentivados pela SMC, porém em nenhum momento se garantiu a viabilidade financeira destes, sendo delegada a organização orçamentária à Unidade de Música.
2 - Por segundo, certamente não se leva em consideração a movimentação de público que acompanha o CMCS com assiduidade. Mesmo desde antes da pandemia em 2020, o Coro havia observado uma queda nas plateias em seus concertos, porém esse cenário teve grande reviravolta a partir de 2023, quando os trabalhos do Coro são retomados após um grande hiato sem um regente à frente.
Desde a contratação do atual maestro, o CMCS passou por uma grande mudança de identidade, alterando o seu perfil tanto musical quanto estético, atraindo assim uma nova gama de acompanhantes do trabalho que o grupo oferece, independentemente do repertório. Por exemplo, focando somente no ano de 2025, até o mês de outubro, foram realizadas ações diversas que movimentaram mais de duas mil pessoas, tanto em Caxias do Sul quanto fora, com concertos solos e participações em encontros de coros com convites dedicados especialmente ao Coro Municipal, demonstrando o reconhecimento do nível do trabalho que já transversa as fronteiras do município.
Além disso, o CMCS também realizou dois encontros de coros próprios: o Nostri Cantanti, focado especialmente nas celebrações dos 150 anos da imigração italiana, e o XXVI Canta Caxias, com público de 2.300 pessoas. Ambos os encontros tiveram participação de grupos da cidade e de fora, promovendo bastante movimentação cultural e financeira para os estabelecimentos nos redores da Casa da Cultura, também demonstrando o potencial que o grupo tem como uma atração e promotor turístico.
Também se ressalta que, nas audições para novos integrantes realizadas em 2025, foram registradas 95 inscrições para o processo seletivo, um número recorde que nunca havia acontecido, novamente demonstrando na prática a abrangência e crescimento do CMCS.
Um corte abrupto e desse nível põe em xeque todo o avanço que o Coro Municipal alcançou no decorrer desses anos, além de empobrecer a cena cultural da cidade, que outrora foi reconhecida como a capital nacional da cultura.
3 - Por terceiro, não se consideram os efeitos negativos na população quando se cortam grupos desse tipo. É de praxe a desconsideração pela cultura em momentos de instabilidade financeira e/ou administrativa, visto que o primeiro corte e o primeiro ataque são normalmente direcionados às atividades artísticas.
No entanto, são inúmeros os estudos que comprovam cientificamente que o canto coral tem impacto quantitativo na qualidade de vida, saúde corporal e saúde mental de seus participantes e comunidade. Para citar alguns, doravante referenciados corretamente na bibliografia: Os efeitos de cantar em grupo..., publicado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), Os benefícios do coral para a saúde – mente e corpo, publicado pela Sabra (Sociedade Artística Brasileira) e O canto aplicado à saúde…, publicado pela UBAM (União Brasileira das Associações de Musicoterapia).
Ao se tentar controlar os gastos atacando primeiramente os grupos artísticos, a administração atinge diretamente a saúde e bem-estar de seus integrantes. Sem levar em consideração os benefícios que uma atividade como o canto coral garante, os valores “economizados” são gastos posteriormente em remediações, ao invés de evitar os problemas.
Na população idosa, como a abrangida pelo Coro Sênior, os efeitos do canto coral são bastante estudados e demonstrados, assim como em públicos mais vulneráveis tanto social quanto economicamente, como os abrangidos pelo Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal. Os efeitos do descaso com esses integrantes terão efeitos quantitativos a médio e longo prazos.
4 - Por quarto, o corte demonstra as prioridades da administração, além das inconsistências das informações divulgadas ao grupo e à sociedade. No mesmo ano em que são criados 15 cargos em comissão destinados a secretárias e secretários adjuntos; no mesmo ano em que o município apresenta um superavit orçamentário de R$ 204 milhões, apresentado aos vereadores mesmo que sem a possibilidade de uso imediato; no mesmo ano em que se anunciam atrações de fora da cidade para “abrilhantar” as programações de Natal do município, tolhem-se os orçamentos já empenhados aos grupos culturais mantidos pela SMC.
Somente no mês de outubro, as remunerações dos secretários adjuntos totalizaram R$173.308,09, o suficiente para garantir as atividades do Coro Municipal até o fim do ano, com todas as suas programações e celebrações. Por óbvio que não compete à Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul avaliar a necessidade ou competência do secretariado da administração, porém em um momento em que os cofres públicos estão, alegadamente, deficitários, convém, sim, que questionemos as prioridades da administração quanto às suas finanças.
