Abaixo-assinado contra as recentes mudanças na escola pública de música

O problema

Nós, professores, estudantes e funcionários da escola pública de música, viemos, por meio desse abaixo-assinado, pedir a reversão das demissões do assessor pedagógico, David Calandrine, e do coordenador administrativo, Márcio Lima. Também viemos manifestar apoio irrestrito aos dois funcionários.

A Escola pública de música é hoje um projeto compartilhado entre toda a comunidade discente e docente, mas foi, inicialmente, idealizada por essas duas figuras fundamentais, que não se acomodaram sobre o travesseiro da preguiça do agir e do pensar. Foram eles que buscaram se articular com autoridades públicas para transformar esse projeto em uma materialização institucional, apesar de toda a complexidade de tal empreitada. Para os que conhecem essas duas figuras a mais tempo, sabe do compromisso deles com uma formação musical democrática. São dois funcionários que têm aproximadamente 30 anos de experiência administrativa e educacional no campo da música, sendo duas pessoas atuantes na coordenação e administração de uma das principais instituições de ensino em música do Ceará. 

Também consideramos que a instituição é a materialização de um projeto de formação, que se perde com a saída daqueles que a idealizaram. Não podemos esquecer que a primeira turma da escola ainda não se formou. Pensamos que a riqueza da sensibilidade musical é em parte cultivada, é em parte criada. É totalmente incoerente e pedestre a decisão de romper com um projeto de formação no meio do caminho. Presenciamos nos últimos recitais todo o empenho e cuidado que o professor David Calandrine teve em compor os arranjos, além de ensaiar com os alunos e os professores até em dias de domingo. Também não podemos esquecer que em nenhuma semana ficamos sem eventos com convidados, também idealizados e articulados por esses dois trabalhadores. 

Como diz um filósofo brasileiro, interpretar música é procurar “respirar da mesma forma que o outro. Só assim pode-se realmente tocar com mais alguém [...]. Olhar para o outro não apenas como quem marca o tempo de entrada, mas como quem lhe entrega sua respiração, como quem convence o outro de que ele respira da mesma forma que você. Nem sempre funciona, mas funciona às vezes. Então você acha os gestos, ouve as frases, incorpora o que há de fundamental nos corpos, ou seja, o tempo de seus movimentos. Esse tempo que tem sem saber, que parece se costurar às nossas costas”. Ou seja, a formação musical não é algo que se dá sem a relação com o outro, além de ser uma influência que se impõe silenciosamente e se revela a posteriori. Agora, nesse momento de ruptura, esse projeto fica ainda mais claro por sua perda. O atual projeto pedagógico tem como marca fundamental um sentimento de formação comunitário, que agora está sob risco. 

Além disso, existem aproximadamente 600 alunos, 17 professores e 7 funcionários que constituem o corpo da escola. Nesse momento, nenhum deles está deliberando sobre a mudança da direção administrativa e pedagógica da escola. Não podemos tergiversar diante do que nos mostra a situação: trata-se de um erro político-institucional grave não levar em consideração o que o corpo institucional pensa acerca das mudanças estruturais no funcionamento da escola, o que expressa uma ausência de preocupação real com a qualidade da nossa escola e com o desenvolvimento integral dos nossos alunos.  A demissão é injusta não só com os dois funcionários em questão, mas é também um desrespeito com todo o corpo que compõe a escola. Ela descarta trabalhadores dedicados e fere a nossa história.

Não podemos ser coniventes com uma demissão sem uma justificativa plausível, que desrespeita os dois funcionários em questão, desprestigia todo o corpo docente e discente da Escola e coloca em risco o formato transparente e democrático da instituição. Até o momento não foi apresentada nenhuma motivação legítima que justificasse a demissão. Pedimos também mais recursos para melhorar a infraestrutura da escola. Além disso, a escola tem apresentado bons números de adesão. Dessa forma, convidamos aos alunos e a sociedade civil a assinar nossa manifestação.

Solicitamos, ainda, o fortalecimento dos investimentos na infraestrutura da escola, garantindo condições dignas e seguras para o ensino e a aprendizagem. Reivindicamos também mais autonomia para a equipe escolar deliberar acerca das demandas internas, respeitando a experiência e o compromisso dos profissionais que atuam diretamente na escola. Defendemos uma gestão democrática, que valorize o protagonismo dos docentes e discentes.

Também manifestamos nossa preocupação e apoio à manutenção do corpo docente atual da escola. Acreditamos que a estabilidade e a experiência dos professores são essenciais para garantir a qualidade do ensino e o bom funcionamento da escola.

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Jessika CarmoCriador do abaixo-assinado
Vitória
Este abaixo-assinado foi vitorioso com 1.195 apoiadores!

