Presidente Trump: ordene a desclassificação dos arquivos relativos à espionagem a Castelao

O problema

Na passada quinta-feira, 23 de janeiro de 2025, o presidente Trump ordenou a desclassificação dos arquivos do Governo relativos aos homicídios do presidente John F. Kennedy, em 1963, e do ativista do movimento dos direitos civis dos negros Martin Luther King Jr., em 1968. "Muitas pessoas esperaram por este momento durante longas décadas [e] tudo será revelado", disse o Presidente dos EUA ao assinar a ordem executiva na Sala Oval da Casa Branca, num gesto corajoso que nós –daqui da Galiza– aplaudimos.

Mediante este abaixo-assinado pedimos ao presidente Trump que ordene também a desclassificação dos arquivos relativos à espionagem dos serviços secretos norte-americanos a A. R. Castelao e a sua eventual participação na morte do Pai da Pátria Galega em Buenos Aires, em circunstâncias mais do que suspeitas.

CASTELAO

Afonso Daniel Manuel Rodríguez Castelao (Rianxo, Galiza, 30 de janeiro de 1886 — Buenos Aires, Argentina, 7 de janeiro de 1950) foi um escritor (narrador, ensaísta, dramaturgo), pintor e desenhista, humorista gráfico e caricaturista... Formado em medicina "por amor ao meu pai”, não exerceu a profissão “por amor à Humanidade". Forçado polas circunstâncias que lhe tocou viver, dedicou-se também à política, sendo um dos fundadores do “nacionalismo galego”, deputado no Congresso (em Madrid) e primeiro presidente do Conselho da Galiza (o governo galego no exílio). Durante a Guerra Civil Espanhola primeiro e, depois, no exílio americano, escreveu o “Sempre en Galiza”, livro de ensaio político considerado “A Bíblia do Galeguismo”. Publicado em Buenos Aires em 10 de março de 1944 –apenas dez meses antes da sua morte– os primeiros exemplares do livro que chegaram à Galiza fizeram-no jeito clandestino. Em definitivo, Castelao é, sem lugar a dúvidas, a figura mais importante da cultura e a política galegas do século XX.

MORTE DE CASTELAO

Segundo escrevia há quatro anos atrás o jornalista Suso Souto no jornal El Correo Gallego (15-FEV-2021):

“Aquejado de un cáncer de pulmón y casi ciego, es ingresado en el Sanatorio del Centro Gallego de Buenos Aires. [...] El diagnóstico del jefe del Servicio de Vías Respiratorias de este centro, Miguel F. Pastor, es claro: “carcinoma de pulmón”. A Castelao se le oculta la gravedad de su estado y se le dice que padece un proceso infeccioso en el pulmón derecho. A Virginia Pereira, su esposa, también se le oculta el estado de su marido, que fallece el 7 de enero de 1950.”

“Nos primeiros días do ano [1950], os médicos deciden realizarlle unha intervención cirúrxica á desesperada para aliviarlle a dor”, podíamos ler na secção dedicada à “Liña da vida” do imortal Castelao no já há tempo desaparecido site museocastelao.org. Por sua parte, no antigo site do Conselho da Cultura galega, num artigo intitulado “Lembranzas de Castelao” dedicado ao filme documental homónimo do cineasta galaico-argentino Xan Leira, quem quiser ainda pode ler:

“A última parte da película fálanos da morte de Castelao. Pouco despois de pronunciar o seu coñecido discurso "Alba de gloria", sometido a unha operación, sufrindo unha lobotomía á que non sobreviviría dous días.” [http://old.culturagalega.org/findesemana/09/reportaxe/lembranzas.htm

A lobotomia é uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz, quem em 1949 veio a receber o Nobel de Fisiologia ou Medicina com este trabalho. Foi usada para tratar depressão severa e em casos graves de esquizofrenia. Embora Egas Moniz defendia o seu uso apenas em casos graves em que houvesse riscos de violência ou suicídio, a lobotomia foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos países, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos.

Por que estranha razão, sem o consentimento informado do paciente nem da sua esposa, aliás, mentindo-lhes diretamente e sob o pretexto de “aliviar-lhe a dor”, a equipa médica decide lobotomizar Castelao e anular irreversivelmente assim um dos cérebros mais brilhantes que em toda a sua dilatada História deu o antigo Reino da Galiza? É do interesse de todas e todos que a verdade venha à tona!

CASTELAO NOS EUA

Castelao, junto com sua esposa Virgínia Pereira, chegou a Nova Iorque em 26 de julho de 1938 a bordo do transatlântico Ille de France, tendo saído de Le Havre (França) em 20 de julho e feito escala em Southampton (Inglaterra). O casal permaneceu nos Estados Unidos até julho de 1940 – incluindo visitas a outras cidades e estadia de três meses em Cuba–, estabelecendo-se no Alamak Hotel (Broadway, esquina com a 71st Street) inicialmente.

