Persona non grata é o mínimo para quem não nos respeita.

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O problema

Disseram que mulheres brasileiras são programadas para criar confusão e são uma “raça bastarda”. 

 

Não foi um deslize. Foi violência em forma de palavra. 

Quando a gente se cala, esse tipo de discurso ganha espaço, ganha força, ganha repetição e já sabemos como acaba.

 


Eu não aceito. E você?

 


Esse abaixo-assinado é um posicionamento coletivo, para mostrar que não somos estereótipo, não somos alvo fácil e não vamos normalizar ataques misóginos, xenófobos e racistas, que tentam nos diminuir.

 


Assine. Compartilhe. Se posicione.

 


Porque respeito não é favor. Respeito é bom e a gente exige.

 

                    Nota de Repúdio

 


Quem somos não cabe na boca de quem não nos digere.

Há algo que homens como o italiano Paolo Zampolli ainda não compreenderam e talvez nunca compreendam: o incômodo que sentem diante de mulheres brasileiras não é sobre nós, sobre a nossa cultura, a alegria de viver que, esta sim, é genética, fruto da nossa inteligência em acolher todos os povos que o nosso país recebeu. O real incômodo desses homens é ter que lidar com seus próprios limites.

 


Em entrevista à RAI, a principal emissora pública italiana, Zampolli, assessor especial do governo Trump para parcerias globais, referiu-se às mulheres brasileiras como “raça bastarda” e insinuou que seríamos “programadas para causar confusão”.

Não vale repetir o resto. Certas palavras não merecem eco. Mas exigem resposta.

O que ele disse expressa misoginia, xenofobia, racismo e machismo em sua forma mais previsível: quem não tolera a autonomia feminina transforma a rejeição pessoal em ataque coletivo.

 


Vale lembrar que o contexto em que surgem suas declarações misóginas não é irrelevante. Ele recebeu acusações graves feitas por sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, que relata violência doméstica, abuso psicológico e sexual.

Ele nega. Mas a sua expressão e o que disse no vídeo mostram que, quando o controle lhe escapa, a estratégia muda. Generaliza-se. 

A experiência individual vira acusação contra todas.

 


O terno bem cortado e a gravata de seda não são suficientes para encobrir o seu comportamento misógino.

Já vimos esse roteiro antes na mídia italiana. Recentemente, a professora italo-brasileira Bárbara Zandomenico Perito foi publicamente associada a uma narrativa fabricada por um ex-namorado italiano que não aceitou a sua autonomia e a decisão de não transferir-se do Brasil para a Itália como ele desejava. 

A partir de então, segundo relatou, ela passou a ser acusada de integrar uma suposta seita satânica em que as mulheres engravidam de “santos” e atribuem a paternidade a homens europeus para extorquí-los por meio da pensão alimentícia. 

Junto com Bárbara, também as instituições brasileiras, como o Ministério Público, foram arrastadas para a lama numa narrativa delirante, que contesta decisões e provas do Judiciário.

A Justiça brasileira reconheceu as agressões morais à professora e concedeu à Bárbara medidas protetivas. Mesmo assim, a mídia italiana amplificou a acusação sem que o acusador não apresentasse provas. Mais uma vez, reforça-se um estereótipo que em nada representa a mulher brasileira, os cidadãos brasileiros ou o Brasil.

Esperamos poder contar sempre com o bom jornalismo italiano que, se oferecesse palco sem critério para esse tipo de discurso, não estaria informando e, sim, legitimando ressentimentos pessoais como se fossem denúncias amparadas em fatos e provas. 

 


Vale lembrar que a legislação italiana é clara. O artigo 604-bis do Código Penal, derivado da Lei Mancino (Lei 205/1993), criminaliza a propagação de ideias baseadas em superioridade ou ódio nacional e étnico. O artigo 595 trata da difamação agravada quando difundida em meios de comunicação, com penas de até três anos. 

Não se trata de interpretação criativa. Trata-se de enquadramento possível.

Por isso, solicitamos à Embaixada do Brasil na Itália e ao governo brasileiro em última instância, que tenham uma atuação que vá além de um importante gesto simbólico, dando também uma resposta institucional a uma agressão pública.

E, já que a história parece conveniente para alguns apenas quando reforça estereótipos, é importante lembrar a alguns e informar a outros sobre uma mulher brasileira chamada Ana Maria de Jesus Ribeiro.

Nascida em Santa Catarina, atravessou oceanos e entrou para a história como Anita Garibaldi. 

Lutou ao lado de Giuseppe Garibaldi nas campanhas que contribuíram para a unificação italiana. 

Morreu jovem, grávida, em território italiano. Está enterrada em Roma. Não como exceção exótica da força de uma mulher brasileira, mas como parte da fundação de um país cujos homens inseguros, nos ofende em rede nacional.

 


A Itália não foi construída apenas por italianos. E certamente não por homens ressentidos. 

Brasil e Itália têm laços profundos de amizade e colaboração. Não podemos permitir que homens infantilizados, com dificuldade de lidar com os próprios problemas, possam contaminar uma relação secular despejando os seus preconceitos através dos veículos de comunicação nacionais.

Mulheres brasileiras trabalham, têm, formam e sustentam famílias, atravessam continentes, aprendem novas línguas, constroem novas vidas. E, sobretudo, fazem algo que ainda desestabiliza muita gente: escolhem.

Escolhem ficar. Escolhem partir. Escolhem não aceitar.

Para os inseguros isso soa como ameaça. E é aí que surgem as ofensas, não como descrição da realidade, mas como tentativa de reduzí-la. 

Mas não funciona.

Nunca funcionou. Porque o problema nunca foi quem somos.

O problema é quem não suporta o que somos.

