No último dia 18, completaram-se dois meses que João Pedro, de 14 anos, foi assassinado na casa de seus tios, enquanto brincava com amigos no quintal. O crime aconteceu durante operação das polícias Civil e Federal.
Nestes dois meses, houve reviravoltas na investigação do caso. Compartilho com vocês um vídeo com o depoimento da mãe de João Pedro, Rafaela Coutinho Matos, e a tia, Denize Roza de Matos Pinto. Fiz também um compilado do que já aconteceu nas investigações e vou colocar aqui abaixo as principais informações. O texto é um pouco longo, pois o caso está bastante complexo. Tudo o que aconteceu até agora demonstra o grande quebra-cabeça que permeia o caso e gera revolta na sociedade.
- Desde o início das investigações, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que representa a família de João Pedro, defende que o inquérito deve ser conduzido por um órgão independente, pois existe dificuldade de a Polícia Civil conseguir apurar o caso com imparcialidade. Uma vez que os policiais são investigados pelo crime. O Ministério Público abriu um Procedimento de Investigação Criminal independente da investigação da Polícia Civil.
- Os três agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) investigados pelo crime são: Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister. Eles foram afastados e, atualmente, realizam atividades burocráticas. Ou seja, não foram demitidos. Eles prestaram dois depoimentos. Sendo que o segundo relato provocou uma reviravolta no caso. Eles foram convocados para prestar um terceiro depoimento, no Ministério Público, mas não compareceram.
- Os agentes alegaram que entraram na casa, sem mandado de busca, durante uma perseguição a traficantes. No segundo depoimento prestado, uma semana após o assassinato de João Pedro, os três agentes mudaram suas versões para o que aconteceu na casa. Eles admitiram que atiraram muito mais vezes do que alegaram no primeiro depoimento, que aconteceu logo após o crime.
- No primeiro depoimento, eles tinham afirmado que deram, juntos, 23 tiros. No segundo depoimento, disseram que atiraram 64 vezes. O agente Gonçalves, que fez mais disparos e caminhava à frente durante a operação, admitiu no segundo relato que atirou com fuzil calibre 556. No primeiro depoimento, ele havia omitido a informação e dito que usou apenas fuzil Parafal calibre 762. O tiro que matou João Pedro pelas costas foi de um fuzil calibre 556. Diferentemente das outras armas, que foram apreendidas no dia do crime, o fuzil M16 calibre 556 do inspetor Gonçalves só foi entregue uma semana depois.
- Antes da perícia no local do crime, os policiais investigados recolheram os estojos de cartuchos calibre 556 — que foram expelidos pelas suas próprias armas. A perícia feita na casa revelou 64 marcas de tiros, mas o número de marcas não bate com o de cartuchos encontrados no local: 7 estojos.
- Uma testemunha que presenciou o momento em que João Pedro foi baleado acusa o delegado Allan Duarte de ter mudado o depoimento que ela prestou no dia do crime. Ela afirmou que a versão que deu sobre os fatos não bate com o que foi registrado no papel. Consta no depoimento uma versão que alega que a adolescente teria visto traficantes pulando o muro da casa, o que beneficiaria os policiais. Ela diz que não afirmou durante o depoimento que viu criminosos na casa no dia em que João Pedro foi morto.
- Foi revelado que o delegado Allan Duarte, responsável pela investigação do homicídio, estava presente na operação em que João Pedro foi morto, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Ele participou da ação, mas não estava na casa no momento do crime. Chegou num veículo blindado após ser informado do ocorrido.
- Mesmo com os agentes sob investigação, o inspetor Gonçalves, que é justamente o que fez mais disparos dentro da casa, teve contato e transportou provas que fazem parte da investigação que apura o crime.
- Dois dos agentes investigados, Mauro José Gonçalves e Maxwell Gomes Pereira, carregam processos por alteração em cena de crime. Eles foram flagrados retirando o corpo de um homem baleado pelos agentes dentro de uma casa em 2012. Eles foram julgados por homicídio doloso, por ter disparado na direção da vítima Adalberto Santos da Silva, de dentro do helicóptero da Polícia Civil. Após cinco anos, foram absolvidos.
João Pedro teria completado 15 anos no dia 23 de junho. Sobre a data, a mãe dele disse: “Vou te falar a verdade: eu não queria nem que chegasse esse dia. Vão ser dias bem difíceis para a gente. Não sei como eu vou passar por essas datas.”
Seguimos acompanhando as investigações e clamando por justiça! Agradeço as assinaturas de todos vocês: somos mais de 3 milhões de pessoas que pedem por Justiça para João Pedro! E peço que continuem compartilhando este abaixo-assinado em suas redes sociais e pedindo #JUSTIÇAPORJOAOPEDRO