Por encomenda do governo da República Espanhola e com o apoio das Sociedades Hispânicas Confederadas e da Frente Popular Antifascista da Galiza –dous grupos anti-franquistas sediados em Nova Iorque e liderados por galegos (Xosé Castro e Ramón Mosteiro, respectivamente)–, Castelao percorre os EUA a fim de angariar apoios e fundos à República Espanhola na sua guerra contra o exército do "Generalísimo" Franco.

Duas etapas diferentes marcam a estadia de Castelao nos EUA. Uma primeira [agosto a novembro de 1938], em que desenvolve a essa intensa atividade de agitação e propagandista, e uma segunda [março de 1939-junho de 1940], que resultou ser mesmo mais difícil. O golpe de estado tinha triunfado e as atividades de Castelao centram-se agora na solidariedade e apoio aos exilados e fugitivos de uma Espanha já sob as garras franquistas, bem como na sua própria sobrevivência e na atenção aos seus graves problemas, tanto económicos como de saúde.

Em julho de 1939 Castelao viaja para Los Angeles. Em Hollywood realiza um encontro com a atriz Joan Crawford e o ator Paul Muni. Ambos eram líderes da associação de ajuda da República Espanhola, uma entidade da qual artistas de prestígio estavam envolvidos, como a estrela Bette Davis, o "vilão" oficial dos filmes de gângsteres, James Cagney, o ator e famoso cantor Bing Crosby e Charles Chaplin. De facto, como explica o biógrafo de Castelao, Miguel Anxo Seixas Seoane, o próprio Chaplin iria estar presente nessa reunião, "mas acabou por não o fazer porque estava doente". Joan Crawford era uma das estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer e quando conheceu Castelao já tinha rodado filmes de grande sucesso como “Chained” e “Grand Hotel”, ambos com Clark Gable como parceiro (receberia o Oscar de Melhor Atriz em 1945). Paul Muni, um prestigiado ator de cinema e teatro nascido na Galícia ucraniana, já possuía nessa altura quatro nomeações e um Óscar, sendo um dos rostos mais conhecidos da grande tela ou ecrã para o grande público. Comunista, comprometido, ativista, Muni seria alvo da repressão desencadeada pelo governo dos Estados Unidos contra a esquerda 'hollywoodiana', uma caça às bruxas quechegou ao paroxismo com o tristemente célebre senador McCarthy.

Nos EUA Castelao não tem paragem: participa em inúmeras reuniões, em encontros com pequenas audiências e também em grandes comícios. Como o de Ulmer Park em Gravesend (bairro na secção sul-central do nova-iorquino burgo de Brooklyn), em 1938, onde intervém em galego perante milhares de pessoas.

Sempre que pode, encontra-se com os galegos, estejam na parte dos EUA que estiverem, para tentar manter viva a chama da Galiza. Na Virgínia Ocidental (West Virginia, estado norte-americano homónimo da sua esposa) participa num evento com mineiros galegos, anarquistas, que lhe deixam claro antes do início que eles são internacionalistas e não querem que faça um comício patriótico galego. No seu caderno, onde anota a anedota, Castelao reconhece que tinha feito um discurso evocando a Galiza e visto como as lágrimas brotavam dos olhos daqueles mineiros: “É que nos falas de cada cousa!”, recriminam a Castelao assim que o ato termina. "Pelos vistos há uma pátria e é uma pátria galega", anota Castelao no seu caderno.

Um dos factos mais conhecidos da estadia de Castelao nos EUA foi sua nomeação como presidente honorário da Federação Internacional das Sociedades Negras, em Nova Iorque. Nos 'Cadernos' ele mesmo narra a sua evolução na questão racial: desde os arrepios que lhe dava ver casais mistos de pessoas brancas e negras até a mudança que o levou a compartilhar a luta contra a discriminação racial. "Não nego que a separação das raças correspondia aos meus instintos de pureza e perfeição. Mas nos Estados Unidos eu senti primeiro uma enorme compaixão pelas pessoas negras e, mais tarde, um desejo de matar a minha repugnância por elas. Agora eu avancei ainda mais e seria capaz de me tornar um líder das reivindicações negras e em defensor desta raça. O dia em que acordei com essa sensação foi 1º de setembro de 1938. Viajamos pelo estado da West Virgínia (onde os negros ainda não são perseguidos como no Sul) e na porta dum bar aldeão, onde comiam e bebiam alguns bárbaros brancos, avistei este sinal à porta: NOTICE. Whites only. Agora sinto-me irmão dos negros".

MARIA DOCAMPO

Uma das pessoas mais próximas de Castelao e Virginia durante o seu periplo norte-americano será a jovem Maria Docampo Ramos quem, contratada pela Frente Popular Galega Antifascista, exercerá como tradutora, secretária e confidente do casal, a tal ponto que, segundo o historiador e político republicano galego no exílio Emílio González López, “era tão eficaz e tão estreita a relação, que mantiveram uma convivência quase familiar”.

