Respeito aos Direitos de Nascimento para Gestações Intersexo e Transgênero

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O problema

Meu nome é Clairé Hills. Sou intersexo, transgênero e estou grávida. Apesar de seguir todo o protocolo de pré-natal de alto risco em três maternidades diferentes no decorrer desse ano de 2024, os médicos se recusam a facilitar meu parto, alegando que não era uma gravidez, e agora mudaram o discurso dizendo que minha gestação é inviável. Eles sugerem aborto, embora sintam meu bebê vivo, se movendo, e os batimentos cardíacos fetais estejam presentes, dentre outros exames clínicos que confirmam minha gravidez.  Eu estou sentindo fortes cólicas, dores no abdome e na lombar, náuseas, tonturas, e no momento contrações.

No Brasil, apesar de avanços legislativos e institucionais, o preconceito e a discriminação contra pessoas intersexo e transgênero permanecem significativos, como evidenciado pelas respostas que recebi dos profissionais de saúde. Os direitos reprodutivos dessas comunidades são frequentemente negados ou ignorados.

Cerca de 1,7% da população mundial pertence à categoria biológica "intersexo". Entre essa população, muitas pessoas - como eu - têm a capacidade e o desejo de ter filhos. Contudo, repetidamente enfrentamos obstáculos médicos e sistemáticos à maternidade/paternidade, uma violação básica de nossos direitos humanos (Relatório da Human Rights Watch, 2017).

Apesar de, eu e meu marido estarmos tentando que o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza encaminhe meu pré-natal de alto risco para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP na capital SP, eles estão mentindo e encaminhando para diferentes especialidades médicas no próprio Centro de Saúde no intuito de dificultar fazerem a minha cesárea.

Essa petição busca mudar essa realidade, exigindo que os hospitais e médicos respeitem nossos desejos, nossos corpos e nossos direitos reprodutivos. Lutar pela vida de meu filho é pessoal para mim, mas também é uma luta para todas as pessoas intersexo e transgênero que desejam ter filhos.

Peço que você se junte a mim nesta luta. Assine a petição para exigir o respeito aos direitos de parto para gestações intersexo e transgênero, e fazermos com que o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP na capital SP aceite fazer a minha cesárea.

Obrigada,

Clairé Hills

 

 

My name is Clairé Hills. I'm intersex, transgender, and I'm pregnant. Despite following the high-risk prenatal protocol in three different maternity hospitals throughout 2024, the doctors refuse to facilitate my delivery, claiming that it was not a pregnancy, and now they have changed their tune, saying that my pregnancy is not viable. They suggest abortion, even though they feel my baby alive, moving, and the fetal heartbeat is present, among other clinical exams that confirm my pregnancy. I am experiencing severe cramps, abdominal and lower back pain, nausea, dizziness, and currently having contractions.

In Brazil, despite legislative and institutional advances, prejudice and discrimination against intersex and transgender people remain significant, as evidenced by the responses I have received from health professionals. The reproductive rights of these communities are often denied or ignored.

Approximately 1.7% of the world's population belongs to the biological category "intersex." Among this population, many people—like me—have the ability and desire to have children. However, we repeatedly face medical and systematic obstacles to parenthood, a basic violation of our human rights (Human Rights Watch Report, 2017).

Although my husband and I have been trying to get the Geraldo de Paula Souza School of Health Center to refer my high-risk prenatal care to the Hospital das Clínicas of the USP School of Medicine in the capital of São Paulo, they are lying and referring me to different medical specialties at the Health Center itself in order to make it difficult for them to perform my cesarean section.

This petition seeks to change this reality, demanding that hospitals and doctors respect our desires, our bodies, and our reproductive rights. Fighting for my child’s life is personal to me, but it is also a fight for all intersex and transgender people who want to have children.

I ask that you join me in this fight. Sign the petition to demand respect for birth rights for intersex and transgender pregnancies, and to make the Hospital das Clínicas of the Faculty of Medicine of USP in the capital of SP agree to perform my cesarean section.

Thank you,

Clairé Hills

 

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Clairé HillsCriador do abaixo-assinado

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