Former Foreign Ministers Replies on the Financial Times to Cardoso statement on Lula
Ex-Ministro das Relações Exteriores responde a artigo de FHC no Financial Times
Lula is by far the preferred candidate of most Brazilians
https://www.ft.com/content/69b1c9f0-a7bb-11e8-926a-7342fe5e173f
From Celso Amorim, Rio de Janeiro, Brazil
Financial Times August 8, 2018
I write in response to the op-ed by Brazil’s former president Fernando Henrique Cardoso, under whom 16 years ago I was serving as ambassador to the UK (“ Lula’s vision of Brazil is a damaging fiction”, August 22).
After Luiz Inácio Lula da Silva was elected president of Brazil in October 2002, having beaten his rival, who belonged to the same party as Mr Cardoso, by a very comfortable margin, eight years of sustained prosperity coupled with greater social justice ensued. This was reflected in levels of popularity never attained by any other Brazilian president. Lula’s policies inspired respect and admiration throughout the world.
Unlike some neocons of the George W Bush era, who in 2002 thought a Lula victory would put Brazil in the “axis of evil”, Mr Cardoso is a highly intelligent and cultivated person, a renowned sociologist, who was responsible for the so-called dependency theory, at one point very popular in academic circles. He was one of the main leaders of the political movement that resulted in the end of the military dictatorship.
As someone who dreamt of a democratic Brazil, I had never imagined that the day would come in which a true representative of the working class would become president. It is with disappointment that I see the bitterness with which the former president describes Lula’s fight to prove his innocence.
Lula is by far the preferred candidate of most Brazilians. A great number of jurists, statesmen and intellectuals around the world have stressed that Lula’s freedom and his right to run for the presidency are essential for the consolidation of democracy in Brazil.
On August 17, the UN Human Rights Committee requested Brazil take “all the necessary measures” to ensure Lula’s political rights while appeals are still pending. Our judicial authorities now face the “challenge” to make good their repeated proclamations of respect for international norms concerning human rights.
Celso Amorim
Rio de Janeiro, Brazil
"Celso Amorim puxa a orelha de FHC publicamente, no Financial Times"
https://nocaute.blog.br/2018/08/28/celso-amorim-fernando-henrique-lula/
"Escrevo em resposta ao artigo do ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo eu servi como embaixador no Reino Unido há 16 anos.
Depois que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil em outubro de 2002, tendo derrotado seu adversário, que pertencia ao mesmo partido do Sr. Cardoso, por uma ampla margem, oito anos de prosperidade se somaram ao crescimento de justiça social. Isso se refletiu em níveis de popularidade nunca antes atingidos por qualquer outro presidente do Brasil. As políticas de Lula despertaram admiração ao redor do planeta.
Diferentemente de alguns neoconservadores da era de George W Bush, que em 2002 pensaram que uma vitória de Lula colocaria o Brasil no “eixo do mal”, o Sr Cardoso é uma pessoa inteligente e culta, um renomado sociólogo, responsável pela chamada teoria da dependência, muito popular durante um período no meio acadêmico. Ele foi um dos principais líderes do movimento político que resultou no fim da ditadura militar.
Como alguém que sonhou um Brasil democrático, eu nunca tinha imaginado que chegaria o dia em que um verdadeiro representante da classe trabalhadora se tornaria presidente. É com decepção que eu vejo a amargura com a qual o ex-presidente descreve a luta de Lula para provar a sua inocência.
Lula é de longe o candidato preferido da maioria dos brasileiros. Um grande número de juristas, estadistas e intelectuais ao redor do mundo tem defendido que a liberdade de Lula e seu direito a ser candidato à Presidência são essenciais para a consolidação da democracia no Brasil.
Em 17 de agosto, o Comitê de Direitos Humanos da ONU solicitou que o Brasil tomasse “todas as medidas necessárias” para assegurar os direitos políticos de Lula enquanto ainda há recursos a serem julgados. Nossas autoridades na Justiça agora encaram o “desafio” de fazer valer suas repetidas declarações sobre o respeito às normas internacionais envolvendo direitos humanos.
Celso Amorim,
Rio de Janeiro, Brasil