Filha de um imigrante de Bergondo (Francisco Docampo Pérez), e duma imigrante de Oleiros (Maria Ramos Diaz), Maria Docampo trabalhou como tradutora de espanhol e português na central de Wall Street do Bank of London and South America, uma instituição de crédito anglo-americana que historicamente operou, segundo o ganhador do Prémio Pulitzer Tim Weiner, como peça central nas operações encobertas dos serviços secretos dos EUA no Cone Sul. Após a Guerra Civil Espanhola, convertidos A. R. Castelao e Virginia Pereira em exilados, Maria Docampo desaparece sem deixar rasto.

A versão mais precisa do seguimento a Castelao pola sua secretária vem de dous indivíduos que viveram de perto esses factos e que tinham conhecimento íntimo sobre as ações das agências de inteligência no contexto da Guerra Fria. Estas pessoas são Luis Soto, companheiro de Castelao na sua viagem pelos Estados Unidos, e Emilio González López, maçom e pessoa da mais alta confiança de Castelao, muito bem conectado com a administração norte-americana via maçonaria.

Luís Soto, militante comunista e pessoa próxima dos serviços secretos soviéticos –para os que muito provavelmente tivesse preparado algum relatório sobre as atividades do seu famoso companheiro de viagem–, não hesitava em afirmar que María Docampo era uma agente norte-americana.

Emilio González López, por sua vez, confirmará estes factos na sua investigação sobre a presença de Castelao nos EUA. Assim, González López explica que em 1941 foi ao Panamá para fazer o curso de Direito Penal e que lá coincidiu, no hotel onde estava hospedado, com o professor Edmund Peevy. Perguntou-lhe se conhecia "uma certa María Docampo" e disse-lhe que "ela tinha sido sua secretária nos Serviços Especiais" e que "pertencia ao serviço de informação militar dos Estados Unidos, mais tarde CIA".

María Docampo será assassinada pelo seu parceiro no dia 27 de setembro de 1948 na sua casa paterna de Arilho (lugar da paróquia de Dorneda, concelho de Oleiros), na Galiza. O mexicano de Jalisco fixado em Nova Iorque José García Peña –com quem, segundo as informações aparecidas na imprensa, Maria Docampo se teria casado na Cidade do México um ano antes– esfaqueou até dezassete vezes a sua alegada esposa, quem, fugindo do “Jalisco” –como ficou conhecido popularmente–, tinha regressado sozinha à Galiza no mês de julho. Não contente com este feminicídio, José García Peña acabou ainda com a vida de María Ramos e Encarnación Docampo – mãe e irmã de Maria Docampo, respetivamente – que em vão tentaram socorrer quem, até a sua misteriosa desaparição, tinha sido secretária de Castelao nos Estados Unidos.

As dúvidas sobre o horrível crime e sua motivação não demoraram a surgir devido a uma série de motivos:

1. O interesse do assassino em queimar e fazer desaparecer os papéis e fotos da sua vítima;

 2. A natureza da pena, muito leve para a gravidade dos factos;

 3. O tratamento que se lhe dispensou na prisão da Corunha (onde chegou a ser recebido em visita privada pelo mesmíssimo cardeal Quiroga Palacios)

 4. e pelo relativamente pouco tempo (doze anos) que passou preso.

No concelho de Oleiros, uma vez conhecida a sentença, a vizinhança das três mulheres assassinadas considerava que o tratamento dispensado a José García Peña estava relacionado com o passado como secretária de Castelao da coitada da María Docampo, chegando a considerar o intelectual, artista e empresário galeguista Isaac Díaz Pardo que o crime tinha respondido a motivos políticos:

“Cando en 1968 Virxinia, a viuda de Castelao, voltou por primeira vez a España, logo do exilio, parou na nosa casa, e un día acompañámola a levar unhas flores á tumba de Maria Docampo no cimiterio de Arillo. Fíxonos mil gabanzas de ela. Estáballe agradecidísima polo moito que a acompañara e axudara en New York, pois practicamente foi a ela a quen lle servíu e non ao seu home. O triple crime de Arillo soara en todo o mundo e Virxinia, que sabía hastra onde estaba enterrada, atribuía a súa desaparición a se ter fugado con algún home. Mais a cousa non era así. Poucos meses de se ir os Castelao pra Buenos Aires o profesor Emilio González López tivo que viaxar a Panamá onde atopou a María Docampo traballando cun axente do servicio de intelixencia dos EE.UU. (o que logo sería a CIA). O profesor González López supón que non ven chegou Castelao aos EE.UU. o goberno norteamericán púxolle unha informadora das súas actividades na figura de María Docampo. Mais estas cousas que nos referíu non hai moito o profesor González López vai contalas nun libro que prepara, xunto con Amado Rincón, do Castelao en EE.UU. O certo é que o crime de Arillo que se quixo pasar por pasional a costa da honestidade de María Docampo poidera ter outras explicacións que cadren millor coa incomodidade das persoas que se adicaron a informar e logo queren andar ceibes polo mundo. Castelao, que vía na escuridade aínda cego, decataríase desto? A medida que nos metemos na súa vida descobrimos moitas cousas que coñeceu e padeceu e gardou un silencio que non explicamos, que xustifica só a necesidade de seguir vivindo.”

