Carta aberta a Pedro Sánchez, Secretário Geral do PSOE

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Carta aberta ao Presidente do Governo espanhol e Secretário-Geral do PSOE,

No passado dia 26 de novembro, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou uma moção – com o apoio da maioria dos seus Deputados – que condena, sem equívocos, as medidas repressivas e a deriva autoritária do Governo e do estado espanhol em relação à situação da Catalunha e que apela à anulação das condenações e a imediata libertação dos detidos catalães.

É com grande orgulho e satisfação que manifestamos não apenas a nossa adesão inequívoca e militante à moção da Assembleia Municipal de Lisboa mas também o nosso vivo reconhecimento pelo facto de, com a mesma, se terem reafirmado os princípios e valores da democracia e da liberdade assim como o respeito pelos direitos fundamentais, pilares sobre os quais assenta a sociedade portuguesa e que Lisboa, capital, não deixa de abandeirar.

REPUDIAMOS COM VEEMÊNCIA, pois, por ilegítima, anti-democrática e prepotente, a ingerência do seu partido e pelo facto de este ser a força política que governa a Espanha, do Governo que preside, nas decisões ou opiniões emitidas pela Assembleia Municipal de Lisboa, tenham elas a ver com a situação que se vive na Catalunha e, em particular, com a dos presos políticos catalães, ou com qualquer outra situação cuja necessidade de ser abordada e tratada só esta Assembleia, eleita democraticamente pela Cidadania lisboeta, pode decidir.

REPUDIAMOS COM REDOBRADA VEEMÊNCIA, por ofensiva, descabida e despropositada, o qualificativo de “ignorante” com que despachou a Moção aprovada pela maioria dos Deputados municipais de Lisboa. Ignorância, a existir, será em todo o caso a que revela o seu partido ao esquecer-se de que não possui legitimidade para condenar iniciativas de órgãos democraticamente eleitos de outro país que não o seu.

NÃO LHE COMPETE A SI NEM AO PSOE censurar que a Cidade de Lisboa, através da sua Assembleia Municipal, condene a criminalização de iniciativas que, pela sua natureza, são do âmbito da Política e que devem, aos olhos dos lisboetas, serem tratadas como tal.

NÃO LHE COMPETE A SI NEM AO PSOE exercer chantagem sobre forças políticas portuguesas que, no âmbito da Assembleia Municipal, tenham dado apoio a uma Moção que apela à negociação política do diferendo que opõe a Catalunha à Espanha. SOMOS UM PAÍS SOBERANO, se a sua ignorância o faz esquecer!

NÃO LHE COMPETE A SI, NEM AO PSOE, NEM A NENHUM ESPANHOL tentar impedir ou censurar, sequer, que a Cidade de Lisboa, os lisboetas e os Portugueses sintam um afeto especial pela Catalunha e pelos Catalães e que queiram manifestar a sua solidariedade para com a sua luta em prol dos valores e princípios da democracia e da liberdade. Solidariedade esta que existe não apenas por repudiarmos qualquer tipo de autoritarismo que viole direitos fundamentais universalmente reconhecidos, mas também devido aos laços históricos que nos unem à Catalunha e que remontam a tempos em que também nós, Portugueses, nos insurgimos e revoltámos contra os espanhóis para conseguir a liberdade! 

Portugal, 1 de dezembro de 2019 (nem de encomenda!)