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Precisamos de um Ambulatório Trans em Cuiabá urgentemente!

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Meu nome é Ian, eu sou um homem trans e, quando iniciei a minha transição, não tive a ajuda de ninguém. Nem sabia que a palavra trans existia. Fui pesquisando aos poucos, com a ajuda da minha mãe e com a orientação de profissionais de psicologia. Infelizmente, eu não tive acesso (ainda não tenho) a um atendimento qualificado de profissionais de saúde na cidade em que resido, pois não existe nenhum ambulatório trans em Cuiabá, no Mato Grosso.

O projeto do ambulatório trans em Cuiabá – que seria implementado no Hospital no Universitário Júlio Muller (HUJM) em março de 2020 – foi adiado devido à pandemia e o hospital tornou-se de campanha para tratamento de pacientes com Covid-19. Mas o plano de trabalho do ambulatório está pronto e precisamos do espaço ou de um novo local para que seja implementado, já que a demanda de atendimento às pessoas trans é urgente e não para de crescer.

O HUJM, que é um hospital-escola, é o local ideal para que se inicie o projeto de atendimento ao processo transexualizador no Estado do Mato Grosso. Esse processo engloba um conjunto de atendimentos assistenciais do SUS (Sistema Único de Saúde) voltado ao cuidado de pessoas trans que desejam modificações corporais por meio da adequação da aparência física e da função das características sexuais, de acordo com sua identidade de gênero.

As necessidades das pessoas trans vão além de mudanças estéticas: é necessário o suporte psicológico e social para que tenham qualidade de vida dentro de um contexto social que as invisibiliza. É necessário um atendimento de diversas áreas da saúde, entre elas: psicologia, psiquiatria, endocrinologia e clínica geral. O processo inclui também as cirurgias de redesignação sexual. 

Aqui no Mato Grosso, muitas pessoas ainda estão perdidas, como eu estava no início do meu processo, e acabam recorrendo ao mercado clandestino, prejudicando a própria saúde – inclusive correndo o risco de tomar medicamentos errados, colocando a própria vida em risco. Essa caminhada não é fácil nem acessível economicamente para a maioria de nós. Há pessoas com problemas seríssimos de saúde na minha cidade, por causa da dosagem errada de hormônios. Pela falta de um ambulatório, pessoas estão se mutilando e algumas já têm órgãos comprometidos por terem tomado dosagens altas de hormônio. A implementação do ambulatório dará mais dignidade e qualidade de vida para muitas pessoas, inclusive para mim, que serei um dos pacientes.

A realidade no Brasil para pessoas trans é assustadora. A média de expectativa de vida de travestis, transexuais e transgêneros não chega aos 36 anos. Aqui é o país que mais mata pessoas trans no mundo, tendo tido 175 assassinatos em 2020, o equivalente a uma morte a cada 2 dias, segundo o relatório anual da ANTRA. Além disso, muitas mortes acontecem em decorrência do uso de silicone industrial, tratamentos clandestinos e há um grande número de suicídios. 

Por isso, é URGENTE a implementação do Ambulatório Trans em Cuiabá. Que este espaço seja de acolhimento social e saúde com equipe profissional preparada, humanizada e qualificada para este atendimento. Se a viabilidade do Ambulatório por hora não for possível no Hospital HUJM, que seja redirecionado para outro local, como as Unidades Básicas de Saúde de Cuiabá. 

A população transgênero necessita que seus direitos e o acesso à saúde sejam cumpridos e respeitados, e que a equidade de acesso seja para todes/os/as já!

Pela implementação imediata do Ambulatório Trans em Cuiabá, no Mato Grosso!

Ian Santana - membro do Ibrat Mato Grosso (Coordenador municipal de Cuiabá)