[DÍAZ PARDO, Isaac: "Castelao en América" in “Castelao 1886-1950 (Catálogo de la exposición que el Centro Nacional de Exposiciones de la Dirección General de Bellas Artes y Archivos dedica a Castelao en el centenario de su nacimiento)”, Ministerio de Cultura, Gobierno de España,  Madrid, 1986, págs. 122-123].

No entanto, até o momento, não há evidências que sustentem essa hipótese. A ligação aos serviços secretos norte-americanos e a verdadeira identidade de José García Peña a.k.a. “Jalisco”, que acabou por se suicidar em 1978 num hospital psiquiátrico das Ilhas Canárias –depois de assassinar dous anos antes uma segunda parceira e a sua filha–, foi confirmada pela própria CIA num documento desclassificado –e divulgado entre nós pelo dramaturgo galego nascido na Venezuela Manuel Guede Oliva–, no qual se explica como foi transferido da prisão da Corunha para um centro de formação que a Agência Central de Inteligência tinha em Maspalomas (Gran Canaria).

Apenas a desclassificação de todos os arquivos relativos à espionagem dos serviços secretos norte-americanos a A. R. Castelao e a sua eventual participação na morte em Buenos Aires –em circunstâncias mais do que suspeitas– do Pai da Pátria Galega serviria para confirmar ou desmentir definitivamente esta teoria da conspiração que, segundo todos os indícios, não parece ter nada de paranoica. As galegas e os galegos merecemos conhecer a verdade sobre umas operações secretas que poderiam ter influenciado o curso dos eventos históricos, prejudicando gravemente os nossos interesses enquanto Povo.

“Ano Castelao 2025”

Somos cientes de que a figura de Castelao, visto o tipo de atividades por ele desenvolvidas em território norte-americano e as suas “dangerous liaisons” (amizades perigosas), não deve ser santo da devoção do presidente Trump.

Permita-nos dizer-lhe, no entanto, que aqui no antigo Reino da Galiza –hoje uma das dezassete “Comunidades Autónomas” em que, ao abrigo da Constituição Espanhola de 1978, se organiza administrativamente o Reino de Espanha– A. R. Castelao é uma figura absolutamente consensual, da esquerda à direita do espectro político.

Tanto é assim que na Comunidade Autónoma da Galiza –uma das apenas oito que tem o rango constitucional de “nacionalidade histórica”– o governo autónomo da direita / centro-direita, do Partido Popular que preside Alfonso Rueda Valenzuela, decidiu declarar 2025 “Ano Castelao” em comemoração do 75º aniversário do seu passamento.

No passado dia 21 do mês corrente –é dizer, no dia a seguir à tomada de posse de Donald Trump como 47º presidente dos EUA–, em conferência de imprensa, o seu homólogo galego Alfonso Rueda afirmou que "Estados Unidos é um país muito importante para a Europa, para Espanha e para a Galiza". O presidente Rueda chamou a "tirar o maior proveito duma boa relação" existente com o país norte-americano neste novo mandato que começa para "o senhor Trump” quem, segundo ele e “goste mais ou menos, foi eleito numas eleições democráticas, além do mais, com amplo respaldo". "Convem-nos, desde todos os pontos de vista, ter uma boa relação entre administrações", acrescentou o presidente do governo galego e, a perguntas dos jornalistas, disse que "não ter nenhuma relação com a primeira potência mundial" lhe parecia uma ideia indefendível.

Hoje, 30 de janeiro de 2025 –no dia em que A. R. Castelao (Rianxo, 1886), se fosse vivo, faria 139 anos – juntamo-nos a esta petição para que o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump –'em aras' à desejável boa relação entre as administrações galega e norte-americana cujo desejo exprimiu o presidente do governo galego ou 'Xunta de Galicia'–, ordene que os documentos relacionados à espionagem de A. R. Castelao –do mesmo modo que arquivos relativos aos homicídios de John F. Kennedy e Martin Luther King Jr.– sejam desclassificados e tornados públicos.

Em certa ocasião JFK, o malogrado 35º presidente dos EUA, disse: "Truth is a tyrant-the only tyrant to whom we can give our allegiance. The service of truth is a matter of heroism" (A verdade é um tirano – o único tirano a quem podemos dar a nossa lealdade. O serviço da verdade é uma questão de heroísmo).

"I believe that unarmed truth and unconditional love will have the final word in reality" (Acredito que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a palavra final na realidade), disse o reverendo Martin Luther King Jr. noutra ocasião por sua parte.

Da Galiza, nós também queremos acreditar em que finalmente assim seja.

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Suso SamartinhoCriador do abaixo-assinado" I am a son of an unknown Homeland, because no one has been able to give international fame and credence to our patriotic claims" (A. R. Castelao: "Always in Galicia"). I am a Casteliever. I believe in Castelao.

