Pela proteção da Represa Rio de Pedras/MG: regulamentação para o uso consciente das águas

Pela proteção da Represa Rio de Pedras/MG: regulamentação para o uso consciente das águas

Assinantes recentes:
Marília Maciel e outras 19 pessoas assinaram recentemente.

O problema

      A Represa Rio de Pedras, em Acuruí, está inserida em um território de extrema relevância ambiental, histórica e cultural. A região conecta as bacias do Rio das Velhas e do Rio Doce, tendo como divisor de águas formações como a Serra do Gandarela e a Serra da Jaguara, entre outras paisagens de rara beleza. Esse contexto torna o território estratégico para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade.

      O distrito de Acuruí (pertencente a Itabirito/MG), com seu casario histórico e igrejas setecentistas, carrega mais de 300 anos de história. No século XVIII, o vilarejo estava no percurso das Estradas Reais, conectando cidades como Santa Luzia, Sabará, Caeté e Ouro Preto — então capital da Província de Minas Gerais — sendo rota de colonizadores, tropeiros e viajantes. Margeando o Rio das Velhas, esse trajeto simboliza o encontro entre os Geraes e o Sertão, onde o cerrado e a produção de alimentos dão lugar às montanhas e escarpas da Mata Atlântica, cenário das antigas minas de ouro e da formação histórica do estado.

      Nesse mesmo território está a Represa Rio de Pedras, com sua barragem datada de 1908, construída para abastecer de energia elétrica a recém-inaugurada Belo Horizonte. Hoje, além de seu valor histórico, a represa é um importante espaço de lazer, turismo e conexão com a natureza, junto a outros atrativos como a Floresta do Uaimii. No entanto, esse ambiente é extremamente sensível e já se encontra em elevado nível de degradação.

Ao longo de mais de um século, o território sofreu com o mau uso do solo, incluindo mineração conduzida de forma inadequada, retirada da vegetação nativa para formação de pastagens e, no passado, a produção de carvão vegetal para abastecer a siderurgia local. Esse processo histórico resultou em um impacto grave:
o assoreamento de aproximadamente metade do espelho d’água original da barragem.

      Hoje, a represa é um ambiente fragilizado, que precisa de recuperação. E é nesse cenário já comprometido, que o uso recente de embarcações motorizadas de alta potência — como jetskis e lanchas — passa a agravar ainda mais a situação. As ondas geradas pelas manobras, somadas ao empuxo dos motores e à movimentação constante nas margens, aceleram o deslocamento de sedimentos e intensificam o processo de assoreamento do que ainda resta da lagoa. Trata-se, portanto, da aceleração de um processo histórico de degradação que já se encontra em estágio avançado.

      Além disso, a represa está inserida na bacia do Rio das Velhas, um dos principais sistemas de abastecimento hídrico da região. A cerca de 70 km dali está a Estação de Tratamento de Água de Bela Fama, operada pela Copasa, responsável por grande parte do abastecimento de água da região. Dados técnicos indicam que:

  • Cerca de 60% a 70% da água consumida em Belo Horizonte vem desse sistema
  • Aproximadamente 40% a 50% do abastecimento da Região Metropolitana depende dessa mesma estrutura

    Esse contexto reforça que a preservação da Represa Rio de Pedras não é apenas uma questão local, mas também uma ação estratégica para a segurança hídrica regional.

- Base legal e responsabilidade pública
      De acordo com a Capitania Fluvial de Minas Gerais, a Represa Rio de Pedras é uma área de navegação interior e está sujeita às normas da Autoridade Marítima, que visam garantir a segurança da navegação, a proteção da vida humana e a prevenção da poluição ambiental. Essas normas estabelecem, entre outros pontos importantes:

  • A navegação deve ocorrer com velocidade compatível com a segurança do local, especialmente em áreas com presença de banhistas
  • É obrigatório manter distância segura de margens, áreas de banho e outras embarcações
  • Há restrições específicas para navegação em áreas próximas a barragens e estruturas hidroelétricas
  • O uso de motos aquáticas e embarcações de alta potência exige conduta responsável, evitando manobras perigosas e excesso de velocidade

    Além disso, cabe ao poder público municipal estabelecer diretrizes específicas de uso por meio do Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro (PMGC), organizando o uso do espelho d’água de forma equilibrada entre pessoas e embarcações.