Também é próprio de se ressaltar que, desde 1997, os pagamentos dos jetons não tiveram aumento fora da inflação. Dessa forma, mesmo com o auxílio financeiro que o Coro oferta aos seus integrantes, o valor total que o grupo “custa” à prefeitura é muito baixo, especialmente se comparado a outras ações de menor prazo e abrangência. O jetom foi criado como um diferencial que somente a cidade de Caxias do Sul oferece aos seus coralistas no estado inteiro, porém hoje é utilizado como argumento contra seus participantes – tendo em vista a exclusividade dos pagamentos, quaisquer reivindicações de aumento são recebidas com a pobre argumentação de que não é necessária a reclamação, uma vez que os coristas já recebem um valor para estarem ali, como visto nas assembleias da Associação com a secretaria nos anos de 2013, 2014 e 2017.
Porém, outro fator que deve ser considerado é que, mesmo o Coro Municipal tendo sua remuneração, o seu elenco deixa de desempenhar quaisquer outras atividades em outros contextos, que inclusive teriam remuneração superior, focando sempre no objetivo final da manutenção da marca “Coro Municipal de Caxias do Sul” e de sua excelência artística.
O argumento da administração sobre o pagamento dos cantores é muito frágil e superficial, pois quando se consideram outros grupos profissionais pagos do país, como por exemplo o Coral Paulistano, que remunera a seus integrantes com um salário mensal bruto de R$11.710,87 ou o Coro da OSESP, R$10.891,00, nota-se que os valores pagos aos cantores de Caxias do Sul não são comparáveis aos de mercado. Se a administração da SMC se empoleira com a ideia de ter o único coral pago do estado a ponto de usar esse fato como argumento contra o próprio grupo, talvez também devesse levar em consideração que o valor irrisório ofertado não é tamanho argumento como se espera.
Em termos dos transportes para apresentações fora da cidade, o elenco do CMCS foi informado ainda no ano de 2024 que se enviara as licitações para ônibus visando o ano de 2025 inteiro, porém conforme as apresentações eram confirmadas, foi somente cedido um transporte dentro da dotação financeira. O restante dos transportes foi feito com veículos particulares do próprio elenco, como para o encontro realizado no município de Imigrante, ou através de fretamento particular de ônibus, como para os encontros nos municípios de Dois Irmãos e Porto Alegre.
5 - Por quinto, enfim, também se ressalta a ausência de informações concretas e determinísticas quanto ao que se poderia esperar para o ano de 2025 e, agora, de 2026. Já nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, não se teve notícias de quando os trabalhos do grupo seriam retomados, pós o período eleitoral.
Uma das suposições a fim de justificar a demora do início das atividades foi a de tentativa de substituição do maestro atual, sem motivo e sem sucesso, que não apenas atrasaria a agenda anual do grupo, como também alteraria novamente o trabalho de base já realizado nos anos anteriores, sem ter em mente o desenvolvimento artístico já realizado pelo CMCS e sua direção.
Após o mês de julho, informou-se aos cantores que houve uma diminuição nas atividades previstas, mesmo o CMCS permanecendo dentro do planejamento anual entregue à secretaria. A notícia foi recebida com surpresa, visto que em todos os períodos de atividade do Coro em 2025, utilizaram-se valores abaixo do que se havia previsto. No entanto, novamente contando com a agilidade e prestatividade da gerência da Unidade de Música, realizaram-se ajustes aos orçamentos e atividades previstas de modo a acomodar o CMCS ao valor restante empenhado.
Em outubro, frente a informação de que se realizariam cortes bruscos ao restante das atividades do ano, e especialmente tendo em vista a matéria publicada no Instagram pelo portal Sabe Caxias, que anunciava o risco de fechamento do Coro às vésperas do seu Jubileu de 50 anos, a Secretaria da Cultura publicou uma nota em seu próprio Instagram contestando a matéria.
Essa nota, depois republicada também pelo perfil oficial do CMCS, anunciava que as informações do portal Sabe Caxias eram inverídicas e de que as atividades do Coro seguiriam sem alterações, causando surpresa dentre o elenco do grupo, visto que a informação sobre os cortes havia procedido da própria secretaria, e confirmada no dia 30 de outubro.