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O problema

Na passada quinta-feira, 23 de janeiro de 2025, o presidente Trump ordenou a desclassificação dos arquivos do Governo relativos aos homicídios do presidente John F. Kennedy, em 1963, e do ativista do movimento dos direitos civis dos negros Martin Luther King Jr., em 1968. "Muitas pessoas esperaram por este momento durante longas décadas [e] tudo será revelado", disse o Presidente dos EUA ao assinar a ordem executiva na Sala Oval da Casa Branca, num gesto corajoso que nós –daqui da Galiza– aplaudimos.

Mediante este abaixo-assinado pedimos ao presidente Trump que ordene também a desclassificação dos arquivos relativos à espionagem dos serviços secretos norte-americanos a A. R. Castelao e a sua eventual participação na morte do Pai da Pátria Galega em Buenos Aires, em circunstâncias mais do que suspeitas.

CASTELAO

Afonso Daniel Manuel Rodríguez Castelao (Rianxo, Galiza, 30 de janeiro de 1886 — Buenos Aires, Argentina, 7 de janeiro de 1950) foi um escritor (narrador, ensaísta, dramaturgo), pintor e desenhista, humorista gráfico e caricaturista... Formado em medicina "por amor ao meu pai”, não exerceu a profissão “por amor à Humanidade". Forçado polas circunstâncias que lhe tocou viver, dedicou-se também à política, sendo um dos fundadores do “nacionalismo galego”, deputado no Congresso (em Madrid) e primeiro presidente do Conselho da Galiza (o governo galego no exílio). Durante a Guerra Civil Espanhola primeiro e, depois, no exílio americano, escreveu o “Sempre en Galiza”, livro de ensaio político considerado “A Bíblia do Galeguismo”. Publicado em Buenos Aires em 10 de março de 1944 –apenas dez meses antes da sua morte– os primeiros exemplares do livro que chegaram à Galiza fizeram-no jeito clandestino. Em definitivo, Castelao é, sem lugar a dúvidas, a figura mais importante da cultura e a política galegas do século XX.

MORTE DE CASTELAO

Segundo escrevia há quatro anos atrás o jornalista Suso Souto no jornal El Correo Gallego (15-FEV-2021):

“Aquejado de un cáncer de pulmón y casi ciego, es ingresado en el Sanatorio del Centro Gallego de Buenos Aires. [...] El diagnóstico del jefe del Servicio de Vías Respiratorias de este centro, Miguel F. Pastor, es claro: “carcinoma de pulmón”. A Castelao se le oculta la gravedad de su estado y se le dice que padece un proceso infeccioso en el pulmón derecho. A Virginia Pereira, su esposa, también se le oculta el estado de su marido, que fallece el 7 de enero de 1950.”

“Nos primeiros días do ano [1950], os médicos deciden realizarlle unha intervención cirúrxica á desesperada para aliviarlle a dor”, podíamos ler na secção dedicada à “Liña da vida” do imortal Castelao no já há tempo desaparecido site museocastelao.org. Por sua parte, no antigo site do Conselho da Cultura galega, num artigo intitulado “Lembranzas de Castelao” dedicado ao filme documental homónimo do cineasta galaico-argentino Xan Leira, quem quiser ainda pode ler:

“A última parte da película fálanos da morte de Castelao. Pouco despois de pronunciar o seu coñecido discurso "Alba de gloria", sometido a unha operación, sufrindo unha lobotomía á que non sobreviviría dous días.” [http://old.culturagalega.org/findesemana/09/reportaxe/lembranzas.htm

A lobotomia é uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz, quem em 1949 veio a receber o Nobel de Fisiologia ou Medicina com este trabalho. Foi usada para tratar depressão severa e em casos graves de esquizofrenia. Embora Egas Moniz defendia o seu uso apenas em casos graves em que houvesse riscos de violência ou suicídio, a lobotomia foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos países, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos.

Por que estranha razão, sem o consentimento informado do paciente nem da sua esposa, aliás, mentindo-lhes diretamente e sob o pretexto de “aliviar-lhe a dor”, a equipa médica decide lobotomizar Castelao e anular irreversivelmente assim um dos cérebros mais brilhantes que em toda a sua dilatada História deu o antigo Reino da Galiza? É do interesse de todas e todos que a verdade venha à tona!

CASTELAO NOS EUA

Castelao, junto com sua esposa Virgínia Pereira, chegou a Nova Iorque em 26 de julho de 1938 a bordo do transatlântico Ille de France, tendo saído de Le Havre (França) em 20 de julho e feito escala em Southampton (Inglaterra). O casal permaneceu nos Estados Unidos até julho de 1940 – incluindo visitas a outras cidades e estadia de três meses em Cuba–, estabelecendo-se no Alamak Hotel (Broadway, esquina com a 71st Street) inicialmente.