O problema

Nós, professores, estudantes e funcionários da escola pública de música, viemos, por meio desse abaixo-assinado, pedir a reversão das demissões do assessor pedagógico, David Calandrine, e do coordenador administrativo, Márcio Lima. Também viemos manifestar apoio irrestrito aos dois funcionários.

A Escola pública de música é hoje um projeto compartilhado entre toda a comunidade discente e docente, mas foi, inicialmente, idealizada por essas duas figuras fundamentais, que não se acomodaram sobre o travesseiro da preguiça do agir e do pensar. Foram eles que buscaram se articular com autoridades públicas para transformar esse projeto em uma materialização institucional, apesar de toda a complexidade de tal empreitada. Para os que conhecem essas duas figuras a mais tempo, sabe do compromisso deles com uma formação musical democrática. São dois funcionários que têm aproximadamente 30 anos de experiência administrativa e educacional no campo da música, sendo duas pessoas atuantes na coordenação e administração de uma das principais instituições de ensino em música do Ceará. 

Também consideramos que a instituição é a materialização de um projeto de formação, que se perde com a saída daqueles que a idealizaram. Não podemos esquecer que a primeira turma da escola ainda não se formou. Pensamos que a riqueza da sensibilidade musical é em parte cultivada, é em parte criada. É totalmente incoerente e pedestre a decisão de romper com um projeto de formação no meio do caminho. Presenciamos nos últimos recitais todo o empenho e cuidado que o professor David Calandrine teve em compor os arranjos, além de ensaiar com os alunos e os professores até em dias de domingo. Também não podemos esquecer que em nenhuma semana ficamos sem eventos com convidados, também idealizados e articulados por esses dois trabalhadores. 

Como diz um filósofo brasileiro, interpretar música é procurar “respirar da mesma forma que o outro. Só assim pode-se realmente tocar com mais alguém [...]. Olhar para o outro não apenas como quem marca o tempo de entrada, mas como quem lhe entrega sua respiração, como quem convence o outro de que ele respira da mesma forma que você. Nem sempre funciona, mas funciona às vezes. Então você acha os gestos, ouve as frases, incorpora o que há de fundamental nos corpos, ou seja, o tempo de seus movimentos. Esse tempo que tem sem saber, que parece se costurar às nossas costas”. Ou seja, a formação musical não é algo que se dá sem a relação com o outro, além de ser uma influência que se impõe silenciosamente e se revela a posteriori. Agora, nesse momento de ruptura, esse projeto fica ainda mais claro por sua perda. O atual projeto pedagógico tem como marca fundamental um sentimento de formação comunitário, que agora está sob risco. 

Além disso, existem aproximadamente 600 alunos, 17 professores e 7 funcionários que constituem o corpo da escola. Nesse momento, nenhum deles está deliberando sobre a mudança da direção administrativa e pedagógica da escola. Não podemos tergiversar diante do que nos mostra a situação: trata-se de um erro político-institucional grave não levar em consideração o que o corpo institucional pensa acerca das mudanças estruturais no funcionamento da escola, o que expressa uma ausência de preocupação real com a qualidade da nossa escola e com o desenvolvimento integral dos nossos alunos.  A demissão é injusta não só com os dois funcionários em questão, mas é também um desrespeito com todo o corpo que compõe a escola. Ela descarta trabalhadores dedicados e fere a nossa história.

Não podemos ser coniventes com uma demissão sem uma justificativa plausível, que desrespeita os dois funcionários em questão, desprestigia todo o corpo docente e discente da Escola e coloca em risco o formato transparente e democrático da instituição. Até o momento não foi apresentada nenhuma motivação legítima que justificasse a demissão. Pedimos também mais recursos para melhorar a infraestrutura da escola. Além disso, a escola tem apresentado bons números de adesão. Dessa forma, convidamos aos alunos e a sociedade civil a assinar nossa manifestação.

Solicitamos, ainda, o fortalecimento dos investimentos na infraestrutura da escola, garantindo condições dignas e seguras para o ensino e a aprendizagem. Reivindicamos também mais autonomia para a equipe escolar deliberar acerca das demandas internas, respeitando a experiência e o compromisso dos profissionais que atuam diretamente na escola. Defendemos uma gestão democrática, que valorize o protagonismo dos docentes e discentes.

Também manifestamos nossa preocupação e apoio à manutenção do corpo docente atual da escola. Acreditamos que a estabilidade e a experiência dos professores são essenciais para garantir a qualidade do ensino e o bom funcionamento da escola.

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Jessika CarmoCriador do abaixo-assinado

Vitória

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Abaixo-assinado criado em 17 de abril de 2025