O Morro é Nosso: Pelo Tombamento do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Morro Grande


O Morro é Nosso: Pelo Tombamento do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Morro Grande
O problema
A população do Morro Grande, território periférico localizado entre os distritos da Brasilândia, Freguesia do Ó e Pirituba, é diretamente impactada pela inércia institucional no processo de proteção do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Antiga Pedreira Morro Grande. Essa ameaça é agravada pela iminência das obras do Metrô, cujas intervenções tangenciam áreas sensíveis do conjunto, incluindo o bioma remanescente de Mata Atlântica e edificações históricas. Ainda que tecnicamente o tombamento não inviabilize o andamento do empreendimento metroviário, a empresa encaminhou um parecer desfavorável ao prosseguimento do processo, o que revela uma postura de desprezo às instâncias de preservação cultural. Esse conjunto, que abriga elementos como a Capela Santa Clara de Assis, o cinema, a antiga tecelagem, as casas operárias, a Estrada do Congo, as cavas de exploração, nascentes e áreas verdes com vegetação nativa, é depositário da memória de trabalhadores, da população negra marginalizada historicamente, e de comunidades que ajudaram a construir a cidade de São Paulo. A omissão no avanço do tombamento institucionaliza mais uma camada de invisibilidade e exclusão territorial, evidenciando o abandono sistemático do patrimônio cultural periférico.
Caso o processo de tombamento não seja imediatamente deliberado, corre-se o risco de perda irreversível de um dos raros conjuntos urbanos-industriais preservados nas franjas norte da cidade. Sua descaracterização comprometeria não apenas uma paisagem histórica emblemática da urbanização operária, como também um importante corredor ambiental e arqueológico. A supressão deste conjunto configura um retrocesso institucional e um desrespeito aos marcos legais de proteção à memória social, especialmente no que tange à história das classes trabalhadoras e da população negra em São Paulo. A ausência de salvaguardas concretas permitirá a continuidade de políticas de remoção, destruição e apagamento de territórios que resistem há décadas.
O processo técnico de instrução do tombamento foi concluído em agosto de 2024, estando apto para ser incluído em pauta e deliberado pelo CONPRESP. A morosidade atual favorece a consolidação de práticas administrativas que visam ao arquivamento indireto da demanda. Diante da ameaça representada pelas obras de grande porte e do esvaziamento das políticas públicas de preservação, torna-se urgente uma ação coordenada da sociedade civil para garantir a integridade do Morro Grande. Exigimos que o poder público cumpra seu papel constitucional de assegurar a proteção do patrimônio cultural. Agir agora é uma responsabilidade coletiva, um gesto de justiça histórica e de defesa ativa da memória ambiental e urbana das periferias paulistanas.
Nós, do coletivo Memórias do Morro Grande, em conjunto do Movimento em Defesa do Parque Morro Grande, lançamos este abaixo-assinado e convocamos toda a sociedade a se engajar por esta causa: o Morro Grande não pode ser apagado.

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O problema
A população do Morro Grande, território periférico localizado entre os distritos da Brasilândia, Freguesia do Ó e Pirituba, é diretamente impactada pela inércia institucional no processo de proteção do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Antiga Pedreira Morro Grande. Essa ameaça é agravada pela iminência das obras do Metrô, cujas intervenções tangenciam áreas sensíveis do conjunto, incluindo o bioma remanescente de Mata Atlântica e edificações históricas. Ainda que tecnicamente o tombamento não inviabilize o andamento do empreendimento metroviário, a empresa encaminhou um parecer desfavorável ao prosseguimento do processo, o que revela uma postura de desprezo às instâncias de preservação cultural. Esse conjunto, que abriga elementos como a Capela Santa Clara de Assis, o cinema, a antiga tecelagem, as casas operárias, a Estrada do Congo, as cavas de exploração, nascentes e áreas verdes com vegetação nativa, é depositário da memória de trabalhadores, da população negra marginalizada historicamente, e de comunidades que ajudaram a construir a cidade de São Paulo. A omissão no avanço do tombamento institucionaliza mais uma camada de invisibilidade e exclusão territorial, evidenciando o abandono sistemático do patrimônio cultural periférico.
Caso o processo de tombamento não seja imediatamente deliberado, corre-se o risco de perda irreversível de um dos raros conjuntos urbanos-industriais preservados nas franjas norte da cidade. Sua descaracterização comprometeria não apenas uma paisagem histórica emblemática da urbanização operária, como também um importante corredor ambiental e arqueológico. A supressão deste conjunto configura um retrocesso institucional e um desrespeito aos marcos legais de proteção à memória social, especialmente no que tange à história das classes trabalhadoras e da população negra em São Paulo. A ausência de salvaguardas concretas permitirá a continuidade de políticas de remoção, destruição e apagamento de territórios que resistem há décadas.
O processo técnico de instrução do tombamento foi concluído em agosto de 2024, estando apto para ser incluído em pauta e deliberado pelo CONPRESP. A morosidade atual favorece a consolidação de práticas administrativas que visam ao arquivamento indireto da demanda. Diante da ameaça representada pelas obras de grande porte e do esvaziamento das políticas públicas de preservação, torna-se urgente uma ação coordenada da sociedade civil para garantir a integridade do Morro Grande. Exigimos que o poder público cumpra seu papel constitucional de assegurar a proteção do patrimônio cultural. Agir agora é uma responsabilidade coletiva, um gesto de justiça histórica e de defesa ativa da memória ambiental e urbana das periferias paulistanas.
Nós, do coletivo Memórias do Morro Grande, em conjunto do Movimento em Defesa do Parque Morro Grande, lançamos este abaixo-assinado e convocamos toda a sociedade a se engajar por esta causa: o Morro Grande não pode ser apagado.

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Abaixo-assinado criado em 18 de agosto de 2025