

A caminhada em direção a um currículo de Design verdadeiramente antirracista e decolonial no CEART/UDESC vem sendo marcada por conquistas significativas e pela abertura de novas perspectivas. Desde a publicação deste manifesto, pudemos observar avanços notáveis que atendem às exigências propostas, ainda que o caminho a percorrer seja longo e requeira constante vigilância.
Entre os pontos mais positivos, destacamos a criação das disciplinas “Diversidades Estéticas e Design Contemporâneo” e Tópicos Especiais, um passo crucial para incorporar a pluralidade de expressões culturais e étnico-raciais no ensino do design. Essa matéria inaugura um espaço dedicado a discutir a multiplicidade estética e a desconstruir os cânones eurocêntricos que ainda dominam grande parte da área. A presença dessa disciplina na grade curricular é um indicativo de que o curso está atento à necessidade de reformular seu enfoque, permitindo que os estudantes tenham contato com vozes e histórias que antes eram marginalizadas.
Além disso, o conteúdo da matéria “Design e Sociedade” foi ampliado para contemplar de forma mais direta e aprofundada as questões raciais e de diversidade. Outro progresso relevante foi a aquisição dos livros mencionados no manifesto, obras que abordam o design a partir de perspectivas diversas e que haviam sido sugeridas como bibliografia de referência. A inclusão desses materiais no acervo da universidade oferece um suporte acadêmico fundamental para a formação de futuros designers, garantindo que as novas gerações possam construir suas carreiras com uma base teórica mais plural e crítica.
No entanto, apesar desses ganhos, é necessário reconhecer que algumas dúvidas e questões permanecem em aberto. Um dos principais pontos de incerteza é se todas as matérias que incluem esses novos conteúdos são, de fato, obrigatórias. A obrigatoriedade dessas disciplinas é essencial para garantir que todos os estudantes passem por essa formação crítica, independente de suas escolhas dentro da grade curricular.
Outro ponto que precisa ser levantado é a falta de especificação de algumas disciplinas no que se refere à abordagem de questões de diversidade. Embora algumas matérias tenham incorporado esses conteúdos de maneira clara, muitas ainda carecem de um direcionamento explícito em suas ementas, como História da Arte. Seria importante que os futuros docentes, ao assumirem essas disciplinas, encontrassem na ementa um norte para que essas questões fossem devidamente abordadas, garantindo a continuidade das práticas antirracistas e decoloniais que estão sendo implementadas. Contudo, não se sabe como é o processo de contratação de docentes e se é avaliado esse ponto. Caso seja, esse problema da ementa seria resolvido. Também não foi encontrado no site o cronograma de disciplinas desse novo currículo ao longo dos anos, então, não se sabe em quais fases teria essas novas disciplinas.
Outra questão levantada em reunião entre CADU, Muvuca e um dos proponentes do manifesto é que não tinha como analisar o impacto do currículo de forma qualitativa. Por isso, será feito um grupo de estudos para acompanhar as mudanças. Quem irá formar esse grupo de estudos ainda será decidido, assim como a metodologia e sua duração. Esse grupo irá produzir artigos sobre o tema, além de colocar em portfólios. Afinal de contas, estamos falando de um dos maiores cursos de design do Brasil e avaliação do impacto positivo deve ser registrado. Sendo assim, estamos abertos para que a universidade e os docentes se juntem conosco nesses estudos e desde já contamos com a cooperação.
Como as dúvidas levantadas aqui serão respondidas e depois analisadas pelo grupo de estudos, estamos encerrando o manifesto como vitorioso!
Em suma, muito foi conquistado. O curso de Design da UDESC tem a oportunidade de se tornar um modelo de ensino transformador, que não apenas reconhece, mas valoriza as contribuições de diferentes culturas e grupos étnicos na construção do design contemporâneo. Para isso, é necessário que as mudanças propostas não se limitem a ajustes pontuais, mas que se tornem parte de uma política educativa sólida e duradoura. Esperamos que o diálogo continue aberto e que as vozes dos estudantes, especialmente dos estudantes negros e outros grupos minorizados, sejam sempre ouvidas e consideradas nas tomadas de decisão. Somente assim poderemos garantir que o currículo seja, de fato, antirracista, decolonial e verdadeiramente inclusivo.