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Gabriela VidalCriador do abaixo-assinado

61

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O problema

Disseram que mulheres brasileiras são programadas para criar confusão e são uma “raça bastarda”. 

 

Não foi um deslize. Foi violência em forma de palavra. 

Quando a gente se cala, esse tipo de discurso ganha espaço, ganha força, ganha repetição e já sabemos como acaba.

 


Eu não aceito. E você?

 


Esse abaixo-assinado é um posicionamento coletivo, para mostrar que não somos estereótipo, não somos alvo fácil e não vamos normalizar ataques misóginos, xenófobos e racistas, que tentam nos diminuir.

 


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                    Nota de Repúdio

 


Quem somos não cabe na boca de quem não nos digere.

Há algo que homens como o italiano Paolo Zampolli ainda não compreenderam e talvez nunca compreendam: o incômodo que sentem diante de mulheres brasileiras não é sobre nós, sobre a nossa cultura, a alegria de viver que, esta sim, é genética, fruto da nossa inteligência em acolher todos os povos que o nosso país recebeu. O real incômodo desses homens é ter que lidar com seus próprios limites.

 


Em entrevista à RAI, a principal emissora pública italiana, Zampolli, assessor especial do governo Trump para parcerias globais, referiu-se às mulheres brasileiras como “raça bastarda” e insinuou que seríamos “programadas para causar confusão”.

Não vale repetir o resto. Certas palavras não merecem eco. Mas exigem resposta.

O que ele disse expressa misoginia, xenofobia, racismo e machismo em sua forma mais previsível: quem não tolera a autonomia feminina transforma a rejeição pessoal em ataque coletivo.

 


Vale lembrar que o contexto em que surgem suas declarações misóginas não é irrelevante. Ele recebeu acusações graves feitas por sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, que relata violência doméstica, abuso psicológico e sexual.

Ele nega. Mas a sua expressão e o que disse no vídeo mostram que, quando o controle lhe escapa, a estratégia muda. Generaliza-se. 

A experiência individual vira acusação contra todas.

 


O terno bem cortado e a gravata de seda não são suficientes para encobrir o seu comportamento misógino.

Já vimos esse roteiro antes na mídia italiana. Recentemente, a professora italo-brasileira Bárbara Zandomenico Perito foi publicamente associada a uma narrativa fabricada por um ex-namorado italiano que não aceitou a sua autonomia e a decisão de não transferir-se do Brasil para a Itália como ele desejava. 

A partir de então, segundo relatou, ela passou a ser acusada de integrar uma suposta seita satânica em que as mulheres engravidam de “santos” e atribuem a paternidade a homens europeus para extorquí-los por meio da pensão alimentícia. 

Junto com Bárbara, também as instituições brasileiras, como o Ministério Público, foram arrastadas para a lama numa narrativa delirante, que contesta decisões e provas do Judiciário.

A Justiça brasileira reconheceu as agressões morais à professora e concedeu à Bárbara medidas protetivas. Mesmo assim, a mídia italiana amplificou a acusação sem que o acusador não apresentasse provas. Mais uma vez, reforça-se um estereótipo que em nada representa a mulher brasileira, os cidadãos brasileiros ou o Brasil.

Esperamos poder contar sempre com o bom jornalismo italiano que, se oferecesse palco sem critério para esse tipo de discurso, não estaria informando e, sim, legitimando ressentimentos pessoais como se fossem denúncias amparadas em fatos e provas. 

 


Vale lembrar que a legislação italiana é clara. O artigo 604-bis do Código Penal, derivado da Lei Mancino (Lei 205/1993), criminaliza a propagação de ideias baseadas em superioridade ou ódio nacional e étnico. O artigo 595 trata da difamação agravada quando difundida em meios de comunicação, com penas de até três anos. 

Não se trata de interpretação criativa. Trata-se de enquadramento possível.

Por isso, solicitamos à Embaixada do Brasil na Itália e ao governo brasileiro em última instância, que tenham uma atuação que vá além de um importante gesto simbólico, dando também uma resposta institucional a uma agressão pública.

E, já que a história parece conveniente para alguns apenas quando reforça estereótipos, é importante lembrar a alguns e informar a outros sobre uma mulher brasileira chamada Ana Maria de Jesus Ribeiro.

Nascida em Santa Catarina, atravessou oceanos e entrou para a história como Anita Garibaldi. 

Lutou ao lado de Giuseppe Garibaldi nas campanhas que contribuíram para a unificação italiana. 

Morreu jovem, grávida, em território italiano. Está enterrada em Roma. Não como exceção exótica da força de uma mulher brasileira, mas como parte da fundação de um país cujos homens inseguros, nos ofende em rede nacional.

 


A Itália não foi construída apenas por italianos. E certamente não por homens ressentidos. 

Brasil e Itália têm laços profundos de amizade e colaboração. Não podemos permitir que homens infantilizados, com dificuldade de lidar com os próprios problemas, possam contaminar uma relação secular despejando os seus preconceitos através dos veículos de comunicação nacionais.

Mulheres brasileiras trabalham, têm, formam e sustentam famílias, atravessam continentes, aprendem novas línguas, constroem novas vidas. E, sobretudo, fazem algo que ainda desestabiliza muita gente: escolhem.

Escolhem ficar. Escolhem partir. Escolhem não aceitar.

Para os inseguros isso soa como ameaça. E é aí que surgem as ofensas, não como descrição da realidade, mas como tentativa de reduzí-la. 

Mas não funciona.

Nunca funcionou. Porque o problema nunca foi quem somos.

O problema é quem não suporta o que somos.

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Gabriela VidalCriador do abaixo-assinado

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Abaixo-assinado criado em 27 de abril de 2026