FRENTE AMPLA EM DEFESA DA SAÚDE MENTAL, DA REFORMA PSIQUIÁTRICA E DA LUTA ANTIMANICOMIAL

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A Reforma Psiquiátrica Antimanicomial tem sofrido duros ataques e retrocessos. A inversão da lógica de cuidado da Política Nacional de Saúde Mental centrada na Atenção Psicossocial, ampla, cidadã e em liberdade, para o retorno da lógica do confinamento e do abandono, fere a todos nós, principalmente aos mais vulnerabilizados. Tal mudança projeta mais dor em um contexto já trágico de pandemia por Covid19: porque querem causar mais sofrimento mental às pessoas? Como fechar serviços de saúde em plena pandemia? O fato é que se verifica hoje uma total submissão da Política Nacional de Saúde Mental aos interesses das iniciativas privadas, o que coincide com a presença corporativista da Associação Brasileira de Psiquiatria junto ao Ministério da Saúde. A agenda capitaneada pela ABP apenas se sustenta neste cenário necropolítico que ameaça a democracia conquistada pela Constituição de 1988.

Esse objetivo é expresso em sua plenitude devastadora num documento discutível do ponto de vista técnico-científico, no qual defendem tortuosamente a volta de um modelo já ultrapassado. Sob o título de “Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil”, a proposta desmonta o conceito de integralidade do cuidado e desconsidera a humanidade das pessoas com sofrimento mental, reduzidas à condição de doentes mentais. E como se não bastasse, falam em nome de toda a psiquiatria e do restante da sociedade.  Estamos aqui para dizer que nós usuários dos serviços de saúde mental, familiares, trabalhadores e gestores da rede substitutiva bem como professores e estudantes da comunidade acadêmica não somos representados pela ABP, que por sua vez não representa todos psiquiatras, muito menos todas as outras categorias profissionais e setores da sociedade civil.

Nós constituímos a Frente Ampla em Defesa da Saúde Mental, da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial e clamamos em alto e bom tom que essa não é a política de saúde mental que queremos. Somos Antimanicomiais e reafirmamos que a nossa luta é pelo cuidado em liberdade e pelo fim de todos os hospitais psiquiátricos, comunidades terapêuticas e instituições afins com sua substituição definitiva por uma rede de serviços abertos e comunitários de base territorial.

Conclamamos os demais trabalhadores, trabalhadoras, usuários e usuárias do SUS e SUAS; ativistas de direitos humanos e movimentos sociais: negros, indígenas, quilombolas, LGBTQI+, feministas, população em situação de rua, MST, MTST, entre outros; entidades profissionais e da saúde coletiva, operadores da cultura, educação e direito e a sociedade civil como um todo a integrarem a Frente Ampla em Defesa da Saúde Mental, da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial.

Loucura não se vende, Loucura não se prende, Loucura não se tortura, Loucura se cuida em liberdade.

Por uma sociedade sem manicômios, seguimos em frente.

frenteampliadasm@gmail.com

Instagram - @frentesaudemental

6 de Dezembro de 2020