Pela saúde Trans no RJ: o Hospital Universitário Pedro Ernesto precisa de apoio da SES-RJ!

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Eu sou um homem trans, ou seja, fui designado como mulher ao nascer. Após entender o meu gênero e superar a falta de informações da época, em 2011, consegui uma das últimas vagas no Programa Transexualizador de um dos hospitais de referência em saúde trans no país, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), no Rio de Janeiro. Mas meus amigos/amigues e outras centenas de pessoas não tiveram a mesma sorte que eu e ainda esperam ansiosamente por uma vaga há 10 anos. 

Desde então, a unidade não disponibilizou mais vagas para novos usuários/usuáries, que ainda aguardam um primeiro atendimento, por conta da ausência de investimentos da Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Além disso, pessoas trans que já estão no programa aguardam na fila pelas cirurgias de redesignação sexual. Eu espero há 7 anos pela minha.

Nessa espera, muitas e muites de nós sofrem uma série de prejuízos psíquicos e físicos, que nos levam à automedicação e ao suicídio. De acordo com o dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), entre os anos de 2019/2020, foram mapeados 64 casos de suicídio de pessoas trans no país sem considerar as subnotificações que ocorrem por diversos fatores, como por exemplo, o não reconhecimento das identidades trans.

Estes são apenas alguns dos impactos da ausência de uma gestão política estadual que promova os devidos investimentos no HUPE. Enquanto esta situação não se resolve, diversas mulheres trans, travestis, homens trans e transmasculines precisam colocar as próprias vidas em risco, consumindo no mercado ilegal silicone industrial e a testosterona (hormônio).

Sendo assim, solicitamos à Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro a estruturação da gestão em saúde e o apoio ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, ampliando a equipe e o espaço físico do Hospital, de modo que ele possa receber e cuidar da minha vida, e de outras tantas vidas trans com dignidade e urgência.

- Benjamin Neves - Secretário de Políticas Internacionais do Ibrat