POSICIONAMENTO FINAL FUTURITY ANCR 2026

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O problema

O episódio envolvendo a planilha da Final do Futurity ANCR 2026 Aberto N4 precisa ser tratado com a seriedade que o esporte exige.

Não estamos diante de uma questão de torcida, preferência, simpatia ou interpretação subjetiva de julgamento. Estamos diante de um erro objetivo de cálculo, com impacto direto no resultado oficial da prova. Quando um erro matemático altera a ordem real de classificação, a responsabilidade da entidade organizadora é revisar, corrigir e restabelecer a legitimidade do resultado.

Isso não diminui nenhum competidor. Jone é um grande treinador e uma pessoa querida por todos. O mesmo vale para Fernando Salgado, Marcus Kinzin, seus cavalos, proprietários, criadores e equipes. Este posicionamento não fala sobre pessoas, cavalos ou merecimento afetivo. Fala sobre regra, justiça esportiva e credibilidade institucional.

A própria NRHA separa claramente a revisão de julgamento da correção de erro de lançamento ou processamento de dados. No NRHA Handbook 2026, em Show Rules and Regulations, item P(10), está previsto que correções em fichas de juiz não podem ser feitas após a saída do juiz do local, mas que correções em resultados decorrentes de erros de lançamento podem ser feitas a qualquer momento: “Corrections to results due to inputting errors may be made any time.

Portanto, não se trata de reabrir julgamento, rediscutir nota subjetiva ou reinterpretar uma passada. Trata-se de corrigir um resultado produzido por erro humano na soma, no lançamento ou na conferência dos dados. E, nesse ponto, a regra é objetiva.

Sob a ótica da legislação brasileira, uma associação não está acima das normas que regem sua própria atuação. Ao organizar uma competição, publicar regulamento, receber inscrições, homologar resultados e distribuir títulos, a entidade assume deveres de transparência, isonomia, boa-fé e coerência com as regras aplicáveis. Um erro material, quando identificado, não pode ser mantido por conveniência, constrangimento ou receio de repercussão. A correção não é um favor a um competidor. É um dever institucional diante de todos os competidores.

Manter um resultado sabidamente incorreto fragiliza a confiança na competição. Não preserva a imagem da associação. Pelo contrário, coloca em dúvida a segurança de todo o processo esportivo. A credibilidade de uma entidade se mede, sobretudo, pela forma como ela corrige seus próprios erros.

É inimaginável aceitar que um time seja declarado campeão porque alguém registrou um gol a mais na súmula. O mesmo raciocínio se aplica aqui. Meio ponto, em Rédeas, não é detalhe. Esse “simples meio ponto” já decidiu títulos, consagrou campeões e deixou grandes cavalos e cavaleiros fora do lugar mais alto do pódio. Isso faz parte da precisão e da dureza do nosso esporte.

O ponto mais grave é a mensagem que fica para os competidores. A partir de agora, cada equipe terá que correr para revisar todas as planilhas nos 30 minutos seguintes à prova? Vamos naturalizar que um erro de soma, inclusive reincidente, possa definir um campeonato? Ou vamos exigir que a entidade responsável tenha processos, conferência e responsabilidade compatíveis com a importância da competição?

O medo de se posicionar também precisa ser dito. Em um esporte com componentes subjetivos, muitos se calam por receio de pagar a conta dentro de pista. Mas justamente por existir subjetividade no julgamento, tudo aquilo que é objetivo precisa ser absolutamente correto. Soma, lançamento, planilha e classificação não podem depender de interpretação.

Ninguém deve querer ser campeão sem ter sido campeão dentro da pista. Premiação se conquista com mérito, regra, conferência e legitimidade. Bons cavalos, bons treinadores e boas pessoas existem muitos. Título, porém, não se entrega por simpatia, constrangimento ou conveniência. Título se reconhece pelo resultado correto.

A ANCR tem, neste caso, a oportunidade e a obrigação de fazer o que preserva o esporte: reconhecer o erro, corrigir a classificação e reforçar seus procedimentos para que isso não se repita. A credibilidade da modalidade vale mais do que o desconforto de corrigir uma planilha.

Os tomadores de decisão

Associação Nacional do Cavalo de Rédeas
Associação Nacional do Cavalo de Rédeas

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Abaixo-assinado criado em 2 de julho de 2026