      A área está inserida em contexto de preservação ambiental, com intervenções em Área de Preservação Permanente (APP), o que reforça a necessidade de cuidado rigoroso com qualquer atividade que possa impactar a qualidade das águas e o equilíbrio ambiental.

- O que pedimos à Prefeitura do município de Itabirito/MG:

  • Criação de regras específicas para uso da represa
  • Regulamentação do uso de embarcações a motor de alta potência, como jetskis e lanchas
  • Cumprimento e fiscalização das normas da Marinha do Brasil
  • Definição de zonas seguras para banho e atividades não motorizadas
  • Controle de velocidade e circulação em áreas sensíveis
  • Participação da comunidade local nas decisões

-Nosso propósito

      O 1º Desafio Caboclo D’Água de Remo foi idealizado neste contexto. Promovido através da colaboração e união de diversos operadores, empreendedores e profissionais do ramo de canoagem e do ecoturismo. Mais do que um evento esportivo e de lazer, ele representa um movimento de valorização, ocupação consciente e proteção desse território.  conheça o evento

      Esse movimento reforça o lema “Mais amor, menos motor” e chama atenção para os riscos do uso desordenado da represa nos últimos anos — especialmente com a circulação de embarcações motorizadas de alta potência, como jetskis e lanchas — que vem gerando impactos preocupantes: degradação e erosão das margens, poluição, perturbação da fauna, riscos à segurança de banhistas, além de comprometer a experiência de quem busca a tranquilidade desse ambiente natural.

      Além disso, esse cenário ameaça atividades tradicionais e consolidadas na região, como a natação em águas abertas, a canoagem, a pesca de barranco e projetos sociais ligados ao uso sustentável da represa, colocando em risco práticas que sempre coexistiram de forma equilibrada com o meio ambiente.

 

Não somos contra o uso — somos a favor do uso responsável.

Mais amor, menos motor.

Assine e faça parte desse movimento.
A proteção desse lugar depende de todos nós.

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Marília Maciel e outras 19 pessoas assinaram recentemente.

O problema

      A Represa Rio de Pedras, em Acuruí, está inserida em um território de extrema relevância ambiental, histórica e cultural. A região conecta as bacias do Rio das Velhas e do Rio Doce, tendo como divisor de águas formações como a Serra do Gandarela e a Serra da Jaguara, entre outras paisagens de rara beleza. Esse contexto torna o território estratégico para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade.

      O distrito de Acuruí (pertencente a Itabirito/MG), com seu casario histórico e igrejas setecentistas, carrega mais de 300 anos de história. No século XVIII, o vilarejo estava no percurso das Estradas Reais, conectando cidades como Santa Luzia, Sabará, Caeté e Ouro Preto — então capital da Província de Minas Gerais — sendo rota de colonizadores, tropeiros e viajantes. Margeando o Rio das Velhas, esse trajeto simboliza o encontro entre os Geraes e o Sertão, onde o cerrado e a produção de alimentos dão lugar às montanhas e escarpas da Mata Atlântica, cenário das antigas minas de ouro e da formação histórica do estado.

      Nesse mesmo território está a Represa Rio de Pedras, com sua barragem datada de 1908, construída para abastecer de energia elétrica a recém-inaugurada Belo Horizonte. Hoje, além de seu valor histórico, a represa é um importante espaço de lazer, turismo e conexão com a natureza, junto a outros atrativos como a Floresta do Uaimii. No entanto, esse ambiente é extremamente sensível e já se encontra em elevado nível de degradação.

Ao longo de mais de um século, o território sofreu com o mau uso do solo, incluindo mineração conduzida de forma inadequada, retirada da vegetação nativa para formação de pastagens e, no passado, a produção de carvão vegetal para abastecer a siderurgia local. Esse processo histórico resultou em um impacto grave:
o assoreamento de aproximadamente metade do espelho d’água original da barragem.

