Meu pai foi enterrado como indigente em São Paulo, mesmo estando com crachá em que constavam nome completo, endereço e telefone, além do RG no bolso. Ele passou mal no ponto de ônibus, mas não recebi aviso nem do hospital em que ele foi internado, nem do SVO, o Serviço de Verificação de Óbitos da Capital. Por um mês percorri delegacias, IMLs e hospitais para saber do seu paradeiro, até descobrir que meu pai havia sido enterrado na área dos desconhecidos do Cemitério de Perus, na capital paulista.

Uma regra do governo estadual, de 1993, diz que cabe à família procurar pelo corpo no SVO ou no IML em até 72 horas. Porém, nos últimos anos mais de 3.000 pessoas foram enterradas como indigentes mesmo levando identificação, por descaso do poder público. No meu caso eu procurei muito meu pai, assim como muitas famílias procuraram por parentes desaparecidos. Mas a burocracia impede de encontrá-los, pois a maioria das pessoas vai somente ao IML e nem sabe da existência do SVO. 

Eu quero que o SVO e os demais órgãos responsáveis sejam obrigados a avisar as famílias sempre que a pessoa morta estiver identificada. É inaceitável que os órgãos públicos enterrem pessoas sem avisar as famílias, quando informações como endereço e telefone podem ser facilmente encontradas em registros do governo.

Por favor me ajude a mudar este erro no procedimento do governo. Para que mais nenhuma família sofra por não saber o destino de um ente desaparecido, assine e divulgue esta campanha. 

Letter to
Reitor da USP Reitor da USP, Marco Antônio Zago
Delegado-Geral da Polícia Civil Delegado-geral Luiz Maurício Blazeck
Polícia Civil de São Paulo
and 6 others
Diretor do SVO Diretor do SVO, Luiz Fernando Ferraz da Silva
Governador do Estado de São Paulo Governador de SP, Geraldo Alckmin
Vice-reitor da USP Vice-reitor da USP, Vahan Agopyan
Ouvidoria Ouvidoria do governo de SP
Reitoria da USP Reitoria da Universidade de São Paulo (USP)
SVO Serviço de Verificação de Óbitos da Capital
É inadmissível que hoje, na cidade de São Paulo, pessoas identificadas sejam enterradas como indigentes. Conforme denunciado pela reportagem da Folha de São Paulo e pela promotora de Justiça Eliana Vendramini, mais de 3.000 pessoas mortas com identidade conhecida foram enterradas como indigentes nos últimos anos na capital paulista.

Pedimos a alteração imediata das normas e procedimentos destes órgãos para garantir que nenhum indivíduo identificado seja enterrado como indigente.

Deveria ser obrigação dos órgãos responsáveis entrar em contato com os familiares quando dados pessoais (RG e CPF) do falecido estiverem disponíveis. É necessário que tais órgãos tenham condições técnicas, funcionários, estrutura e verba para que sejam capazes de buscar as famílias dos falecidos, dentro de um prazo viável (maior que 72 horas), antes de enterrá-los como indigentes.