Por encomenda do governo da República Espanhola e com o apoio das Sociedades Hispânicas Confederadas e da Frente Popular Antifascista da Galiza –dous grupos anti-franquistas sediados em Nova Iorque e liderados por galegos (Xosé Castro e Ramón Mosteiro, respectivamente)–, Castelao percorre os EUA a fim de angariar apoios e fundos à República Espanhola na sua guerra contra o exército do "Generalísimo" Franco.

Duas etapas diferentes marcam a estadia de Castelao nos EUA. Uma primeira [agosto a novembro de 1938], em que desenvolve a essa intensa atividade de agitação e propagandista, e uma segunda [março de 1939-junho de 1940], que resultou ser mesmo mais difícil. O golpe de estado tinha triunfado e as atividades de Castelao centram-se agora na solidariedade e apoio aos exilados e fugitivos de uma Espanha já sob as garras franquistas, bem como na sua própria sobrevivência e na atenção aos seus graves problemas, tanto económicos como de saúde.

Em julho de 1939 Castelao viaja para Los Angeles. Em Hollywood realiza um encontro com a atriz Joan Crawford e o ator Paul Muni. Ambos eram líderes da associação de ajuda da República Espanhola, uma entidade da qual artistas de prestígio estavam envolvidos, como a estrela Bette Davis, o "vilão" oficial dos filmes de gângsteres, James Cagney, o ator e famoso cantor Bing Crosby e Charles Chaplin. De facto, como explica o biógrafo de Castelao, Miguel Anxo Seixas Seoane, o próprio Chaplin iria estar presente nessa reunião, "mas acabou por não o fazer porque estava doente". Joan Crawford era uma das estrelas da Metro-Goldwyn-Mayer e quando conheceu Castelao já tinha rodado filmes de grande sucesso como “Chained” e “Grand Hotel”, ambos com Clark Gable como parceiro (receberia o Oscar de Melhor Atriz em 1945). Paul Muni, um prestigiado ator de cinema e teatro nascido na Galícia ucraniana, já possuía nessa altura quatro nomeações e um Óscar, sendo um dos rostos mais conhecidos da grande tela ou ecrã para o grande público. Comunista, comprometido, ativista, Muni seria alvo da repressão desencadeada pelo governo dos Estados Unidos contra a esquerda 'hollywoodiana', uma caça às bruxas quechegou ao paroxismo com o tristemente célebre senador McCarthy.

Nos EUA Castelao não tem paragem: participa em inúmeras reuniões, em encontros com pequenas audiências e também em grandes comícios. Como o de Ulmer Park em Gravesend (bairro na secção sul-central do nova-iorquino burgo de Brooklyn), em 1938, onde intervém em galego perante milhares de pessoas.

Sempre que pode, encontra-se com os galegos, estejam na parte dos EUA que estiverem, para tentar manter viva a chama da Galiza. Na Virgínia Ocidental (West Virginia, estado norte-americano homónimo da sua esposa) participa num evento com mineiros galegos, anarquistas, que lhe deixam claro antes do início que eles são internacionalistas e não querem que faça um comício patriótico galego. No seu caderno, onde anota a anedota, Castelao reconhece que tinha feito um discurso evocando a Galiza e visto como as lágrimas brotavam dos olhos daqueles mineiros: “É que nos falas de cada cousa!”, recriminam a Castelao assim que o ato termina. "Pelos vistos há uma pátria e é uma pátria galega", anota Castelao no seu caderno.

Um dos factos mais conhecidos da estadia de Castelao nos EUA foi sua nomeação como presidente honorário da Federação Internacional das Sociedades Negras, em Nova Iorque. Nos 'Cadernos' ele mesmo narra a sua evolução na questão racial: desde os arrepios que lhe dava ver casais mistos de pessoas brancas e negras até a mudança que o levou a compartilhar a luta contra a discriminação racial. "Não nego que a separação das raças correspondia aos meus instintos de pureza e perfeição. Mas nos Estados Unidos eu senti primeiro uma enorme compaixão pelas pessoas negras e, mais tarde, um desejo de matar a minha repugnância por elas. Agora eu avancei ainda mais e seria capaz de me tornar um líder das reivindicações negras e em defensor desta raça. O dia em que acordei com essa sensação foi 1º de setembro de 1938. Viajamos pelo estado da West Virgínia (onde os negros ainda não são perseguidos como no Sul) e na porta dum bar aldeão, onde comiam e bebiam alguns bárbaros brancos, avistei este sinal à porta: NOTICE. Whites only. Agora sinto-me irmão dos negros".

MARIA DOCAMPO

Uma das pessoas mais próximas de Castelao e Virginia durante o seu periplo norte-americano será a jovem Maria Docampo Ramos quem, contratada pela Frente Popular Galega Antifascista, exercerá como tradutora, secretária e confidente do casal, a tal ponto que, segundo o historiador e político republicano galego no exílio Emílio González López, “era tão eficaz e tão estreita a relação, que mantiveram uma convivência quase familiar”.

