

PASSO FUNDO É BERÇO DE CINCO BACIAS HIDROGRÁFICAS QUE ABASTECEM QUASE 300 MUNICÍPIOS GAÚCHOS
Cidade tem papel estratégico na gestão dos recursos hídricos do RS. É no município do norte gaúcho que nasce o Rio Jacuí, o maior do Estado
Das 25 bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul, cinco têm origem ou passam pelo território de Passo Fundo e sua divisa com Mato Castelhano, na Região Norte. Essa característica coloca a cidade no mapa estratégico da conservação da água.
É no município que nascem as bacias do Apuaê-Inhandava, Taquari-Antas, Alto Jacuí e Passo Fundo, com rios que abastecem não apenas a população local, mas também boa parte do RS.
— É um fato extremamente importante, porque é a única cidade no Estado que tem essas características, principalmente por estarmos no Planalto — afirma o diretor do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (Gesp), Paulo Fernando Cornélio.
A região, chamada pelos ambientalistas de Berço das Águas, abriga as nascentes-mãe de rios fundamentais, como o Jacuí, o maior em extensão dentro do território gaúcho.
— O Rio Jacuí nasce aqui em Passo Fundo e segue até Porto Alegre, formando o Guaíba. Só ele é responsável por cerca de 70% da água do lago — destaca Cornélio.
Além do Rio Jacuí, também estão em Passo Fundo as nascentes do Rio Passo Fundo e do Arroio Miranda, que garantem o abastecimento da cidade. As barragens da Fazenda e do Arroio Miranda são responsáveis por garantir que os mais de 214 mil passo-fundenses tenham água.
No outro extremo da cidade, na região oeste de Passo Fundo, está localizada ainda a bacia do rio da Várzea.
Impacto direto em quase 300 municípios
A localização estratégica das nascentes faz com que os recursos hídricos da cidade tenham impacto direto em 294 municípios gaúchos: 253 pelo Berço das Águas e 41 através do Rio da Várzea.
Por isso, Cornélio reforça que a responsabilidade da população na preservação desses recursos é enorme.
A água que bebemos e que movimenta a economia de parte do Estado nasce aqui. Precisamos preservar para garantir não apenas a nossa sobrevivência, mas a de centenas de cidades rio abaixo.
PAULO FERNANDO CORNÉLIO
Diretor do Gesp