      Hoje, a represa é um ambiente fragilizado, que precisa de recuperação. E é nesse cenário já comprometido, que o uso recente de embarcações motorizadas de alta potência — como jetskis e lanchas — passa a agravar ainda mais a situação. As ondas geradas pelas manobras, somadas ao empuxo dos motores e à movimentação constante nas margens, aceleram o deslocamento de sedimentos e intensificam o processo de assoreamento do que ainda resta da lagoa. Trata-se, portanto, da aceleração de um processo histórico de degradação que já se encontra em estágio avançado.

      Além disso, a represa está inserida na bacia do Rio das Velhas, um dos principais sistemas de abastecimento hídrico da região. A cerca de 70 km dali está a Estação de Tratamento de Água de Bela Fama, operada pela Copasa, responsável por grande parte do abastecimento de água da região. Dados técnicos indicam que:

  • Cerca de 60% a 70% da água consumida em Belo Horizonte vem desse sistema
  • Aproximadamente 40% a 50% do abastecimento da Região Metropolitana depende dessa mesma estrutura

    Esse contexto reforça que a preservação da Represa Rio de Pedras não é apenas uma questão local, mas também uma ação estratégica para a segurança hídrica regional.

- Base legal e responsabilidade pública
      De acordo com a Capitania Fluvial de Minas Gerais, a Represa Rio de Pedras é uma área de navegação interior e está sujeita às normas da Autoridade Marítima, que visam garantir a segurança da navegação, a proteção da vida humana e a prevenção da poluição ambiental. Essas normas estabelecem, entre outros pontos importantes:

  • A navegação deve ocorrer com velocidade compatível com a segurança do local, especialmente em áreas com presença de banhistas
  • É obrigatório manter distância segura de margens, áreas de banho e outras embarcações
  • Há restrições específicas para navegação em áreas próximas a barragens e estruturas hidroelétricas
  • O uso de motos aquáticas e embarcações de alta potência exige conduta responsável, evitando manobras perigosas e excesso de velocidade

    Além disso, cabe ao poder público municipal estabelecer diretrizes específicas de uso por meio do Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro (PMGC), organizando o uso do espelho d’água de forma equilibrada entre pessoas e embarcações.

      A área está inserida em contexto de preservação ambiental, com intervenções em Área de Preservação Permanente (APP), o que reforça a necessidade de cuidado rigoroso com qualquer atividade que possa impactar a qualidade das águas e o equilíbrio ambiental.

- O que pedimos à Prefeitura do município de Itabirito/MG:

  • Criação de regras específicas para uso da represa
  • Regulamentação do uso de embarcações a motor de alta potência, como jetskis e lanchas
  • Cumprimento e fiscalização das normas da Marinha do Brasil
  • Definição de zonas seguras para banho e atividades não motorizadas
  • Controle de velocidade e circulação em áreas sensíveis
  • Participação da comunidade local nas decisões

-Nosso propósito

      O 1º Desafio Caboclo D’Água de Remo foi idealizado neste contexto. Promovido através da colaboração e união de diversos operadores, empreendedores e profissionais do ramo de canoagem e do ecoturismo. Mais do que um evento esportivo e de lazer, ele representa um movimento de valorização, ocupação consciente e proteção desse território.  conheça o evento

      Esse movimento reforça o lema “Mais amor, menos motor” e chama atenção para os riscos do uso desordenado da represa nos últimos anos — especialmente com a circulação de embarcações motorizadas de alta potência, como jetskis e lanchas — que vem gerando impactos preocupantes: degradação e erosão das margens, poluição, perturbação da fauna, riscos à segurança de banhistas, além de comprometer a experiência de quem busca a tranquilidade desse ambiente natural.

      Além disso, esse cenário ameaça atividades tradicionais e consolidadas na região, como a natação em águas abertas, a canoagem, a pesca de barranco e projetos sociais ligados ao uso sustentável da represa, colocando em risco práticas que sempre coexistiram de forma equilibrada com o meio ambiente.

 

Não somos contra o uso — somos a favor do uso responsável.

Mais amor, menos motor.

Assine e faça parte desse movimento.
A proteção desse lugar depende de todos nós.

Os tomadores de decisão

Comando da Marinha Brasileira
Comando da Marinha Brasileira
Prefeitura da Itabirito
Prefeitura da Itabirito

Atualizações do abaixo-assinado