Filha de um imigrante de Bergondo (Francisco Docampo Pérez), e duma imigrante de Oleiros (Maria Ramos Diaz), Maria Docampo trabalhou como tradutora de espanhol e português na central de Wall Street do Bank of London and South America, uma instituição de crédito anglo-americana que historicamente operou, segundo o ganhador do Prémio Pulitzer Tim Weiner, como peça central nas operações encobertas dos serviços secretos dos EUA no Cone Sul. Após a Guerra Civil Espanhola, convertidos A. R. Castelao e Virginia Pereira em exilados, Maria Docampo desaparece sem deixar rasto.

A versão mais precisa do seguimento a Castelao pola sua secretária vem de dous indivíduos que viveram de perto esses factos e que tinham conhecimento íntimo sobre as ações das agências de inteligência no contexto da Guerra Fria. Estas pessoas são Luis Soto, companheiro de Castelao na sua viagem pelos Estados Unidos, e Emilio González López, maçom e pessoa da mais alta confiança de Castelao, muito bem conectado com a administração norte-americana via maçonaria.

Luís Soto, militante comunista e pessoa próxima dos serviços secretos soviéticos –para os que muito provavelmente tivesse preparado algum relatório sobre as atividades do seu famoso companheiro de viagem–, não hesitava em afirmar que María Docampo era uma agente norte-americana.

Emilio González López, por sua vez, confirmará estes factos na sua investigação sobre a presença de Castelao nos EUA. Assim, González López explica que em 1941 foi ao Panamá para fazer o curso de Direito Penal e que lá coincidiu, no hotel onde estava hospedado, com o professor Edmund Peevy. Perguntou-lhe se conhecia "uma certa María Docampo" e disse-lhe que "ela tinha sido sua secretária nos Serviços Especiais" e que "pertencia ao serviço de informação militar dos Estados Unidos, mais tarde CIA".

María Docampo será assassinada pelo seu parceiro no dia 27 de setembro de 1948 na sua casa paterna de Arilho (lugar da paróquia de Dorneda, concelho de Oleiros), na Galiza. O mexicano de Jalisco fixado em Nova Iorque José García Peña –com quem, segundo as informações aparecidas na imprensa, Maria Docampo se teria casado na Cidade do México um ano antes– esfaqueou até dezassete vezes a sua alegada esposa, quem, fugindo do “Jalisco” –como ficou conhecido popularmente–, tinha regressado sozinha à Galiza no mês de julho. Não contente com este feminicídio, José García Peña acabou ainda com a vida de María Ramos e Encarnación Docampo – mãe e irmã de Maria Docampo, respetivamente – que em vão tentaram socorrer quem, até a sua misteriosa desaparição, tinha sido secretária de Castelao nos Estados Unidos.

As dúvidas sobre o horrível crime e sua motivação não demoraram a surgir devido a uma série de motivos:

1. O interesse do assassino em queimar e fazer desaparecer os papéis e fotos da sua vítima;

 2. A natureza da pena, muito leve para a gravidade dos factos;

 3. O tratamento que se lhe dispensou na prisão da Corunha (onde chegou a ser recebido em visita privada pelo mesmíssimo cardeal Quiroga Palacios)

 4. e pelo relativamente pouco tempo (doze anos) que passou preso.

No concelho de Oleiros, uma vez conhecida a sentença, a vizinhança das três mulheres assassinadas considerava que o tratamento dispensado a José García Peña estava relacionado com o passado como secretária de Castelao da coitada da María Docampo, chegando a considerar o intelectual, artista e empresário galeguista Isaac Díaz Pardo que o crime tinha respondido a motivos políticos:

“Cando en 1968 Virxinia, a viuda de Castelao, voltou por primeira vez a España, logo do exilio, parou na nosa casa, e un día acompañámola a levar unhas flores á tumba de Maria Docampo no cimiterio de Arillo. Fíxonos mil gabanzas de ela. Estáballe agradecidísima polo moito que a acompañara e axudara en New York, pois practicamente foi a ela a quen lle servíu e non ao seu home. O triple crime de Arillo soara en todo o mundo e Virxinia, que sabía hastra onde estaba enterrada, atribuía a súa desaparición a se ter fugado con algún home. Mais a cousa non era así. Poucos meses de se ir os Castelao pra Buenos Aires o profesor Emilio González López tivo que viaxar a Panamá onde atopou a María Docampo traballando cun axente do servicio de intelixencia dos EE.UU. (o que logo sería a CIA). O profesor González López supón que non ven chegou Castelao aos EE.UU. o goberno norteamericán púxolle unha informadora das súas actividades na figura de María Docampo. Mais estas cousas que nos referíu non hai moito o profesor González López vai contalas nun libro que prepara, xunto con Amado Rincón, do Castelao en EE.UU. O certo é que o crime de Arillo que se quixo pasar por pasional a costa da honestidade de María Docampo poidera ter outras explicacións que cadren millor coa incomodidade das persoas que se adicaron a informar e logo queren andar ceibes polo mundo. Castelao, que vía na escuridade aínda cego, decataríase desto? A medida que nos metemos na súa vida descobrimos moitas cousas que coñeceu e padeceu e gardou un silencio que non explicamos, que xustifica só a necesidade de seguir vivindo.”