Também se solicitou ao maestro que apresentasse a previsão orçamentária do ano de 2026, de forma a possibilitar que os integrantes do Coro Municipal possam fazer seus planejamentos financeiros futuros, com a esperança de que não haja outros “imprevistos orçamentários” da administração, porém nos foi informado que, mesmo já tendo aprovadas a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, ainda não há informações quanto ao orçamento oficial da secretaria dedicado ao CMCS até a data da redação deste documento.
Tendo como base as informações citadas acima e as incertezas por elas causadas, assim como contando com o apoio do Conselho Municipal de Política Cultural de Caxias do Sul, a Associação de Cantores e Amigos do Coral Municipal de Caxias do Sul reivindica:
I. Uma declaração oficial, pública e com referências aos decretos que resultaram nas decisões da Secretaria Municipal da Cultura, que informe os motivos e os valores do corte orçamentário sofrido em outubro de 2025;
II. Já supondo a impossibilidade de reversão do caso no ano atual, reivindica a garantia e segurança quanto ao orçamento sustentável para os 12 meses de 2026, além da celebração dos 50 anos do Coro Municipal de Caxias do Sul;
III. A manutenção do Coro Sênior Municipal e sua equipe, além da vinculação oficial do grupo à Unidade de Música da Secretaria da Cultura;
IV. Um aporte específico ao Coro Sênior Municipal, de forma a incentivar a continuidade dos trabalhos do grupo sem impacto direto no orçamento do Coro Municipal;
V. A manutenção do Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal e sua equipe;
VI. Um aporte específico ao Projeto de Canto Coral Infantojuvenil Municipal, de forma a incentivar a continuidade dos trabalhos do grupo sem impacto direto no orçamento do Coro Municipal;
VII. O reconhecimento da importância do Coro Municipal de Caxias do Sul como companhia artística, formador de plateia, patrimônio cultural imaterial do município e formador de profissionais da música;
VIII. A transparência de todas as informações que possam afetar o desempenho do CMCS, seja artística ou financeiramente, com antecedência e dinamismo;
IX. O devido respeito a todos os integrantes dos grupos citados acima, visto que cada indivíduo que integra esses elencos é uma pessoa digna e representante da cidade, e não apenas um número em uma tabela de valores;
X. Que não mais se considerem as atividades culturais da cidade apenas como outro modo de obtenção de lucro, mais sim como incrementos sociais inexoráveis e insubstituíveis que elevam o indivíduo, a população, o nome do município e da região.
BIBLIOGRAFIA:
GODOI, Maria Clara Perrut de. Os efeitos de cantar em grupo e um panorama geral das pesquisas brasileiras sobre os efeitos neurológicos e motivacionais do Canto Coral. 2022. 34 f. TCC (Graduação) - Curso de Música, Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/1d185224-cdf1-482b-ab0e-0cc845f9061e/content Acesso em: 05 nov. 2025.
PONTES, Márcio Miranda. Os benefícios do coral para a saúde – mente e corpo. Betim, 30 ago. 2017. Disponível em: https://www.sabra.org.br/site/os-beneficios-do-coral-para-a-saude-mente-e-corpo/ Acesso em: 05 nov. 2025.
VELOSO, Carolina; BRANDALISE, André. O CANTO APLICADO À SAÚDE: uma revisão sistemática da literatura entre os anos de 2011 e 2016. Revista Brasileira de Musicoterapia, v. 20, n. 24, p. 45-71, 2018. Disponível em: https://musicoterapia.revistademusicoterapia.mus.br/index.php/rbmt/issue/view/29/25 Acesso em: 05 nov. 2025.”.
O corte financeiro às Companhias Municipais (Coro, Orquestra e Cia. de Dança) afeta diretamente aos seus integrantes e familiares, porém o prejuízo à cidade de Caxias do Sul e toda a região são sentidos por todos, direta ou indiretamente.
Após a redação do abaixo-assinado, o Coro Municipal recebeu a previsão do orçamento de 2026, que terá um corte de mais de 60% do valor 2025. Com essa estimativa, o CMCS conseguirá se sustentar até o mês de abril com todas as suas atividades, ou até no máximo julho se cortar ensaios, apresentações e eventos do grupo.
Assine e ajude a pressionar o poder público por respostas e soluções! Não podemos nos calar frente ao descaso com a cultura da cidade mais uma vez!

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Abaixo-assinado criado em 9 de dezembro de 2025