[DÍAZ PARDO, Isaac: "Castelao en América" in “Castelao 1886-1950 (Catálogo de la exposición que el Centro Nacional de Exposiciones de la Dirección General de Bellas Artes y Archivos dedica a Castelao en el centenario de su nacimiento)”, Ministerio de Cultura, Gobierno de España,  Madrid, 1986, págs. 122-123].

No entanto, até o momento, não há evidências que sustentem essa hipótese. A ligação aos serviços secretos norte-americanos e a verdadeira identidade de José García Peña a.k.a. “Jalisco”, que acabou por se suicidar em 1978 num hospital psiquiátrico das Ilhas Canárias –depois de assassinar dous anos antes uma segunda parceira e a sua filha–, foi confirmada pela própria CIA num documento desclassificado –e divulgado entre nós pelo dramaturgo galego nascido na Venezuela Manuel Guede Oliva–, no qual se explica como foi transferido da prisão da Corunha para um centro de formação que a Agência Central de Inteligência tinha em Maspalomas (Gran Canaria).

Apenas a desclassificação de todos os arquivos relativos à espionagem dos serviços secretos norte-americanos a A. R. Castelao e a sua eventual participação na morte em Buenos Aires –em circunstâncias mais do que suspeitas– do Pai da Pátria Galega serviria para confirmar ou desmentir definitivamente esta teoria da conspiração que, segundo todos os indícios, não parece ter nada de paranoica. As galegas e os galegos merecemos conhecer a verdade sobre umas operações secretas que poderiam ter influenciado o curso dos eventos históricos, prejudicando gravemente os nossos interesses enquanto Povo.

“Ano Castelao 2025”

Somos cientes de que a figura de Castelao, visto o tipo de atividades por ele desenvolvidas em território norte-americano e as suas “dangerous liaisons” (amizades perigosas), não deve ser santo da devoção do presidente Trump.

Permita-nos dizer-lhe, no entanto, que aqui no antigo Reino da Galiza –hoje uma das dezassete “Comunidades Autónomas” em que, ao abrigo da Constituição Espanhola de 1978, se organiza administrativamente o Reino de Espanha– A. R. Castelao é uma figura absolutamente consensual, da esquerda à direita do espectro político.

Tanto é assim que na Comunidade Autónoma da Galiza –uma das apenas oito que tem o rango constitucional de “nacionalidade histórica”– o governo autónomo da direita / centro-direita, do Partido Popular que preside Alfonso Rueda Valenzuela, decidiu declarar 2025 “Ano Castelao” em comemoração do 75º aniversário do seu passamento.

No passado dia 21 do mês corrente –é dizer, no dia a seguir à tomada de posse de Donald Trump como 47º presidente dos EUA–, em conferência de imprensa, o seu homólogo galego Alfonso Rueda afirmou que "Estados Unidos é um país muito importante para a Europa, para Espanha e para a Galiza". O presidente Rueda chamou a "tirar o maior proveito duma boa relação" existente com o país norte-americano neste novo mandato que começa para "o senhor Trump” quem, segundo ele e “goste mais ou menos, foi eleito numas eleições democráticas, além do mais, com amplo respaldo". "Convem-nos, desde todos os pontos de vista, ter uma boa relação entre administrações", acrescentou o presidente do governo galego e, a perguntas dos jornalistas, disse que "não ter nenhuma relação com a primeira potência mundial" lhe parecia uma ideia indefendível.

Hoje, 30 de janeiro de 2025 –no dia em que A. R. Castelao (Rianxo, 1886), se fosse vivo, faria 139 anos – juntamo-nos a esta petição para que o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump –'em aras' à desejável boa relação entre as administrações galega e norte-americana cujo desejo exprimiu o presidente do governo galego ou 'Xunta de Galicia'–, ordene que os documentos relacionados à espionagem de A. R. Castelao –do mesmo modo que arquivos relativos aos homicídios de John F. Kennedy e Martin Luther King Jr.– sejam desclassificados e tornados públicos.

Em certa ocasião JFK, o malogrado 35º presidente dos EUA, disse: "Truth is a tyrant-the only tyrant to whom we can give our allegiance. The service of truth is a matter of heroism" (A verdade é um tirano – o único tirano a quem podemos dar a nossa lealdade. O serviço da verdade é uma questão de heroísmo).

"I believe that unarmed truth and unconditional love will have the final word in reality" (Acredito que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a palavra final na realidade), disse o reverendo Martin Luther King Jr. noutra ocasião por sua parte.

Da Galiza, nós também queremos acreditar em que finalmente assim seja.

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Suso SamartinhoCriador do abaixo-assinado" I am a son of an unknown Homeland, because no one has been able to give international fame and credence to our patriotic claims" (A. R. Castelao: "Always in Galicia"). I am a Casteliever. I believe in Castelao.

Atualizações do abaixo-assinado